Meditação para o dia 13 de Maio. Maria ama e salva os pecadores

Meditação para o dia 13 de Maio

Efeitos do amor de Maria para com os pecadores

Suponhamos que uma mãe soubesse que dois filhos seus eram inimigos mortais, intentando um tirar a vida do outro. Em tal conjuntura não seria dever de toda boa mãe procurar encarecidamente como pacificá-los? Assim pergunta Conrado de Saxônia. Ora, Maria é Mãe de Jesus e Mãe dos homens. Aflige-se quando vê um pecador inimizado com Jesus e tudo faz por reconciliá-los com seu divino Filho.

Do pecador só exige a benigníssima Rainha que se recomende a ela e tenha o propósito de emendar-se. Em o vendo a seus pés a implorar-lhe perdão, não olha para o peso de seus pecados, mas para a intenção com que se apresenta. Se esta é boa, nem que o pobre haja cometido todos os pecados do mundo, abraça-o e como terna Mãe não desdenha curar-lhe as chagas que na alma traz. Pois é Mãe de misericórdia, não só de nome, senão de fato, e em verdade tal se mostra pela ternura e pelo amor com que nos socorre. A própria Virgem Santíssima assim o revelou a Santa Brígida.

“Por mais culpado que seja um homem, disse-lhe, se vem a mim com sincero arrependimento, estou sempre pronta a acolhê-lo. Não considero a enormidade de suas faltas, mas tão somente as disposições do seu coração. Não recuso ungir e curar as suas feridas, porque me chamo e realmente sou Mãe de misericórdia”

É Maria a Mãe dos pecadores que se querem converter. Como tal não pode deixar de compadecer-se deles. Parece até que sente como próprios os males de seus pobres filhos. A cananeia, ao pedir que o Senhor lhe livrasse a filha do demônio que a atormentava, disse-lhe:

“Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha está muito atormentada do demônio” (Mt 15 22)

Mas se a filha, e não a mãe, era atormentada do demônio, parece que havia de dizer: Senhor tem piedade de minha filha! Porém, não, ela disse: tem compaixão de mim e com muita razão. Pois sentem as mães como próprios os sofrimentos dos filhos.

“Ora, do mesmo modo, disse Ricardo de São Lourenço, pede Maria a Deus, quando intercede por qualquer pecador que a ela recorre. Pede-lhe que dela se compadeça. Meu Senhor — parece dizer-lhe — esta pobre alma, que está em pecado, é minha alma; por isso compadecei-vos não tanto dela, como de mim, que sou sua mãe”

Oh! Prouvesse a Deus que todos os pecadores, recorressem a esta doce Mãe, porque todos certamente receberiam do Senhor o perdão!

“Ó Maria, exclama admirado Conrado de Saxônia, tu acolhes maternalmente o pecador desprezado por todo mundo, nem o abandonas antes que o hajas reconciliado com o juiz”

Quer ele dizer: Enquanto o pecador perseverar no seu pecado, é aborrecido o desprezado de todos, até as criaturas insensíveis, o fogo, o ar, a terra, quereriam castigá-lo em desafronta à honra do seu Criador ultrajado. Porém, se este pecador miserável recorrer a Maria, expulsa-o Maria? Não; se vem com intenção de que o ajude, a fim de emendar-se, ela o acolhe com maternal afeto. Não o deixa, sem primeiro, com a sua poderosa intercessão, reconcilia-lo com Deus e o reconduzir à sua graça.

No Segundo Livro dos Reis (14, 5) lemos o que se deu com a sábia mulher de Técua. Disse ela a Davi:

“Senhor, tinha tua serva dois filhos; para minha desventura um matou o outro; o assim perdi um filho. Quer agora a justiça tirar-me o outro, que é o único que me fica. Tem compaixão desta pobre mãe e não permitas que eu perca ambos os filhos”

Então Davi, compadecendo-se da mãe, libertou o delinquente e lho entregou. — O mesmo parece que diz Maria, quando vê a Deus irado com algum pecador que a ela recorre.

“Meu Deus, lhe diz, eu tinha dois filhos, Jesus e o homem; o homem matou na cruz ao meu Jesus; agora a vossa justiça quer condenar o homem. Senhor, já morreu o meu Jesus; tende compaixão de mim. Se eu perdi um, não me façais perder também o outro filho”

Certamente Deus não condena os pecadores que recorrem a Maria e por quem ela intercede. Pois o próprio Deus recomendou os pecadores por filhos de Maria. O devoto Lanspérgio põe as seguintes palavras nos lábios do Senhor:

“Eu recomendei a Maria de aceitar por filhos os pecadores. Por isso ela é toda desvelos para que, no desempenho de sua missão, não lhe aconteça perder a nenhum dos que lhe foram entregues, principalmente quando a invocam. E assim esforçar-se o quanto pode em conduzir todos eles a mim”

“Quem pode explicar, interroga Blósio, a bondade e misericórdia, a fidelidade e a caridade com que esta nossa Mãe procura salvar-nos, quando lhe pedimos que nos ajude?”

