Autor: Gabriel (page 2 of 237)

Amor sobrenatural do Próximo

Meditação para a Vigésima Primeira Quarta-feira depois de Pentecostes. Amor sobrenatural do Próximo

Meditação para a Vigésima Primeira Quarta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre, o primeiro caractere do amor do próximo, que é ser sobrenatural; e veremos:

1.º O que devemos entender por amor sobrenatural devido ao próximo;

2.° Quanto este amor difere do amor puramente natural.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De tratarmos toda a gente com afabilidade e bondade, por amor de Deus, que devemos ver e amar no próximo;

2.° De nos guardarmos das afeições puramente naturais, que não entram no preceito da caridade, e que além disto são perigosíssimas.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São João:

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque a caridade vem de Deus” – Carissimi, diligamus nos invicem, quia caritas ex Deo est (1Jo 4, 7)

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Amor do Próximo

Meditação para a Vigésima Primeira Terça-feira depois de Pentecostes. Amor do Próximo

Meditação para a Vigésima Primeira Terça-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos meditado durante algumas semanas sobre o amor de Deus, meditaremos agora sobre o amor do próximo, e veremos os dois mandamentos que Jesus Cristo nos impôs a este respeito. O primeiro é este: Amai ao vosso próximo como a vós mesmos. O segundo, muito maior, encerra-se nestas palavras: Eu dou-vos um novo mandamento, que é que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De tratarmos atenciosamente o próximo, qualquer que ele seja;

2.° De nunca fazermos a ninguém o que não quiséramos que nos fizesse, e de fazermos sempre aos outros o que desejaríamos que nos fizessem.

Conservaremos como nosso ramalhete espiritual as duas palavras do Evangelho:

“Amáveis ao vosso próximo como a vós mesmos, e dou-vos um novo mandamento que é que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei” (Mt 22, 39)

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Jesus amado dos Santos

Meditação para a Vigésima Primeira Segunda-feira depois de Pentecostes. Jesus amado dos Santos

Meditação para a Vigésima Primeira Segunda-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos visto quanto Jesus Cristo é amável e amoroso, nos excitaremos:

1.° A amá-lO com o exemplo dos santos;

2.° Estudaremos a maneira de Lhe mostrar o nosso amor.

— Tomaremos a resolução:

1.° De pedirmos frequentes vezes a Nosso Senhor o seu amor, como a coisa do mundo mais apetecível;

2.° De fazermos todas as nossas obras por espírito de amor, e de aceitarmos todas as tribulações, como prova deste amor.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São Paulo:

“A caridade de Jesus Cristo nos constrange” – Caritas Chrsti urget nos (2Cor 5, 14)

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Justiça e Misericórdia de Deus

Meditação para o 21º Domingo depois do Pentecostes. Justiça e Misericórdia de Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 18, 23-35

Naquele tempo, propôs Jesus a seus discípulos esta parábola: 23Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. 24Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. 26O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: ‘Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’ 27Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: ‘Paga o que me deves!’ 29O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: ‘Concede-me um prazo que eu te pagarei.’ 30Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia. 31Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor. 32O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; 33não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’ 34E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia.

35Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.»

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Encerramento do mês do Rosário

O Rosário e o Purgatório

É um tema vasto para nossas meditações e considerações. O dogma do Purgatório é terrível e consolador.

Terrível! Daremos contas ao Senhor até de uma palavra ociosa, diz o Evangelho, e pagaremos até o último ceitil…

Só entraremos no céu, bem perfeitos e santos. E que tormentos os do Purgatório! Nada se pode comparar na terra, dizem os Santos Padres e Doutores da Igreja, às penas dolorosas e terríveis das chamas expiadoras do Purgatório.

Dogma terrível, sim, porém consolador!

Há na outra vida um remédio, uma penitencia, uma expiação e nos tornamos mais puros e menos indignos da visão de Deus! Há consolações no Purgatório, diz São Francisco de Sales e excedem a todas as consolações da terra! E uma delas e a maior sem dúvida é a Materna, doce proteção de Nossa Senhora. A Mãe de Deus, Rainha dos Anjos e do Céu, Rainha do Céu e da Terra é também Rainha do Purgatório!

