Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.

Salve Maria!

Já tem um certo tempo que planejava adicionar alguma obra de Dom Estêvão Bettencourt, uma vez que tanto colaborou para a formação dos católicos através de inúmeras obras, em especial a famosa revista Pergunte e Responderemos com cerca de 30.000 páginas de artigos da maior importância para a vida da Igreja e da sociedade. Além de escrever uma longa e completa série de livros de estudo para Escola Mater Ecclesiae com um ensinamento totalmente fiel ao Magistério da Igreja Católica, inclusive este Curso Bíblico.  Portanto, nada mais justo do que trazer uma obra segura para aprofundarmos nas Sagradas Escrituras e em nossos estudos pessoais.

Índice
Prefácio de Dom Karl Josef Romer
Léxico Bíblico
Biografia de Dom Estêvão Bettencourt
1.ª Etapa. Introdução Geral à Bíblia
Módulo I.
Inspiração Bíblica
Módulo II. O Cânon Bíblico
Módulo III. História do Texto Sagrado
Módulo IV. Interpretação do Texto

2.ª Etapa. Introdução ao Novo Testamento
1.ª Subetapa. Introdução aos Evangelhos
Módulo I. Introdução Geral aos Evangelhos
Módulo II. Evangelho Segundo Mateus
Módulo III. Evangelho Segundo Marcos
Módulo IV. Evangelho Segundo Lucas
Módulo V. Evangelho Segundo São João

2.ª Subetapa. Os Atos dos Apóstolos
Módulo Único. Os Atos

3.ª Subetapa. São Paulo e suas Epístolas
Módulo I. A Pessoa E A Obra De Paulo
Modulo II. As Duas Cartas Aos Tessalonicenses
Módulo III. A Epístola Aos Gálatas
Módulo IV. A Primeira Epístola Aos Coríntios
Módulo V. A Segunda Epístola Aos Coríntios
Módulo VI. A Epístola Aos Romanos
Módulo VII. As Epístolas Do Cativeiro (I)
Módulo VIII. As Epístolas Do Cativeiro (II)
Módulo IX. As Epístolas Pastorais
Módulo X. A Epístola Aos Hebreus

4.ª Subetapa. As Epístolas Católicas
Módulo I. Tg e 1/2/3 Jo
Módulo II. 1/2 Pd, Jd

5.ª Subetapa. O Apocalipse
Módulo Único. O Apocalipse

3.ª Etapa. Introdução geral ao Antigo Testamento
1.ª Subetapa. Os Livros Históricos
Módulo I. O Pentateuco
Módulo II. O Livro de Josué
Módulo III. Os Livros dos Juízes e de Rute
Módulo IV. Os Livros de Samuel
Módulo V. Os Livros dos Reis
Módulo VI. A Obra do Cronista (1/2 Cr, Esdr, Ne)
Módulo VII. Tobias, Judite, Ester
Módulo VIII. Os Livros dos Macabeus

2.ª Subetapa. Os Livros Sapienciais
Módulo I. O Livro de Jó
Módulo II. Os Salmos e Provérbios
Módulo III. Eclesiastes e Cântico
Módulo IV. Sabedoria e Eclesiástico

3.ª Subetapa. Os Livros Proféticos
Módulo I. Os Profetas. Isaías
Módulo II. Os Escritos de Jeremias e Baruc
Módulo III. Ezequiel e Daniel
Módulo IV. Os Profetas Menores

4.ª Etapa. Exegese de Textos Seletos
Módulo I. O Hexaémeron
A Pré-História Bíblica. Módulo II. As Origens
A Pré-História Bíblica. Módulo III. A Queda Original
A Pré-História Bíblica. Módulo IV. Caim E Abel, Cainitas, Setitas e Semitas
A Pré-História Bíblica. Módulo V. O Dilúvio Bíblico
A Pré-História Bíblica. Módulo V. Os setenta povos. Babel

Prefácio de Dom Karl Josef Romer

O Curso Bíblico, elaborado há anos por Dom Estêvão Bettencourt, tem sido indispensável a tantas gerações daqueles que procuram uma sólida formação na fé da Igreja. De acordo com o desejo do próprio Dom Estêvão, foi profundamente reelaborado e atualizado, quanto aos ganhos da exegese e teologia mais recentes, por Maria de Lourdes C. Lima, cuja competência exegética e abertura teológica, na diretriz de Dom Estêvão, nos levam à orientação do Concílio:

“Para entender bem o que Deus nos quis comunicar, o intérprete deve buscar com cuidado o que o hagiógrafo quis dizer e o que aprouve a Deus manifestar com as suas palavras” (Dei Verbum 12,1).

O Curso Bíblico Mater Ecclesiae enfrenta o duplo desafio de tornar acessível o mistério da Palavra de Deus e de contextualizar os resultados da exegese moderna na abençoada abertura teológica de Dei Verbum. Ambos autores são de alta competência para nos introduzir no mundo das Escrituras Sagradas e no desígnio divino, sem ceder aos aplausos fáceis de um populismo que arrisca trair a sagrada tarefa de ler a Palavra de Deus, divina, em suas formas sempre humanas.

