Autor: Gabriel (Page 3 of 252)

Cólera

Cólera, Tesouros de Cornélio à Lápide

Tristes efeitos da ira, sobretudo para quem a ela se entrega

Com justiça, o homem colérico é comparado à abelha que, para vingar-se, infunde seu aguilhão no corpo daqueles que lhe perseguem, e perde-o com a vida. Como a abelha, o homem, levado pela ira, deixa ouvir um murmúrio ameaçador; para vingar-se e para ferir, fere-se a si mesmo e, muitas vezes, mancha a sua alma com um pecado mortal: porque assim diz o Real Profeta: Rodearam-me como enxame de irritadas abelhas: Circundederunt me sicut apes (Sl 117, 12).

Os pensamentos do homem que se encoleriza, diz São Jerônimo, parecem-se ao parto da víbora: causam sua morte (Ex Philon.).

A ira é a obscuridade, a turbação, o tumulto e a tempestade do espírito, sobre o qual passa como água negra e agitada.

Pela cólera, diz São Gregório, perde-se de tal maneira a sabedoria que já não se sabe como deve-se agir, nem tampouco o que se deve fazer; porque extingue toda a luz da inteligência quando turba a alma com um violento choque: Per iram sapientia perditur, ut quid quoque ordine agendum sit, omnio nesciat; quia nimirum intelligentiae lucem subtrahit, cum mentempermovendo confundit (Lib. V. Moral.). Continue reading

Circuncisão

Circuncisão, Tesouros de Cornélio à Lápide

Que objetivo tinha a circuncisão

Este é o meu pacto que deveis observar entre vós, assim tu, como tua descendência depois de ti: Todo varão entre vós será circuncidado, disse o Senhor a Abraão: Hoc estpactum meum quod observabitis me et vos, et sêmen tuum post te: Circuncidetur ex vobis omne masculinum (Gn 17, 10).

A circuncisão era:

1.° o sinal da aliança feita entre Deus e Abraão;

2.° a prova da fé de Abraão;

3.° o sinal que distinguia os fieis dos infiéis;

4.° era, segundo ensinam os Santos Padres, o sinal da existência do pecado original e de sua expiação por Jesus Cristo; e

5.° figura do batismo e, por esta razão, dava-se um nome novo àquele que se batiza.

Em resumo, a circuncisão era pois o sinal distintivo do povo de Deus, o sinal figurativo do Messias, e também da participação na Redenção por Jesus Cristo; porque o Messias e o Evangelho foram prometidos e revelados à Abraão, primeiro circunciso; era, enfim, o sinal da circuncisão espiritual: Quaeres cur in hoc membro praeputii instituta sit a Deo circumcisio? Respondeo: 1 ° quia in hoc membro Adam primum in obedientiae suae effectum et carnis rebelionem sensit; 2° quia hoc membro generamur, et transfunditur peccatum originale, quod circumcisione curatur; 3° ut significaretur Christus redeptor, et novi foederis institutor, generandus e Abrahae semine. Continue reading

Ciência

Ciência, Tesouros de Cornélio à Lápide

Necessidade da ciência cristã

A interpretação da lei corresponde ao sacerdote, diz São Jerônimo: Legis interpretativo, sacerdotis officium est (Epist. ad Nepotian.). Tu, porém, mantém firme o que aprendeste e te foi confiado[1], considerando quem te ensinou tal doutrina.

A ciência é necessária até para dar regras ao zelo. O zelo, diz São Bernardo, não é verdadeiramente eficaz senão quando vai unido à ciência: então, será mais útil; enquanto que, muitas vezes, é danoso o zelo sem ciência. Quando mais ardente o zelo, mais ativo o espírito e mais persuasiva a caridade, e tanto mais precisa é a ação da ciência, para saber limitar o zelo, moderar o espírito e dirigir a caridade (Tract. De Inter, Dom.).

