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Homilia para o V Domingo da Quaresma – Ano C

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

Is 43,16-21
Sl 125
Fl 3,8-14
Jo 8,1-11

Vai-se intensificando a preparação para o Tríduo Sacro que nos faz celebrar a Santa Páscoa. Desde a segunda-feira passada, as leituras do Evangelho de João apresentam-nos Cristo em tensão com os judeus, tensão que culminará com Sua Morte. Hoje, a liturgia permite que cubramos as imagens de roxo ou branco, exprimindo o jejum dos nossos olhos: a necessidade de purificar o olhar de nosso coração, para irmos direto ao essencial:

“a caridade, que levou o Filho a entregar-se à morte no Seu amor pelo mundo” (Oração da Coleta)

A partir de amanhã, segunda-feira, este clima de preparação para o mistério pascal intensifica-se ainda mais com o Prefácio da Paixão, rezado em cada Missa. Continue reading

Homilia para o IV Domingo da Quaresma – Ano C

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

Js 5,9a.10-12
Sl 33
2Cor 5,17-21
Lc 15,1-3.11-32

Este Domingo hodierno marca como que o início de uma segunda parte da Santa Quaresma. Primeiramente é chamado “Domingo Laetare”, isto é “Domingo Alegra-te”, porque, no Missal, a antífona de entrada traz as palavras do Profeta Isaías: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” Um tom de esperança jubilosa na sobriedade quaresmal! É que já estamos às portas “das festas que se aproximam”. A Igreja é essa Jerusalém, convidada a reunir seus filhos na alegria, pela abundância das consolações que a Páscoa da salvação nos traz! Este tom de júbilo que nasce da esperança no Deus salvador aparece nas flores que discretamente são colocadas hoje na igreja e na cor rosa dos paramentos dos ministros sagrados. Continue reading

Homilia para o III Domingo da Quaresma – Ano C

Dom Henrique Soares da Costa
Ex 3,1-18a.13-15
Sl 102
1Cor 10,1-6.10-12

O tempo da Quaresma recorda muitas vezes o tempo da travessia do deserto por parte de Israel: tempo de peregrinação, de provação e de purificação. O livro do Deuteronômio recorda isto com palavras muito fortes:

“Lembra-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, a fim de humilhar-te, tentar-te e conhecer o que tinhas no coração. Portanto, reconhece hoje no teu coração que o Senhor teu Deus te educava, como um homem educa seu filho” (Dt 8,2.5)

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Homilia para o I Domingo da Quaresma – Ano c

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

Dt 26,4-10
Sl 90
Rm 10,8-13
Lc 4,1-13

Neste início de Quaresma, a Liturgia faz-nos pensar na Páscoa. Isto porque o Tempo quaresmal não é um fim em si mesmo, mas é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos, com o coração dilatado, a Páscoa do Senhor, maior de todas as festas cristãs, unindo-nos ao Cristo Senhor no Seu mistério de Cruz e Ressurreição. Continue reading

Sermão acerca dos Demônios

Sermão acerca dos Demônios (1653)

SUMÁRIO ESCRITO POR BOSSUET

1.º Ponto. — O que é conhecido como ornamento às naturezas inteligentes converte-se-lhes em suplício.

Operação oculta da mão de Deus.

2.º Ponto. — Inveja: espécie de orgulho, mas que se dirige aos seus fins por ínvios caminhos, porque é um orgulho covarde e tímido. O orgulho manifesta-se naturalmente, porque aparenta generosidade.

Ciúme dos anjos. Faraó. Ezequiel, 32. Expedientes ocultos de que se serve o espírito maligno.

Tertuliano. Comparação da serpente: Tertuliano (Adv. Valent).

Independência do diabo. São João Crisóstomo. Exemplos.

3.º Ponto. — Os nossos vícios são mais para temer do que o diabo. Exemplo de Saul. Inveja.

