Dia de Natal - I. Os Divinos Caracteres do Salvador

I. Sermão para o Dia de Natal

Bossuet pregou duas vezes este sermão; perante a côrte em 1665 e nas Carmelitas do subúrbio Saint-Jacques, em Paris, em 1668, com variantes e aperfeiçoamentos. É a segunda redação que publicamos.

SUMÁRIO

Exordio. — O Verbo, que no princípio estava no seio de Deus… criou três degraus, por meio dos quais a soberana grandeza desceu até à última baixeza.

Proposição e divisão. — Ele apenas desceu até nós para nos indicar esses degraus, por meio dos quais nós podemos subir até Ele:

1.° Se Ele acode à nossa natureza caída, é com intenção de a levantar;

2.° Se se apodera das nossas enfermidades, é com o fim de as curar;

3.° Se se expõe às misérias e aos ultrajes da sorte, é para triunfar de todos ps atrativos do mundo.

1.º Ponto. — Só Deus é grande em tudo: Nostra suscipiendo provehit et sua communicando non perdit. O homem pelo seu orgulho quis fazer-se Deus, e para combater esse orgulho quis Deus fazer-se homem. Não é a independência de Deus que devemos imitar, senão a Sua bondade e as Suas humilhações. Sejamos deuses com Jesus Cristo e tomemos sentimentos inteiramente divinos.

2.º Ponto. — Visto que o Salvador era Deus, devia fazer milagres; e visto que era homem, não devia vexar-se de mostrar imperfeição: Ut solita sublimaret in solitis, et insolita solitis temperaret. Nós não temos um pontífice que seja insensível aos nossos males. «Porque ele passou, como nós, por todas as espécies de provação, à excepção do pecado».

3.º Ponto — Deus vem à terra para confundir com a Sua pobreza o fausto ridículo dos filhos de Adão, e desenganá-los dos vãos prazeres que os encantam. Diz-lhes: Confidite ego vici mundum.

Peroração. — Não imitemos os judeus, reconheçamos o nosso verdadeiro Salvador: Si ignobilis, si inglorius, si inhonorabilis meus, erit Christus. O presépio de Jesus Cristo tornou ridículas todas as nossas vaidades. Aspiremos às riquezas inestimáveis que a gloriosa pobreza do Salvador nos preparou para a felicidade eterna.

Natus est nobis hodie Salvator mundi, et hoc vobis signum: Invenietis infantem pannis involutum, positum in praesepio.
O Salvador do mundo nasceu hoje para nós, e haveis de reconhecê-lO por este sinal: Achareis um menino envolto em faixas e deitado numa manjedoura.(Lc 2, 11-12).

O Verbo, que no princípio estava no seio de Deus, por quem foram feitas todas as coisas e que tudo sustenta pela Sua força omnipotente, criou três graus, por meio dos quais a soberana grandeza desceu até à última baixeza.

Em primeiro lugar fez-Se homem, em segundo lugar fez-Se passível, em terceiro lugar fez-Se pobre e sofreu todos os opróbrios da sorte mais desprezível. O texto do meu Evangelho encerra em três palavras essa tríplice humilhação do Deus-Homem: «Achareis um menino», é o principio duma vida humana; «envolto em faixas», é para preservar a fragilidade das injúrias do tempo; «deitado numa manjedoura», é o último extremo da indigência, e por aqui vedes, irmãs, qual é a ordem da sua descensão.

O Seu primeiro passo é fazer-Se homem, e por este meio coloca-Se abaixo dos anjos, visto que toma uma natureza menos nobre: Minuisti eum pauo minus ab angelis (Sl 7, 6). Continuemos atentamente, e detenhamo-nos em todos os graus dessa descensão misteriosa. Se o Salvador desceu pelo Seu primeiro passo abaixo da natureza angélica, dá um segundo passo que o equipara aos pecadores, porque não toma a natureza humana tal como ela era na sua inocência, sã, incorruptível, imortal; mas toma-a no estado deplorável a que o pecado a reduziu, exposta de todos os lados às dores, à enfermidade e à morte.

Mas o meu Salvador ainda não fica bastantemente humilhado. Já o vedes, irmãs, abaixo dos anjos pela nossa natureza, e equiparado aos pecadores pela enfermidade, isto é, pela fragilidade; agora, ao dar o terceiro passo, vai, por assim dizer, sobpor-se-lhes aos pés, entregando-Se ao desprezo, pela condição miserável da Sua vida e do Seu nascimento. São estes, irmãs, os degraus, por meio dos quais o Deus encarnado desce do Seu trono, e que vós haveis observado por ordem nas partes do meu Evangelho. Mas não é isto o que há de mais importante, nem o que mais me assombra. Conquanto eu não possa pasmar das humilhações do meu Deus, pasmo muito mais de que nos apresente essas humilhações como prova evidente para reconhecermos o Salvador do mundo: Et hoc vobis signum. Que novo prodígio é esse? De que pode servir à nossa fraqueza tornar-se enfermo o nosso médico, e despojar-se o nosso libertador do seu poder? Será um recurso para os infelizes vir um Deus aumentar-lhes o número? Não parece, pelo contrário, que o jugo que oprime os filhos de Adão é tanto mais duro e inevitável quanto mais sujeito a suportá-lo está o próprio Deus?

