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Encerramento do mês do Rosário

O Rosário e o Purgatório

É um tema vasto para nossas meditações e considerações. O dogma do Purgatório é terrível e consolador.

Terrível! Daremos contas ao Senhor até de uma palavra ociosa, diz o Evangelho, e pagaremos até o último ceitil…

Só entraremos no céu, bem perfeitos e santos. E que tormentos os do Purgatório! Nada se pode comparar na terra, dizem os Santos Padres e Doutores da Igreja, às penas dolorosas e terríveis das chamas expiadoras do Purgatório.

Dogma terrível, sim, porém consolador!

Há na outra vida um remédio, uma penitencia, uma expiação e nos tornamos mais puros e menos indignos da visão de Deus! Há consolações no Purgatório, diz São Francisco de Sales e excedem a todas as consolações da terra! E uma delas e a maior sem dúvida é a Materna, doce proteção de Nossa Senhora. A Mãe de Deus, Rainha dos Anjos e do Céu, Rainha do Céu e da Terra é também Rainha do Purgatório!

Felizes os devotos de Maria, diz Santo Afonso, pois Ela os socorre neste mundo, os assiste e consola no Purgatório com sua proteção! Continue reading

O Rosário e a Comunhão dos Santos

Oração da Igreja

Somos todos chamados a nos unir a Jesus Cristo e vivermos na sua graça, incorporados nEle, porém no seio de Maria. Jesus veio ao mundo por Maria e não nos quer salvar a não ser por Maria. Nossa vida espiritual, como a vida natural não nos vem, não se desenvolve a não ser pela Mãe. Nascemos, vivemos, crescemos na vida da graça como nascemos, vivemos e crescemos na vida natural por nossa Mãe e com nossa Mãe. Na Igreja de Deus, Maria é tudo depois de Cristo Nosso Senhor. Todos somos membros de Cristo que é nossa cabeça. É a sublime doutrina do Corpo Místico tão luminosamente estudada por São Paulo.

A Igreja militante, nós os que lutamos nesta vida; a Igreja padecente, os justos do Purgatório, e a Igreja Triunfante, os justos do céu, todos somos membros do Corpo Místico de que Jesus Cristo é a cabeça. O dogma consolador da Comunhão dos Santos, ensina-nos, pois, que pela oração pelo mérito, e pelas satisfações estamos unidos aqui na terra e podemos socorrer às almas do Purgatório, podemos nos aproveitar do tesouro dos méritos dos justos e obter a sua intercessão do céu. Podemos aliviar as almas do Purgatório pelas nossas orações e sacrifícios e méritos. Isto se chama a Comunicação ou Comunhão dos Santos. Na Igreja não estamos só. Unidos em Cristo e por Cristo, no seio de Maria! O Rosário é dentre as orações a que mais nos une na Comunhão dos Santos. Depois da Missa, nenhum outro meio existe mais eficaz e proveitoso na comunicação dos justos do céu, da terra e do Purgatório. É a prece da Comunhão dos Santos e um dos seus fins principais é este, afirma Leão XIII. Continue reading

O Rosário, devoção brasileira

Nossa Tradição

Sim, pode-se afirmar com segurança e baseado na história da vida nacional: não há devoção mais querida e tradicional, no Brasil, que a devoção ao Rosário de Maria.

Uma das mais belas tradições religiosas do povo brasileiro é sem dúvida a devoção ao Rosário de Nossa Senhora. Não há quase velha cidade brasileira sem a Igreja do Rosário, ou a imagem tradicional da Virgem do Rosário. As Irmandades do Rosário são entre nós as mais antigas e veneráveis. O Terço é o objeto indispensável de devoção nas mãos do povo. Não se compreende mesmo entre nós piedade sem Terço, sem o Rosário bendito de Maria. O povo canta os seus Terços de promessa, reza o Terço em família diante do oratório, das imagens queridas, reza o Terço na Missa, e não compreende Reza solene, festa piedosa, Novenas, etc., sem o Terço!

Podemos afirmar que com a devoção à Santa Cruz, o Rosário é a maior e mais bela tradição piedosa da gente brasileira.

Já ouviram o povo cantar?

“Bendito e louvado seja
O Rosário de Maria
Se Ela não viesse ao mundo
Ai de nós o que seria!”

