Tag: vida cristã (Page 1 of 36)

Confissão

Confissão, Tesouros de Cornélio à Lápide

Divindade da Confissão

No dia da Ressurreição, Jesus Cristo apresentou-Se no meio de seus discípulos e disse-lhes: A paz esteja convosco! E repetiu-lhes: A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, assim Eu vos envio: Sicut missit me Pater, et ego mitto vos (Jo 20, 19-21). E, depois, que pronunciou estas palavras, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo; ficarão perdoados os pecados daqueles a quem vós os perdoardes; e ficarão retidos os de quem retiverdes: Haec cum dixisset, insuflavit, et dixit eis: Accipite Spiritum Sanctum; quórum remisseritis peccata, remittuntur eis; et quoum retinueritis, retenta sunt (Jo 20, 22-23).

Conta-nos São Marcos que Jesus Cristo disse a seus discípulos: Empenho- vos minha palavra que tudo o que atardes sobre a terra será atado no céu; e tudo o que desatares sobre a terra, será isso mesmo desatado nos céus: Amen dico vobis, quaecumque ligaveritis super terram, erunt ligata et in coelho, et quaecumque solveritis super terram, erunt soluta in coelo (Mc 17, 18).

Daqui infere-se que, para perdoar ou reter os pecados, para atar ou desatar as consciências, é necessário conhecer as faltas que foram cometidas. E como conhecê-las sem a Confissão? Continue reading

Concupiscência

Concupiscência, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é concupiscência

Em si mesma, a concupiscência é o apetite dos sentidos, uma inclinação natural aos bens sensíveis; esta inclinação, este apetite não são maus, a não ser que sejam contrários à razão e à Lei de Deus.

A concupiscência não é uma potência mal produzia pelo demônio; nenhuma potência pode ser má por si mesma, nem pode ser produzida pelo demônio.

A concupiscência não é tampouco o pecado original; porque o pecado original é destruído pelo Batismo, enquanto a concupiscência ainda permanece. Não é, por fim, como o quer Calvino, uma coisa corrompida pelo pecado original e semelhante a um forno sempre aceso que vomita o pecado. Continue reading

Comunhão dos Santos

Comunhão dos Santos, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é a Comunhão dos Santos

A Comunhão dos Santos é a união entre a igreja triunfante, a igreja militante e a igreja purgante, isto é, a união entre os Santos que estão no Céu, os justos que vivem na terra, e as almas que sofrem no Purgatório. Estas três partes de uma só e mesma Igreja formam um Corpo, do qual Jesus Cristo é a Cabeça. Os membros deste Corpo estão unidos entre si pelos laços da caridade e por uma comunicação mútua de obras boas.

Daí vem a invocação dos Santos, os auxílios e graças que eles nos alcançam, as orações para os defuntos, a confiança no poder dos bem-aventurados próximos do trono de Deus.

Tudo está em comunhão na Igreja: orações, boas obras, graças, méritos etc.

A Comunhão dos Santos com Jesus Cristo é semelhante à que existe entre o amo e o criado, entre pai e filho, entre aquele que ilumina e aquele que é iluminado, aquele que justifica e aquele que é justificado, o governador e o governado, entre aquele que doa e aquele que recebe, quem invoca e quem ouve, o que beatifica e o beatificado. Esta comunhão é um afeto, uma união com Deus, para não formar mais que um mesmo espírito com Ele, para andar em sua Luz, participar dos méritos de Jesus Cristo e dos méritos dos Santos. Continue reading

Céu

Céu, Tesouros de Cornélio à Lápide

A palavra Paraíso vem da expressão hebraica PARDES Ó PARA, que quer dizer Jardim dos Mirtos. Deste vocábulo, os latinos tomaram Paradisus (Paraíso).

Há três Céus: o céu atmosférico, o céu em que efetuam suas evoluções os astros, e o Céu dos bem-aventurados, onde a descoberto habita a Divindade.

O Céu é a obra prima de Deus

Santo Tomás pergunta se poderia Deus fazer coisas maiores, mais perfeitas do que todas aquelas que fez, e este Santo Doutor responde afirmativamente; porém, excetua sem embargo três realidades: Jesus Cristo, a Virgem Maria e a bem- aventurança dos eleitos. A humanidade de Jesus Cristo deve se achar excetuada, diz-nos Santo Tomás, porque está unida a Deus de uma maneira hipostática; também a bem-aventurada Virgem Maria, porque é Mãe de Deus; e a bem- aventurança criada, porque é o gozo de Deus. A humanidade de Jesus Cristo, a Virgem Maria e a bem-aventurança, ou o Céu, tomam do Bem infinito, que é Deus, certa perfeição infinita. Logo, nada pode Deus fazer melhor, assim como nada pode, tampouco, existir melhor que Deus (S. Th. I, q. 2; a. 6). Continue reading

Caída e recaída

Caída e recaída, Tesouros de Cornélio à Lápide

Desgraça da queda no pecado

Podemos nos equivocar facilmente, dada a nossa debilidade humana, porém é uma coisa diabólica perseverar no erro: Humanum est errare, diabolicum perseverare (Episto.).