Se estiver pendente ante ti uma causa, diz o Senhor, no Deuteronômio, e achares ser difícil ou duvidoso o discernimento entre sangue e sangue, entre pleito e pleito, entre lepra e lepra (isto é, em matérias criminais, civis ou de culto), e vires que são vários os pareceres dos juízes que há em tua cidade, dirige-te e acode ao lugar que terá escolhido o Senhor teu Deus, onde recorrerás aos sacerdotes de linhagem levítica, e àquele que, como Sumo Sacerdote naquele tempo, for Juiz Supremo do povo; e os consultarás, e te manifestarão como hás de julgar segundo a verdade. E farás tudo o que te disserem aqueles que presidem o lugar escolhido pelo Senhor, e o que te ensinarem conforme sua Lei; e seguirás a declaração deles, sem desviar-te nem à direita nem à esquerda (Dt 17, 8-11). Continue reading

Céu

Céu, Tesouros de Cornélio à Lápide

A palavra Paraíso vem da expressão hebraica PARDES Ó PARA, que quer dizer Jardim dos Mirtos. Deste vocábulo, os latinos tomaram Paradisus (Paraíso).

Há três Céus: o céu atmosférico, o céu em que efetuam suas evoluções os astros, e o Céu dos bem-aventurados, onde a descoberto habita a Divindade.

O Céu é a obra prima de Deus

Santo Tomás pergunta se poderia Deus fazer coisas maiores, mais perfeitas do que todas aquelas que fez, e este Santo Doutor responde afirmativamente; porém, excetua sem embargo três realidades: Jesus Cristo, a Virgem Maria e a bem- aventurança dos eleitos. A humanidade de Jesus Cristo deve se achar excetuada, diz-nos Santo Tomás, porque está unida a Deus de uma maneira hipostática; também a bem-aventurada Virgem Maria, porque é Mãe de Deus; e a bem- aventurança criada, porque é o gozo de Deus. A humanidade de Jesus Cristo, a Virgem Maria e a bem-aventurança, ou o Céu, tomam do Bem infinito, que é Deus, certa perfeição infinita. Logo, nada pode Deus fazer melhor, assim como nada pode, tampouco, existir melhor que Deus (S. Th. I, q. 2; a. 6). Continue reading

Cegueira Espiritual

Cegueira Espiritual, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é a cegueira espiritual

A cegueira espiritual nada mais vem a ser do que certa estupidez, um embrutecimento do espírito que impede de ver e degustar as coisas divinas. A cegueira espiritual pertence particularmente à inteligência, e é um endurecimento da vontade. Uma e outra coisa são pecados, a pena do pecado e um princípio de pecado. A cegueira espiritual, que afasta somente a Deus, porque Ele é a verdadeira luz, segundo diz Sano Agostinho, é um pecado pelo qual se deixa de crer em Deus; é a pena do pecado, porque castiga o coração orgulhoso, atraindo para si, com justiça, o ódio de Deus; é um princípio de pecado, quando o coração, enganado pela paixão, leva a cometer o mal[1].

Assim, os judeus, cegos pelo erro e pelo endurecimento do coração, perseguiram a Jesus Cristo, e deram-Lhe a morte. Continue reading

Canto

Canto, Tesouros de Cornélio à Lápide

Deus prescreve o canto

Cantai ao nosso Deus, cantai, diz o Salmista cantai, cantai salmos a nosso Rei, porque Deus é o Rei de toda a terra: cantai-lhe salmos com sabedoria: Psaliite Deo nostro, psallite; psallite Regi nostro, psallite; quoniam Rex omnis terrae Deus; psallite sapienter (Sl 46, 7-8). Reis da terra, cantai ao Senhor, celebrai em coro ao Eterno; cantai salmos a Deus que se elevou ao mais alto dos Céus, desde o Oriente (Sl 67, 33-34). Entoai salmos, tocai pandeiro, o harmonioso saltério junto com a cítara: Sumite psalmum, et date tympanum; psalterium jucundum cum cithara (Sl 80, 2). Tocai as trombetas no novilúnio, no grande dia de vossa solenidade (Sl 80, 3) cantai ao Senhor um novo cântico: Ele fez maravilhas: Cantate Domino canticum novum, quia mirabilia fecit (Sl 97, 1). Cantai seus louvores, cantai-os acompanhados de instrumentos: Cantate ei, et psallite ei; narrate omnia mirabilia ejus (Sl 104, 2). Continue reading