Felizes os devotos de Maria, diz Santo Afonso, pois Ela os socorre neste mundo, os assiste e consola no Purgatório com sua proteção! Continue reading

A Virtude da Oração

Mês de Novembro: A Virtude da Oração

Mês de Novembro

Breve introdução sobre a Oração e o Apóstolo Patrono

Jamais duvides que é só por meio da oração que podes alcançar a tua salvação e chegar à perfeição. Para vencer as tentações, praticar as virtudes e guardar perfeitamente os mandamentos da lei de Deus, precisas no momento decisivo de um especial auxílio da graça, o qual Deus te concede unicamente por meio da oração, e da oração perseverante. Especialmente no tempo da tentação deves recorrer a Deus, pedindo-Lhe seu auxílio, ao menos pela invocação dos santíssimos nomes de Jesus e Maria.

Antes de rezar prepara teu corarão. Pondera que vais falar com Deus para obter sua misericórdia; que os anjos olham para ti com turíbulos de ouro nas mãos e estão prontos a oferecer a Deus tua oração como um agradável incenso. Esforça-te, por isso, para rezar não só com os lábios, mas também com o coração, pois, contrariamente, em vez de obteres graças, só provocarias a ira de Deus contra ti. Procura rezar com especial devoção aquelas orações que mais se repelem, como o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai. Dedica-te com grande zelo à prática das jaculatórias que não estão ligadas a lugar algum, nem a nenhum tempo.

Faze tuas orações com humildes sentimentos e com uma firme, constante e inabalável confiança. Se te parecer que Deus não quer te atender, continua a rezar e a confiar apesar disso, porque é certo que Deus ouve a todos que Lhe suplicam com confiança e perseverança.
Alimenta também um amor especial pela oração mental e consagra-lhe cotidianamente tanto tempo quanto te for possível. Liga toda a importância aos atos da vontade: faze atos de humildade, de confiança, de abnegação própria, de arrependimento e principalmente de amor. Não permitas que teus pensamentos vaguem a seu bel-prazer, mas, se involuntariamente sofreres distrações, não te inquietes por isso, não deixes a oração.

Igualmente não deves abandonar a oração por causa da aridez espiritual, ainda que ela dure toda a tua vida. Humilha-te então e dize, cheio de resignação na vontade de Deus:

Senhor, estou plenamente resignado com me privares das Vossas consolações, não as mereço e não as reclamo. Basta-me saber que não repelis uma alma que Vos ama. Estou satisfeito com tudo se puder dizer, em toda a verdade: Ó Deus, eu vos amo e quero amar-Vos sempre.

Sumário
I. A sua natureza
Da Oração Vocal
II. Excelência da Oração Vocal. Seus Requisitos
III.
Das fórmulas mais usuais da Oração Vocal
IV.
Das Orações Jaculatórias
Da Oração Mental
V.
Necessidade da Oração Mental para alcançarmos a Salvação
VI.
Da importância da Oração Mental para alcançarmos a Perfeição
VII.
Dos diversos fins da Oração Mental
VIII.
Dos assuntos principais de Meditação. Lugar e Tempo da mesma
IX.
Método para fazer a Meditação
X.
Das Provações da Oração Mental
V.
O Recolhimento do Redentor
VI.
A Prática do Recolhimento e do Silêncio
VII.
Orações para alcançar a Virtude do Mês

Mês de Novembro: A Virtude da Oração. Apóstolo Patrono: São Judas Tadeu
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Jesus Amoroso

Meditação para o Vigésimo Sábado depois de Pentecostes. Jesus Amoroso

Meditação para o Vigésima Sábado depois de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre o amor de Jesus para conosco, e veremos:

1.° Quanto éramos indignos dEle;

2.° Até que excesso nos amou, apesar da nossa indignidade.

