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Dores de Maria Santíssima na Paixão e Morte de seu Divino Filho

Capítulo 22: Dores de Maria Santíssima na Paixão e Morte de seu Divino Filho
Acerbidade das penas de Maria

Consideremos que penetrantes e terríveis espadas de dor traspassaram o terno e sensibilíssimo coração de Maria, quando seu querido Filho se despediu dela para dar começo à Sua Paixão; quando O viu arrastado ignominiosamente pelas ruas de Jerusalém, pisado com pancadas, escarnecido, esbofeteado, coroado de espinhos e pregado na cruz entre dois facinorosos; quando O viu expirar e presenciou a lançada com que um soldado Lhe rompeu o peito para se certificar da Sua morte; quando recebeu nos braços o corpo morto e desfigurado do seu Jesus; e finalmente quando recolhido o cadáver ao sepulcro, ela ficou reduzida à mais amargosa soledade. Tudo o que sofreram os mártires todos juntos é muito pouco em comparação do que então sofreu a mais terna de todas as mães. Ah! Os nossos pecados são a causa das imensas dores desta santa Mãe, porque foram eles quem deu a morte a seu querido Filho. Detestemo-los, pois, de todo o coração, vamos ao pé da truz misturar as nossas lágrimas com as de Maria; peçamos-lhe que nos alcance uma viva contrição de todos os nossos pecados, e a graça de nunca mais os cometer. Continue reading

A vida oculta da Sagrada Família em Nazaré

Capítulo 20: A vida oculta da Sagrada Família em Nazaré
Vive na pobreza

Consideremos a Sagrada Família, composta de Jesus, de Maria e de José. Esta Santíssima Família tinha só a Deus por seu único bem, vivia na obscuridade, nos trabalhos, talvez em desprezo, e sem dúvida na pobreza. Mas quanto não era rica em graças e virtudes! Nunca houve família mais santa, mais respeitável, mais feliz nem mais digna da vassalagem dos anjos e dos homens. Não são os bens e as honras deste mundo, o que faz a verdadeira felicidade, mas sim a graça de Deus; a virtude e a santidade. Oh! Quanto é rico e ditoso aquele que ama a Deus, e só a Ele possui! Continue reading

Fugida para o Egito

Capítulo 18: Fugida para o Egito
Dor de Maria Santíssima

A triste profecia do velho Simeão não tardou a começar a realizar-se. O Deus Menino, vindo ao mundo para redenção de todos os homens, principiou logo a ser o alvo das perseguições dos ímpios. Apenas a sagrada Família volta de Jerusalém, um anjo aparece em sonho a São José, e lhe manda que tome o Menino e sua mãe e fuja para o Egito, porque Herodes procuraria este divino infante para Lhe dar a morte. No mesmo momento o Santo Patriarca levanta-se, comunica à santíssima esposa a ordem do céu e dispõe-se para fugir. Que golpe para o coração de Maria! Deixar imediatamente a pátria, mudar de terra e, com o tenro Menino nos braços, partir para um país remoto! Fugir do meio do povo de Deus para uma gente supersticiosa; de um país onde se conserva a religião verdadeira, para uma região cheia de templos dos demônios! Ver o seu Menino apenas nascido, já perseguido de morte por aqueles a quem vem trazer a vida abundante de todas as graças! Que amargosa dor para tão sensível mãe! Compadeçamo-nos do terno coração de Maria, tão profundamente ferido; procuremos consolá-lo, fugindo de todo o pecado e exercitando-nos em todas as virtudes. Continue reading

Os desposórios de Maria Santíssima

Capítulo 8: Os desposórios de Maria Santíssima
Conveniência de Maria Santíssima ter um esposo

Transportemo-nos hoje em espírito ao templo de Jerusalém para presenciarmos um espetáculo em que a Virgem Maria não se mostra menos admirável, nem nos oferece instruções menos úteis, do que na sua Apresentação. Entrava nos desígnios de Deus que esta Virgem incomparável, escolhida desde toda a eternidade para ser Mãe do divino Redentor dos homens, mostrasse em sua pessoa o modelo completo de todas as virtudes nas diferentes condições da vida. Foi, portanto, sábia disposições da Providência que Maria, havendo de conceber milagrosamente e dar à luz, sem quebra de sua integridade, o Verbo Encarnado, tivesse uma testemunha e guarda, fiel de sua pureza, e fosse ao mesmo tempo o pai putativo e aio do Homem-Deus.