Feliz, mil vezes feliz e abençoado o povo que pode se orgulhar de uma devoção tão fervorosa à Mãe de Deus!

A doce proteção de Maria nos conservou até hoje a unidade na fé. Do Norte ao Sul do Brasil, as mesmas devoções e as mais tocantes tradições de fé. O mesmo fervor pelo Rosário. O brasileiro não entende o culto a Nossa Senhora sem o Rosário, sem o Terço querido.

E se o Rosário, no dizer de tantos Santos e doutores, e na palavra autorizada dos Papas é vida, é salvação, é a mais rica e mais bela devoção Mariana da cristandade, como devemos nos considerar felizes ao vermos enternecidos a alma do povo brasileiro aos pés da Virgem do Rosário!

Desde os tempos primitivos da catequese jesuíta aprendemos a rezar o Rosário de Maria. Fomos educados na contemplação dos mistérios do Rosário. É fato histórico incontestável. De todas as devoções do século XVI no Brasil, observa um historiador, a mais apta para fomentar a piedade entre os índios e nos Colégios, foi sem dúvida a de Nossa Senhora. A primeira Igreja construída pelos jesuítas teve a invocação de Nossa Senhora da Ajuda, e pouco depois recebeu outra o mesmo nome em Porto Seguro. Nossa Senhora da Ajuda ou Auxiliadora não é a Virgem do Rosário da Batalha de Lepanto, invocada nas contas do Rosário da cristandade dos tempos de Pio V? Todavia, outros nomes e títulos tiveram as Igrejas de Maria:

— Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora da Esperança, Nossa Senhora da Escada, Nossa Senhora da Paz e Nossa Senhora do Rosário!

Eis, segundo os historiadores, Nossa Senhora do Rosário, entre as invocações mais tradicionais e primitivas da devoção de nosso povo a Virgem Santíssima.

***

O Rosário, nossa Devoção Antiga

Recorro ao ilustre Padre Serafim Leite, na sua História da Companhia de Jesus no Brasil.

“É digno de menção, diz o historiador, que o primeiro poema escrito no Brasil tem por objeto Nossa Senhora: De Beata Virgine Dei Matre Maria, e tanto nos colégios como nas aldeias, introduziu-se o costume de se recitar o Rosário e cantar aos sábados a Salve Rainha, a canto de órgão, acudindo a gente com círios nas mãos”.

Em 1581 fizeram-se a aprovação dos Estatutos da Confraria de Nossa Senhora do Rosário da Bahia, e, em 1583 fundou-se em São Paulo a mesma Confraria com a singela e formosíssima cerimônia da bênção das rosas. Em 1584, o visitador por intermédio do procurador em Roma, Padre Antônio Gomes, pede os Estatutos de Nossa Senhora do Rosário para os estudantes. Neste mesmo ano se assinalam Confrarias de Nossa Senhora nas aldeias da Bahia. E ordenou o Padre Visitador, em 1586, que nos engenhos e fazendas em todo o Brasil, se instituísse para os índios e negros, a Confraria do Rosário com o fim de promover a piedade e instrução religiosa: piedade, obrigação de rezar o Rosário todos os dias santificados; instrução, porque comprometiam-se os que entravam na Confraria, a reunir-se naqueles mesmos dias para aprender a doutrina.

ANCHIETA, NOBREBA, os heróis que nos trouxeram a luz da fé, traziam consigo o Rosário de Maria e explicavam aos índios, os seus mistérios com muita graça e devoção. Em toda capela erigida nos sertões brasileiros, ouviam-se as Ave-Marias do Rosário, ora cantados, ora rezados com devoção. As naus portuguesas atravessam o oceano enquanto a maruja sob a direção de sacerdotes recitava cada dia o Rosário, até aportarem em plagas brasileiras.

Os jesuítas com o padre Antônio Vieira à frente introduziram mais tarde no Maranhão e em outras terras brasileiras o piedoso costume do Terço em família.

Não há devoção mais tradicional da família brasileira. Nossa gente foi educada, foi formada na vida espiritual, nas contas do Rosário de Nossa Senhora. É nossa glória. E agora, não é ao Rosário de Maria que todo o Brasil recorre cheio de confiança nesta hora de guerras e de sangue? O Rosário é sem dúvida a mais tradicional das devoções brasileiras!