Jesus não mandou nem escrever nem ler, mas testemunhar e ouvir. Com isso, a Bíblia em nada deve perder sua normatividade para a fé da Igreja. Todavia, ela é colocada na Tradição, que vinha dos apóstolos, lhe é anterior. Com o nascer da Igreja, o anúncio recebeu também sua forma escrita, na qual a Revelação continua viva e apela à audição pela fé da Igreja.

Tanto a Tradição apostólica como a Escritura tem por mensagem o insondável mistério de Deus e a salvação da humanidade. Sua destinatária é a Igreja, povo de Deus, e, através da Igreja, o mundo. Por isso, só para quem lê a Escritura com a Igreja, e na fé da Igreja, começa e continua a resplandecer “o conhecimento da glória de Deus que se reflete na face de Cristo” (2Cor 3,6; cf. DV 2).

Dito com o Papa Bento XVI: A exegese bíblica não quer exaurir-se em hipótese históricas sempre novas, mas, sem renunciar ao rigor histórico, deve abrir-se a uma hermenêutica da fé que fecunda e completa a visão histórica. Esta hermenêutica teológica “leva responsavelmente em consideração as razões históricas que permanecem incluídas nesta mesma fé” (Bento XVI, Jesus de Nazaré, Introdução).

Nesta estrada coloca-se o presente livro: quer conduzir a ler e estudar as Escrituras à luz da fé que é estudar as Escrituras à luz da fé que, mediante a Tradição apostólica, vem de Jesus Cristo. Dessa forma, a profundidade da compreensão da revelação cresce em nós, o próprio “Espírito Santo aperfeiçoa constantemente a fé com os seus dons” (DV 5) e se cria assim a comunidade eclesial em sua fé viva e operante. Podemo-nos felicitar com esta obra que orienta para uma compreensão mais profunda e mais completa da Sagrada Escritura.

Dom Karl Josef Romer
Secretário Emérito do Pontifício Conselho para a Família


Léxico Bíblico

Na elaboração de nossas aulas, resolvemos adotar uma linguagem acessível ao grande público, mas enriquecida por vocábulos técnicos, específicos do linguajar exegético bíblico. Tais vocábulos são, por vezes, insubstituíveis; daí a necessidade de utilizá-los. Conhecê-los exigirá do estudioso um certo esforço, esforço, porém, bem compensado. Eis porque publicamos a seguir, um pequeno Vocabulário ou Léxico bíblico, que poderá valorizar a cultura bíblica de nossos leitores e servirá de instrumental para acompanhar nossas aulas

A Redação

* * *

Amanuense: a pessoa que escreve quanto lhe é ditado por outrem, sem colocar algo de próprio. Ver autor.

Apócrifo: em grego, apókryphos quer dizer oculto. Tal era o livro não lido em assembléia pública de culto, mas reservado à leitura particular. Apócrifo opõe-se a canônico, pois canônico era o livro lido no culto público, porque considerado Palavra de Deus inspirada aos homens. Ver inspiração.

Apócrifo não tem necessariamente sentido pejorativo. É simplesmente o texto que, por um motivo qualquer, não era de uso público; pode conter verdades históricas, como a da Assunção corporal de Maria Santíssima aos céus.

Apocalipse: do grego apokálypsis, revelação. É um gênero literário ou um modo de redigir escritos que tem as seguintes características: imagina o fim da história, por ocasião do qual o Senhor virá à terra sensivelmente para julgar os homens e restaurar a ordem violada. Esse aparecimento de Deus é assinalado por sinais no mundo, abalo da natureza, catástrofes… Tal gênero literário recorre freqüentemente a símbolos e imagens, que devem ser interpretados segundo critérios objetivos ou de acordo com a mentalidade dos escritores antigos. Determinado símbolo podia significar uma coisa para os antigos e pode significar outra para os modernos.

Apocalipse de São João é o nome de um apocalipse, que vem a ser o último livro da Bíblia. Há, entre os apócrifos, o Apocalipse de Henoque, o de Elias…

Aramaico: língua dos filhos de Aram (cf. Gn 10,22), muito próxima do hebraico. Tornou-se língua diplomática ou internacional no Oriente antigo a partir do V a. C. Os judeus após o exílio (587-538 a.C.) a adotaram como língua corrente, reservando o hebraico para o culto sagrado, Havia o dialeto aramaico de Jerusalém e o da Galiléia (cf. Mt 26,73). Jesus e seus discípulos falavam aramaico.

Autor: a pessoa que concebe idéias ou o conteúdo de determinado escrito; é o responsável supremo pelo teor do seu livro. Tal é o caso de São Paulo em relação a 1/2 Ts, Gl, 1 Cor…

Em alguns, casos na antiguidade, o autor não escrevia diretamente, mas ditava a um companheiro, que escrevia. Este era chamado escriba ou amanuense. Ver escriba.

Em outros casos, o autor não ditava, mas deixava ao companheiro a tarefa de compor e exprimir as idéias do autor. Tal companheiro então se chamava redator, pois era ele quem redigia a mensagem do autor. Há, por exemplo, quem admita que Hb teve como autor São Paulo e, como redator, um discípulo de Paulo, como seria Apolo ou Barnabé.