Ductus est Jesu a Spiritu in disertum, ut tentaretur a diabolo
Jesus, foi levado em Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo (Mc 4, 1)

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Sermão da Penitência

1º Domingo da Quaresma - Sermão da Penitência

Sermão para o 1º Domingo da Quaresma

SUMÁRIO ESCRITO POR BOSSUET

Exordio. — Tempo. — Sua perda. — Três dificuldades que atrasam a sua conversão.

1.º Ponto. — Espírito do homem sempre extremo. — Da presunção do perdão ao desespero do mesmo perdão: Spe desperati. Do fato da misericórdia e da justiça serem infinitos resulta de serem aparentemente compatíveis. Qual é a misericórdia divina? Justiça na graça. A remissão dos pecados. Cada um deve fazer uma confissão sincera, e não procurar meios vis para se eximir das culpas. Devemos alegar defesa perante um juiz, e confessarmo-nos na presença dum padre. Maneira diferente de alegar defesa perante um e outro.

2.º Ponto. — Não há coisa que mais se deixe subjugar do que a vontade individual. Força do temperamento e do hábito. Muro impassibilitatis, Santo Agostinho. Um e outro podem vencer-se pelo temor. A penitência demanda sacrifício. Exemplo de Davi: Motiva poenitendi, Santo Agostinho. Penitência com sacrifício, porque é um ato de geração: In dolore paries filios tuos (G 3, 16). Geração própria.

3.º Ponto. — Do tempo, Dies mali, São Paulo. O tempo é uma ilusão. A vida ora nos parece longa, ora nos parece curta. A ciência do tempo constitui um dos segredos de Deus. O homem deseja penetrar nessa ciência. Nec filius hominis.

Contra os que aguardam o último momento. Tempo dos Testamentos: São João Crisóstomo, São Gregório Nazianzeno.

Exortação a uma rápida penitência.

Adjuvantes autem exhortamur ne in vacuum gratiam Dei recipiatis
E nós, como cooperadores, vos exortamos que não recebais a graça de Deus em vão (2Cor 6, 1)

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Sermão sobre a Lei de Deus

Domingo da Quinquagésima - Sermão sobre a Lei de Deus

Domingo da Quinquagésima

Pode ver-se na edição de Gandar, p. 92, alguns fragmentos duma nova redação do mesmo sermão, pregado em Paris, numa casa religiosa, pelo ano de 1661. – Ms. Tomo XI, p. 416 – Déforis, IV, 572 – Lachat, VIII, 463 – Gandar, p. 49

Pregado em Metz, entre os anos de 1653 e 1656.

SUMÁRIO ESCRITO POR BOSSUET

Cogitam vias meas.

Exordio. — Diversidade de ações entre os homens. Animais de maior uniformidade. Ocupações servis, ou inúteis, ou estultas, ou criminosas. Um guia para as minhas culpas, uma norma para os meus desvarios e um repouso para as minhas inconstâncias.

1.º Ponto. — Ignorância humana. Nós não sabemos o que nos convém. Concilium meum justificationes tuae — Intellectum dat parvulis — Super senes intellexi.
O acaso dirige os negócios.
Aproximemo-nos de Jesus Cristo para recebermos os Seus ensinamentos.

2.º Ponto.Ordinatione tua perseverat dies… Nisi quod lex tua… Grande coisa é ser dirigido pela sabedoria divina.

3.º Ponto. — Perturbação da vista. Esperança falaz. Repouso em Deus.

Peroração. — Carnaval.
2ª redação. — A natureza deu por limites: a fraqueza às crianças, e a razão aos homens. O mau: Robustus puer — Posse quod velis… Velle quod oportet.

«Os homens sentem maior prazer com o que alcançam do que com o que já possuem»

Cogitavi vias meas, et converti pedes meos in testimonia tua
Estudei os meus caminhos, e finalmente segui aquele que me foi indicado pelos vossos testemunhos (Sl 118, 59)

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Domingo da Septuagésima

Domingo da Septuagésima - Sermão sobre a eminente dignidade dos pobres na Igreja
Sermão sobre a eminente Dignidade dos Pobres na Igreja