Isto seria verdade, irmãs, se esse estado de humilhação fosse forçado, se Ele tivesse caído nele por necessidade, e não houvesse descido por misericórdia. Mas como a Sua humilhação não é uma queda, senão uma indulgência (1), e como Ele não desceu até nós senão para nos indicar os degraus por onde podemos subir até Ele, toda a ordem do Seu descimento constituí a da nossa gloriosa elevação; e nós podemos apoiar a nossa esperança morta nessas três humilhações do Deus-Homem, visto que, se Ele acode à nossa natureza caída, é com a intenção de a levantar; se Se apodera das nossas enfermidades, é com o fim de as curar; e se Se expõe às misérias e aos ultrajes da sorte, é para os vencer e triunfar gloriosamente de todos os atrativos do mundo e de todas as ilusões e de todos os terrores. Atributos divinos, sagrados caracteres pelos quais reconheço o meu Salvador; não poder eu explicar-vos neste auditório com os sentimentos que mereceis! Ao menos, esforcemo-nos por consegui-lo, e comecemos a mostrar neste primeiro ponto que, se Deus toma a nossa natureza, é com o fim de a exaltar.

PRIMEIRO PONTO

Assim como Deus é único na Sua essência, assim é impenetrável na Sua glória. É inacessível na Sua altura e incomparável na Sua majestade. É por isso que a Escritura nos diz tantas, vezes que Ele é mais alto do que os céus e mais profundo do que os abismos; que se acha oculto em Si mesmo pela Sua própria luz, e que «todas as criaturas são como que um nada à sua vista» – Omnes gentes quasi non sint, sic sunt coram eo, et quasi nihilum et inane reputatæ sunt ei? (Is 40, 17.)

O douto Tertuliano, escrevendo contra Marcião, explica-nos esta verdade por estas magníficas palavras: Summum magnum ipsa sua magnitudine solitudinem possidens, unicum est (2).

Às expressões da nossa língua não traduzem as daquele grande homem; mas, depois dele, digamos como pudermos, que sendo Deus soberanamente grande, é por consequência único e constitui pela sua unidade uma augusta solidão, porque nada pode igualá-lo, nem atingi-lo, nem aproximar-se-lhe, visto que é de todos os pontos inacessível.

Ou melhor. Não há grandeza alguma nem criatura que se mantenha em todos os sentidos, porque tudo o que se eleva dum lado inclina-se do outro. Aquele é nobre no poder, mas medíocre na sabedoria; este outro terá uma grande coragem, mas será mal favorecido pela força do espírito ou pela do corpo. Nem sempre a probidade está com a ciência, como nem sempre, a ciência está com as ações. Finalmente (3) nada há que, por muito forte que seja, não tenha o seu fraco; como nada há que, embora muito alto, não tenha algures uma parte inferior. Só Deus é grande em tudo, porque tudo possui na Sua unidade, porque é inteiramente perfeito, e porque enfim tudo Ele próprio é, e eis o que quer dizer Tertuliano com essa elevada solidão, em que Ele faz consistir a perfeição do Seu ser.

O mistério deste dia diz-nos que Deus saiu dessa augusta e impenetrável solidão. Quando Deus se encarnou, ficou sendo o Único dentre os companheiros, mostrou-se o Incomparável dentre os iguais, tornou-se o Inacessível palpável aos nossos sentidos; «Ele habitou entre nós», e como um de nós sobre a terra: Et habitavit in nobis (Jo 1, 1-4). Ainda que esteja distanciado por todos os Seus divinos atributos, desce pela Sua bondade quando Lhe apraz, ou, para melhor dizer eleva-nos. Faz o que quer das Suas obras; e, assim como quando é de Sua vontade, as repele de Si até ao infinito e até ao nada, assim também sabe o meio de as associar a Si mesmo duma maneira incomparável, para além do que podemos crer e pensar. Porque, sendo infinitamente bom, é infinitamente comunicativo e infinitamente unitivo; de maneira que não é de admirar que Ele possa unir a natureza humana à Sua pessoa divina. Pode elevar o homem tanto quanto Lhe apraz, e até identificar-Se com ele. E nesta união nada há que seja indigno da Sua pessoa, porque, como diz o grande São Leão, «tomando a natureza humana, eleva o que toma e não perde o que comunica»: Et nostra suscipiendo provehit, et sua communicando non perdit. Com isto testemunha o Seu amor, exerce a Sua munificência e conserva a Sua dignidade: Et nostra suscipiendo provehit, et sua communicando non perdit (4).

