Autor: Gabriel (Page 1 of 248)

Ambição

Ambição, Tesouros de Cornélio à Lápide

A ambição é um veneno. Desgraças que a causam

A ambição, diz São Bernardo, é um mal sutil, um veneno secreto, uma enfermidade oculta; é um artefato fraudulento, a mãe da hipocrisia, o princípio das chagas profundas, a origem de todos os vícios, a traça da santidade, a cegueira dos corações; converte os remédios em veneno capaz de produzir enfermidades e sustentar seu incremento[1].

A ambição cega o homem e rouba-lhe a razão. A ambição é manancial das disputas, de todos os ódios, das guerras e das injustiças. É a mãe da pobreza e da indigência. Continue reading

Aflições

Aflições, Tesouros de Cornélio à Lápide

Excelências e vantagens das aflições

É muito melhor o sofrer por Jesus Cristo do que o ressuscitar mortos, diz São João Crisóstomo. Por meio deste, nós contraímos uma dívida com Deus. Por meio daquele, Jesus Cristo se converte em nosso devedor. Ó Maravilha! Jesus Cristo nos faz um obséquio, e por este obséquio ficará agradecido: Pati pro Christo, magis est quam suscitare mortos: hic enim debitor sum (Deo); illic autem debitorem habeo Christum. Ó rem admirandam! Et donat mihi, et super hoc, ipse debet mihi (Homil. IV in Epist. ad Philipp.).

Santo Egídio, discípulo de São Francisco, dizia:

“Ainda que o Senhor fizesse cair pedras e rochas do céu, nenhum dano nos fariam se soubéssemos sofrer as aflições” (Ribaden, in ejus vita).

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Adulação e Elogio

Adulação e Elogio, Tesouros de Cornélio à Lápide

A adulação é um erro e uma mentira

Os nossos elogios, diz São Bernardo, são apenas mentiras; alegrar-se pelos elogios, é o que há de mais vão. Os amigos de “contar fábulas” são elogiados, e os que elogiam são mentirosos. Enganamos aos que elogiamos: os aduladores mentem.

Laudamus mendaciter, delectamur inaniter; vaniloqui laudantur, et mendaces qui laudant. Alii adulantur, et ficti sunt; alii laudant, et falsi sunt (Epist. XVIII ad Petr.).

Os aduladores são enganosos. Adulam-me com os lábios, diz o Salmista, e me maldizem com o coração: Ore suo benedicebant, et corde suo maledicebant (Sl 61, 5). Continue reading

Ações de Graças

Ações de Graças, Tesouros de Cornélio à Lápide

Necessidade da Ação de Graças

Graças sejam dadas a Deus que sempre nos faz triunfar em Jesus Cristo, diz o grande Apóstolo: Deo autem gratias, qui semper triumphat nos in Christo (2 Cor 2, 14). Louvado seja Deus, diz em outro lugar, por seu dom inefável: Gratias Deo super inenarrabili dono eius (2 Cor 9, 15). A ação de graças convém mais do que ditos indecentes, etc., escreve aos Efésios: Sed magis gratiarum actio (Ef 5, 4). Não esqueçais a ação de graças em todas as vossas coisas, diz aos Colossenses: Orationi instate, vigilantes in ea in gratiarum actione (Col 4, 2). Dai graças em tudo: In omnibus gratias agite (1 Ts 5, 18). Eu recomendo, pois, antes de tudo, escreve a Timóteo, que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens: Obsecro igitur primo omnium fieri obsecrationes, orationes, postulationes, gratiarum actiones pro omnibus hominibus (1 Tm 1, 1).

Eu te exaltarei, Senhor, diz o Rei Profeta, porque vós me haveis animado[1]. Somos vosso povo e as ovelhas de vossos passos; vos louvaremos, Senhor, por todos os séculos, e nossa posteridade publicará vossos benefícios[2]. Vossas obras, ó Deus meu, recordarão sempre vossos benefícios inumeráveis, e celebrarão vossa justiça[3]. Demos graças em todo o tempo e por todas as coisas a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, diz o grande Apóstolo: Gratias agentes semper pro omnibus, in nomine Domini nostri Iesu Christi, Deo et Patri (Ef 5, 20). Tudo quanto façais, seja por palavra ou por obra, fazei-o em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, dando graças por meio dele a Deus Pai: Omne quodcum que facitis in verbo, aut in opere, omnia in nomine Domini nostri Iesu Christi, gratias agentes Deo et Patri per ipsum (Col 3, 17). Crescei cada dia mais e mais em Jesus Cristo com contínuas ações de graças: Abundantes in illo in gratiarum actione (Col 2, 7). Continue reading

Abuso de Graças

Abuso de Graças, Tesouros de Cornélio à Lápide

O Abuso das Graças é um grande mal

Ó cidade ingrata, exclamava Jesus Cristo derramando lágrimas sobre Jerusalém que abusava de tantas graças! Ó cidade desgraçada! “Ah! Se neste dia também tu conhecesses a mensagem de paz! Agora, porém, isso está escondido a teus olhos” (Lc 19, 42); não queres ver os favores que te prodigalizei, para não ter que me agradecer por eles.