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EXEMPLO

Vieira e o Rosário

Quem aí não conhece o grande padre Antônio Vieira, o rei dos clássicos e dos oradores da língua portuguesa? Pois dele escreve o padre Luiz Gonzaga Cabral, sem dúvida o Autor que melhor estudara a obra oratória e a personalidade daquele gênio:

“Se houve devoção em cujo apostolado se empregasse com ardor o zelo de Vieira esta foi sem dúvida, mais que todas, a devoção a Maria, a devoção ao Rosário”. (Vieira pregador — Livro I — cap. XII).

A obra oratória de Vieira se revela de uma incrível fecundidade e variedade em trinta sermões sobre as excelências, poderes e maravilhas do Rosário. Todos estes sermões sobre um mesmo assunto, e cada um encerra uma novidade, revela uma energia criadora, unia fecundidade e oratória que o colocam ao lado, senão superior a muitos dos maiores oradores da Igreja e dos mais eloquentes expositores. Não houve assunto mais pregado por Vieira que o Rosário de Maria. A publicação dos trinta sermões sobre o Rosário a fez ele em cumprimento de um voto feito e repetido várias vezes nos perigos que correra em sua vida agitada. “E sempre, pela imensa benignidade da Rosa Mística, Nossa Senhora do Rosário e sua poderosa intercessão sai livre”, disse ele.

O padre André de Barros, o clássico biógrafo de Vieira, nos revela como o genial orador amava o Rosário da Virgem. Eis como escreve:

“O amor à Senhora do Rosário o fez introduzir o Terço do Rosário Santíssimo. Em todas as embarcações que não eram de hereges o fazia rezar todos os dias por toda gente da nau; e foi isto com tanta felicidade que os marinheiros que tinham navegado com o padre Vieira continuaram em outras viagens a mesma devoção de que veio a pegar-se em todos os navios portugueses assim mercantes como de guerra este celestial contagio”.

Pois Vieira estava realmente contagiado pelo santo amor ao Rosário de Maria. Fez ecoar pelos oceanos em mil naves portuguesas os cânticos e o Rosário da Virgem. No Maranhão ordenou que se cantasse o Terço na Igreja, e ele próprio de sobrepeliz ia dizer as orações e contemplar os mistérios. Fez com que em todas as famílias do Maranhão se recitasse o Terço em comum cada noite. E então diz o padre André de Barros, “ouvia desde então o céu estas vozes todas as noites em muitas partes e ao mesmo tempo; porque a senhora da casa, com as filhas e escravas de um lado, e o senhor com os filhos e escravos do outro, entoavam à Mãe de Deus este angélico descante.”

Não se contentava com isto só o padre Vieira. Instituiu na Igreja do Colégio do Maranhão práticas espirituais todos os sábados, destinadas à recitação do Rosário e à narração de uma história piedosa ou exemplo do Rosário de Maria. Diz o biógrafo de Vieira:

“E a esta devoção, acudia grande concurso não só do povo como dos principais e das autoridades da terra”.

E já no fim da vida, aos oitenta anos, o gênio de Vieira nos lega Trinta sermões sobre o Rosário!
Morreu velho, aos noventa anos, em 17 de Julho de 1697, na Bahia. Muito antes da morte, já de vista fraca não podia mais rezar o Breviário. Assim impossibilitado, tomava nas mãos tremulas o Rosário de Maria e gastava “duas horas” em recitar e meditar os mistérios do Rosário cada dia com uma devoção enternecedora.

Que tocante exemplo!

O jesuíta, o formador da nossa gente, o mestre espiritual do povo brasileiro, nos educou na escola do Rosário, na recitação e meditação dos mistérios do Saltério da Virgem!

Não há, pois, devoção mais tradicionalmente brasileira que a devoção do Rosário de Nossa Senhora.

Voltar para o Índice do livro Mês do Rosário, de Mons. Ascânio Brandão

(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. O Mês do Rosário, Edições do “Mensageiro do Santíssimo Rosário”, 1943, p. 251-258)

Quinto Mistério Glorioso: A Coroação de Maria

Que se entende por coroação de Maria?

Entende-se que, depois de sua entrada triunfante na morada dos Bem-aventurados, Maria foi revestida da glória devido à grandeza de seus merecimentos.

