Meditação para o dia 19 de Maio. Maria nos vale no Purgatório

Meditação para o dia 19 de Maio

Revelou Nossa Senhora a Santa Brígida:

“Eu sou a Mãe de todas as almas do purgatório; pois por minhas orações lhes são constantemente mitigadas as penas que mereceram pelos pecados cometidos durante a vida”

Digna-se até essa Mãe piedosa entrar naquela santa prisão para visitar e consolar suas filhas aflitas, ‘‘Penetrei no fundo do abismo” (Eclo 21 8), isto é, do purgatório — como explica São Boaventura — para consolar com minha presença essas santas almas. Oh! Como é boa e clemente a Santíssima Virgem, exclama São Vicente Ferreri, para as almas do purgatório, que por sua intercessão recebem contínuo conforto e refrigério! E que outra consolação lhes resta em suas penas, senão Maria e o socorro dessa Mãe de misericórdia? Ouviu Santa Brígida dizer Jesus Cristo a sua Mãe:

“És minha Mãe, és a Mãe de misericórdia, és o consolo dos que sofrem no purgatório”

À mesma Santa revelou a Santíssima Virgem:

“Um pobre doente, aflito e desamparado numa cama, alenta-se ao ouvir palavras de consolo e conforto”

Assim também as almas do purgatório enchem-se de alegria, só em ouvir pronunciar o nome de Maria. O nome só de Maria, nome de esperança e de salvação, que continuamente invocam naquele cárcere, lhes dá um grande conforto. Apenas a amorosa Mãe as ouve invocá-la, logo faz coro com suas preces. Ajuda-as o Senhor então, refrigerando-as com um celeste orvalho nos grandes ardores que padecem.

Maria livra as Almas do Purgatório

Mas a Santíssima Virgem não só favorece e consola os seus devotos, como também os tira e livra do purgatório com a sua intercessão. No dia da sua Assunção esvaziou-se o purgatório , como escreve Gerson. Idêntica é também a opinião do Novarino, que a baseia em graves autores. Segundo ele, Maria, no momento de ser elevada ao céu pediu a seu amado Filho a graça de consigo levar logo todas as almas, que então se achavam no purgatório. Desde então, diz Gerson, está Maria na posse do privilégio de livrar os seus devotos daquelas penas. E isso o afirma também absolutamente São Bernardino de Sena. A seu ver tem Maria a faculdade de livrar com suas súplicas e com a aplicação de seus merecimentos as pobres almas, especialmente as de seus devotos. Do mesmo parecer declara-se Novarino, dizendo que pelos merecimentos de Maria não só se tomam mais leves, mas também mais breves as penas dessas almas, apressando-se com a intercessão da Santíssima Virgem o tempo de expiação. Basta que ela formule um pedido nesse sentido.

Refere São Pedro Damião que certa mulher, chamada Marózia, apareceu depois de morta a uma sua comadre, e lhe disse que no dia da Assunção de Maria havia sido libertada do purgatório. Que juntamente com ela sairá um tão considerável número de almas, que excediam o da população de Roma. A respeito das festividades do Natal e da Ressurreição do Senhor, assevera Dionísio Cartusiano o mesmo privilégio. Diz que em tais dias desce Maria ao purgatório, acompanhada por muitos anjos, e livra muitas almas daquelas penas. E Novarino inclina-se a crer que o mesmo sucede em todas as festas solenes da Santa Virgem.

Conhecidíssima é a promessa que Maria fez ao papa João XXII. Apareceu-lhe um dia e lhe ordenou fizesse saber a todos aqueles que trouxessem o escapulário do Carmo, que seriam livres do purgatório no primeiro sábado depois da morte. Fê-lo o Papa por uma Bula que publicou, e que foi depois confirmada por Alexandre VII, Pio V, Gregório XIII e Paulo V. Este, no ano de 1613, na Bula então publicada, assim diz:

“Pode o povo cristão piamente crer que a bem-aventurada Virgem ajudará com a sua contínua intercessão, com os seus rogos, e com especial proteção, depois da morte, e principalmente no dia de sábado, consagrado pela Igreja à mesma Virgem, as almas dos irmãos da confraria de Nossa Senhora do Carmo que morreram na graça de Deus. Como condição requer-se que tenham usado sempre o escapulário, recitando o Ofício da Virgem, ou, não podendo recitá-lo, tenham observado os jejuns da Igreja, abstendo-se de carne às quartas-feiras e ao sábado”

Diz também o Breviário da festa de Nossa Senhora do Carmo:

