Categoria: Capítulos de As Sete Palavras de Cristo na Cruz (Page 2 of 4)

Confira todos os capítulos do livro As Sete Palavras de Cristo na Cruz, de São Roberto Belarmino!

Do segundo fruto da sexta palavra

Capítulo 26: Do segundo fruto da sexta palavra
Pode colher-se outro fruto da segunda explicação da palavra de Cristo: “Tudo está consumado”, pois dissemos com São João Crisóstomo que se concluiu com a morte de Cristo a sua trabalhosa peregrinação que não pode negar-se que foi excessivamente custosa, mas que também foi recompensada pelo pouco tempo da sua duração e pela glória e honra que dela lhe resultou. Foi de trinta e três anos: que é, porém o trabalho de trinta e três anos comparado com o descanso da eternidade. Sofreu o Senhor fome, sede, muitas dores e injúrias sem número, pancadas, ferimentos e até a morte, mas agora bebe torrentes de prazer, de prazer interminável. Humilhou-Se, é verdade, tornado o opróbrio dos homens, rebotalho da plebe (Sl 21) por pouco tempo. Deus, porém exaltou-O, e deu-Lhe um nome como não há outro; pois ao nome de Jesus dobrasse todo o joelho no Céu, na Terra, e no inferno (Fl 2). Continue reading

Do primeiro fruto da sexta palavra

Capítulo 25: Do primeiro fruto da sexta palavra
Bastantes são os frutos que da sexta palavra pode colher quem atentamente considerar a sua fecundidade; e em primeiro lugar do: Tudo está consumado, que dissemos que se deve entender do cumprimento dos vaticínios, deduz Santo Agostinho (1) uma utilíssima prova. Pois, assim como temos a certeza, pelo que sabemos, que se realizou, que foi verdade o que os profetas predisseram tanto tempo antes, também, não devemos duvidar de que há de realizar-se o que os mesmos profetas predisseram que há de acontecer, posto que isso ainda não aconteceu; pois; que os profetas não o disseram por si mesmos mas inspirados pelo Espírito Santo (2 Pd 1); e, porque o Espírito Santo é Deus, e Deus de modo nenhum se pode enganar nem faltar à verdade, devemos com toda a certeza acreditar que sem falta nenhuma se há de cumprir que está profetizado, e que ainda se não realizou.

«Assim como até hoje tudo, se verificou, diz Santo Agostinho, também se há de verificar o que resta: temamos o dia do juízo: há de vir o Senhor; o que veio humilde virá exaltado»

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“Tudo está consumado”

Capítulo 24: "Tudo está consumado"

Explica-se literalmente a sexta palavra

A sexta palavra que Cristo proferiu na Cruz, é referida por São João como quase junta com a quinta. Logo que o Senhor disse: Tenho sede e bebeu do vinagre que Lhe ofereceram, acrescenta São João:

“Jesus, porém tendo tomado o vinagre, disse: Tudo está consumado” (Jo 19)

E sem dúvida aquele — tudo está consumado — à letra não quer dizer mais nada senão a obra da redenção está concluída, rematada; pois dois serviços tinha o Pai imposto ao Filho: pregar o Evangelho, e sofrer pelo gênero humano. Da primeira disse o Senhor em São João:

“Eu acabei a obra que tu me encarregaste que fizesse, manifestei o teu nome aos homens” (Jo 17)

Isto disse o Senhor depois do último e extensíssimo sermão que pregou aos Seus discípulos depois da ceia, por isso mesmo concluiu a primeira obra, de que seu Pai o encarregara. Continue reading

Do quarto fruto da quinta palavra

Capítulo 23: Do quarto fruto da quinta palavra
Resta ainda um fruto, e docíssimo, para colher da palavra: Tenho sede. Santo Agostinho, explanando o Salmo 68, diz, relativamente a esta palavra, que ela mostrara não só o desejo de bebida corporal, mas também o ardente desejo de Cristo pela conversão e salvação dos Seus inimigos, nós, porém, pela ocasião que nos oferece a explanação de Santo Agostinho, podemos subir mais alto e dizer que a sede de Cristo era a sede da glória de Deus e da salvação dos homens; e que a nossa deve ser da glória de Deus, da honra de Cristo, da nossa salvação e da salvação do nosso próximo. Que Cristo teve sede da glória de seu Pai e da salvação das almas, não pode duvidar-se, pois isto o diz, clamando, todas as Suas obras, todas as Suas pregações, todos os martírios que sofreu, todos os Seus milagres. Devemos pensar de preferência a tudo, para não sermos ingratos a tamanho benefício, sobre o modo porque possamos de tal sorte inflamar-nos, que tenhamos verdadeira sede da honra de Deus, que amou os homens até sacrificar por eles o seu Unigênito (Jo 3); e termo-lO, juntamente e do mesmo modo da glória de Cristo, que nos amou e Se entregou a Si, mesmo por nós, oferenda e hóstia a Deus em perfume de suavidade (Ef 5), e para também nos compadecermos dos nossos irmãos de sorte que tenhamos ardentíssima sede da sua salvação. Continue reading

