Reverência na Missa

Reverência na Missa

Capítulo XIX

Quantas vezes ao entrarmos nas nossas Igrejas nos causa pena, muita pena, a indiferença, a falta de fé com que parte da assistência, sobre tudo os homens, ouve missa!

Já pensaram os nossos leitores na gravidade da culpa em que incorrem tantos cristãos ao portarem-se e bastas vezes na Igreja com a mesma sem-cerimônia que usam em casa? Em alguns a temeridade chega a ponto de levá-los a olhar para todos os lados, a dar fé dos que entram e saem, a pensar em assuntos mundanos e a conversar inútil e descaradamente em quanto no altar se celebra o tremendo Sacrifício, Mistério augustíssimo ante o qual os próprios Anjos velam respeitosos o rosto.

Podia Cristo dizer-lhes, tão justificadamente como as disse aos vendilhões do Templo aquelas palavras que o Evangelho nos transmitiu:

«A minha casa é casa de orações é vós a tornastes covil de ladrões»

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Primeira razão de sermos Humildes: Nihil sumus

Meditação para a Décima Segunda-feira depois de Pentecostes. Primeira razão de sermos Humildes: Nihil sumus

Meditação para a Décima Segunda-feira depois do Pentecostes

SUMARIO

Aprofundaremos, em todas as nossas meditações desta semana, a verdade que apenas pudemos tocar de leve, a saber, que a humildade é eminentemente razoável; e meditaremos a sua primeira razão, que é, que nada somos – Nihil sumus; e consideraremos, em um segundo ponto, a consolação que uma alma fiel acha nesta verdade.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos lembrarmos muitas vezes da nossa origem, que é o nada, para combater as quimeras com que nos embala o nosso orgulho;

2.° De não enganarmos os outros buscando tornar-nos notáveis, e querendo que pensem em nós, que nos estimem e louvem.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do piedoso Alvares:

“Ó nada, nada, quanto desagradas a Deus, quando te ensoberbeces! Ó nada, que há de comum entre ti e o louvor?” – O nihil, nihil, quantum Deo displices, cum inflaris! O nihil, quid tibit et laudi?

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A língua Litúrgica da Missa

A língua Litúrgica da Missa

Capítulo XVIII

Tudo o que se refere ao Sacrifício da Missa ou à disciplina dos Sacramentos é objeto de uma escolha minuciosa e de particulares cuidados da parte da Igreja.

Ela quer que os objetos destinados à celebração dos ofícios religiosos e dos santos Mistérios sejam assinalados com uma especial consagração, que os subtraia aos usos profanos.

Ela não autoriza qualquer pessoa a subir os degraus do altar para oferecer a Sagrada Vítima; ela exige que a consagração sacerdotal eleve o seu ministro acima dos simples fiéis e o retire do comércio do século. Por isso o jovem levita é submetido a uma preparação que dura 8 a 12 anos.

As mesmas exigências mostra a Igreja a respeito da língua da sua liturgia sagrada. Continue reading

O que é Humildade?

Meditação para o 10º Domingo depois do Pentecostes. O que é Humildade?

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 18, 9-14

9Disse também a seguinte parábola, a respeito de alguns que confiavam muito em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais:

10«Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro, cobrador de impostos. 11O fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: ‘Ó Deus, dou-te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros; nem como este cobrador de impostos. 12Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.’

13O cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.’ 14Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.»

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Os Sinos

Os Sinos

Capítulo XVII

O edifício da catedral é sobrepujado pelas torres esbeltas, que se erguem no céu azul, como braços estendidos em súplica. Apontam para as regiões do Alto, a indicar o caminho que devem seguir as aspirações da nossa alma. Os cuidados terrenos, a preocupação das coisas mesquinhas da vida transitória fazem-nos propender para a terra. Mas a torre da Igreja, que vemos de toda a parte da povoação, está-nos dizendo, que procuremos as coisas que estão lá em cima, onde está Cristo assentado à destra de Deus; «experimentai as coisas que são lá de cima, não as que são da terra», como diz o Apóstolo. Firme e inabalável no meio das nuvens e dos ventos, ela exorta-nos a que sejamos inabaláveis e firmes na observância dos mandamentos de Deus e no cumprimento das boas resoluções que o nosso Anjo da guarda nos inspira.