Diz-se, no mesmo sentido, que Jesus Cristo lhe colocou o “cetro” na mão, para exprimir que investiu-a de um poder soberano sobre as demais criaturas.

A glória de Maria foi revelada a São João Evangelista, durante seu desterro em Patmos.

“Um grande prodígio apareceu no céu; uma mulher coroada de estrelas, calcando o crescente da lua, acha-se revestida de sol” (Ap 12, 1)

Esta mulher maravilhosa, dizem os interpretes, é a Virgem Maria, que recebe da santa humanidade de Jesus, Verdadeiro sol de justiça, um brilho incomparável e um esplendor todo divino. Calca aos pés a lua, isto é, todas as coisas humanas, tudo o que muda e passa. As doze estrelas que formam sua coroa, significam os doze apóstolos, conservados por Ela na fé, depois da Ascenção de Jesus, ou ainda os doze privilégios com que Deus a distinguiu. Continue reading

Quarto Mistério Glorioso: A Assunção de Maria

Assunção de Maria

Breviário Romano — IV — Dia Oitavo — Lectio IV — De sermone Sancti Joannis Damacenis

Uma antiga tradição conta que no tempo do bem-aventurado “sono” de Maria, os apóstolos todos espalhados pelo mundo para trabalhar em prol da salvação das almas, foram transportados num instante a Jerusalém. Estando perto da Bem-aventurada Virgem, apareceu-lhes uma visão, e cantos celestes ressoaram a seus ouvidos. E em breve os apóstolos viram o Salvador, acompanhado de seus anjos, que vinha receber a alma de sua divina Mãe. Durante três dias estes mesmos cantos se fizeram ouvir em Getsêmani, onde seu corpo fora depositado. Ao cabo de três dias os cantos cessaram.

Entretanto, o apóstolo Tomé não pudera assistir à morte de Maria e receber-lhe a última bênção, chegando três dias depois do bem-aventurado falecimento. Penetrado de dor por ter sido privado desta ventura, suplicou aos demais apóstolos para que abrissem o túmulo de Maria, a fim de poder contemplá-la ainda uma última vez. Abriram-no; mas, ó prodígio, o sepulcro estava vazio; não acharam mais nada, senão o lençol que servira para sepultá-la e exalava inebriante perfume. Admirados, à vista de tamanho prodígio, os apóstolos tornaram a fechar o sepulcro, convencidos de que o Verbo Divino, que quisera incarnar-se no seio imaculado de Maria, não permitira que esse seio virginal fosse sujeito a corrupção, mas o ressuscitara e o transportara para o céu, antes da ressurreição geral.

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Terceiro Mistério Glorioso: A Descida do Espírito

A Descida do Espírito Santo

Atos dos Apóstolos: 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente ouviu- se, vindo do céu, um ruído, semelhante a um vento impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam assentados. Então apareceram-lhes línguas de fogo que se dividiram umas das outras e posaram sobre cada um deles, ficando ao mesmo tempo cheios do Espírito Santo e começando a falar várias línguas, como o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Ora, havia em Jerusalém judeus e homens religiosos de todas as nações que existem na terra. Logo que este ruído foi ouvido, correram muitas pessoas em multidão ao lugar e ficaram admiradas, porque cada uma os ouvia falar na sua própria língua. E as pessoas estavam de tal modo fora de si e maravilhadas que diziam: Porventura estes que nos falam não são galileus? Como é, pois, que os ouvimos falar a cada um de nós na língua do nosso país natal? Partos, Medos, Elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia, da Capadócia, do Egito, dos confins da Líbia, vizinha de Cirene, até os romanos de passagem e também judeus e os prosélitos, os de Creta e da Arábia: ouvimos os Apóstolos, nas nossas próprias línguas, encarecer as grandezas de Deus.