Do terceiro fruto da quinta palavra

Capítulo 22: Do terceiro fruto da quinta palavra
O terceiro fruto que pode colher-se da quinta palavra é a imitação da paciência do Filho de Deus; pois não obstante, que na quarta tenha sobressaído a humildade com a paciência; com tudo na quinta parece ter brilhado, como em lugar próprio, no seu maior esplendor, e só a paciência de Cristo. Na verdade a paciência não só é uma das grandes virtudes, mas até muito mais necessária que as outras: a respeito dela diz São Cipriano (1):

«Não acho entre os outros caminhos que levam à sabedoria do Céu, algum, que seja ou mais útil para a vida, ou mais espaçoso para a glória, do que a paciência, a qual deve com todo o empenho fazer por conseguir, quem quiser firmar-se bem nos preceitos do Senhor por obséquio de temor e de devoção»

Antes, porém de dizermos alguma coisa da necessidade da paciência, é preciso distinguir a verdadeira da falsa. A verdadeira é a que nos manda sofrer o mal do prejuízo, para não nos vermos obrigados a cometer atos culpáveis (2). Tal foi à paciência dos mártires, que antes quiseram sujeitar-se aos tormentos dos algozes do que negar a fé de Cristo; e preferiam perder tudo quanto tinham a prestar culto aos falsos deuses. A falsa paciência é a que nos leva a sofrermos todos os males, para obedecermos às leis do apetite, e a perdermos os bens sempiternos, para conservarmos os temporais. Tal é a paciência dos mártires do diabo, que suportam facilmente a fome, a sede, o frio, o calor, a perda da boa reputação, e, o que mais admira, a do Reino do Céu, para acumularem riquezas, satisfazerem a luxúria, e subirem a cargos honoríficos. Continue reading

Do segundo fruto da quinta palavra

Capítulo 21: Do segundo fruto da quinta palavra
Ocorre-me outra consideração, e não de pequena utilidade, quando medito na sede de Cristo crucificado. Parece-me, pois que o Senhor disse: Tenho sede, no mesmo sentido em que disse à samaritana: Dá-me de beber; porque pouco depois, explicando o mistério do que lhe dissera, acrescentou:

“Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te pede, que lhe dês de beber, talvez tu lhe pedisses, que te desse água viva”

Como poderá, porém ter sede, quem é fonte de água viva? Não falava Cristo de si, quando no Evangelho: Se alguém tem sede, venha a mim e beba? (Jo 7) e não é Ele mesmo aquela pedra, de que fala o Apóstolo aos Coríntios (1Cor 10): Bebiam da pedra, que os seguia, e a pedra era Cristo? Não é Ele aquele mesmo que diz aos Judeus por Jeremias (Jer 2): Abandonaram-me, sendo eu a fonte d’água viva; e para si cavarem cisternas, cisternas rotas, que não podem conter a água. Parece-me, pois que estou vendo Cristo na Cruz, como numa elevada atalaia, vendo todo o mundo cheio de gente sequiosa, e desfalecida pela sede, e que o mesmo Senhor, compadecido, quando sofria a Sua sede corporal, daquela sede geral do gênero humano, gritara: Tenho sede, isto é, estou sem dúvida sequioso, porque se esgotou já o humor do meu corpo: esta sede, porém breve terminará, mas a minha maior sede é de que os homens conheçam pela fé que eu sou a verdadeira fonte de água viva, e de que venham a mim e bebam, e não tornem a ter mais sede. Continue reading