Bíblia: a palavra vem do grego bíblos, livro. O diminutivo é bíblion, livrinho, que no plural faz bíblia livrinhos. O diminutivo perdeu sua força própria com o passar do tempo, de modo que bíblia ficou sendo simplesmente o mesmo que livros. A Bíblia é, pois, etimologicamente falando, uma coleção de livros.

Bispo: é o sacerdote que mais participa do sacerdócio de Cristo, estando colocado no grau supremo do sacramento da Ordem. Abaixo dele vêm os presbíteros e, a seguir, os diáconos.

Enquanto os Apóstolos viviam, eram eles os pastores ambulantes de toda e qualquer comunidade cristã. Em cada uma destas instituíam um colegiado de presbíteros (= anciãos: em grego), também chamados “superintendentes” ou “vigilantes” (epískopoi, em grego); cf. At 14,23; 11,30; Ti 1,5; Fi 1,1; At 20,17.28. Governavam a comunidade sob a jurisdição dos Apóstolos. Com a morte dos Apóstolos, as comunidades passaram a ser governadas por um pastor residente, escolhido dentre os presbíteros ou epíscopos (superintendentes). Esse pastor supremo local ficou exclusivamente com o nome de epíscopo (= bispo), ao passo que os membros do colegiado subalterno ficaram sendo chamados exclusivamente presbíteros (= padres, no sentido de hoje). No inicio do século II, isto é, nas cartas de Santo Inácio de Antioquia († 107) se registra a existência do episcopado monárquico como ele é hoje.

Cânon: do grego kanná, caniço. Significa medida, régua; em sentido metafórico, designa regra ou norma de vida (cf. Gl 6,16). Os antigos falavam do cânon da fé ou da verdade, para designar a doutrina revelada por Deus, que era critério para julgar qualquer doutrina humana e para nortear a vida dos cristãos. Derivadamente cânon significava também catálogo, tabela, registro; neste ultimo sentido os cristãos passaram a falar do cânon bíblico ou da Bíblia (= catálogo dos livros bíblicos).

Protocanônico é o livro que sempre pertenceu ao cânon ou catálogo. Deuterocanônico é o escrito que primeiramente foi controvertido e só depois entrou definitivamente no cânon sagrado. Próton = primeiro (da primeira hora). Déuteron = segundo (em segunda instância).

Carisma: do grego chárisma, quer dizer dom em geral. Já nas epístolas de São Paulo carisma é dom para tal ou tal tipo de serviço; cf. 1Cor 12,7; 14,26-31; Ef 4,12-16. O dom das línguas, por exemplo, nada vale se não há quem as interprete para o serviço e a edificação dos ouvintes; cf. 1Cor 14,5-13. Existem os carismas da profecia, das curas, do governo, do apostolado… Mas o melhor carisma é o da caridade (ágape), que não produz espalhafato, mas tudo perdoa, tudo crê, tudo suporta (1Cor 13,7). Muitos carismas nada têm de portentoso: o de assistir aos enfermos, o de educar crianças, o de instruir os ignorantes, o de liderar um grupo…

Catecúmeno: pessoa submetida à catequese ou ao ensinamento sistemático da fé cristã. Geralmente o catecumenato precedia o batismo de adultos e foi rigorosamente aplicado até o século V.

O catecumenato e a catequese supunham o kérygma ou querigma, anuncio sumário e muito vivaz da Boa-Nova de Jesus Cristo; quem aderisse a essa mensagem breve, era levado à catequese. Como exemplos de querigma, temos os discursos de S. Pedro em At 2,14-36; 3,11-26; 4,8-12; 5,29-32… Como exemplo de catequese, citem-se Mt 5-7 (o sermão da montanha), Mt 13 (as sete parábolas do Reino), Lc 15 (as três parábolas da misericórdia)…

Chalom: palavra hebraica que significa Paz. Em hebraico, tem sentido muito mais rico do que em português: não significa apenas “ausência de guerra”, mas “bem-estar, harmonia do homem com Deus, com a natureza e consigo mesmo”. Os profetas bíblicos tinham consciência de que o pecado introduzira a desordem no mundo; em conseqüência anunciavam a Paz; esta seria o grande dom do Messias; cf. Mq 5,4; Is 9,5s. No Novo Testamento, diz São Paulo que Cristo é a nossa Paz; Ele fez de dois povos (judeus e pagãos) um só povo ou um só corpo (Ef 2,14-22). Por isto Cristo, vitorioso sobre a morte após a ressurreição, deixou aos Apóstolos a sua paz, junto com o dom do Espírito Santo e o poder de perdoar os pecados (cf, Jo 20,19-23); são estes que se opõem à paz dos homens com Deus e entre si. Temos que tornar realidade crescente essa paz de Cristo na terra: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). O nome da cidade “Jerusalém”, símbolo da bem-aventurança final (Ap 21,9-27), é interpretado como “Visão da Paz”.

Cheol: os judeus chamavam cheol um lugar subterrâneo, por eles imaginado, onde estariam, inconscientes ou adormecidos, todos os indivíduos humanos após a morte. A terra era tida como mesa plana, debaixo da qual se encontraria a “mansão dos mortos’; esta em grego era chamada Hades: em latim, inferni (da preposição infra, que significa abaixo; donde inferni = inferiores lugares).