Ó filha de Sião, a quem tanto amei, honrei, enriqueci e instrui! Não somente não queres me conhecer, senão que me rejeitas, me condenas, me persegues e me crucifixas!… Por ti desci do céu à terra; por ti nasci, vivi em contínuos trabalhos, nas dores e na pobreza; visitei-te, ensinei-te, insisti contigo; curei a teus leprosos, a teus enfermos, a teus possessos; dei vida a teus mortos: e tu foges de mim, me desprezas e me persegues por ódio! Olhem-se os cristãos infiéis e ingratos neste quadro: Não imitam aos judeus?… Continue reading

A nossa Consagração à Santíssima Virgem

Capítulo 31: A nossa Consagração à Santíssima Virgem
Qualidades, que deve ter a nossa Consagração

Para que a nossa consagração à Mãe de Deus, possa ser agradável para ela e proveitosa para nós, deve ser sincera, isto é, não consistir somente em palavras e vãs protestações de fidelidade e de amor, mas partir de um coração profundamente cheio de respeito, de veneração e de ternura para com esta admirável Mãe. Deve ser perfeita e inteira, isto é, devemos oferecer e consagrar à glória de Maria o nosso espírito, o nosso corpo, todas as nossas faculdades, tudo o que possuímos, tudo o que somos, desejando depender dela em todas as coisas, como de Soberana Senhora e cara Mãe. Enfim, esta consagração deve ser irrevogável, uma vez que nos consagremos a Maria, devemos considerar-nos como não pertencendo já a nós mesmos, mas só como filhos, servos, súditos, escravos desta augusta Rainha, que deve reinar para sempre em nossos corações.

Ó Maria! Que ventura não é pertencer-vos, ser todo vosso, não viver senão para Jesus e para vós! Continue reading

Motivos de confiança no Patrocínio de Maria Santíssima

Capítulo 30: Motivos de confiança no Patrocínio de Maria Santíssima
Conhecimento que Maria tem das nossas necessidades

A Bem-aventurada Maria, Mãe de Deus, elevada ao seio da glória celeste, não se esquece de seus filhos degredados nesta terra de exílio. Como Mãe sensível é compassiva, não se despreza de voltar para nós seus olhos; conhece as nossas necessidades e misérias; vê os assaltos que nos dão os inimigos da salvação; ouve os nossos clamores; escuta as nossas preces e votos e acolhe-os com bondade. Esta divina Mãe viveu, como nós, neste vale de lágrimas; passou por terríveis provações, experimentou maiores tribulações do que as que nos oprimem; por isso o seu coração maternal se enternece com as nossas misérias, e está sempre pronto para nos socorrer. Que motivo pode haver mais próprio para nos inspirar a mais firme confiança nesta Mãe de bondade?

Dirijamo-nos a ela como a Protetora; invoquemo-la como Rainha de Misericórdia; consideremo-la sempre como refúgio, asilo, consolação e esperança. Continue reading

O puríssimo Coração de Maria

Capítulo 29: O puríssimo Coração de Maria
O Coração mais perfeito

O Coração de Maria é o mais perfeito, o mais digno de nossa veneração e respeito, obra prima das mãos do Criador. Toda a Santíssima Trindade concorreu para a formação deste primor de perfeição, e se empenhou em enriquecê-lo dos mais excelentes dons, das mais preciosas e abundantes graças. O Pai Eterno empenhou todo o Seu poder para formar em Maria um coração de filha, cheio de respeito, docilidade e obediência para com o Criador; o Filho deu-lhe um coração de mãe, repleto de ternura, onde Ele havia de habitar como num santuário bendito; o Espírito Santo deu-lhe um coração de esposa, todo abrasado no mais puro e ardente amor. O espírito humano nunca poderá compreender todas as grandezas, riquezas e perfeições, que encerra este sagrado Coração.

Unamo-nos aos espíritos bem-aventurados, que não cessam de cantar no céu os seus louvores; honremo-o com terna devoção, para que mereçamos ir celebrar a sua glória e inefáveis grandezas na bem-aventurança eterna. Continue reading

A Assunção da Santíssima Virgem Maria

Capítulo 28: A Assunção da Santíssima Virgem Maria

Ressurreição gloriosa de Maria

Todos os homens ressuscitarão no fim dos séculos; porém Maria, a Mãe daquele Senhor, que é a ressurreição e a vida, por privilégio especial, ressuscita ao terceiro dia depois da sua morte. A sua alma bem-aventurada torna a vir do céu, para se reunir de novo ao corpo e comunicar-lhe a glória e felicidade. Este corpo sagrado sai do sepulcro mais brilhante do que o sol, mais resplandecente do que a lua, revestido das qualidades dos corpos gloriosos, agilidade, sutileza, impassibilidade e imortalidade. Maria é isenta para sempre de todas as misérias da vida, e começa um a vida nova, que jamais há de acabar.

Regozijemo-nos com a nossa amável Mãe por esta venturosa e singular prerrogativa. Lembremo-nos muitas vezes de que também havemos de ressuscitar no último dia; mas será para o céu, para o inferno?! Continue reading

A morte da Santíssima Virgem

Capítulo 27: A morte da Santíssima Virgem
Porque foi a Santíssima Virgem sujeita à morte

Ainda que Deus preservou a Maria do pecado original, não quis preservá-la da morte do corpo, que é a pena deste pecado. Pelo contrário, quis que ela a sofresse, como os outros filhos de Adão, já para mostrar que a sentença de morte dada contra todos os homens é geral e irrevogável; já para que fosse mais semelhante a seu divino Filho, que sendo o Autor da vida, quis sujeitar-Se à morte; já, enfim, para nos dar o exemplo das virtudes que devemos praticar neste último momento. Por mais humilhante que seja a lei que nos condena à morte, Maria sujeita-se a ela com humildade profunda, com perfeita resignação, com inteira confiança na bondade de Deus e ardente desejo de se reunir ao objeto de todo o seu amor. Quão feliz não será também a nossa morte, se a aceitarmos com os mesmos afetos de humildade, confiança, obediência e amor! Continue reading

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