Ainda mais profundamente, o homem pelo seu orgulho quis fazer-se Deus, e para combater esse orgulho quis Deus fazer-Se homem.

Santo Agostinho, definindo o orgulho, diz que é uma perversa imitação da natureza divina. (De Civit. Dei, liv. XIX, cap. XII). Há coisas em que é permitido imitar Deus. É certo que Ele mostra-Se cioso, quando o homem quer fazer-se Deus e procura semelhar-se-Lhe; mas não Se ofende com toda a espécie de semelhança; pelo contrário há atributos Seus em que Ele nos ordena que O imitemos. Considerai a Sua misericórdia, de que o Salmista escreveu «que excede as Suas outras obras» (Sl 144, 9.) É-nos ordenado que nos conformemos com este admirável modelo: Estote misericordes, sicut et Pater vester misericors est (Lc 6, 36). Deus é paciente para com os pecadores; é convidando-os a converterem-se, faz, no entanto, brilhar neles o Seu sol e prolonga o tempo da Sua penitência. Quer que nos mostremos Seus filhos, imitando essa paciência para com os nossos inimigos: Ut sitis filii Patris, vestri (Mt 5, 45). Ele é santo; e ainda que a Sua santidade pareça ser inteiramente incomunicável, não se molesta contudo da audácia de levarmos as nossas pretensões até à honra de O imitar nesse maravilhoso atributo; pelo contrário, no-lo exige: Sancti estote quia Ego sanctus sum (Lv 11, 44). Portanto, podeis segui-lO na Sua verdade, na Sua fidelidade e na Sua justiça. Que semelhança é então essa que lhe causa ciume? É que nós queremos imitá-lO na honra da independência, tomando a nossa vontade como lei soberana, como Ele próprio não tem outra lei que não seja a Sua vontade absoluta. Este é que é o ponto delicado; é aqui que Ele se mostra cioso dos Seus direitos e repele violentamente todos os que querem assim atentar contra a majestade do Seu império. Permite-nos que sejamos deuses pela imitação da Sua santidade, da Sua justiça, da Sua verdade da Sua paciência e da Sua misericórdia sempre benéfica. Quando se tratar do Seu poder, conservemo-nos nos limites duma criatura, e não levemos os nossos desejos até uma semelhança tão prejudicial.

É esta, irmãs, a regra imutável que devemos seguir para imitar Deus. Mas, ó caminhos corruptos dos filhos de Adão! Ó corrupção estranha do coração humano! Nós destruímos toda a Ordem de Deus. Não queremos imitá-lO nas coisas em que Ele se propôs para modelo, procuramos remedá-lo naquelas em que Ele quer ser único e inimitável, e que nós não podemos pretender sem rebelião. É contra esta soberana independência que ousamos atentar; é este direito sagrado e inviolável que nos arrogamos com uma audácia insensata. Porque assim como Deus nada tem acima de Si que O norteie e que O governe, assim também nós queremos ser os árbitros soberanos das nossas ações, a fim de que, sacudindo o jugo, despedaçando as rédeas e arremessando o freio da lei que reprime a nossa liberdade desgarrada, não dependamos doutro poder e vivamos na terra como deuses. E não é isto o que o próprio Deus repreende aos soberbos sob a imagem do rei de Tiro?

«O teu coração, diz Ele, elevou-se, e tu disseste: eu sou um Deus, e «consideraste o teu coração como o coração dum Deus». Dedisti cor tuum quasi cor Dei (Ez 28, 2)

Não quiseste a ordem nem a dependência. Caminhaste sem regra, e entregaste o coração arrebatado às tuas indômitas paixões. Amaste e odiaste, conforme te concitavam os teus desejos injustos, e hás feito um funesto uso da tua liberdade por uma soberba transgressão de todas as leis. Deste modo o nosso orgulho apaixonado, inflando-nos grandemente, consagra-nos como semi-deuses. Pois bem, ó soberbo, ó semi-deus, eis aqui o Deus sublime e vivo que Se humilha para te confundir. O homem faz-se Deus por orgulho e Deus faz-Se homem por clemência. O homem atribui-se falsamente a grandeza de Deus, e Deus toma verdadeiramente o nada do homem.

Mas ainda há outro segredo da misericórdia divina. Ela não quer somente confundir o orgulho, tem bondade bastante para querer em certo modo satisfazê-lo. Consente em dar qualquer coisa a essa paixão indócil que nunca se sujeita de todo. O homem tivera a audácia de aspirar à independência divina; neste ponto, porém, não é possível contentá-lo, porque o trono não se divide e a majestade soberana não pode permitir igualdade nem união. Mas há um conselho de misericórdia que será capaz de o satisfazer. O homem não pode tornar-se independente? Deus consente em tornar-Se submisso. A sua soberana grandeza não permite que ele se humilhe, em quanto residir em si próprio; essa natureza infinitamente abundante não recusa ir pedir socorro para se enriquecer em certo modo pela humildade, «a fim de que, diz Santo Agostinho, o homem que despreza a virtude, que Ele chama simplicidade e baixeza quando a vê nos outros homens, não se dedignasse de a praticar quando a vê num Deus» (Enarr. in Psal, XXXIII, n. 4).

