Meditação para o Dia 09 de Agosto

Segundo a Imitação de Cristo, Cap. III – L. II

“Procura, para ti primeiro, a paz e depois poderás procurá-la para outros. O homem pacífico é mais útil que o homem douto. O homem apaixonado até o bem converte em mal e crê no mal com facilidade. Pelo contrário, o homem bom e pacífico todas as coisas leva em bem. Quem está em boa paz, de ninguém suspeita mal; mas quem vive descontente e inquieto, com diversas suspeitas se atormenta, nem vive em sossego, nem deixa sossegar os outros. Diz muitas vezes o que não deveria dizer e deixa de fazer o que mais lhe conviria. Considera as obrigações alheias e descuida-se de seus próprios deveres. Tem, pois, primeiramente zelo de ti, depois o terás justamente de teu próximo. Tu sabes desculpar e dissimular bem as tuas faltas e não queres aceitar as desculpas alheias. Mas justo fora que te acusasses a ti e desculpasses a teu irmão. Sofre os outros, se queres que eles te sofram. Olha quão longe estás ainda da verdadeira caridade e da humildade que se não sabe irar senão contra si. Não é ação de avultado merecimento viver em paz com os bons e mansos. Isto a todos naturalmente agrada, e cada um, de boa vontade, tem paz e ama os que concordam com ele. Porém, viver em paz com os ásperos, perversos e de má condição, ou com aqueles que nos contrariam e combatem, é grande graça e ação varonil e louvável. Alguns há que têm paz consigo e com os outros. Outros há que nem a têm consigo nem a deixam ter os demais. São molestos para os outros e ainda o são mais para si mesmos. E há outros que têm paz consigo e trabalham para dá-la aos outros.

Pois toda a nossa paz nesta miserável vida, consiste mais no sofrimento humilde que em deixar de sofrer contrariedades. Por isto quem melhor souber padecer maior paz terá. Esse é vencedor de si mesmo, amigo de Cristo e herdeiro do céu.”

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 240)