— Tomaremos a resolução:

1.° De protestarmos muitas vezes a Nosso Senhor, com fervorosos atos de amor, que O amamos, e queremos amá-lO cada vez mais;

2.° De Lhe oferecermos todas as nossas ações, tudo o que temos e somos, nada querendo fazer nem possuir senão por Ele, e de não vermos senão a Ele nas pessoas que amamos.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São João:

“Portanto amemos a Deus, porque nos amou primeiro” – Nos ergo diligamus Deum, quoniam Deus prior dilexit nos (1Jo 4, 19)

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O Rosário e a Comunhão dos Santos

Oração da Igreja

Somos todos chamados a nos unir a Jesus Cristo e vivermos na sua graça, incorporados nEle, porém no seio de Maria. Jesus veio ao mundo por Maria e não nos quer salvar a não ser por Maria. Nossa vida espiritual, como a vida natural não nos vem, não se desenvolve a não ser pela Mãe. Nascemos, vivemos, crescemos na vida da graça como nascemos, vivemos e crescemos na vida natural por nossa Mãe e com nossa Mãe. Na Igreja de Deus, Maria é tudo depois de Cristo Nosso Senhor. Todos somos membros de Cristo que é nossa cabeça. É a sublime doutrina do Corpo Místico tão luminosamente estudada por São Paulo.

A Igreja militante, nós os que lutamos nesta vida; a Igreja padecente, os justos do Purgatório, e a Igreja Triunfante, os justos do céu, todos somos membros do Corpo Místico de que Jesus Cristo é a cabeça. O dogma consolador da Comunhão dos Santos, ensina-nos, pois, que pela oração pelo mérito, e pelas satisfações estamos unidos aqui na terra e podemos socorrer às almas do Purgatório, podemos nos aproveitar do tesouro dos méritos dos justos e obter a sua intercessão do céu. Podemos aliviar as almas do Purgatório pelas nossas orações e sacrifícios e méritos. Isto se chama a Comunicação ou Comunhão dos Santos. Na Igreja não estamos só. Unidos em Cristo e por Cristo, no seio de Maria! O Rosário é dentre as orações a que mais nos une na Comunhão dos Santos. Depois da Missa, nenhum outro meio existe mais eficaz e proveitoso na comunicação dos justos do céu, da terra e do Purgatório. É a prece da Comunhão dos Santos e um dos seus fins principais é este, afirma Leão XIII. Continue reading

Jesus Amável

Meditação para a Vigésima Sexta-feira depois de Pentecostes. Jesus Amável

Meditação para a Vigésima Sexta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos meditado sobre o amor de Deus e seus efeitos, é justo que meditemos agora sobre o amor de Jesus Cristo, seu adorável Filho. Consideraremos:

1.° Quanto Jesus Cristo é amável;

2.° O que os nossos corações lhe devem.

— Tomaremos a resolução:

1.º De considerarmos muitas vezes tudo o que oferece de amável a pessoa de Jesus Cristo, e de pensarmos nisto com alegria;

2.° De fazermos durante o dia frequentes atos de amor deste divino Salvador.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São Paulo:

“Se algum não ama a Nosso Senhor Jesus Cristo, seja anátema” – Si quis non amat Dominum nostrum Jesus Christum, sit anathema (1Cor 16, 22)

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O Rosário, devoção brasileira

Nossa Tradição

Sim, pode-se afirmar com segurança e baseado na história da vida nacional: não há devoção mais querida e tradicional, no Brasil, que a devoção ao Rosário de Maria.

Uma das mais belas tradições religiosas do povo brasileiro é sem dúvida a devoção ao Rosário de Nossa Senhora. Não há quase velha cidade brasileira sem a Igreja do Rosário, ou a imagem tradicional da Virgem do Rosário. As Irmandades do Rosário são entre nós as mais antigas e veneráveis. O Terço é o objeto indispensável de devoção nas mãos do povo. Não se compreende mesmo entre nós piedade sem Terço, sem o Rosário bendito de Maria. O povo canta os seus Terços de promessa, reza o Terço em família diante do oratório, das imagens queridas, reza o Terço na Missa, e não compreende Reza solene, festa piedosa, Novenas, etc., sem o Terço!

Podemos afirmar que com a devoção à Santa Cruz, o Rosário é a maior e mais bela tradição piedosa da gente brasileira.

Já ouviram o povo cantar?

“Bendito e louvado seja
O Rosário de Maria
Se Ela não viesse ao mundo
Ai de nós o que seria!”