Et hoc vobis signum. Ó homem, tu apenas fizeste vãos esforços para te elevares e engrandecer (5); vem buscar a este Deus-Homem, a este Deus-Menino, a este Salvador que hoje nasce, a sólida elevação e a verdadeira grandeza. Examinemos… Para que é que um Deus se faz homem? Para que nos aproximemos dEle e O tratemos como igual. É por isso que Santo Agostinho atribui a causa do mistério da Encarnação «a uma bondade popular» – Populari quadam clementia (St. Agost, Contra Acad., liv. III, n. 42). Assim como um grande orador cheio de altas concepções, para se tornar popular e inteligível, desce, por meio dum discurso simples, à inteligência dos espíritos medíocres; assim como um nobre, cercado dum esplendor soberbo que fascina o povo simples e não lhe permite aproximar-se dele, se torna popular e familiar com maneiras obsequiosas, que sem enfraquecerem a autoridade tornam a bondade acessível: assim também a sabedoria incriada e a majestade soberana se despem do Seu esplendor, da Sua imensidade e do Seu poder para se comunicarem com os mortais e fortalecerem a coragem e as esperanças da nossa natureza decadente. Aproximai-vos, pois, ó fiéis, desse Deus-Menino. Tudo se Vos franqueia, tudo Vos está patente. Que vemos nesse Deus muito menino, que viemos adorar? Apparuit gratia et benignitas Salvatoris nostri Dei (Tt 3, 4). A Sua glória tempera-se, a Sua majestade obscurece-se, a Sua grandeza humilha-se e a Sua justiça rigorosa não se manifesta; apenas a bondade se distingue, para que nos aproximemos dEle confiadamente e com mais amor. E não me tornem a alegar as minhas fraquezas, as minhas imperfeições e o meu nada. Por muito nada que seja, sou homem, e o meu Deus, que é tudo, fez-Se homem. Eu caminho audaciosamente para esse Deus em nome de Jesus; e afirmo que Deus me pertence em honra de Jesus Cristo. Porque «esse Filho é para nós, logo foi para nós que nasceu esse menino» (Is 9, 6). Eu ligo-me a Jesus no que Ele tem comigo de comum, e por consequência apodero-me do que Ele tem de semelhante a seu Pai, e nada menos pretendo do que possuir a Divindade. Sejamos deuses com Jesus Cristo; e tomemos sentimentos inteiramente divinos.

SEGUNDO PONTO

Desde que, pelo infortúnio do nosso pecado, fomos aguilhoados com a morte, imprimiu-se o seu carácter em todas as passagens da nossa vida. Ela começa a manifestar-se logo na ocasião do nascimento. Há uma certa relação entre as faixas e os panos mortuários: deitamos e envolvemos pouco mais ou menos da mesma maneira os que nascem e os que morrem. Um berço dá uma ideia dum sepulcro, e a prova da nossa mortalidade é enfaixarem-nos ao nascer. O que fez dizer a Tertuliano que o Salvador começou nas faixas o mistério da sepultura: Pannis jam sepultarae involucrum initiatus. (Advers. Marcion, liv. IV, n. 21).

Ele estabelece no Seu nascimento o princípio da Sua morte; e, considerando-O enfaixado, já O imagina como que sepultado. Respeitamos o sentimento desse grande homem; e depois de termos visto no nosso Salvador a natureza humana pela palavra do menino, vejamos a mortalidade nas Suas faixas, e com a mortalidade todas as enfermidades que a acompanham.

A este respeito, cristãos, intenta comunicar-vos, não os meus sentimentos e as minhas palavras, senão os raciocínios inteiramente divinos do incomparável Santo Agostinho, nessa admirável epístola que ele escreveu a Volusiano (Epist., CXXXVII, n. 8 e 9). É este, pois, o raciocínio e são estas quase as mesmas palavras desse sublime doutor.

