Autor: Gabriel (Page 2 of 270)

As Epístolas do Cativeiro (I)

Lição 1: Introdução Geral

1. Chamam-se “epístolas do cativeiro” as cartas a Filemon, aos Colossenses, aos Efésios, aos Filipenses. E com razão, pois cada qual apresenta Paulo prisioneiro: Fm 1.9.10.13; Cl 4,3.10,18; Ef 3,1; 4,1; 6,20; Fl,7.13s.

2. Pergunta-se, porém: em qual cativeiro Paulo escreveu essas cartas?

Contam-se cinco cativeiros na vida de São Paulo: em Filipos (At 16,23-40), em Jerusalém (At 21,31 -23,31), em Cesaréia (At 23,35-26,32), em Roma primeira vez (At 27,1 -28,16), em Roma segunda vez (2Tm 1,8.12.16s; 2,9).

Há quem julgue que Paulo esteve preso também em Éfeso, pois nesta cidade permaneceu três anos (cf. At 20, 31) e sofreu hostilidades (cf. 1Cor 16,8, “adversários numerosos”; 15,32, “luta contra as feras; At 19, 13-40, tumulto dos ourives). Mais: em 2Cor 11,23 Paulo afirma que sofreu várias vezes a prisão; ora os Atos só referem até a data de 2Cor a prisão em Filipos (cf. At 16,23-40); não se deveria, por isto, supor um encarceramento em Éfeso? Em Rm 16,4 é dito que Priscila e Áquila expuseram sua cabeça para salvar a vida de Paulo – o que se supõe tenha ocorrido em Éfeso (cf. At 19, 23s). Continue reading

A Epístola aos Romanos

Lição 1: O fundo de cena de Rm

Já à primeira leitura, Rm apresenta índole diversa da de outros escritos paulinos. Em parte, isto se deve ao fato de que se dirigia a uma comunidade não fundada por S. Paulo. Quais as origens da comunidade cristã em Roma?

Havia em Roma uma colônia judaica formada por prisioneiros judeus levados para Roma pelo general Pompeu em 63 a. C. Muitos destes conseguiram a liberdade e fixaram residência em Roma. É de crer que, por ocasião do primeiro Pentecostes cristão, muitos judeus de Roma se achavam na Cidade Santa. Convertidos ao Evangelho, regressaram a Roma, onde deram origem a um núcleo de cristãos provenientes do judaísmo. Continue reading

Guerreiros

Na linda natureza de Deus
Uma vista de olhos aos grandes e célebres homens de armas e estadistas. Também aqui deparamos, como alhures, magníficos exemplos de sincera vida religiosa.

No ano 1787 reuniu-se Washington com 55 companheiros para uma decisiva deliberação, tratava-se de tomar uma decisão acerca do destino dos Estados Unidos da América do Norte. Levantou-se o idoso Franklin e disse:

“Senhores, vamos rezar! Atingi uma idade avançada, mas, quanto mais velho fico, mais claramente percebo que a causa da humanidade é dirigida por Deus. Se um pardal não pode cair do telhado sem sua permissão, como poderia fortalecer-se um país sem seu auxilio?”

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A Segunda Epístola aos Coríntios

Lição 1: O fundo de cena da 2Cor

Quem compara entre si 1 e 2Cor, verifica grandes diferenças entre uma e outra. A primeira é doutrinaria, abordando diversos temas teológicos como a unidade da Igreja, a ceia eucarística, a ressurreição dos mortos, os carismas, etc. Ao contrário, a 2Cor, entre outras coisas, trata das relações de São Paulo com a comunidade, desfaz mal-entendidos, expõe os sentimentos de alma do Apóstolo…

Daí a pergunta: que terá acontecido entre 1 e 2Cor para provocar tal mudança de conteúdo e de estilo? Continue reading

A Primeira Epístola aos Coríntios

Lição 1: Fundo de cena

Corinto ficava na Acaia, num istmo entre dois golfos – o Sarônico, com seu porto de Cêncreas no mar Egeu, e o Coríntio, com o porto de Lequem no mar Adriático. Esta posição geográfica assegurava a Corinto prosperidade material crescente, pois para lá afluíam viajantes, com suas mercadorias e seus sistemas de vida, provenientes de diversas partes do mundo. Em 27 a. C., César Augusto fez de Corinto a capital da província romana da Acaia (Grécia Meridional).

Os cultos pagãos praticados na cidade concorriam, juntamente com a riqueza e o bem-estar, para promover a devassidão moral. Das numerosas divindades cultuadas em Corinto, a que mais em voga se achava, era Venus ou Afrodite, em cujo templo se abrigavam mais de mil mulheres prostituídas; as festas desta deusa, cognominadas Pandemos (de todo o povo), provocavam a massa da população à luxúria mais grosseira. Continue reading

A Epístola aos Gálatas

Lição 1: O fundo de cena

1.1. Quem eram os gálatas?

No século III a.C. algumas tribos celtas (gálataí é a forma mais recente de kéltai, em grego) se moveram da Gália e penetraram na Ásia Menor; após guerras violentas estabeleceram-se na região central desta, tendo por capital Ancira (Ankara de hoje, na Turquia). Em 25 a.C. os romanos invadiram a Galácia e a integraram numa confederação mais ampla, chamada “Província Romana da Galácia”, que chegava até o sul da Ásia Menor (compreendendo a Pisídia, a Licaônia e a Panfilia). Havia, pois, a Galácia étnica, situada no centro da Ásia Menor, com população rude e belicosa, e a Galácia política, que chegava até o sul da Ásia Menor e compreendia outros povos além dos celtas.