Em conseqüência, os antigos judeus não podiam admitir retribuição póstuma nem para os homens bons nem para os infiéis, pois todos se achavam inconscientes; ver, por exemplo, Jó “-21s; 21,21; Is 14,10; 38,18; 63,18; S! 6,6; 29(30), 10,.. A justiça divina, segundo tal concepção, devia exercer-se no decorrer mesmo da vida presente; os homens fiéis seriam recompensados com saúde, vida longa, dinheiro…, ao passo que os pecadores sofreriam doenças, morte prematura, miséria…

Com o tempo, as concepções antropológicas dos judeus foram-se esclarecendo, de modo que já no século II a.C. admitiam a ressurreição dos mortos e a retribuição final para bons e maus depois da morte. Ver Dn 12,2s: “Muitos dos que dormem no solo poeirento acordarão, uns para a vida eterna, e outros para o opróbrio, para o horror eterno. Os sábios resplandecerão como o esplendor do firmamento; e os que tornaram justos a muitos, como as estrelas por toda a eternidade refulgirão” (cf. 2Mc7,9.11.14).

No tempo de Jesus, os judeus já admitiam sorte póstuma diferente para os bons e os maus; veja-se, por exemplo, a parábola do ricaço e do pobre Lázaro, em Lc 16,19-31, onde aparece a separação de uns e outros. Na terminologia cristã latina, a palavra inferno ficou reservada para designar a sorte póstuma dos réprobos. Todavia a topografia do além, supondo terra plana e compartimentos subterrâneos para bons e maus, está superada. A fé cristã professa a realidade da vida póstuma ou a subsistência da alma humana após a morte, mas não pode indicar lugar determinado para o céu e o inferno (o que não esvazia em absoluto os conceitos respectivos).

Circuncisão: ablação ou retirada do prepúcio feita com um cutelo de pedra (cf. Js 5,3). Originariamente, fora de Israel, era um rito de integração do menino no clã e de iniciação ao matrimônio. No século XIX a.C., com Abraão, a circuncisão veio a ser o sinal da aliança do israelita com Javé. Através dos tempos, os Profetas insistiam na espiritualização da circuncisão, que deveria coincidir com a conversão do coração; cf. Jr 4,4; 6,16; Dt 10,16; 30,6.

Concílio: é uma reunião de pastores da Igreja ou de rabinos da Sinagoga, destinada a tratar de assuntos doutrinários ou disciplinares. Pode ser regional ou local, se congrega apenas os responsáveis de uma determinada região. É ecumênico (ou universal) quando reúne os bispos do mundo inteiro. Diz-se que o primeiro Concílio da história da Igreja foi o de Jerusalém (At 15), embora só uma minoria dos Apóstolos tenha lá comparecido; no ano de 49, vários dos Apóstolos já se tinham dispersado para pregar o Evangelho.

Epíscopo: ver bispo.

Escatologia: é a doutrina referente ao eschatón ou aos últimos acontecimentos ou ainda à consumação da história. Esta pode ser coletiva (a consumação da história da humanidade ou o fim do mundo), como pode ser individual (a consumação da história terrestre ou da peregrinação de determinada pessoa).

Escatológico é o que se refere aos últimos acontecimentos. Perspectiva escatológica, por exemplo, é a consideração dos fatos presentes à luz da eternidade ou da consumação para a qual tendem. Bens escatológicos são os bens definitivos já presentes em meio ao tempo.

Escriba: entre os cristãos, é o amanuense, que escreve quanto lhe é ditado; tal foi o caso de Tércio (cf. Rm 16,22). Entre os judeus, os escribas eram aqueles que, desde o tempo de Esdras (século V a.C.), eram entendidos nas coisas da Lei; por isto eram também chamados legisperitos” ou “doutores da Lei” (cf. Lc5,17; Mt 22,35). Os escribas tiveram grande influência sobre a vida do povo judeu.

Exegese: do grego exégesis, explicação, explanação. É a arte de expor ou explicar o sentido de determinado texto, especialmente da Bíblia; para ser rigorosamente conduzida, requer o estudo de línguas, história, arqueologia… orientais. Segundo São João (Jo 1, 18) Jesus é o Grande Exegeta do Pai, pois Ele nos revelou (exegésato) o Pai.

Exegeta é a pessoa que cultiva a exegese.

Geena: vem de ge-hinnom, em aramaico. Nos arredores de Jerusalém havia um vale (ge’, em hebraico) pertencente aos filhos de Hinnom (ben-hinnom). Donde ge’-ben-hinnom ou ge’-hinnom, em hebraico. Nesse vale se sacrificavam crianças ao deus Moloc, da Babilônia; cf_ 2Rs 16,3; 21,6; Jr 32,35. Depois do exílio (587-538 a.C.), os judeus lá queimavam seu lixo. Por isto, o ge’-hinnom ou a ge’-hinnam era um lugar de fogo. Jesus se serviu do vocábulo para designar a sorte póstuma dos que renegam a Deus; cf. Mc 9,43.45.47.