Visto que Deus consentira em Se fazer homem, era justo que nada esquecesse para nos fazer sentir essa graça e para isso, diz Santo Agostinho, era preciso que Ele tomasse as enfermidades, pelas quais a verdade da Sua carne é tão claramente confirmada. Efetivamente, continua ele, ainda que as Escrituras instantemente nos afirmem que o Filho de Deus não desprezou a fome, nem a sede, nem as fadigas, nem os trabalhos pesados, nem todos os outros incômodos duma carne mortal, houve muitos hereges que não quiseram reconhecer nele a verdade da nossa natureza. Uns diziam que o Seu corpo era um fantasma; outros, que era composto duma matéria celeste, e todos eram unânimes em negar que Ele tivesse realmente a natureza humana. Esses espíritos soberbos e depravados, que interiormente se vexavam da baixeza do Evangelho e das humilhações de Jesus Cristo, não queriam acreditar que um Deus se fizesse homem; e em vez de verem na atitude do Salvador uma grande humilhação do Altíssimo, preferiam dizer que Ele apenas tomara as aparências da nossa natureza material. Que faria, diz Santo Agostinho, se Ele de repente tivesse descido dos céus, se não tivesse acompanhado os progressos da idade, se tivesse desprezado o sono e o alimento, e de Si tivesse afastado essas sensações ? Não teria Ele próprio confirmado o erro? Não se teria em certo modo vexado por Se ter feito homem, visto que apenas o parecia em parte? Não teria apagado em todos os espíritos a crença da Sua bem-aventurada encarnação, que constituti toda nossa a esperança? E assim, diz Santo Agostinho, «fazendo tudo milagrosamente, teria destruído o que misericordiosamente fez»: Et dum omnia mirabiliter facit, auferret quod misericorditer fecit (Epist., CXXXXVII, n. 9).

E realmente, visto que o meu Salvador era Deus, era necessário que fizesse milagres; e visto que era homem, não devia vexar-Se de mostrar imperfeições, e a obra do poder não devia destruir o testemunho da Sua grande misericórdia. É por isso, diz Santo Agostinho, que se Ele opera coisas muito sublimes, também as suporta muito inferiores; mas modera de tal maneira todas as Suas ações que substitui as coisas inferiores pelas extraordinárias, e harmoniza as extraordinárias, com as medíocres: Ut solita sublimaret insolitis, et insolita solitis temperaret (Epist. CXXXVII, n. 9). Ele nasce, mas nasce duma virgem; come, mas, quando Lhe apraz, ordena aos anjos que o sirvam (Mt 4, 11); dorme, mas, enquanto dorme, não deixa que se afunde a barca onde Ele voga; caminha, mas, quando quer, a água firma-se-Lhe debaixo dos pés; morre, mas, ao expirar, assombra e apavora toda a natureza. Em toda a parte ocupa um meio tão justo que, onde aparece como homem, sabe perfeitamente mostrar que é Deus; onde se declara Deus, também testemunha que é homem; e é por isso que esse mistério se chama uma economia e uma sábia distribuição, para nos fazer compreender, irmãos, que tudo nEle se conserva indivisível, uno, e de tal maneira regulado, que a Divindade e a humanidade (Var.: A enfermidade) se manifestam nEle integralmente.

O grande papa Santo Hormisdas, extasiado com essa celeste economia, do alto da tribuna de São Pedro, donde simultaneamente educava e regia toda a Igreja, convida todos os fiéis a contemplarem com Ele esse adorável conjunto, esse misterioso equilíbrio de poder e de enfermidade.

«Eis ali, diz ele aos fiéis. O que é Deus e homem, isto é, a força e a fraqueza, a baixeza e a majestade; O que foi vendido, e que nos resgata; que, preso à cruz, distribui as coroas e dá o reino eterno; enfermo que cede à morte, poderoso a quem a morte não pode segurar; coberto de chagas, e médico infalível das nossas doenças; que está no meio dos mortos, e que aos mortos dá a vida; que nasce para morrer, e que morre para ressuscitar; que desce aos infernos, e não se retira do seio de seu Pai» (5)

Juntemo-nos a esse grande papa para adorarmos humildemente as fraquezas que um Deus encarnado tomou voluntariamente por amor de nós; são elas o fundamento de toda a nossa esperança. É senão, escutai o que diz o divino Apóstolo: Non habemus pontificem (Hb 4, 15): «Nós não temos um pontífice» que seja insensível aos nossos males. Porque Ele passou como nós por todas as espécies de provas, à excepção do pecado.

Ainda que esta sociedade de dores não aumente o conhecimento que Ele tem dos nossos males, aumenta muito a ternura, porque Ele não se esqueceu dos longos trabalhos, nem das outras dificuldades da Sua difícil peregrinação. E que males não quis Ele suportar? O meu Salvador não evitou ao Seu corpo a fome, nem a sede, nem as fadigas, nem os trabalhos pesados, nem as enfermidades, nem a morte. Não evitou à Sua alma a tristeza, nem a inquietação, nem os longos tédios, nem as mais cruéis apreensões. Et hoc vobis signum. Ó Deus! Como Ele há de ter desejo de nos aliviar, a nós, a quem Ele vê da maior altura dos céus, açoitados pelos mesmos temporais que o flagelaram na terra! E por isso que o Apóstolo se glorifica das enfermidades do seu Mestre. Não temos um pontífice que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, etc.

