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Edifício espiritual

Edifício espiritual, Tesouros de Cornélio à Lápide

Materiais com que se constrói o edifício espiritual

O edifício espiritual da alma é a prática das virtudes levada à perfeição. Uma casa grande e formosa não se pode edificar senão pouco a pouco, e à força de muitos trabalhos; é necessário que haja ordem e variedade; é necessário empregar nela diversos instrumentos e madeiras várias; assim também constrói-se por meio de diversas virtudes, exigindo-se trabalhos largos e gloriosos, uma constância invencível e outras virtudes.

A longanimidade pode representar a longitude do edifício; a caridade sua largura, a esperança sua altura. Os quatro muros são as quatro virtudes cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza, a temperança.

A humildade e a fé são seu fundamento e base; a paciência seu teto; os bons desejos suas vantagens; a observação dos Mandamentos sua porta, e o temor de Deus o porteiro; os Anjos são seus guardiões; a contemplação é sua sacada; a oração forma suas muralhas, e o cão que está de vigia noite e dia, é a vigilância; a alma é sua dona, e todas as virtudes são seus quartos e salas. O esposo é a vontade, a esposa é a modéstia; a família compõe-se das boas obras; os serventes são os sentidos que obedecem à alma; a mesa é a Sagrada Escritura; o pão, a Eucaristia, o fogo, o Espírito Santo; o ar, o bom exemplo; o óleo, a misericórdia e a mansidão; o leito, a tranquilidade da consciência; os remédios, os Sacramentos; os médicos, os Sacerdotes; os hóspedes, o Pai, o Filho, o Espírito Santo, a Virgem Santíssima e os Anjos da Guarda. Continue reading

A Predestinação da Santíssima Virgem

Capítulo 2: A Predestinação da Santíssima Virgem

Maria foi predestinada para a dignidade mais eminente

Tendo Deus resolvido desde toda a eternidade salvar o mundo pelo mistério inefável da Encarnação, dignou-se escolher a Maria, de preferência a todas as outras filhas de Adão, para ser mãe de seu Filho. Por esta escolha gloriosa foi ela destinada para a mais alta dignidade, que se pode imaginar. Tudo o que há de grande no céu e na terra é nada em comparação desta dignidade sublime. Maria será mãe do Verbo Encarnado, e nesta qualidade será Mãe dos cristãos, Rainha dos anjos, Mediadora de intercessão entre Deus e os homens. Rendamos mil ações de graças a Deus por tanto elevar a nossa amável Mãe, e por haver sido o seu amor para conosco quem o moveu a exaltá-la a tão eminente dignidade. Prostemo-nos ante o trono desta Augusta Rainha, e tributemos-lhe as profundas homenagens. devidas a tamanhas grandezas. Continue reading

A Virtude da Mortificação

Mês de Setembro: A Virtude da Mortificação

Mês de Setembro

Breve introdução sobre a Mortificação e o Apóstolo Patrono

Nunca percas de vista esta bela sentença de Santa Teresa:

“Quem julga que Deus admite à sua amizade pessoas que amam a comodidade, engana-se redondamente”

“Os que são de Cristo, crucificaram sua carne com seus vícios e concupiscência”, diz o Apóstolo (Gl 5, 24). Por isso considera como uma dádiva divina toda a ocasião de te mortificares e não deixes passar nenhuma sem te aproveitares dela.

Reprime teus olhos e não os detenhas em coisas que satisfazem unicamente a curiosidade. Evita toda conversação em que se trata unicamente de novidades ou de outras coisas mundanas. Esforça-te sempre em mortificar o paladar: nunca comas e bebas unicamente para contentar tua sensualidade, mas só para sustentar teu corpo. Renuncia voluntariamente aos prazeres lícitos e dize generosamente, quando ouvires falar das alegrias do mundo:

“Meu Deus, só a Vós eu quero e nada mais”

Faze com fervor todas as mortificações externas que a obediência e as circunstâncias permitirem. Se não puderes mortificar teu corpo com instrumentos de penitência, pratica ao menos a paciência nas doenças, suporta alegremente toda incomodidade que consigo traz a mudança do calor e do frio; não te queixes quando te faltar alguma coisa, alegra-te antes quando te faltar até o necessário.