Este discurso, que é um Sermão de Caridade em toda a extensão do termo, não conclui, como poderá ver-se, pela Ave-Maria tradicional. Os editores são unânimes em afirmar com Floquet que este sermão foi pregado no Seminário das Filhas da Providência, estabelecimento situado junto do Val-de-Grace. Lachat, afirmativo sempre, menciona os nomes de senhoras ilustres, na presença das das quais falou Bossuet. A data deste discurso não pode precisar-se ao certo, nem o lugar onde Bossuet o pronunciou é rigorosamente o seminário das Filhas da Providência. No verso de duas cartas que vieram de Sedan para Metz, e que foram remetidas de Metz para Paris, acham-se escritas duas páginas deste sermão. O sinete duma dessas cartas tanto pode ser o da famílias de Bouillon, como o dos Schombergm, como até o do marechal Fabert. (Gazier) – Ms. Tomo XI, pag. 269 – Déforis, IV, 536. – Lachat, VIII, 125. – Gandar, pag. 161.

Pregado em Paris, em fevereiro de 1659.

SUMÁRIO

Exordio. — A subversão das condições que o Salvador nos anuncia na passagem do Evangelho, que serve de tema a Bossuet, começou já nesta vida.

Proposição e divisão. — O orador desenvolve três pensamentos que se opõem ao que decorre no mundo e na Igreja, que é o reino de Jesus Cristo. No 1° prova que a maior grandeza pertence aos pobres, que são os primogênitos da Igreja, os seus verdadeiros filhos; no 2° que os ricos são os servos dos pobres; e no 3° que são os pobres que têm as graças e as bênçãos do céu, e só por intervenção deles é que as podem ter os ricos.

1.º Ponto. — A Igreja é realmente a cidade dos pobres, por que nos seus princípios só foi edificada para eles. Difere, portanto, da Sinagoga na ausência das riquezas e da abundância que são as partilhas desta. É isto o que nos faz compreender o Salvador, quando diz: Beati pauperes, quia vetrum est regnum Dei. Deve-se, pois, amar e respeitar os pobres, ainda mesmo quando se lhes faz uma esmola, porque são eles os primogênitos da família de Jesus Cristo.

2.º Ponto. — Jesus Cristo não necessita para Si dos favores dos ricos, mas necessita deles para os Seus pobres, de quem serve de medianeiro junto dos grandes deste mundo. Portanto, os ricos devem considerar uma honra o fato de serem os servos dos pobres; porém, valendo-lhes nas suas misérias, valem ao próprio Jesus Cristo. Além disso, devem servi-los com grande prazer e gratidão, pois aliviam assim o fardo das suas riquezas, que, aliás, os arrastaria ao abismo.

3.º Ponto. — Em todos os reinos há privilegiados. Os privilegiados do reino de Jesus Cristo são os pobres, porque é na pobreza que reside a magnificência desse reino. Todos os benefícios são prometidos aos pobres; aos ricos só cabem maldições: Vae vobis divitibus.

Peroração. — Posto isto, será necessário que os ricos procurem o meio de que os pobres se interessem por eles? E como? Por meio de esmolas: Peccata tua eleemosynis redime.

Erunt novissimi primi, et primi novissimi
Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos (Mc 20, 16)

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Panegírico de São Francisco de Sales

Panegírico de São Francisco de Sales

São Francisco de Sales nasceu em 1567, no castelo de Sales, perto de Annecy. Completou os seus estudos em Paris e estudou direito em Pádua, foi advogado em Chambery, entrou nas ordens sacras e foi toda a sua vida um modelo de zelo e de piedade. Tendo-se feito missionário, converteu muitos protestantes do Chablais e do país de Gex. Depois, nomeado bispo de Genebra, cuidou zelosamente das suas ovelhas, e veio por várias vezes à França, onde pregou pela Quaresma com o mais brilhante triunfo. Fundou a confraria da Cruz e, em 1610 a Ordem da Visitação, confirmada por Paulo V. Era incansável na sua devoção sempre ativa. Três dias antes de morrer, ainda pregava, apesar do quebrantamento das forças. A sua festa celebra-se a 24 de Janeiro, no calendário litúrgico para o rito na forma Ordinária; e a 29 de Janeiro, para o rito na forma Extraordinária.