TERCEIRO PONTO

Não há nada mais fútil do que os meios que o homem procura para se engrandecer. Está de tal maneira circunscrito e encerrado em si mesmo, que o seu orgulho sofre o vexame de se ver reduzido a limites tão estreitos. Mas como não pode aumentar a sua estatura nem a sua substância, como diz o Filho de Deus (Mt 6, 21), procura alimentar-se com uma vã imaginação de grandeza, acumulando à roda de si tudo o que pode. Julga que incorpora, por assim dizer, em si mesmo todas as riquezas que adquire; imagina que se engrandece, ampliando os seus aposentos magníficos (Var.: Que se enobrece com os seus aposentos magníficos), que se exalta, alargando o seu domínio, que se multiplica com os seus títulos, e finalmente que se enobrece em certo modo com esse séquito pomposo de criados que conduz atrás de si para surpreender (Var.: Para perturbar o vulgo) os olhos do vulgo. Essa mulher frívola e ambiciosa, que traz consigo o alimento de tantos pobres e o patrimônio de tantas famílias, não se pode considerar como uma pessoa particular. Esse homem que tem tantos cargos, tantas honras, senhor de tantas terras, possuidor de tantos bens, amo de tantos criados, nunca pode ser contado como um único homem; e não vê que apenas emprega esforços inúteis, visto que enfim, por muito, grandes que sejam os cuidados que ele tenha para se engrandecer e para se multiplicar de tantas maneiras e por tantos títulos soberbos, basta uma única morte para tudo destruir e um único túmulo para tudo encerrar. E todavia, cristãos, o júbilo é tão intenso e o encanto tão poderoso,
que o homem não pode desprender-se destas vaidades. Ainda mais, e é este um excesso maior. Imagina ele que, se um Deus se resolve a aparecer na terra, só deve aparecer com esse aparato soberbo, como se a nossa pompa nem a nossa grandeza artificial pudessem causar algum desprazer ao que tudo possui na imensa simplicidade da Sua essência. E foi por isso que os poderosos e os soberbos do mundo acharam o nosso Salvador excessivamente demudado; o Seu presépio causou-lhes admiração, a Sua pobreza meteu-lhes medo (Var.: Envergonhou-os); e foi este mesmo erro que deu aos judeus a impressão dessa Jerusalém fulgurante de ouro e de pedrarias, e toda essa magnificência que eles ainda hoje esperam na pessoa do seu Messias.

Mas pelo contrário, senhores, se quisermos raciocinar pelos verdadeiros princípios, veremos que nada é mais digno dum Deus que vem à terra do que confundir com a Sua pobreza o fausto ridículo dos filhos de Adão, desenganá-los dos vãos prazeres que os encantam, e finalmente destruir com o Seu exemplo todas as falsas opiniões que exercem sobre o gênero humano uma tão grande e injusta tirania. Eis mais completamente a ordem que Deus nele estabelece. O mundo tem dois meios para nos cativar: tem primeiramente falsos requebros que surpreendem a nossa fraqueza; e tem também armas e terrores que fazem perder o nosso ânimo. Há homens caprichosos que só podem viver nos prazeres, no luxo e na abundância. E há outros que nos dirão: Eu não peço essas grandes riquezas, mas a pobreza não a posso suportar; eu saberei perfeitamente abster-me dos prazeres, mas as dores são para mim incomportáveis; eu não cobiço a reputação dos que vivem nos grandes artifícios do mundo, mas é duro viver na obscuridade. O mundo conquista uns, e assusta outros. Todos se afastam do caminho reto; e todos afinal chegam ao ponto em que uns, para alcançarem os prazeres sem os quais imaginam que não podem viver, e outros, para evitarem os infortúnios que lhes parecem insuportáveis, se entregam inteiramente ao amor mundano!

Foi por isso, cristãos, que Jesus Cristo veio como reformador do gênero humano, como médico verdadeiro que nos vem ensinar a ciência dos bens e dos males, e remover por este meio os obstáculos que não nos deixam aproximar de Deus e contentar-nos só com Ele:

Et hoc vobis signum – «E eis o vosso sinal»