“Prostremo-nos, pois, diz São Bernardo, diante desta boa Mãe; abracemo-nos os seus sagrados pés e não a deixemos sem nos abençoar e sem nos receber por filhos seus”

“Nela esperarei, exclama São Boaventura, ainda que me dê a morte; e cheio de confiança desejo morrer perante uma de suas imagens, e salvo estarei. Portanto, assim devem dizer todos os pecadores, que recorrem a esta piedosa Mãe: Minha Senhora e minha Mãe, por minhas culpas mereço ser repelido, e castigado por vós na proporção delas. Mas, ainda que me rejeiteis e me tireis a vida, não perderei nunca a confiança. E se tiver a felicidade de morrer na presença de qualquer imagem vossa, recomendando-me a vossa misericórdia, espero certamente que não me hei de perder, mas hei de louvar-vos no céu em companhia de tantos que vos serviram e morreram invocando vossa poderosa intercessão”

EXEMPLO

“É MARIA SANTÍSSIMA a esperança até dos desesperados” — disse Santo Anselmo. Quem a ela se entregou não se há de perder. Confiança! “O servo de Maria não pode perecer”, exclama São Bernardo.

Nunca se ouviu dizer de quem recorreu à sua proteção fosse por Ela desamparado.

O Pe. Hermann, célebre artista judeu, cuja conversão tanto abalou a Europa em meados do século passado, deixando o mundo, abraçou a Regra da Ordem dos Carmelitas descalços. Tinha um desgosto profundo vendo sua mãe fanática no judaísmo. Rezava muito por ela, jejuava, fazia penitência. Aos 13 de Dezembro 1855, morreu ela sem os sacramentos. O pobre filho, acabrunhado de dor, foi procurar o Santo Cura Ars. E este, que bem penetrava os segredos dos corações, lhe disse:

— “Tenha esperança. Receberá um dia, na Festa da Imaculada Conceição, uma carta que o há de consolar”

Passaram-se seis anos. E no dia 8 de Dezembro de 1864, o Pe. Hermann, já esquecido do que dissera o Cura Ars, recebe uma carta que o comove profundamente. Essa carta lhe dizia que pessoa piedosa, morta em odor de santidade, ousou interrogar o Nosso Senhor sobre a morte da mãe do Pe. Hermann, e o Bom Mestre revelou:

— “Não devo minha graça a ninguém, mas não falto às promessas que fiz sobre a oração. Toda a oração que tem por objeto a glória de Deus e a salvação das almas é ouvida se é bem feita”

E acrescentou que a oração do Pe. Hermann, tão devoto de Nossa Senhora, foi ouvida. Sua mãe, ao morrer, alcançou miraculosamente a graça da conversão. Suas últimas palavras foram:

— “Ó Jesus, eu creio, espero em Vós, tende piedade de mim!”

Ah! Não desesperemos da salvação de ninguém! Nem presunção, nem desespero!

Onde acharmos devoção em Nossa Senhora, confiança, muita confiança! Nunca se perde o servo de Maria! Ninguém a invoca sem ser atendido.

Ó misericórdia de Maria!

ORAÇÃO
(Nicolau, monge)

Santíssima Virgem, Mãe de Deus, socorrei os que imploram vossa assistência; olhai para nós. Poderíeis esquecer os homens, agora que estais tão unida a Deus? Ah! Certamente não, bem sabeis em que perigos nos deixastes, e qual, o estado miserável de vossos servos; não é bem que uma misericórdia tão grande como a vossa se esqueça de uma miséria tão grande como a nossa. Valei-nos com vosso poder, já que Aquele que tudo pode vos deu a onipotência no céu e na terra. Nada vos é impossível, pois até conseguis despertar a esperança da salvação. Quanto mais poderosa sois, tanto mais misericordiosa deveis ser.

Valei-nos também por amor. Sei, Senhora minha, que sois muita benigna e nos amais com um amor que nenhum amor pode exceder. Quantas vezes aplacais a ira do nosso Juiz no momento em que ele nos vai castigar! Em vossas mãos estão todos os tesouros da misericórdia de Deus. Ah! Não suceda jamais que nos deixeis de cumular de benefícios!

Só buscais ocasião de salvar a todos os miseráveis e de derramar sobre eles vossa misericórdia, porque vossa glória aumenta quando por vossa intercessão os penitentes são perdoados, e desse modo alcançam o paraíso. Valei-nos, pois, para que consigamos gozar de vossa vista no céu. Pois a maior glória que possamos ter, depois de ver a Deus, é ver- vos, amar-vos e viver sob vosso patrocínio. Ah! Ouvi nossas súplicas, já que vosso Filho quer honrar-vos, nada vos negando do que lhe pedis.

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(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Um Mês com Nossa Senhora ou Mês de Maria, segundo Santo Afonso Maria de Ligório. Edições Paulinas 1ª ed., 1949, p. 96-101)