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Segundo Mistério Glorioso: A Ascensão

Ascensão do Senhor

Atos dos Apóstolos 1, 1-11

Já vos narrei no meu primeiro livro, ó Teófilo, todas as coisas que Jesus fez e ensinou até ao dia em que, após ter dado as suas ordens pelo Espírito Santo aos Apóstolos que Ele escolhera, subiu aos céus. A estes também Ele, depois da sua paixão, se apresentou vivo com muitas e infalíveis provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes das coisas do reino de Deus. Em uma vez, comendo com eles à mesa, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a realização da promessa do Pai, “que ouvistes (disse Ele) da minha boca; pois João batizou na água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, passados não muitos dias. Então aqueles que estavam reunidos, perguntaram, dizendo:

“Senhor, será nessa ocasião que restaurareis o reino de Israel?” Ele respondeu: “Não é dado a vós conhecerdes nem os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade; mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e vos tornareis meus testemunhos em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até aos confins do mundo”. Havendo dito estas palavras, elevou-se ao alto na presença deles, envolvendo-o uma nuvem, que o escondeu a seus olhos. E, como eles contemplassem atentamente o céu, para onde Jesus se elevava, eis que apareceram ao pé deles dois homens, vestidos de branco, que lhes disseram: Homens da Galileia, porque estais espantados a olhar para o céu? Este Jesus, que se elevou ao céu no meio de vós, de lá virá da mesma maneira que o vistes elevar-se ao céu.

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Primeiro Mistério Glorioso: A Ressurreição

A Ressurreição de Jesus

Evangelho de São Mateus 28, 1-8; São Marcos 16, 1-8; São Lucas 24, 1-8; São João 20, 1-10.

Na noite de sábado, quando já raiava o primeiro dia da semana, Maria Madalena, Maria Mãe de Tiago e Salomé, compraram perfumes para vir embalsamar a Jesus. No primeiro dia da semana, partindo muito cedinho, estando ainda escuro, chegaram elas ao sepulcro, ao levantar do sol, trazendo os perfumes que tinham preparado. E diziam entre si: quem nos há de afastar a pedra da entrada do sepulcro? Porque era muito grande. Eis que houve um grande terremoto; um Anjo do Senhor desceu do céu, e aproximando-se rolou a pedra e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era o de um relâmpago e as suas vestes como a neve.

De medo dele assustaram-se os guardas e ficaram como mortos. Maria viu a pedra afastada do sepulcro e foi correndo ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e lhes disse:

— Tiraram o senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram. As outras mulheres viram também a pedra afastada do sepulcro, e entrando não encontraram o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que estando elas consternadas por esse motivo, eis que se apresentaram junto delas dois homens vestidos de roupas, deslumbrantes. E como elas se atemorizassem e baixassem os olhos para o chão lhes disseram eles: Não temais, porque sei que procurais a Jesus que foi crucificado. Porque procurais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, mas ressuscitou como tinha dito. Recordai-vos do que vos disse Ele quando estava ainda na Galileia!

É preciso que o Filho do Homem seja entregue nas mãos dos pecadores que seja crucificado e que ressuscite ao terceiro dia.

Vinde ver o lugar onde foi posto o Senhor, e ide prontamente dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele ressuscitou e vai adiante de vós para a Galileia; aí o vereis, como ele vos disse.

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Quinto Mistério Doloroso: Jesus na Cruz

Meditação para 25 de Outubro: Quinto Mistério Doloroso: Jesus na Cruz
Evangelho de São Mateus 27, 33-50; São Marcos 15, 23-37; São Lucas 23, 33-46; São João 19, 18-30

Chegando ao lugar chamado Gólgota que quer dizer Calvário, deram-lhe a beber vinho misturado com mirra e fel, mas tendo-o provado, não quis beber. E aí o crucificaram com os dois ladrões, um à direita, outro à esquerda e Jesus no meio. Assim se cumpriu a profecia: “o foi computado entre os iníquos”. Porém Jesus dizia:

“Meu Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”

Depois de o terem crucificado tomaram os soldados as suas vestes, dividindo-as em quatro partes, uma para cada soldado. Porém como a túnica era inconsútil de um só tecido de alto à baixo disseram eles entre si:

— Não a rasguemos mas deitemos sortes para ver a quem a de tocar. A fim de que se cumprisse a Escritura que diz:

— Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica.

Assim, pois, fizeram os soldados, e, sentando-se puseram-se a guardá-lo. Era então a hora tercia. Ora, Pilatos tinha escrito e colocado no alto da cruz, acima da cabeça de Jesus uma inscrição que indicava o seu crime:

— Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.