Feliz, mil vezes feliz e abençoado o povo que pode se orgulhar de uma devoção tão fervorosa à Mãe de Deus!

A doce proteção de Maria nos conservou até hoje a unidade na fé. Do Norte ao Sul do Brasil, as mesmas devoções e as mais tocantes tradições de fé. O mesmo fervor pelo Rosário. O brasileiro não entende o culto a Nossa Senhora sem o Rosário, sem o Terço querido.

E se o Rosário, no dizer de tantos Santos e doutores, e na palavra autorizada dos Papas é vida, é salvação, é a mais rica e mais bela devoção Mariana da cristandade, como devemos nos considerar felizes ao vermos enternecidos a alma do povo brasileiro aos pés da Virgem do Rosário!

Desde os tempos primitivos da catequese jesuíta aprendemos a rezar o Rosário de Maria. Fomos educados na contemplação dos mistérios do Rosário. É fato histórico incontestável. De todas as devoções do século XVI no Brasil, observa um historiador, a mais apta para fomentar a piedade entre os índios e nos Colégios, foi sem dúvida a de Nossa Senhora. A primeira Igreja construída pelos jesuítas teve a invocação de Nossa Senhora da Ajuda, e pouco depois recebeu outra o mesmo nome em Porto Seguro. Nossa Senhora da Ajuda ou Auxiliadora não é a Virgem do Rosário da Batalha de Lepanto, invocada nas contas do Rosário da cristandade dos tempos de Pio V? Todavia, outros nomes e títulos tiveram as Igrejas de Maria:

— Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora da Esperança, Nossa Senhora da Escada, Nossa Senhora da Paz e Nossa Senhora do Rosário!

Eis, segundo os historiadores, Nossa Senhora do Rosário, entre as invocações mais tradicionais e primitivas da devoção de nosso povo a Virgem Santíssima.

***

O Rosário, nossa Devoção Antiga

Recorro ao ilustre Padre Serafim Leite, na sua História da Companhia de Jesus no Brasil.

“É digno de menção, diz o historiador, que o primeiro poema escrito no Brasil tem por objeto Nossa Senhora: De Beata Virgine Dei Matre Maria, e tanto nos colégios como nas aldeias, introduziu-se o costume de se recitar o Rosário e cantar aos sábados a Salve Rainha, a canto de órgão, acudindo a gente com círios nas mãos”.

Em 1581 fizeram-se a aprovação dos Estatutos da Confraria de Nossa Senhora do Rosário da Bahia, e, em 1583 fundou-se em São Paulo a mesma Confraria com a singela e formosíssima cerimônia da bênção das rosas. Em 1584, o visitador por intermédio do procurador em Roma, Padre Antônio Gomes, pede os Estatutos de Nossa Senhora do Rosário para os estudantes. Neste mesmo ano se assinalam Confrarias de Nossa Senhora nas aldeias da Bahia. E ordenou o Padre Visitador, em 1586, que nos engenhos e fazendas em todo o Brasil, se instituísse para os índios e negros, a Confraria do Rosário com o fim de promover a piedade e instrução religiosa: piedade, obrigação de rezar o Rosário todos os dias santificados; instrução, porque comprometiam-se os que entravam na Confraria, a reunir-se naqueles mesmos dias para aprender a doutrina.

ANCHIETA, NOBREBA, os heróis que nos trouxeram a luz da fé, traziam consigo o Rosário de Maria e explicavam aos índios, os seus mistérios com muita graça e devoção. Em toda capela erigida nos sertões brasileiros, ouviam-se as Ave-Marias do Rosário, ora cantados, ora rezados com devoção. As naus portuguesas atravessam o oceano enquanto a maruja sob a direção de sacerdotes recitava cada dia o Rosário, até aportarem em plagas brasileiras.

Os jesuítas com o padre Antônio Vieira à frente introduziram mais tarde no Maranhão e em outras terras brasileiras o piedoso costume do Terço em família.

Não há devoção mais tradicional da família brasileira. Nossa gente foi educada, foi formada na vida espiritual, nas contas do Rosário de Nossa Senhora. É nossa glória. E agora, não é ao Rosário de Maria que todo o Brasil recorre cheio de confiança nesta hora de guerras e de sangue? O Rosário é sem dúvida a mais tradicional das devoções brasileiras!