Ide ao estábulo, ao presépio, à miséria, à pobreza desse Deus-Menino. Não são as Suas palavras, é a Sua condição que vos aconselha e vos prescreve. Se os prazeres que procurais, se a glória que admirais fosse verdadeira, quem melhor a terá merecido do que um Deus? Ou quem mais facilmente a terá alcançado? Que multidão de guardas o haviam de rodear! Como devia de ser bela e magnífica a Sua côrte! Que purpura havia de realçar nos Seus ombros! Que ouro havia de reluzir na Sua fronte! Que delícias lhe havia de preparar toda a natureza, que tão pontualmente obedece às Suas ordens! Não foi a pobreza e a indigência que o privaram das delícias; foi Ele que voluntariamente as desprezou. Não foi a fraqueza, nem a impotência, nem qualquer assalto imprevisto da sorte inimiga que O lançou na pobreza, no sofrimento e no opróbrio; foi Ele que escolheu esta condição. Entendeu, pois, que esses bens, esses contentamentos e essa glória, eram indignos dEle e dos seus. Entendeu que essa grandeza, falsa e imaginária, depreciaria a Sua verdadeira excelência. Viu, da maior altura dos céus, que os homens apenas se deixavam dominar pelos bens sensíveis e pelas pompas exteriores. Lembrou-Se misericordiosamente de que os tinha criado no princípio para gozarem duma felicidade mais perdurável. Movido de compaixão, vem pessoalmente desenganá-los dessas opiniões não menos falsas e perigosas! Do que estabelecidas e inveteradas; e vendo que lançaram raízes tão profundas no coração humano, acode ao reverso das opiniões, para as destruir de todo, e mostra assim o pouco caso que faz delas. Tem dificuldade em achar um lugar bastantemente inferior, por onde possa dar os primeiros passos no mundo; mas encontra um estábulo abandonado e é ali que desce. Colhe tudo o que os homens evitam, tudo o que receiam, tudo o que desprezam, tudo o que lhes causa horror aos sentidos; de maneira que eu imagino o seu presépio, não como um berço indigno dum Deus, não, mas como um carro de triunfo, que conduz atrás de si o mundo vencido. Ali, estão os terrores dominados e os prazeres rejeitados, e aqui, os tormentos sofridos (6); e parece-me que no meio dum tão belo triunfo Ele nos diz com grande firmeza: «Tende ânimo, que já venci o mundo» – Confidite, ego vici mundum (Jo 16,33), porque pela humildade do Seu nascimento, pela obscuridade da Sua vida, e pela crueldade e ignomínia da Sua morte, baniu tudo o que os homens prezam, e aplacou tudo o que eles temem:

Et hoc vobis signum – «Eis o vosso sinal para reconhecerdes o nosso Salvador»

Os judeus esperam outro Messias que os há de encher de prosperidades, que lhes há de dar o império do mundo e os há de contentar na terra. Ah! Quantos judeus haverá entre nós! Quantos cristãos há que desejariam um Salvador que os enriquecesse, um Salvador que lhes satisfizesse a ambição, que lhes quisesse lisonjear as paixões ou cevar-lhes a vingança! Mas não é esse o nosso Cristo e o nosso Messias. Por que sinal O podemos reconhecer? Escutai; eu vo-lo direi pelas belas palavras de Tertuliano:

Si ignobilis, si inglorius, si inhonorabilis, meus erit Christus – «Se Ele é digno de desprezo, se é humilde, se é vil aos olhos dos mortais, é esse o Jesus Christo que eu procuro» (Tertul., Advers. Mar- cion., liv. III, n. 17)

Quero um Salvador que confunda os soberbos, que amedronte os caprichosos, que o mundo deteste, que a sabedoria humana não possa compreender, que não possa ser conhecido senão pelos humildes de coração. Quero um Salvador que afronte, por assim dizer, pela Sua generosa pobreza, as nossas vaidades ridículas e extravagantes, e que, enfim, me ensine pelo Seu exemplo que nada há mais sublime do que andar com Deus e desprezar tudo o mais (7). E este, encontrei-O, reconheço-O por estes belos indícios. E vós também já O conhecestes, minhas queridas irmãs, visto que amastes a sua miséria, visto que a sua pobreza vos aprouve, visto que o desposastes com todos os seus cravos com todos os seus espinhos, com toda a humildade do seu presépio e todos os rigores da sua cruz. Mas nós, irmãos, que recolheremos?

Há dois partidos formados: o mundo dum lado, Jesus Cristo do outro. Naquele há delícias, o regozijo, o aplauso, o favor; podereis vingar-vos dos vossos inimigos, podereis possuir, o que quiserdes, em toda a parte encontrareis um rosto jovial e um acolhimento agradável. Como os homens Vos amariam, ó meu Salvador, se lhes quisésseis dar estes bens! Como sereis um grande e admirável Salvador, se quisésseis salvar-nos da pobreza! Mas não é preciso tanto. — Permiti apenas que eu satisfaça esta paixão ou que possa vingar esta injúria. – Não, basta, que ele castigue um olhar petulante demais, uma palavra inflamada e os secretos movimentos do ódio, e da cólera. O bem doutrem (8). O Jubileu. Quem podia suportar um senhor tão severo?

Meu Salvador, sois incompatível demais, ninguém pode conformar-se conVosco, a multidão não estará do Vosso lado. É por isso, irmãos, que Ele a despreza. Foi a multidão que Ele afogou nas águas do dilúvio; foi a multidão que Ele consumiu com o fogo do céu; foi a multidão que Ele precipitou nas ondas do mar Vermelho; foi a multidão que Ele condenou às penas eternas tantas vezes quantas vezes amaldiçoou no seu Evangelho o mundo e as Suas vaidades.