Gênero literário: conjunto de normas de estilo e de vocabulário que regem a explanação: de determinado assunto. Assim os textos de leis tem seu expressionismo e seu estilo próprio (claro e conciso); ao contrário, a poesia tem outro expressionismo (metafórico e reticente): uma carta familiar difere, por seu linguajar, de uma carta comercial… – Como há gêneros literários na linguagem moderna, há-os também na linguagem bíblica; a consciência disto tornou-se clara aos cristãos a partir de fins do século passado; em consequência, hoje, quando o leitor está para abordar o texto bíblico, deve informar-se a respeito do respectivo gênero literário (será poesia?… história edificante?… história estrita?… parábola?…). Cada gênero literário, tendo suas regras de expressão próprias, tem também suas regras de interpretação particulares, de modo que não se pode entender um texto de leis como se entende uma poesia ou uma parábola.

A definição do gênero literário de determinado texto não se pode fazer arbitrariamente, mas deve obedecer a critérios científicos (exame das características do texto).

Hagiógrafo: autor sagrado ou autor de algum escrito bíblico. Um só livro pode ter mais de um autor ou hagiógrafo.

Hermenêutica: arte de interpretar (hermeneuein, em grego). Interpretar é procurar compreender e explicar – o que tem de ser feito segundo critérios objetivos e não conforme opiniões ou pareceres subjetivos. Embora a Bíblia seja Palavra de Deus, que tem eficácia santificadora própria, ela é a Palavra de Deus encarnada na palavra do homem; por isto precisa de ser entendida primeiramente com o instrumental das ciências históricas e lingüísticas para se perceber o sentido da roupagem que a Palavra de Deus quis assumir. Só depois de depreender o que o autor sagrado tinha em vista exprimir com sua linguagem, é possível passar para o plano da fé e da teologia.

Inferno: do latim infernus, adjetivo que vem de infra, abaixo. Inferno seria a região inferior, colocada debaixo da superfície da terra. Significaria o cheol dos judeus antigos. Na linguagem cristã, feita abstração de topografia ou de geografia do além, inferno significa o estado póstumo dos que renegaram consciente e voluntariamente a Deus.

Inspiração bíblica: distingue-se da inspiração no sentido usual da palavra, pois não é ditado mecânico nem é comunicação de idéias que o homem ignorava, inspiração bíblica é a iluminação da mente de um escritor para que, sob a luz de Deus, possa escrever, com as noções religiosas e profanas que possui, um livro portador de autêntica mensagem divina ou um livro que transmite fielmente o pensamento de Deus revestido de linguajar humano.

A finalidade da inspiração bíblica é religiosa, e não da ordem das ciências naturais.

Toda a Bíblia é inspirada de ponta a ponta, em qualquer de suas partes.

Certas passagens bíblicas, além de inspiradas, são também portadoras de revelação ou da comunicação de doutrinas que o autor sagrado não conhecia através da sua cultura (Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, chamou-nos para o consórcio da sua vida, mandou-nos o Filho como Redentor, etc.).

A distinção entre inspiração bíblica e revelação se faz muito clara no livro de Jó. Este trata do sofrimento do homem justo; por que é abatido pela doença? O autor sagrado só tinha noção do cheol; ignorava a retribuição póstuma; Deus não lhe quis revelar a vida póstuma consciente; mas quis inspirá-lo para escrever o livro de Jó. Isto quer dizer que o autor procurou dentro dos limites da vida presente uma resposta para a questão do sofrimento dos justos. Não a encontrou, porque só se elucida à luz da ressurreição e da vida póstuma, consciente. Em consequência, o hagiógrafo apenas pôde dizer que o sofrimento nem sempre supõe pecados pessoais, como se fosse um castigo (o que já era um progresso na mentalidade de Israel); quanto ao mais, terminou pedindo o silêncio do homem diante do mistério da dor; é certo que Deus é mais sábio do que o homem e não se engana, mas o homem não é capaz de abarcar os desígnios de Deus. Esta conclusão é plenamente válida, é digna de um livro inspirado; mas não contém a revelação da ressurreição dos mortos e da vida póstuma consciente, que só mais tarde teria lugar em Israel. Por último, Jesus nos revelou que o sofrimento, aceito em união com Ele, é Páscoa ou passagem para a ressurreição e a glória definitiva.

Algo de semelhante se deu com o livro do Eclesiastes. É inspirado de ponta a ponta, mas não traz a revelação da vida póstuma consciente, sem a qual é impossível debater o problema da felicidade, que o hagiógrafo encara. Não obstante, a conclusão do livro é verídica não só para um judeu, mas para um leitor cristão; cf. Ecl 12,13s. Ver revelação.

Javé: é o nome com o qual Deus se revela a Moisés em Ex 3,14s. Pode ser interpretado de várias maneiras: a tradição dos judeus de Alexandria, muito dados a especulações filosóficas, traduziu Javé para o grego por ho on, Aquele que é; queriam indicar assim o Absoluto ou o Transcendente de Deus. Todavia parece que, segundo a concepção dos judeus da Palestina, menos propensos a elevações filosóficas, o nome Javé significa Aquele que é fiel, que acompanha o seu povo e lhe está sempre presente.

Lei: na linguagem paulina designa freqüentemente a Torá ou a Lei de Moisés de modo que, quando o Apóstolo censura a Lei (cf. Gl 2,6; 3,10.19), tem em vista não qualquer lei nem a boa ordem publica, mas a Lei de Moisés, que era um provisório preparativo da vinda do Cristo.