Pregado em Paris, no mosteiro da Visitação, 28 de dezembro de 1662.

SUMÁRIO

Exórdio.  Não parece ser difícil louvar um Pai tão venerável perante filhas tão respeitosas. Bossuet, porém, deseja que outrem faça o elogio do santo.

Proposição e divisão.  É muito natural quererem os homens elevar-se a lugares eminentes para ostentarem pomposamente o lustre de uma grandeza majestosa. Outro tanto se não dá com São Francisco de Sales, a quem o orador considera sucessivamente:

1.° Como doutor e Pregador;

2.° Como bispo;

3.° Como diretor das almas.

Sob estes três pontos de vista, mostra Bossuet como ele foi na Igreja de Deus um astro luminoso e vivificador.

1.º Ponto. — Como doutor e pregador, São Francisco procurou no Evangelho essa ciência que não só ilumina as almas, mas também lhes dá a piedade, ciência que fortifica o espírito e lhe dá luz, que sabe mostrar o caminho da virtude e conduzir a ele, que sabe ensinar a devoção e até obrigar os pagãos a amá-la.

2.º Ponto. — Como bispo, evitou todos os desvios da ambição, viu apenas no seu cargo eminente mais um meio para ensinar a ciência de Jesus Cristo, e não um degrau para se alcandorar as dignidades eclesiásticas. Insensível aos aplausos e ao favor do público, também o foi aos desagrados em que incorreu e as injustiças de que foi vítima.

3.º Ponto. — Como diretor das almas, insinuou-se ao mesmo tempo no coração e no espírito, e a brandura foi o seu principal meio de triunfo. De extraordinária caridade, teve compaixão e condescendência para com todos os pecadores, mas particularmente para com os hereges.

Peroração. Elogio e carácteres da caridade, segundo São Francisco de Sales e Santo Agostinho. A caridade é dispensada a todos.

Ille erat lucerna ardens et lucens
Ele era uma… luz ardente e resplandecente
(Jo 5, 35)

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Panegírico de Santo André, Apóstolo

Panegírico de Santo André, Apóstolo

Santo André, irmão de São Pedro, era como este um pescador do lago de Betsaida, e foi discípulo de São João Batista. São Pedro e ele foram os primeiros a quem Jesus Cristo chamou para seus apóstolos. Sofreu o martírio em Patras, na Achaia, onde tinha ido pregar o Evangelho. Segundo os Atos do seu martírio, o procônsul de Achaia mandou-o prender a uma cruz em forma de X (crux decussata), e a esta forma particular se deu depois o nome de cruz de Santo André.

Pregado nas Carmelitas do Faubourg Saint-Jacques, no dia 30 de novembro de 1668.

SUMÁRIO

O Exórdio, a Proposição e a Divisão. — (Não existem, porque talvez Bossuet os tivesse escrito num papel solto que porventura se perdeu).

1.º Ponto. — As circunstâncias da vocação dos Apóstolos provam a divindade do cristianismo; pois, com serem fracos, rudes e ignorantes, com ser difícil o intento a realizar e pouco eficazes os meios humanos, foram bem sucedidos na sua empresa.

2.º Ponto. — A pesca milagrosa simboliza a historia da Igreja. Para adquirirem maior liberdade, o cisma e a heresia rompem às vezes as redes da Igreja; porque no povo de Deus, como na rede dos Apóstolos, há um excesso que embaraça e compromete o bom êxito da pesca, na própria ocasião em que ela parece ser mais feliz.

3.º Ponto. — A exemplo de Santo André e dos Apóstolos, devem os cristãos ser submissos, crédulos e generosos. Os sacrifícios que fazem pela fé em breve são indenizados; pois o sacrifício dos Apóstolos e o dos mártires, animando as virtudes cristãs, asseguravam a glória e as vitória da Igreja.

Peroração. — Para termos uma vida cristã é preciso combater incessantemente os impulsos do coração.

Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum
Vinde, após de mim, e eu vos farei pescadores de homens (Mc 4, 19)

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