Calvário

Calvário, Tesouros de Cornélio à Lápide

Segundo São Jerônimo, Adão foi sepultado no Calvário, no mesmo lugar em que foi crucificado Jesus Cristo. Deste fato, fazem derivar o nome do Calvário que tem a montanha da crucificação, nome devido a cabeça de Adão ali enterrada. Costumam dar essa mesma razão para explicar o costume dos pintores de colocar uma cabeça ao pé da cruz de Jesus Cristo[1].

Orígenes, Epifânio, Santo Atanásio, São Cipriano, Santo Ambrósio etc. participam também da opinião que Adão foi sepultado no Calvário. Continue reading

Caída e recaída

Caída e recaída, Tesouros de Cornélio à Lápide

Desgraça da queda no pecado

Podemos nos equivocar facilmente, dada a nossa debilidade humana, porém é uma coisa diabólica perseverar no erro: Humanum est errare, diabolicum perseverare (Episto.).

Ordinariamente, uma vida fervorosa, depois de uma queda, é mais agradável a Deus que a inocência vivida com a tibieza e a torpe segurança, diz São Gregório: Pelrunque gratior est Deo amore ardens post culpam vita, quam securitate torpens innocentia (Pastor.). Porém, do mesmo modo que a tibieza, a queda é deplorável.

Como foi, diz Isaías, que a cidade fiel se converteu em uma rameira? A justiça habitava em seu recinto; agora, não é mais que um albergue de homicidas: Quomodo facta est meretrix civitas fidelis? Justitia habitavit in ea, nunc autem homicidae (Is 1, 21).

Tua prata se converteu em escória: Argentum tuum versum est in scoriam (Is 1, 22). Continue reading

Provocação dos maus

Provocação dos maus, Tesouros de Cornélio à Lápide

Em todos os tempos, são os maus que zombam dos bons

Durante os cem anos que Noé empregou em construir a Arca, ele não deixava de advertir aos homens que fizessem penitência, que haveria um dilúvio universal; e os homens corrompidos ridicularizavam-no e zombavam dele.

Ló avisou aos Sodomitas que haveria um dilúvio de fogo e puseram-no em ridículo.

Os profetas falam em nome do Senhor, mandam em nome do Senhor, e os ímpios o tomam como um motivo de zombaria.

Tendo chegado Jesus à casa do chefe da Sinagoga, e vendo aos tocadores de flauta e a multidão que se agitava tumultuosamente, disse-lhes: Retirai-vos, porque a jovem não morreu, senão que dorme. E riam-se Dele: Et deridebant eum (Mt 9, 23-24). Continue reading

Boa e Má Consciência

Boa e Má Consciência, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é uma boa consciência?

Um boa consciência, diz Hugo de São Vítor, é aquela que sendo doce para todo o mundo, não fere a ninguém, usa castamente da amizade, é paciente para os inimigos, benfeitora para todos, e faz tanto bem quanto lhe é possível. Uma boa consciência é aquela à qual Deus não imputa pecados, porque os evita; nem imputa- lhe os pecados dos demais, porque não os aprova; nem os da negligência, porque falou e agiu quando era necessário; nem os do orgulho, porque permaneceu na humildade e na unidade (Lib. III de Anim., c. IX).

A boa consciência é aquela que é reta, que obedece às leis de Deus e às da Igreja, e que se vale das luzes da razão para esclarecer-se.

A boa consciência é a que vigia para não cair, e imediatamente levanta-se de suas quedas. A boa consciência é o homem inteiro, porque o homem não é nada, ou melhor, ele é um flagelo, um monstro, quando não tem uma boa consciência.

A boa consciência é a imagem de Deus na terra. Continue reading

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