Ordinariamente, uma vida fervorosa, depois de uma queda, é mais agradável a Deus que a inocência vivida com a tibieza e a torpe segurança, diz São Gregório: Pelrunque gratior est Deo amore ardens post culpam vita, quam securitate torpens innocentia (Pastor.). Porém, do mesmo modo que a tibieza, a queda é deplorável.

Como foi, diz Isaías, que a cidade fiel se converteu em uma rameira? A justiça habitava em seu recinto; agora, não é mais que um albergue de homicidas: Quomodo facta est meretrix civitas fidelis? Justitia habitavit in ea, nunc autem homicidae (Is 1, 21).

Tua prata se converteu em escória: Argentum tuum versum est in scoriam (Is 1, 22). Continue reading

Provocação dos maus

Provocação dos maus, Tesouros de Cornélio à Lápide

Em todos os tempos, são os maus que zombam dos bons

Durante os cem anos que Noé empregou em construir a Arca, ele não deixava de advertir aos homens que fizessem penitência, que haveria um dilúvio universal; e os homens corrompidos ridicularizavam-no e zombavam dele.

Ló avisou aos Sodomitas que haveria um dilúvio de fogo e puseram-no em ridículo.

Os profetas falam em nome do Senhor, mandam em nome do Senhor, e os ímpios o tomam como um motivo de zombaria.

Tendo chegado Jesus à casa do chefe da Sinagoga, e vendo aos tocadores de flauta e a multidão que se agitava tumultuosamente, disse-lhes: Retirai-vos, porque a jovem não morreu, senão que dorme. E riam-se Dele: Et deridebant eum (Mt 9, 23-24). Continue reading

Boa e Má Consciência

Boa e Má Consciência, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é uma boa consciência?

Um boa consciência, diz Hugo de São Vítor, é aquela que sendo doce para todo o mundo, não fere a ninguém, usa castamente da amizade, é paciente para os inimigos, benfeitora para todos, e faz tanto bem quanto lhe é possível. Uma boa consciência é aquela à qual Deus não imputa pecados, porque os evita; nem imputa- lhe os pecados dos demais, porque não os aprova; nem os da negligência, porque falou e agiu quando era necessário; nem os do orgulho, porque permaneceu na humildade e na unidade (Lib. III de Anim., c. IX).

A boa consciência é aquela que é reta, que obedece às leis de Deus e às da Igreja, e que se vale das luzes da razão para esclarecer-se.

A boa consciência é a que vigia para não cair, e imediatamente levanta-se de suas quedas. A boa consciência é o homem inteiro, porque o homem não é nada, ou melhor, ele é um flagelo, um monstro, quando não tem uma boa consciência.

A boa consciência é a imagem de Deus na terra. Continue reading

Bom exemplo

Necessidade do bom exemplo

Ensina-se com autoridade, quando se prega com o exemplo, diz São Gregório; porque não se tem confiança naquele cujos atos contradizem sua linguagem[1].

Pastores, pais de família, amor, magistrados, professores, superiores, se ensinais aos demais e não vos reformais a vós mesmos, que força terão as vossas lições: Qui alium doces, teipsum non doces (Rm 2, 21).

Falar bem e viver mal, diz São Próspero, que é senão condenar-se com a própria língua? Bene docere, et male vivere, quid aliud est; quam se sua você damnare (In Sentent.).

Escutai a São Bernardo: Uma alta posição, diz, e uma alma abjeta…, o primeiro posto e uma vida indigna, uma língua eloquente e mãos ociosas, muitas palavras e nenhum fruto, um rosto grave e uma ação ligeira, uma grande autoridade e um espírito inconstante, um rosto severo e uma língua frívola, são coisas verdadeiramente monstruosas[2]. Continue reading

Avareza

Avareza, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é avareza?

As riquezas, diz Santo Ambrósio, chamam-se assim porque dividem ou rasgam a alma: Dives dicta sunt, eo quod dividant, distrahantque mentem (Serm. V).

A palavra avaro significa ávido de ouro, diz Santo Isidoro: Avarus, quasi auri avidus (Lib. X, Origine).

Ser avaro, diz Santo Agostinho, não é somente amar o dinheiro, senão perseguir algo com imoderado ardor. Quem quer que deseje mais do que necessita, é avarento[1]. Continue reading

Aflições

Aflições, Tesouros de Cornélio à Lápide

Excelências e vantagens das aflições

É muito melhor o sofrer por Jesus Cristo do que o ressuscitar mortos, diz São João Crisóstomo. Por meio deste, nós contraímos uma dívida com Deus. Por meio daquele, Jesus Cristo se converte em nosso devedor. Ó Maravilha! Jesus Cristo nos faz um obséquio, e por este obséquio ficará agradecido: Pati pro Christo, magis est quam suscitare mortos: hic enim debitor sum (Deo); illic autem debitorem habeo Christum. Ó rem admirandam! Et donat mihi, et super hoc, ipse debet mihi (Homil. IV in Epist. ad Philipp.).

Santo Egídio, discípulo de São Francisco, dizia:

“Ainda que o Senhor fizesse cair pedras e rochas do céu, nenhum dano nos fariam se soubéssemos sofrer as aflições” (Ribaden, in ejus vita).

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