Mas principalmente a mortificação interna é que deves praticar, reprimindo tuas paixões e nunca agindo por amor-próprio, por vaidade, por capricho, ou por outros motivos humanos, mas sempre com a única intenção de agradar a Deus. Por isso, enquanto, possível, deves te privar daquilo que mais te agradar e abraçar o que desagrada a teu amor-próprio. Por exemplo: quererias ver um objeto: renuncia a isso justamente por te sentires levado a contemplá-lo; sentes repugnância por um remédio amargo: toma-o justamente por ser amargo; repugna-te fazer benefícios a uma pessoa que se mostrou ingrata para contigo: faze-o justamente porque tua natureza se rebela contra isso. Quem quer pertencer a Deus, deve se violentar incessantemente e exclamar sem interrupção:

“Quero renunciar a tudo, contanto que agrade a Deus”

Em resumo, portanto:

Pela mortificação interior nos aplicamos a domar as nossas paixões, principalmente a que mais predomina em nós. Não vencer uma paixão dominante é pôr-se em grande perigo de se perder.

Pela mortificação exterior negamos aos sentidos as satisfações que desejam. É necessário, portanto, mortificar:

1. Os olhos, abstendo-nos de ver objetos perigosos.

2. A língua, fugindo das maledicências, palavras injuriosas ou impuras.

3. A boca, evitando todo o excesso no comer e beber, e praticando até algum jejum e abstinência.

4. O ouvido, negando-nos a dar ouvidos a discursos que ferem a modéstia ou a caridade.

5. O tato, usando de precaução quer conosco quer nas relações com outros.

Sumário
I. A sua natureza
II. Da Mortificação Externa
III. Da Mortificação Interna
IV. A Mortificação e o Redentor
V. A Prática da Mortificação
VI. A Prática da Mortificação Externa
VII. Orações para alcançar a Virtude do Mês

Mês de Setembro: A Virtude da Mortificação. Apóstolo Patrono: São Mateus

Mês de Setembro: A Virtude da Mortificação. Apóstolo Patrono: São Mateus

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Modo de fazer bem as Ações Ordinárias

Meditação para a Sexta Quinta-feira depois de Pentecostes. Modo de fazer bem as Ações Ordinárias

Meditação para a Sexta Quinta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre a maneira de fazer bem as nossas ações ordinárias e veremos que devemos fazê-las:

1.° Em estado de graça e com uma contínua aplicação em fazê-l as bem;

2.° Com exatidão e fervor.

— Tomaremos a resolução:

1.° De nos conservarmos constantemente em estado de graça;

2.° De fazermos cada uma das nossas ações com exatidão e fervor, ou com grande desejo de as fazer bem.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra da Imitação:

“Ocupai-vos loio no que fazeis” – Age quodi agis

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A Perfeição das Ações Ordinárias

Meditação para a Sexta Quarta-feira depois de Pentecostes. A Perfeição das Ações Ordinárias

Meditação para a Sexta Quarta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos meditado os primeiros princípios da vida cristã, meditaremos agora a mesma vida cristã; e veremos:

1.° Que a perfeição das nossas ações ordinárias constitui a essência da vida cristã;

2.° Que nada há mais consolador do que esta doutrina.

— Tomaremos a resolução:

1.º De cuidarmos em fazer bem cada coisa desde manhã até à noite, sem desprezar nenhuma;

2.° De nos resguardarmos da ilusão dos que vão buscar a santidade em outra parte.

Conservaremos como ramalhete espiritual a palavra, que o povo dizia de Nosso Senhor:

“Ele tudo tem feito bem” – Bene omnia fecit (Mc 7, 37)

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Tender ao que é mais Perfeito

Meditação para a Sexta Segunda-feira depois de Pentecostes. Tender ao que é mais Perfeito

Meditação para a Sexta Segunda-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos um terceiro princípio da vida cristã, que é tender em todas as coisas à maior perfeição, e veremos:

1.° Quanto este princípio é fundado na razão;

2.° Quanto seria imprudente adotar na prática um princípio contrário.