***

EXEMPLO

Vieira e o Rosário

Quem aí não conhece o grande padre Antônio Vieira, o rei dos clássicos e dos oradores da língua portuguesa? Pois dele escreve o padre Luiz Gonzaga Cabral, sem dúvida o Autor que melhor estudara a obra oratória e a personalidade daquele gênio:

“Se houve devoção em cujo apostolado se empregasse com ardor o zelo de Vieira esta foi sem dúvida, mais que todas, a devoção a Maria, a devoção ao Rosário”. (Vieira pregador — Livro I — cap. XII).

A obra oratória de Vieira se revela de uma incrível fecundidade e variedade em trinta sermões sobre as excelências, poderes e maravilhas do Rosário. Todos estes sermões sobre um mesmo assunto, e cada um encerra uma novidade, revela uma energia criadora, unia fecundidade e oratória que o colocam ao lado, senão superior a muitos dos maiores oradores da Igreja e dos mais eloquentes expositores. Não houve assunto mais pregado por Vieira que o Rosário de Maria. A publicação dos trinta sermões sobre o Rosário a fez ele em cumprimento de um voto feito e repetido várias vezes nos perigos que correra em sua vida agitada. “E sempre, pela imensa benignidade da Rosa Mística, Nossa Senhora do Rosário e sua poderosa intercessão sai livre”, disse ele.

O padre André de Barros, o clássico biógrafo de Vieira, nos revela como o genial orador amava o Rosário da Virgem. Eis como escreve:

“O amor à Senhora do Rosário o fez introduzir o Terço do Rosário Santíssimo. Em todas as embarcações que não eram de hereges o fazia rezar todos os dias por toda gente da nau; e foi isto com tanta felicidade que os marinheiros que tinham navegado com o padre Vieira continuaram em outras viagens a mesma devoção de que veio a pegar-se em todos os navios portugueses assim mercantes como de guerra este celestial contagio”.

Pois Vieira estava realmente contagiado pelo santo amor ao Rosário de Maria. Fez ecoar pelos oceanos em mil naves portuguesas os cânticos e o Rosário da Virgem. No Maranhão ordenou que se cantasse o Terço na Igreja, e ele próprio de sobrepeliz ia dizer as orações e contemplar os mistérios. Fez com que em todas as famílias do Maranhão se recitasse o Terço em comum cada noite. E então diz o padre André de Barros, “ouvia desde então o céu estas vozes todas as noites em muitas partes e ao mesmo tempo; porque a senhora da casa, com as filhas e escravas de um lado, e o senhor com os filhos e escravos do outro, entoavam à Mãe de Deus este angélico descante.”

Não se contentava com isto só o padre Vieira. Instituiu na Igreja do Colégio do Maranhão práticas espirituais todos os sábados, destinadas à recitação do Rosário e à narração de uma história piedosa ou exemplo do Rosário de Maria. Diz o biógrafo de Vieira:

“E a esta devoção, acudia grande concurso não só do povo como dos principais e das autoridades da terra”.

E já no fim da vida, aos oitenta anos, o gênio de Vieira nos lega Trinta sermões sobre o Rosário!
Morreu velho, aos noventa anos, em 17 de Julho de 1697, na Bahia. Muito antes da morte, já de vista fraca não podia mais rezar o Breviário. Assim impossibilitado, tomava nas mãos tremulas o Rosário de Maria e gastava “duas horas” em recitar e meditar os mistérios do Rosário cada dia com uma devoção enternecedora.

Que tocante exemplo!

O jesuíta, o formador da nossa gente, o mestre espiritual do povo brasileiro, nos educou na escola do Rosário, na recitação e meditação dos mistérios do Saltério da Virgem!

Não há, pois, devoção mais tradicionalmente brasileira que a devoção do Rosário de Nossa Senhora.

Voltar para o Índice do livro Mês do Rosário, de Mons. Ascânio Brandão

(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. O Mês do Rosário, Edições do “Mensageiro do Santíssimo Rosário”, 1943, p. 251-258)

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