Do primeiro fruto da quinta palavra

Capítulo 20: Do primeiro fruto da quinta palavra
O Antigo Testamento explica-se a maior parte das vezes pelo Novo, porém neste mistério da sede do Senhor as palavras do Salmo 68 podem ter-se como comentário do Evangelho; pois nele não se diz claramente, se os que ofereceram vinagre ao Senhor, na Sua sede, o fizeram por obséquio, se para mais O atormentarem; isto é, se por amor, se por ódio. Nós com São Cirilo tomamos a má parte aquele oferecimento do vinagre: são, porém, tão claras as palavras do Salmo, que não carecem de explicação; e delas colheremos o fruto de aprendermos de Cristo a termos a sede que devemos ter: a sede da salvação. As palavras do profeta são as seguintes:

“Esperei por quem tomasse parte na minha tristeza; e ninguém a tomou; esperei que alguém me consolasse; e ninguém me deu consolação, na minha fome deram-me fel, e vinagre na minha sede”

Por isso os que a Cristo, Senhor Nosso, deram pouco antes de ser crucificado, vinho misturado com fel, e os que depois de crucificado, Lhe ofereceram vinagre, eram daqueles de quem Ele se queixa, dizendo: Esperei por quem tomasse parte, etc. Continue reading

“Tenho sede”

Capítulo 19: "Tenho sede"

Explica-se literalmente a quinta palavra

Segue-se a quinta palavra mencionada por São João, e para inteligência da qual é preciso acrescentar as outras, pelas quais se exprime o Evangelista, assim os antecedentes como as consequentes. Diz São João:

“Depois sabendo Jesus, que tudo estava comprido, disse, para se cumprir uma palavra, que ainda restava da Escritura — Tenho sede — Tinha-se ali posto um vaso, cheio vinagre, e eles, molhando nele uma esponja, que depois pulverizaram com hissopo, chegaram-lhe à boca” (Jo 19)

Estas palavras querem dizer o seguinte: Nosso Senhor quis cumprir tudo o que da Sua vida e morte tinham antecipadamente sabido e predito os profetas inspirados pelo Espírito Santo; e porque estando cumprido tudo o mais só restava, estando sequioso, beber o vinagre, segundo o versículo do Salmo 68: Tendo eu sede, deram-me a beber vinagre, disse claramente, Tenho sede; e os que ali estavam, chegaram-Lhe à boca uma esponja ensopada em vinagre, e posta numa cana. Nosso Senhor disse: Tenho sede, para se cumprir a Escritura. Continue reading

Do quinto fruto da quarta palavra

Capítulo 18: Do quinto fruto da quarta palavra
Nas primeiras palavras nos recomendou Cristo, nosso Mestre, três excelentes virtudes: caridade com os nossos inimigos, compaixão com os infelizes, e acatamento a nossos pais. Nas quatro seguintes nos recomenda quatro não mais excelentes que aquelas, mas não menos necessárias para nosso bem: a humildade, a paciência, a perseverança , a obediência. A humildade que propriamente se pode dizer virtude de Cristo, pois nenhuma ideia dela nos dão os escritos dos sábios deste mundo, não só Ele a praticou em todo o decurso da Sua vida; mas, além disto, se declarou por termos, nada equívocos, mestre desta virtude, dizendo:

“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11)

Nunca tão declaradamente, porém nos recomendou esta virtude, e juntamente a da paciência, que dela é inseparável, como, quando disse:

“Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”

Pois com esta expressão nos mostra o Senhor, que por permissão de Deus toda a Sua glória e primazia se tinha obscurecido na presença dos homens, o que também queriam dizer aquelas trevas, nem o Senhor pôde, sem a mais rendida humildade e paciência sujeitar-Se aquele abatimento. Continue reading

Do quarto fruto da quarta palavra

Capítulo 17: Do quarto fruto da quarta palavra
Pode adicionar-se aos frutos antecedentes um quarto fruto, nascido não tanto da quarta palavra, quanto da circunstância da ocasião em que ela foi proferida; quero dizer, das horrendas trevas, que sem muito intervalo a antecederam, pois são elas muito apropriadas para esclarecerem os Hebreus e para conservarem os Cristãos na verdadeira fé se quiserem prestar séria atenção à força do raciocínio que vamos propor, deduzido daquelas mesmas trevas. Esta demonstração pode coligir-se sem dificuldade nenhuma de quatro verdades.

A primeira é que estando Cristo na Cruz, o Sol se obscureceu completamente todo, de modo que no Céu se viram as estrelas, como se vêem de noite. Esta verdade resulta do dito de cinco testemunhas, merecedoras de todo o crédito, de diversas nacionalidades, e, que escreveram em diversos tempos e lugares, e por isso não podiam escrever coisas que entre si tivessem combinado, para as fazerem passar por fatos. Continue reading

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