Os exegetas perguntam se a epístola aos gálatas se dirige à Galácia étnica ou à Galácia política. Continue reading

Poetas e artistas

Na linda natureza de Deus
Queremos lançar ainda um olhar sobre outros campos de atividade do espírito humano, e apontar tem grandes exemplos as relações fraternais entre a fé e as artes. Conhecemos provavelmente célebres escritores, pintores, escultores, nos quais uma fé ardente se conciliava com o gênio humano, e que hauriam, mesmo, da religião sua inspiração artística.

Quero citar a esmo apenas alguns.

Entre os poetas, Dante (1265-1321), cuja “Divina Comédia” é a glorificação da fé divina. Jacopone da Todi (1230-1306), jurista, mais tarde franciscano; seu Stabat Mater, é ainda hoje uma das mais preciosas pérolas da poesia sacra. O italiano Petrarca (1304-1374), Manzoni (1785-1873), os espanhóis Calderon (1600-1681) e Lopez de Vega (1562-1635); Corneille (1606-1684), primeiro dramaturgo da França; o holandês Joost van den Vondel (1587-1679); os húngaros barão José v. Eotvos, Miguel Voeroesmarty, que demonstraram seu sincero e verdadeiro catolicismo, não somente em seus escritos mas ainda em sua vida. Continue reading

As Duas Cartas aos Tessalonicenses

Lição 1: A 1Ts

As 1/2 Ts têm como tema central a segunda vinda de Cristo, que as primeiras gerações esperavam para breve. As cartas seguintes a 1/2 Ts se voltarão não tanto para a imagem do Cristo vindouro, mas para a do Cristo presente na sua Igreja.

1.1. O pano de fundo de 1Ts

Em At 17,1-10 é narrada a fundação da comunidade cristã de Tessalônica. Esta cidade era porto marítimo muito florescente na Grécia. A prosperidade material contribuía para baixar o nível moral da população respectiva: para Tessalônica confluíam homens, idéias e costumes do Oriente e do Ocidente, dando lugar ao cosmopolitismo, ao sincretismo religioso e à devassidão dos costumes.

Ao lado dos cultos pagãos, havia uma colônia judaica na cidade. Conforme o seu costume, Paulo, ao chegar a Tessalônica, foi primeiramente procurar os judeus na sinagoga, anunciando-lhes o Evangelho por três sábado consecutivos. Diante do pouco êxito obtido, Paulo voltou-se para os gentios da cidade, que aderiram fervorosamente ao Evangelho. Constituíram assim a comunidade cristã de Tessalônica, recrutada majoritariamente entre os pagãos. Irritados com os fatos, os judeus levantaram uma celeuma contra Paulo e Silas, obrigando-os a deixar a comunidade, ainda de catequese incompleta. Continue reading

A Pessoa e a Obra de Paulo

Lição 1: Traços biográficos de São Paulo

Paulo (ou Saulo) nasceu em Tarso na Cilícia (Ásia Menor) no limiar da era cristã, pois, quando escrevia a Filemon em 62, dizia ser ancião (cf. Fm 9; At 21,39; 22,3; Fl 3,5). Nasceu de família israelita, muito fiel às tradições religiosas; seu pai comprara a cidadania romana, de modo que Saulo nasceu como cidadão romano. Em conseqüência Paulo era, desde as suas origens, herdeiro de três culturas: a hebraica, essencialmente religiosa; a helenista, filosófica e artística, e a romana, de índole jurídica.

Aos quinze anos de idade, foi enviado para Jerusalém, onde se sentou aos pés do rabino Gamaliel (cf. At 22,3; 26,4; 5,34): foi então iniciado na arte rabínica de interpretar a Sagrada Escritura, como também deve ter aprendido uma profissão manual: a de curtidor de couro ou seleiro, profissão que o Apóstolo havia de exercer a vida inteira.

Cerca de vinte anos depois ou em 36 aproximadamente, Paulo era ardoroso perseguidor dos cristãos, julgando assim servir a Deus. Na estrada de Jerusalém para Damasco, onde pretendia prender cristãos, foi prostrado pelo Senhor, que lhe perguntou:

“Por que me persegues?”

Era Jesus que assim lhe falava e o enviava à casa de Ananias em Damasco, onde seria batizado; cf. At 9,1-18; 22,4-21; 26,11-18; Gl 1,13-16. Continue reading

Outros especialistas

Na linda natureza de Deus
John (17O7-1778), conhecido na biologia das flores, é o fundador da botânica moderna. Todavia, pode ser que se desconheçam as palavras de entusiasmo com que venera o Criador em suas obras. Escreve, por exemplo, em uma passagem (na introdução de “O Sistema da Natureza”:

“Vi passar o eterno, o infinito, o onisciente e onipotente Deus, e fiquei estarrecido em pasmo”.

O químico Liebig (18O3-1873), numa conferência pública, profligou o desvirtuamento das ciências naturais que sonham a negação de Deus. Ele escreve (A Química e sua Aplicação):

“Em verdade, somente reconhecerá a infinita sabedoria do Criador, aquele que realmente faz questão de extrair seus pensamentos do grande livro a que chamamos natureza.”

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