Um Mês com Nossa Senhora ou Mês de Maria segundo Santo Afonso de Ligório, por Mons. Ascânio Brandão

Mês de Maria segundo Santo Afonso de Ligório
por Mons. Ascânio Brandão

Observação Importante

Um mês com Nossa Senhora, o preparei dos escritos de Santo Afonso, não apenas para o mês de Maio, o mês de Maria. Desejo que seja lido sempre e aconselho aos meus leitores e lhe peço por amor de Jesus e de Maria, leiam e releiam sempre as páginas do belo e admirável livro de Santo Afonso: “Glórias de Maria”.

Cada mês de Maio, uma leitura meditada destas considerações e, escolher um mês no ano além do mês Maria para se consagrar de novo a Nossa Senhora e meditar as suas glórias e misericórdias. Isto muito nos pode afervorar na devoção a Maria.

Servem também estas meditações para o mês do Rosário, Outubro. Rogo aos Superiores e Superioras de Comunidades religiosas e Colégios, a caridade de mandarem ler no Refeitório ou na Capela estas páginas, não só nos meses de Maio e Outubro, como em outras épocas. Enfim o meu desejo ardente é ver Santo Afonso o Doutor de Maria, muito lido e propagado.

O AUTOR

Índice

Santo Afonso, o Doutor de Maria
Dia 30 de Abril. Louvemos a Maria
Dia 01 de Maio. É necessário recorrer a Maria
Dia 02 de Maio. O devoto de Maria não se perde
Dia 03 de Maio. Maria, cheia de Graças para nos salvar
Dia 04 de Maio. O poder de Maria para nos salvar
Dia 05 de Maio. Maria Santíssima, Rainha de Misericórdia
Dia 06 de Maio. O Trono da Misericórdia
Dia 07 de Maio. Maria, Rainha de Misericórdia para os miseráveis
Dia 08 de Maio. Maria última Esperança dos pecadores
Dia 09 de Maio. Maria intercede pelos pecadores
Dia 10 de Maio. Maria é Medianeira entre Deus e os homens
Dia 11 de Maio. Maria é nossa Mãe
Dia 12 de Maio. Maria nos socorre prontamente
Dia 13 de Maio. Maria ama e salva os pecadores
Dia 14 de Maio. Maria Santíssima nos vale no Tribunal Divino
Dia 15 de Maio. Maria, Mãe Clementíssima
Dia 16 de Maio. Mãe da Santa Perseverança
Dia 17 de Maio. O Doce Nome de Maria
Dia 18 de Maio. Maria leva seus devotos ao Céu
Dia 19 de Maio. Maria nos vale no Purgatório
Dia 20 de Maio. Maria, Mãe das Graças e nossa vida
Dia 21 de Maio. Maria sofreu para nos salvar
Dia 22 de Maio. Maria, nosso Refúgio nas Tentações
Dia 23 de Maio. O amor divino no Coração de Maria
Dia 24 de Maio. Maria Santíssima nos Ama
Dia 25 de Maio. Maria Santíssima nossa Esperança
Dia 26 de Maio. A Humildade de Maria
Dia 27 de Maio. A Obediência de Maria
Dia 28 de Maio. Práticas de Devoção a Maria
Dia 29 de Maio. Escapulário, Rosário e Novenas
Dia 30 de Maio. Obséquio e Devoção em honra de Maria
Dia 31 de Maio. Maria, Distribuidora das Graças

Santo Afonso, o Doutor de Maria

Muitos Santos Doutores escreveram sobre Maria Santíssima, cantaram os louvores e glórias da Mãe de Deus. São Bernardo não foi chamado a Cítara da Virgem? Que belos pensamentos e cheios de unção, os que saíram da pena do Seráfico doutor São Boaventura ao escrever sobre Maria. Que riqueza e facúndia de estilo, e que sublimidade, a de um Santo Agostinho nos louvores da Mãe Celeste! Quanta joia preciosa e bela na literatura patrística, nos escritos dos Santos Doutores em torno deste inesgotável tema: as glórias de Maria!

Pois, não é exagero nem ousadia afirmar: Santo Afonso a todos excedeu nas suas Glórias de Maria. Não pelo seu estilo, ou arroubos de eloquência, ou sublimidade e sutileza de ideias. Simplesmente por isto: foi o Santo Doutor, abelha diligentíssima, que de modo genial sintetizou e colheu na Tradição e nas escolas teológicas e na literatura religiosa de todas as épocas, tudo quanto se escreveu de mais belo, de mais útil, de mais precioso e consolador sobre as glórias e a devoção de Maria Santíssima. Podemos chamá-lo o Doutor de Maria.

A Mariologia alfonsiana é de uma segurança doutrinária e de uma beleza inexcedíveis. Santo Afonso recebeu do céu o dom de escrever sobre Maria com uma unção e um encanto e uma sublime singeleza, se assim me posso exprimir, como nenhum outro Doutor ou escritor sacro. Que gênio o deste Santo admirável! Tudo quanto à tradição nos legou de mais belo, edificante e consolador, através de tantos séculos, Afonso sintetizou nas Glórias de Maria. Naquele estilo singelo, naquela simplicidade tocante e quase ingênua de exemplos e comparações, meu Deus, que mundo, que oceano de ideais e que consoladores e confortantes pensamentos! Não tenho medo de contestação na história da Mariologia não há melhor nem maior doutor de Maria que Santo Afonso.

