Meditação para o Dia 16 de Agosto

Segundo a Imitação de Cristo, Cap. IX – L. II

Quando Deus te der alguma consolação espiritual, receba-a agradecido,reconhecendo que é dom de Deus e não merecimento teu. Com ela não te desvaneças nem te alegres em excesso, nem presumas vãmente de ti, mas humilha-te pelo dom recebido e sê mais acautelado e timorato em todas as tuas obras, porque passará aquela hora de alegria e virá a tentação. Quando te for tirada a consolação, não desesperes logo, mas espera com humildade e paciência que volte esta alegria celeste, porque todo poderoso é Deus para dá-la de novo e ainda maior que a precedente. Isto não é novo nem estranho para os que têm experiência dos caminhos do Senhor.

Os grandes santos e os antigos profetas experimentaram muitas vezes esta alternativa de paz e de perturbação. Um deles, David, sentindo a presença da graça, exclamava:

“Disse na minha abundância:não serei abatido jamais”.

Porém, vendo que a graça se ausentava dele, acrescentava:

– “Apartastes de mim o vosso rosto e para logo fui conturbado”.

Nesta perturbação, porém, não desesperes, antes, com maior instância, roga ao Senhor, dizendo:

“A Vós, Senhor, clamarei e ao meu Deus invocarei”.

Por fim, alcança o fruto da sua oração e dá testemunho de ter sido ouvido, dizendo:

“Ouviu-me o Senhor e teve compaixão de mim, o Senhor declarou-se meu protetor”.

Mas em quê “Convertestes, diz, o meu pranto em gozo e cercastes-me de alegria”. Ora, se Deus assim faz com os grandes santos, nós, fracos e pobres,não devemos desconfiar por nos sentirmos já fervorosos, já tíbios, porque o espírito de Deus vem e retira-se segundo lhe apraz? Por isso disse o bem-aventurado Jó:

– “Visitais o homem pela manhã e logo o provais”.

Em quem posso eu esperar ou em quem devo pôr minha confiança senão na infinita misericórdia de Deus e na esperança da graça celestial? Não encontrei nunca um homem tão devoto que alguma vez se não visse privado da consolação Divina ou não sentisse diminuição de fervor. Nenhum santo foi tão altamente arrebatado e da luz divina esclarecido, que antes ou depois, não fosse tentado. Não é, pois, digno da alta contemplação de Deus quem por Ele não sofreu alguma tribulação.

 

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 247)