“Segundo uma piedosa crença, a Santíssima Virgem com maternal amor consola os confrades do Carmo no purgatório, e com sua intercessão depressa os leva a pátria celeste”

Por que não poderemos nós esperar os mesmos favores e graças, se formos devotos dessa Mãe? E se a servirmos de um modo especial, por que não poderemos também esperar a graça de irmos logo para o paraíso, isentos do purgatório? Graça semelhante prometeu a Mãe de Deus ao beato Godofredo. Mandou frei Abondo dar-lhe o seguinte recado:

“Dize a Frei Godofredo que se adiante na virtude, que assim será de meu Filho e meu; o quando a sua alma se apartar do corpo, não a deixarei ir ao purgatório, mas eu a receberei para oferecê-la a meu Filho”

— Se quisermos, pois, ajudar as santas almas do purgatório, procuremos rogar por elas a Santíssima Virgem em todas as nossas orações, aplicando-lhes especialmente o santo rosário, que lhes dá um grande alívio.

Por terem essas almas maior precisão de socorro, empenha-se a Mãe de misericórdia com zelo ainda mais intenso em auxiliá-las. Elas muito padecem e nada podem fazer por si mesmas. Diz São Bernardino de Sena que Maria Santíssima tem nesse cárcere das esposas de Jesus Cristo certo domínio e pleno poder, tanto para aliviá-las como também para livrá-las completamente daquelas penas.

Em primeiro lugar traz alívio às almas. O sobredito Santo aplica-lhe as palavras do Eclesiástico:

“Caminho por sobre as ondas do mar” (28, 8)

Isto é, visitando e assistindo meus devotos em suas aflições.

Compara-o às ondas as penas do purgatório, porque são transitórias e por isso diferentes das do inferno, que nunca passam. Chama-as ondas do mar, porque são penas muito amargosas. Os devotos de Maria, aflitos com estas penas, são por ela visitados e socorridos frequentemente.

EXEMPLO

Contaram a uma senhora da alta sociedade que seu filho tinha sido assassinado, e que o assassino se havia refugiado ao palácio dela. Lembrou-se a pobre mãe de que também a Santíssima Virgem perdoara aos crucificadores de seu Filho e, em lembrança das Dores da Virgem, perdoou generosamente ao refugiado. Não contente com isso, mandou dar cavalos, dinheiro e roupa ao criminoso, para que se salvasse pela fuga. Apareceu então a esta senhora o filho assassinado, dizendo que se salvara como também fora livre do purgatório pela Mãe de Deus, por causa do perdão generosamente concedido ao inimigo. Do contrário, lhe teria sido muito longo o purgatório, mas que naquele momento ia entrar no céu.

ORAÇÃO

Ó Virgem sacrossanta, entre todas as criaturas a maior e a mais sublime, eu vos saúdo, aqui, deste vale de lágrimas. Infeliz e miserável rebelde que sou, mereço castigos e não favores, justiça e não misericórdia. Senhora, eu não digo isto, porque desconfie da vossa piedade. Eu sei que vos gloriais de ser benigna em proporção de vossa grandeza. Sei que vos alegrais de vossas riquezas, por fazê-las partilhar aos pecadores. Sei que quanto mais necessitados são os que a vós recorrem, tanto mais vos empenhais em protegê-los e salvá-los. Ó minha mãe, sois aquela que um dia chorastes vosso Filho morto por mim. Oferecei, vos rogo, as vossas lágrimas a Deus, e por elas alcançai uma dor verdadeira dos meus pecados. Tanto vos afligiram os pecadores, tanto vos estou eu ainda afligindo com minhas iniquidades. Obtende-me, ó Maria, que ao menos de hoje em diante não continue a afligir a vosso Filho e a vós com minhas ingratidões.

E de que me teriam servido vossas lágrimas, se eu continuasse a ser ingrato? De que me valeria a vossa misericórdia, se novamente vos fosse infiel e me condenasse? Não; minha Rainha não o permita. Vós tendes suprido todas as minhas faltas. Vós alcançais de Deus tudo o que quereis. Sois sempre propícia a quem vos invoca. Peço-vos, pois, estas duas graças que espero e quero de vós; obtende-me que seja fiel a Deus, não o ofendendo mais; e que o ame todo o resto de minha vida, tanto quanto o tenho ofendido.

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(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Um Mês com Nossa Senhora ou Mês de Maria, segundo Santo Afonso Maria de Ligório. Edições Paulinas 1ª ed., 1949, p. 135-140)