Foi para devorar essa infeliz e abominável multidão nos cárceres eternos que «o inferno, diz p profeta Isaías, se dilatou desmesuradamente; e os fortes e os poderosos e os grandes do mundo precipitam-se nele de tropel» (Is 5, 14). Ó mundo! Ó multidão! Ó bando inumerável! Eu temo a tua sociedade funesta! O número não me defenderá do meu juiz; o grupo numeroso das testemunhas não me justificará; a minha consciência… eu receio que o meu Salvador se arvore em juiz implacável: Sicut Iaetatus est Dominus super vos bene vobis faciens atque multiplicans, sic Iaetabitur disperdens vos atque sabvertens (Dt 28, 63). Quando Deus tentar equiparar a Sua justiça com a Sua misericórdia e vingar as Suas graças tão indignamente desprezadas, eu não me sinto forte bastante para suportar o esforço temível, nem os golpes incessantemente redobrados duma mão tão áspera e tão pesada. Rio-me dos juízos dos homens mundanos e dos seus loucos pensamentos. Aspiro a ser do pequeno número daqueles que Deus há de chamar nesse dia final: Vós que vos não envergonhastes com a minha pobreza, e que não recusastes sustentar a minha cruz, pequeno número de predestinados, sociedade de escol, vinde compartilhar da minha glória, entrai no meu eterno banquete.

Amai, pois, a pobreza de Jesus. Quem é que não é pobre neste mundo, um na saúde, outro na riqueza; este nas honras e aquele no espírito? Não é, portanto, neste mundo que abundam os bens. E é por isso que o mundo, pobre em efeitos, só é generoso em esperanças; é por isso que todo o mundo quer, e todos os que querem são pobres e miseráveis. Amemos essa parte da pobreza que nos coube em dote, para ficarmos semelhantes a Jesus Cristo. Cristãos, em nome de Aquele «que sendo tão rico por sua natureza, se fez pobre para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor. 8, 9) desenganemo-nos dos falsos bens do mundo; compreendamos que o presépio do nosso Salvador tornou para sempre ridículas todas as nossas vaidades. Sim, na verdade, ó meu Jesus Cristo Salvador, enquanto eu compreender bem o Vosso presépio e as Vossas santas humilhações, não me hão de surpreender nunca as exterioridades do mundo com os seus encantos, não me hão de fascinar com o seu ouropel; e o meu coração só se comoverá com essas riquezas inestimáveis que a Vossa gloriosa pobreza nos preparou para a felicidade eterna.

Referências:

(1) Nota Marg.: Descendit ut levaret, non cecidit ut jaceret (Tract. CVII in Joan, n. 6).

(2) Advers. Macion, liv. I, n. 4; e à margem do manuscrito: Ex defectione aemuli solitudinem quandam de singularite praestantiae suae possidens, unicum est.

(3) Nota Marg.: Finalmente, sem fazer aqui a enumeração desses infinitos conjuntos que tornam os homens desiguais entre si, não há ninguém que não veja que o homem é um composto de peças muito dissemelhantes, tendo todas o seu fraco.

(4) Serm. IV De Nativit, cap. III  – Nota Marg.: O orgulho é a causa da nossa ruína. O gênero humano caiu por impulsão de Satanás. Tal como um grande edifício que se lança por terra e abate um outro menor sobre o qual cai, assim esse espírito soberbo, caindo do céu, veio precipitar-se sobre nós e arrastar-nos consigo para a sua ruína; imprimiu em nós um movimento semelhante ao que o precipita a ele próprio; Unde cecidit, inde defecit (Serm. CLXIV, n. 8). Sendo, pois, humilhado pelo seu próprio orgilho, arrastou-nos para o mesmo sentimento por que foi dominado. Tão soberbos como ele,… equiparar-nos também a Deus.

(5) Nota Marg.: Tu podes arrebatar-te, mas não elevar-te; podes enfatuar-te, mas não engrandecer-te.

(6) Nota Marg.: Jacens in praespio, videbatur in caelo; involutus pannis, adorabatur a Magis; inter animalia editus, ab angelis nuntiabatur…; virtus est infirmitas, humilitas et majestas, redimens et venditus; in cruce positus, et caeli regna largitus…, patiens vulnerum, et salvator aegrorum; unus defunctorum, et vivificator obeuntium; ad inferna descendens, et a Patris gremio non recedens (Epis. LXXIX ad Justin., Aug. Labb., tomo IV, col. 1553)

(7) Nota Marg.: As riquezas, etc. Nada lhe falta tudo está completo.

(8) Nota Marg.: A soberba filosofia vai buscar muito longe raciocínios para descobrir a vaidade das coisas humanas, que ela pomposamente ostenta; mas quão afastados estão os seus argumentos da força destas palavras: Um Deus é pobre!

(9) Nota Marg.: A passagem é assim descrita no terceiro ponto num sermão precedente: – Eu gostava do bem deste homem; não tenho direito a ele, mas tenho autoridade; – Não lhe toqueis, senão estais perdido.

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(BOSSUET, Jacques-Bénigne. Sermões de Bossuet, Volume I. Tradução de Manuel de Mello. Casa Editora de Antonio Figueirinhas 1909 – Porto, 1909, Tomo I, p. 254-275)