Muitos Judeus leram esta inscrição porque era perto da cidade o lugar onde Jesus foi crucificado e ela estava escrita em hebraico, em grego e em latim. Mas os pontífices dos Judeus disseram a Pilatos:

“Não deveis escrever: Rei dos Judeus, mas o que ele disse: — Eu sou Rei dos Judeus”.

Respondeu Pilatos:

“O que escrevi, escrevi”

Estava o povo olhando de pé e os que passavam blasfemavam dele sacudindo a cabeça:

“Ó, tu que destróis o templo e o reedifica em três dias, salva-te a ti mesmo”.

“Se és o filho de Deus, desce da cruz”.

Também os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os fariseus zombavam dele dizendo:

“Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é o Rei de Israel que desça agora da cruz e nós acreditaremos nEle! Confiou em Deus. Se, pois, Deus o ama que o livre agora porque disse: — Eu sou o Filho de Deus”.

Também o insultavam os soldados que, aproximando-se, lhe ofereciam vinagre dizendo:

“Se és o Rei dos Judeus, salva- te a ti!”

E estes mesmos impropérios lhe dirigiam os ladrões que estavam crucificados com ele. Mas enquanto um dos ladrões blasfemava, dizendo:

“Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e nós, repreendeu-o o outro dizendo: — Tu não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Nós outros, sem dúvida, sofremos com justiça, porque recebemos o digno castigo de nossas obras, mas este nenhum mal fez. E dizia a Jesus: Senhor, lembrai-vos de mim quando chegardes ao vosso reino”

Respondeu-lhe Jesus:

“Em verdade te digo, que hoje estarás comigo no Paraíso”

Era quase a hora sexta e as trevas cobriram toda a terra até a hora nona e escureceu o sol.

De pé junto à cruz estavam a Mãe de Jesus, Maria, irmã de sua mãe, mulher de Cleofas e Maria Madalena. Vendo Jesus à sua Mãe e ao discípulo amado que ali estava, disse a sua Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis ai a tua Mãe”. E desde aquele instante a tomou o discípulo em sua casa. Quase à hora nona clamou Jesus com grande brado dizendo:

“Eli, Eli, lamma, sabactani”, isto é — Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

Alguns que ali estavam e o tinham ouvido disseram:

“Ele chama por Elias”

Sabendo Jesus que tudo estava consumado para se cumprir a Escritura disse:

“Eu tenho sede!”

Ora, ali havia um vaso cheio de vinagre. Imediatamente correu um dos soldados a tomar uma esponja, embebendo-a em vinagre, e colocando-a na extremidade de uma cana lhe dava a beber. Mas os outros diziam:

“Deixa, vejamos se Elias o vem livrar”

Deixai-me, replicou o soldado, veremos então se Elias virá desce-lo da cruz.

Tendo tomado o vinagre disse Jesus:

“Tudo está consumado”

Depois, lançando de novo um grande grito, disse:

— Meu Pai, nas vossas mãos entrego o meu espírito. Dizendo isto, inclinou a cabeça e expirou.

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Terceiro Mistério Doloroso: A Coroação de Espinhos

Meditação para 23 de Outubro: Terceiro Mistério Doloroso: A Coroação de Espinhos
O Evangelho de São Mateus 27, 27-30

Os soldados do governador, Conduzindo Jesus ao Pretório, reuniram em torno dele toda a corte, e despojando-o das suas vestes, o cobriram com um manto de púrpura. Depois entrelaçando uma coroa de espinhos a puseram sobre a cabeça, e na mão direita uma cana. Ajoelhando-se diante dEle, o escarneciam os soldados, dizendo:

“Deus te salve, rei dos Judeus!”

E lhe davam bofetadas, e cuspiam-lhe na face, e tomando a cana, batiam-lhe na cabeça.

Depois da flagelação, a coroação de espinhos. Ainda não bastavam os açoites. A crueldade dos inimigos de Jesus prepara-Lhe uma coroa de agudos e penetrantes espinhos que ferem a Sacrossanta cabeça do Redentor. E batem com a cana para que mais fundo penetrem os espinhos. Terrível suplício! Jesus se vê abandonado e entregue às zombarias e insultos dos inimigos.

Batem-Lhe na face e zombam da sua realeza dizendo:

— Deus te salve, Rei dos Judeus!

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