Das Glórias de Maria escreve o Pe. Geraldo Pi­res, Redentorista e tradutor desta joia mariana:

“O livro de Santo Afonso é riquíssimo em citações”

É com palavras de outros que descreve a grande misericórdia, o extraordinário poder de Maria. Como ele mesmo confessa, passou dez anos colhendo citações nos livros de numerosos autores, tirando deles os trechos mais belos, mais tocantes, mais convincentes sobre a Mãe de Deus.

Formou assim um colar de pérolas que se estende pelas páginas afora da obra. Reuniu as vozes dos Santos Padres, dispersas pelos escritos, e delas fez uma sinfonia em honra da Virgem. Santo Afonso vive baleando no caudal da tradição e por isso há tanto ouro nas citações que faz. Cita com agudez de juízo e com fineza de inteligência. Recolhe, mas como operosa abelha, e apresenta-nos favos saborosos.

O estilo de Santo Afonso tem mais uma particularidade. É simples, singelo, humilde. O sábio teólogo, o afamado advogado, o admirável pregador, estão ocultos na modéstia da frase. O santo nota-se, a cada passo esconde a luz da sua inteligência sob a repetição de frases simples.

Por isso, também seu estilo fala ao coração. É cordial, é recordativo de toda a pessoa do Santo. Afonso repete-se, repete sentenças sobre o poder, sobre a misericórdia de Maria. Que fazer? Nisso está o “tema iterativo” do seu hino em honra da excelsa Mãe de Deus.

Já velho e cansado, Afonso fez sem o querer o melhor elogio da sua obra. Um dia pediu ao Irmão leigo que o servia, que lhe lesse algum livro sobre Nossa Senhora. O Irmão pôs-se a ler as Glórias de Maria. O Santo o interrompeu logo depois admirado e comovido:

“Meu Irmão, quem teria escrito um livro deste, tão belo, sobre as glórias de Maria?”

O Irmão simplesmente leu o nome do autor: Afonso de Ligório. Muito desapontado o Santo mudou logo de assunto. O elogio, porém estava feito e, espontaneamente, partido do coração que tanto amava à Virgem Santíssima. Realmente, Glórias de Maria é um livro incomparável, a mais bela e rica joia da Mariologia, porque é um tesouro de citações e de doutrinas consoladoras. Santo Afonso foi o pregador da Mediação de Maria, da Assunção gloriosa, da Imaculada Conceição, muito tempo ante proclamada esta, como dogma de fé. A Mariologia Alfonsiana é segura e muitíssimo consoladora.

O que encanta em Santo Afonso é a unção, é a beleza das suas orações. Que orações verdadeiramente seráficas! Um Serafim não poderia rezar a Maria com expressões mais candentes e com maior ternura.

A preocupação deste Doutor útil, na expressão do Pe. Desurmoto é dar às almas meios seguros de salvação. — Nenhum meio acha melhor Afonso que o recurso a Maria. Na vida espiritual o ascetismo alfonsiano se baseia em cinco princípios muito seguros: A lei da oração: “quem reza se salva quem não reza se condena”; a lei da Divina Misericórdia, a lei do culto de Maria, a lei da perseverança ou zelo pela perseverança final, e a fuga das ocasiões.

Quanto à devoção a Maria, o Santo Doutor parece esgotar todos os recursos do seu gênio e do seu amor para traduzir de mil formas quanto é ela importante e necessária a todos os cristãos.

Estou certo que, se no tempo de Santo Afonso se celebrasse o mês de Maria, por certo da pena do Santo Devoto da Virgem, teria brotado um Mês de Maria. Pois, tive a ousadia de compor um mês de Maria segundo Santo Afonso, a águia dos Evangelistas de Maria. O meu trabalho aqui foi apenas de compilador.

Reuni tudo quanto achei de melhor e mais consolador e belo nas “Glórias de Maria”. Dispus tudo em ordem dos trinta e um dias do mês de Maria. Acrescentei alguns exemplos novos e aproveitei quanto possível os exemplos das Glórias de Maria.

Aí está o Mês de Maria segundo Afonso. E para terminar quero fazer minhas, as expressões de meu querido Santo Afonso:

“Ó Maria, bem sabeis quanto tenho buscado exaltar-vos sempre e em toda parte, em público e em particular, a todos insinuando a doce e salutar devoção para convosco. E tudo isso no empenho de ver-vos amada pelo mundo inteiro, como o mereceis. Assim procedo para também de algum modo mostrar meu agradecimento pelos insignes benefícios que a mim tendes dispensado.

Ó minha caríssima Rainha, espero que esta minha oferta — inferior embora ao vosso merecimento — seja benignamente acolhida por vosso sempre grato coração, sendo, como é, um obséquio de amor.

Estendei, portanto, essa tão benigna mão que me libertou do mundo e do inferno. Aceitai este livro e protegei-o como propriedade vossa. Mas ficai cientes que por este pequeno obséquio exijo uma recompensa: a de amar-vos doravante mais do que pelo passado, e que cada um daqueles, em cujas mãos for parar este livro, fique abrasado no vosso amor. Que nele de repente se aumente o desejo de amar-vos e de amada vos ver por todo o mundo. Que de todo o coração se ocupe em espalhar e promover vossos louvores e a confiança em vossa poderosíssima intercessão. Assim espero. Assim seja.

Vosso amantíssimo, embora indigníssimo servo”

Mons. Ascânio Brandão