Meditação para a Sexta Quinta-feira depois de Pentecostes. Modo de fazer bem as Ações Ordinárias

Meditação para a Sexta Quinta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre a maneira de fazer bem as nossas ações ordinárias e veremos que devemos fazê-las:

1.° Em estado de graça e com uma contínua aplicação em fazê-l as bem;

2.° Com exatidão e fervor.

— Tomaremos a resolução:

1.° De nos conservarmos constantemente em estado de graça;

2.° De fazermos cada uma das nossas ações com exatidão e fervor, ou com grande desejo de as fazer bem.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra da Imitação:

“Ocupai-vos loio no que fazeis” – Age quodi agis

Meditação para o Dia

Adoremos Nosso Senhor Jesus Cristo fazendo tão perfeitamente cada uma das Suas ações, que Deus Pai nEle põe toda a Sua complacência (1), e o povo, vendo-O obrar, exclama com admiração:

“Ele tudo tem feito bem” – Bene omnia fecit (Mc 7, 37)

Unamo-nos à complacência do Pai, aos louvores do povo, e felicitemos este divino Salvador pela perfeição com que tem feito cada coisa.

PRIMEIRO PONTO

Do estado de graça e da contínua aplicação em fazer bem o que se faz

É uma verdade elementar que, sem o estado de graça, todas as nossas ações são obras mortas, e que, por excelentes que sejam, nenhum merecimento tem para a salvação.

Se eu distribuir todos os meus bens no sustento dos pobres, diz São Paulo, se todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita (1Cor 13, 3)

É verdade, que os pecados veniais não tiram a vida aos nossos atos, mas diminuem o seu merecimento; até as imperfeições alteram mais ou menos a sua bondade perante Deus. Daí devemos concluir, que nos cumpre evitar tudo o que pode diminuir em nós por pouco que seja, o estado de graça, por conseguinte tudo o que nos distrairia da aplicação em fazer bem o que se faz; porque se obramos por hábito e sem reflexão, sem ter em vista a melhor maneira de obrar bem, sem querermos tomar o cuidado necessário no bom êxito, ou se dividimos a nossa atenção em vez de cuidar unicamente no que se faz, entregando-nos a outros pensamentos, sob pretexto de que não são maus ou de que temos o espírito bastantemente vasto para se ocupar em muitas coisas ao mesmo tempo, necessariamente as ações serão más ou ao menos defeituosíssimas. É até pouco ter esta aplicação em certos tempos e em certos dias, em que se é tocado de Deus; o essencial é tê-la em todas as nossas ações tanto num dia como noutro, proceder sempre de um modo uniforme, sem nunca afrouxar.

Examinemos se temos obrado assim. Não tem havido, ao contrário, em todas as ações da nossa vida, contínuas alternativas de bem e de mal, sem nada terem de perseverantes?

SEGUNDO PONTO

Da exatidão, acompanhada do fervor, com que devemos fazer todas as coisas

Fazer as nossas ações com exatidão é não omitir nenhuma voluntariamente; é não limitar a uma só a menor das partes, de que se compõem; é fazê-las na hora prefixa, no lugar que convém e da maneira com que devem ser feitas. Toda a inexatidão nestas coisas é uma imperfeição, que diminui o valor dos nossos atos; é uma transgressão na vontade de Deus, que se estende a tudo, até às mínimas particularidades. A esta exatidão cumpre juntar o fervor, isto é, um grande desejo de obrar bem e uma enérgica resolução de desempenhar bem todo o nosso dever, não obstante o desgosto e a repugnância, a frieza e a frouxidão, que se possa experimentar. A falta de gosto e de prazer no que se faz nunca deve desanimar-nos nem inclinar-nos à relaxação. Longe de ser um mal, esta falta de gosto torna o nosso fervor mais sólido e meritório.

Entremos ainda aqui em nós mesmos: temos nós empregado nas nossas ações esta exatidão e este fervor, que acabamos de meditar? Ai! Que frouxidão! Que omissões e variações!

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) In te compracui mihi (Lc 3, 22)

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo III, p. 268-270)