Mas a torre não é um brado silencioso e mudo. A torre tem voz. Continue reading

Do Deitar na Cama

Meditação para o Nona Sábado depois de Pentecostes. Do Deitar na Cama

Meditação para o Nono Sábado depois de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre a última ação do dia, que é deitar-nos na cama, o veremos:

1.° O modo exterior de fazer esta ação;

2.º As disposições interiores com que devemos fazê-la.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos deitarmos santamente pensando na morte, que o sono representa, e com este pensamento desprendendo-nos de tudo o que não é Deus;

2.° De adormecermos como nos braços de Jesus Cristo, unindo o nosso sono ao seu sono.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“Dormirei e descansarei em paz nos seus braços” – In pace in idipsum dormiam, et requiescam (Sl 4, 9)

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Os Vasos Sagrados

Os Vasos Sagrados

Capítulo XVI

O sacerdote, ao dirigir-se para o altar, leva nas mãos os objetos que servem no Santo Sacrifício. Estes igualmente têm cada um a sua significação mística.

Os principais vasos sagrados usados no serviço divino são os seguintes: o cálice, a patena, o cibório ou píxide, e o ostensório ou custodia.

O cálice é de todos o mais importante, porque é nele que o vinho se transforma no Sangue de Jesus Cristo. É impossível saber ao certo a matéria e a forma dos vasos de que se serviram Jesus e os Apóstolos na Última Ceia. Continue reading

Regras que devemos observar nas Visitas

Meditação para a Nona Sexta-feira depois de Pentecostes. Regras que devemos observar nas Visitas

Meditação para a Nona Sexta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Continuaremos a meditar sobre as visitas, e estudaremos as regras que devem observar-se antes delas, durante elas e depois delas.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De fazermos todas as nossas visitas com um espírito cristão, com o fim de agradar só a Deus;

2.° De nelas nos guardarmos de dizer ou fazer coisa alguma que cheire a espírito do mundo.

Conservaremos como ramalhete espiritual a palavra, com que Nosso Senhor nos diz o objeto de sua visita a este mundo:

“Vim para terem vida, e para a terem em maior abundância” – Veni ut vitam habeant, et abundantius habeant (Jo 10, 10)

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O Sacerdote e os Paramentos

O Sacerdote e os Paramentos

Capítulo XV

A corôa do sacerdote significa a corôa de espinhos que os soldados teceram e puseram na cabeça sacrossanta do Salvador.

Os Paramentos

Chega o sacerdote. Vem paramentado como ministro e representante do Filho de Deus. Cada uma das sagradas vestes representa um objeto ou circunstância da Paixão.

O Amicto que o sacerdote coloca sobre a cabeça e sobre o pescoço, representa o véu com que os judeus vendaram os olhos de Jesus em casa de Caifás, dizendo-lhe, por escárnio:

«Profetiza, Cristo: quem foi que te bateu?»

Lembra-nos a cena horrível da soldadesca brutal a escarnecer o Filho de Deus. Continue reading

Perigo das Visitas

Meditação para a Nona Quinta-feira depois de Pentecostes. Perigo das Visitas

Meditação para a Nona Quinta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre as visitas que fazemos uns aos outros na sociedade, e estudaremos os seus três principais perigos:

1.° As intenções raras vezes são cristãs;

2.° Os pecados nelas são frequentes;

3.° Corre-se o perigo de perder nelas todo o espírito cristão.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De não fazermos senão as visitas que exige o decoro; de as abreviarmos quanto possível, e de pormos a nossa felicidade na vida doméstica;

2.° De nos acautelarmos, nas visitas indispensáveis, dos perigos que provêm de frequentar a sociedade.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de um antigo filósofo:

“Todas as vezes que estive entre os homens, voltei menos homem” – Quoties inter homines fui, minor homo redii (Sêneca)

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