Messias: vocábulo hebraico que significa Ungido; foi traduzido para o grego por Christós. Eram ungidos os reis de Israel (cf. 1Sm 10,1; 16,13; 2Sm 2,4…), que por isto traziam o nome de “Ungidos de Javé”. A unção significa relação particular entre o Senhor Deus e o ungido, que assim era revestido de autoridade especial e inviolável (cf. 1Sm 24,7; 26,9.11…). Ungidos eram também os sacerdotes em Israel (cf. Ex 28,41; Lv 10,7; Nm 3,3). Aos profetas se aplicava uma unção não em sentido próprio, mas em sentido metafórico (cf. 1Rs 19,19; 2Rs 2,9-15). -Visto que o Salvador prometido desde Gn 3,15 seria Rei, filho de Davi (cf. 2Sm 7,12-16), Sacerdote (cf. Hb 7,1-25; Gn 14,17-20) e Profeta, o titulo de Ungido lhe foi atribuído na literatura judaica e nos escritos do Novo Testamento (cf. Jo 1,41; 4,25). Jesus foi ungido com o Espírito Santo e com poder (At 10,38); Ele mesmo aplicou a Si o texto de Is 61,1, apresentando-se corno o Ungido que veio anunciar aos povos a Boa-Nova (cf. Lc 4,18-21).

Com o tempo, a palavra Ungido, que era um adjetivo próprio para significar uma função, tornou-se nome próprio, justaposto a Jesus; donde Jesus Cristo, e não Jesus o Cristo.

Midraxe: é uma narração de fundo histórico, ornamentada pelo autor sagrado para servir à instrução teológica e à edificação dos seus leitores. O autor conta o fato de modo a pôr em relevo o valor ou o significado religioso desse fato. A sua intenção não é estritamente a de um cronista, mas a de um catequista ou teólogo. Como exemplo, citemos o caso do maná: em Nm 11,4-9 é apresentado como alimento insípido e pouco atraente; mas em Sb 16,20s é tido como cheio de sabor, adaptando-se ao paladar dos que comiam. Parece haver contradição; na verdade não a há: o autor de Nm escreve uma narração de cronista, ao passo que o de Sb nos apresenta o sentido teológico do maná num midraxe: o maná era pão delicioso não por seu paladar, mas porque era o penhor da entrada do povo na Terra Prometida; visto no contexto da história da salvação, o maná foi delicioso.

Parábola: história fictícia que serve para ilustrar uma verdade teológica. É, pois, uma longa comparação; caracteriza-se pelas fórmulas “O reino dos céus é semelhante…, é como…”. A parábola nunca aconteceu. Deve-se interpretar a parábola procurando a linha-mestra do seu ensinamento e transpondo tal mensagem para o plano da fé. Assim em Lc 15,11-32 a bondade do pai para com o filho pródigo ilustra a misericórdia de Deus para com os pecadores; em Lc 10,30-37 a solicitude caridosa do bom samaritano ilustra a maneira como devemos tratar o próximo, qualquer que seja a sua condição humana ou social.

A alegoria carece da fórmula “é semelhante, é como…” Exprime diretamente o nexo entre o sujeito e o predicado: “Eu sou o Bom Pastor” (Jo 10,11), “Eu sou a verdadeira videira” (Jo 15,1)… Na alegoria os pormenores da imagem podem ser aplicados ao plano transcendental com mais rigor do que na parábola (esta geralmente fala apenas por seu fio condutor}.

Parusia: visita que o Imperador Romano fazia às cidades do Império; tal aparição do Imperador era sempre ocasião de alegria festiva. – Ora os cristãos assumiram este vocábulo para designar a segunda vinda de Cristo ao mundo a fim de consumar a história; Ele virá como Senhor, Kyrios, Imperador a fim de julgar o mundo e restaurar plenamente a ordem.

Presbítero: ver Bispo.

Promessa: no vocabulário paulino, é a promessa, feita por Deus a Abraão, de que sua posteridade seria numerosa e por ela todos os povos receberiam a bênção (= o Messias); cf. Gl 3,16.18. Tal promessa se cumpriu em Cristo; cf. 2Cor 1,20.

Querigma: ver catecúmeno.

Revelação: a Bíblia nos dá, a saber, que Deus falou aos homens comunicando-lhes o mistério da sua vida trinitáría e o seu desígnio de salvação, centrado em Cristo Jesus. Nunca os homens chegariam por si a conhecer tais verdades. Por isto o judaísmo e o Cristianismo são religiões reveladas.

A Bíblia contém a revelação de Deus aos homens, mas nem todas as páginas da Bíblia, embora inspiradas, são portadoras de revelação divina. Note-se, por exemplo, que em Is 7,14 está predito que uma virgem conceberia e daria à luz um filho: isto foi consignado no texto sagrado por efeito de dois carismas (o da revelação e o da inspiração); mas, quando Mt 1,20-23 e Lc 1,26-38 nos dizem que a virgem concebeu e deu à luz um filho, já não escrevem por efeito de revelação (o fato já ocorrera e era notório), mas unicamente por efeito do dom da inspiração bíblica. – Toda profecia é fruto de revelação divina.