— Tomaremos a resolução:

1.° De escolher sempre entre dois modos de fazer uma ação, o que nos parecer mais agradável a Deus;

2.º De nos conservarmos habitualmente dispostos a adotar em tudo o que for mais perfeito.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São Paulo:

“Procuro em cada ação o modo mais perfeito de o fazer” – Ad ea quae sunt priora extendens meipsum (Fl 3, 31)

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Desejo da Vida Perfeita

Meditação para a Quinta Quinta-feira depois de Pentecostes. Desejo da Vida Perfeita

Meditação para a Quinta Quinta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos meditado o que Deus fez por nós, desde a Sua Encarnação no seio de Maria até à Sua presença quotidiana nos nossos tabernáculos, meditaremos de ora em diante o que devemos fazer por Ele, isto é, a vida cristã a que somos obrigados para com Ele. Começaremos por meditar sucessivamente os seus princípios gerais. O primeiro princípio é que, para progredir na vida cristã ou vida perfeita, devemos desejá-la com ardor e constância. Procuraremos penetrar-nos bem deste princípio, considerando:

1.° Que é muito justo, que se deseje com ardor e constância a vida perfeita;

2.º Que este vivo desejo é o melhor meio de vir a ser perfeito.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De dizermos a Deus, todas as manhãs, quando acordarmos, e de repetirmos muitas vezes durante o dia esta aspiração, acompanhada de um grande desejo de sermos ouvidos:

Meu Deus, dignai-vos fazer, que eu tenha hoje uma vida verdadeiramente cristã!

2.° De nos vigiarmos a nós mesmos, todo o dia, para evitar tudo o que for contrário à perfeição da vida cristã.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“A minha alma desejou ansiosa em todo o tempo as vossas justificações” – Concupivit anima mea desiderare justificationes mea (Sl 117, 20)

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Um Amor Brando, Sossegado e Terno

Meditação para o Dia 26 de Outubro

São Francisco de Sales, que é mestre incomparável na arte do Amor Divino, diz que o Senhor quer que O amemos, mas com um amor brando, sossegado e terno.Nada de inquietações e desespero! Caímos? Não é para admirar uma coisa tão comum à fragilidade humana. Esforcemo-nos por fazer tudo com perfeição. A confiança não dispensa o esforço – e um esforço grande – para a perfeição. Se, entretanto, cairmos, a despeito de nossos esforços e boa vontade, que fazer? Continue reading

A Mãe e a Madrasta

Meditação para o Dia 09 de Janeiro

A adversidade nos assusta. Somos tão pusilânimes! Ela é um remédio amargo que o Médico Celeste nos prescreve para curar-nos dos males que acompanham a prosperidade.

“A prosperidade, diz São Francisco de Sales, tem atrativos que encantam os sentidos e adormecem a razão. Ela nos faz mudar imperceptivelmente de vida, de tal sorte que nos apegamos aos dons e nos esquecemos do Benfeitor” (1)

Correr-nos tudo bem na vida nem sempre é bom sinal. Cuidado! O Padre Jerônimo perguntou um dia a Santo Inácio como alcançar caminho mais curto da perfeição e do Céu. Continue reading

O Respeito Humano

Respeito Humano
Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos – 1950

O que vem a ser o Respeito Humano?

É a vergonha daquele que não se atreve a manifestar os seus sentimentos religiosos e piedosos, porque com isso é escarnecido, insultado, perseguido.

I – NATUREZA DO RESPEITO HUMANO

O respeito humano é o respeito pelas coisas humanas colocado acima do respeito pelas coisas de Deus; é a estima pelo homem preferida à estima por Deus.

O respeito divino coloca-nos na presença de Deus a quem devemos conhecer, amar e servir porque é nosso Criador, Senhor, Juiz e Remunerador.

O respeito humano é a negação de tudo isto. Transfere sacrilegamente para o homem os direitos e a honra que são reservados a Deus. O homem é considerado como senhor e juiz, e, por isso, toda a vida exterior é para lhe agradar.

II – ASPECTOS DIVERSOS DO RESPEITO HUMANO

O respeito humano reveste tantas formas quantos são os nossos deveres

1.º Omissão do bem

O respeito humano impede a prática sincera e fiel da nossa fé. Fechamos a boca quando é preciso falar e paralisa os nossos esforços quando é preciso agir.

Sabemos que a Santa Missa é uma fonte de graças desde que assistamos a ela com edificação; todavia, na assistência à Missa, não estamos com a devida atenção e fervor, porque não queremos dar nas vistas com a nossa devoção. Continue reading

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