Salmos (numeração): O texto hebraico (M) e o dos LXX e da Vulgata latina contêm 150 salmos, mas o modo de numerá-los é diverso, como se pode ver na seguinte tabela:

Texto hebraico (M)LXX e Vulgata
1-81-8
9-109
11-11310-112
114-115113
116,1-9114
116,10-19115
117-146116-145
147,1-11146
147,12-20147
148-150148-150

As razões da diversidade de numeração são históricas e de pouca monta.

Em nossas aulas indicaremos sempre as duas numerações de cada salmo, quando as houver; a anterior será a da Vg, e a posterior a do texto hebraico.

Satã ou Satanás: termo hebraico que significa “adversário”. Satã podia ser o indivíduo que diante de um tribunal exercesse o papel de acusador (cf. Sl 108,6). Tal vocábulo, aos poucos a partir do século V a. C., foi reservado a um anjo que Deus criou bom, mas que se perverteu pelo pecado e se tornou adversário ou tentador do gênero humano; cf. Jó 1,6-2,7; 1 Cr 21,1. Foi identificado com a serpente de Gn 3,1 (cf. Sb 2,24). Portanto Satã não é uma figura mitológica nem é a realidade neutra do Mal, mas é uma criatura inteligente, incorpórea, que o Criador fez para a sua glória e que se afastou livremente de Deus; atualmente recebe do Senhor autorização para provar os homens, dando-lhes ocasião de acrisolar e corroborar a sua fidelidade a Deus; cf. Rm 16,20; Ef 6,16; 1Pd 5,8. Com Satã muitos outros anjos se perverteram pelo pecado e são atualmente chamados “anjos maus” ou “demônios”. Estes estão subordinados a Deus; cf. Ap 12,7.-17. S. Agostinho nos diz que Satã é um cão acorrentado, que pode latir fortemente, mas só consegue morder a quem se lhe chega perto ou a quem se lhe entrega.

Semitas: são os descendentes de Sem, filho de Noé; cf. Gn 10,22-30. Correspondem a diversos povos, entre os quais o hebreu ou israelita, o assírio, o babilônico, o etíope, o fenício, o púnico, o moabítico, o aramaico.

Sínodo: congresso de rabinos ou de bispos. Tenha-se em vista o Sínodo de Jâmnia ou Jabnes, no qual os rabinos, por volta de 100 d. C., definiram quatro critérios para reconhecer um livro sagrado como inspirado por Deus e canônico: fosse escrito em hebraico (não em aramaico nem em grego), na terra de Israel (não no estrangeiro), antes de Esdras (século V a.C.), em conformidade com a Lei de Moisés. – Tenha-se em vista também o Sínodo de Trulos II (Constantinopla), que em 692 no Oriente definiu o cânon bíblico, incluindo os sete livros deuterocanônicos que os judeus em Jâmnia não aceitaram.

Teofania: etimologicamente, manifestação de Deus, em grego. Ocorre, por exemplo, na sarça ardente em favor de Moisés (Ex 3,2), no final do livro de Jó (38,1-42,6), antes da Paixão de Jesus (Jo 12,27­-30).

Testamento: A Bíblia consta de dois Testamentos: o Antigo e o Novo. A razão desta divisão e nomenclatura é a seguinte: Os judeus, movidos pelo próprio Deus, designavam as suas relações com Javé como sendo um Berith (= aliança); por isto falavam dos livros da Aliança. Todavia nos séculos III/II a. C., quando se fez a versão da Bíblia hebraica para o grego em Alexandria, os intérpretes traduziram Berith por diathéke (- disposição); queriam desta maneira ressalvar a unicidade e soberania de Deus; na verdade, quem faz Aliança com alguém, é par ou igual a esse alguém, ao passo que quem faz uma disposição é soberano ou Senhor. Assim os livros sagrados de Israel foram chamados livros da diathéke ou da disposição (de Deus em favor dos homens). Quando a palavra diathéke foi traduzida para o latim entre os cristãos, estes usaram o vocábulo testamentum (- disposição que se torna válida em caso de morte do testador). Recorreram à palavra testamentum, porque ficou comprovado que a disposição de Deus em favor dos homens só se tornou plenamente válida e eficiente mediante a morte de Cristo. Assim os livros sagrados, entre os cristãos, foram distribuídos em duas categorias: os da Aliança (ou Testamento) antiga e os da nova Aliança ou do novo Testamento; cf. 2Cor3,14s.

Traduções gregas do Antigo Testamento. Além da tradução dita dos Setenta, que será apresentada no módulo III deste Curso (1a Etapa), devem ser mencionadas as de Teodocião, Áquila e Símaco.

Teodocião é um prosélito ou pagão convertido ao judaísmo, que traduziu o Antigo Testamento para o grego no século II d. C. a fim de tentar extinguir o uso do texto dos LXX. Esta tradução, realizada em Alexandria entre 250 e 100 a. C., era muito utilizada pelos cristãos para provar a messianidade de Jesus, Visto que isto desagradava aos judeus, Teodocião se dispôs a fazer nova versão, que é mais propriamente uma revisão retocada do texto dos LXX. O texto de Teodocião teve importância para os cristãos, pois a partir dele se fez a tradução latina das partes deuterocanônicas do livro de Daniel.

Áquila, também no século II, fez urna autêntica tradução grega do A. T. O seu texto se prende muito à letra do hebraico, esforçando-se por guardar em grego expressões tipicamente semitas.

Símaco é o terceiro tradutor do Antigo Testamento para o grego. A sua versão é mais livre do que as anteriores; procura levar em conta o espírito e as peculiaridades da língua grega. Tanto Símaco como Áquila tentaram suplantar o uso dos LXX.

Vulgata é a tradução latina da Bíblia que se deve a S. Jerônimo (t 421). No século IV era grande o número de traduções latinas das Escrituras, todavia apresentavam grandes deficiências de forma e de conteúdo. Por isto o Papa São Dâmaso pediu a S. Jerônimo preparasse uma versão nova e fiel dos livros sagrados. Este sábio, de grande erudição na sua época, aplicou-se à tarefa entre 384 e 406. Não chegou a traduzir de novo o texto do Novo Testamento, mas fez a revisão dos textos já existentes cotejando-os com bons manuscritos gregos. Para traduzir o Antigo Testamento, Jerônimo estabeleceu-se na Terra Santa, onde aprendeu o hebraico com os rabinos e traduziu em Belém todo o Antigo Testamento, menos Br, 1/2Mc, Eclo e Sb.

A tradução de São Jerônimo aos poucos substituiu as anteriores, de modo a chamar-se Vulgata editio ou edição divulgada. Tornou-se a tradução oficial da Igreja até o Concilio do Vaticano II (1962-65). Todavia a tradução de São Jerônimo não podia deixar de ter suas falhas, pois foi feita em época na qual não havia os recursos arqueológicos, históricos, lingüísticos… de nossos tempos. Por isto, após o Concílio do Vaticano II, Paulo VI mandou refazer, a tradução latina dos livros sagrados, que, uma vez pronta, é chamada a Neo-Vulgata.

Biografia de Dom Estêvão Bettencourt

Dom Estêvão Bettencourt (Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1919 – 14 de abril de 2008), batizado Flávio Tavares Bettencourt, foi um dos mais destacados teólogos brasileiro do século XX. Foi também monge da Ordem dos Beneditinos do Mosteiro de São Bento, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

Realizou seus estudos fundamentais no Colégio São Bento do Rio de Janeiro. Entrou para o Mosteiro de São Bento em 1 de fevereiro de 1936. Recebeu o hábito no mês de outubro do ano seguinte, quando realizou seus primeiros votos na sala capitular do mosteiro. Por causa de sua devoção aos mártires da Igreja nascente, foi-lhe dado, como padroeiro monástico, Santo Estêvão.

Em novembro de 1937, o abade do Rio de Janeiro, Dom Tomás Keller, considerando a sua inteligência destacada, enviou-o a Roma, para estudar Filosofia no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, onde obteve o grau de bacharel, em 7 de novembro de 1939; e o de doutor, em novembro de 1944, com a defesa de sua tese sobre Orígenes: Doctrina Ascetica Origenis seu quid docuerit de Ratione animæ humanæ cum dæmonibus. Voltou ao Brasil em 1945.

Em 7 de outubro de 1937, emitiu votos de profissão simples no mosteiro do Rio de Janeiro.

No mesmo mosteiro em que São Tomás de Aquino recebeu as primícias do ensino, em Monte Cassino, D. Estêvão fez sua Profissão Solene em 7 de novembro de 1940.

Foi ordenado diácono temporário em Roma, a 12 de julho de 1942.

Foi ordenado presbítero na Basílica de Santa Inês da Piazza Navona, em Roma, a 18 de julho de 1943.

Retornando ao Brasil, em 1945, torna-se um grande educador, tendo sido professor:

  • na Casa de Estudos dos Beneditinos, na cátedra de exegese (desde 1945);
  • na Universidade Santa Úrsula (1946 e 1980);
  • na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1958 a 1961 e 1968 a 1974);
  • na Universidade Católica de Petrópolis (1968 a 1978);
  • no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro (desde 1985);
  • na Escola Superior de Fé e Catequese Mater Ecclesiae;
  • na Escola Luz e Vida de Catequese;
  • no Instituto Pio X do Rio de Janeiro (1957 e 1958).

Foi editor da edição brasileira da revista COMMUNIO desde sua fundação em 1982, até 2001.

Foi diretor e redator da primeira revista sobre Apologética Católica do Brasil, a Pergunte e Responderemos (PR), publicação mensal do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, desde 1957 até 2008.
São mais de 26.000 páginas de artigos da maior importância para a vida cristã (+ de 127 livros 200 páginas cada). Além disso D. Estevão escreveu uma longa série de livros e textos para a Escola Mater Ecclesiae incluindo o Curso de Teologia que pode ser feito por correspondência.
A revista Pergunte e Responderemos era um apostolado pessoal de D. Estêvão e, embora sua produção tenha terminado com sua morte, sua divulgação é obra evangelizadora necessária para que muitos encontrem o caminho, a verdade e a vida através dela.

Fonte: Católicos Online