Admiremos os segredos da divina sabedoria! Quão perfeita e retamente ordenados são todos os seus planos! Como ela sabe dispor tudo com força e suavidade para o complemento dos Seus desígnios! Continue reading

A Vida da Santíssima Virgem no Templo

Capítulo 7: A Santíssima Virgem no Templo
Vivia só para Deus

Vejamos esta bendita menina sepultada no seu retiro, e admiremos a vida santa que ali passa. Considera-se no templo como em uma casa unicamente consagrada ao serviço do Senhor; sabe que neste sagrado lugar não deve viver senão para Deus, nem pensar, senão em tornar-se cada vez mais agradável a Seus olhos pela prática de todas as virtudes. Semelhante à aurora que sempre cresce em luz, Maria sempre cresce em santidade e perfeição. Todos os dias brilhavam nela com maior esplendor as mais excelentes virtudes, a caridade, a humildade, a mortificação e a doçura. Aproveitemo-nos de tão admirável exemplo, e aprendamos desta Virgem Santíssima o ardor com que devemos trabalhar em nossa santificação. É verdade que Deus não exige de todos os cristãos, que à imitação de Maria se liguem com voto ao seu serviço; é este o destino feliz de algumas almas privilegiadas que Ele retira do mundo, para as consagrar a Si de um modo especial: mas em qualquer estado que nos encontremos, Deus exige de nós, que sigamos uma vida verdadeiramente cristã, uma vida penitente e mortificada, e que façamos todos os dias novos esforços por adiantar-nos no caminho da salvação. Tal é o resumo do Evangelho, tais as sagradas obrigações que contraímos, recebendo o Batismo. Ah! De que modo as temos cumprido até hoje? Continue reading

Do segundo fruto da quinta palavra

Capítulo 21: Do segundo fruto da quinta palavra
Ocorre-me outra consideração, e não de pequena utilidade, quando medito na sede de Cristo crucificado. Parece-me, pois que o Senhor disse: Tenho sede, no mesmo sentido em que disse à samaritana: Dá-me de beber; porque pouco depois, explicando o mistério do que lhe dissera, acrescentou:

“Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te pede, que lhe dês de beber, talvez tu lhe pedisses, que te desse água viva”

Como poderá, porém ter sede, quem é fonte de água viva? Não falava Cristo de si, quando no Evangelho: Se alguém tem sede, venha a mim e beba? (Jo 7) e não é Ele mesmo aquela pedra, de que fala o Apóstolo aos Coríntios (1Cor 10): Bebiam da pedra, que os seguia, e a pedra era Cristo? Não é Ele aquele mesmo que diz aos Judeus por Jeremias (Jer 2): Abandonaram-me, sendo eu a fonte d’água viva; e para si cavarem cisternas, cisternas rotas, que não podem conter a água. Parece-me, pois que estou vendo Cristo na Cruz, como numa elevada atalaia, vendo todo o mundo cheio de gente sequiosa, e desfalecida pela sede, e que o mesmo Senhor, compadecido, quando sofria a Sua sede corporal, daquela sede geral do gênero humano, gritara: Tenho sede, isto é, estou sem dúvida sequioso, porque se esgotou já o humor do meu corpo: esta sede, porém breve terminará, mas a minha maior sede é de que os homens conheçam pela fé que eu sou a verdadeira fonte de água viva, e de que venham a mim e bebam, e não tornem a ter mais sede. Continue reading

Do primeiro fruto da quinta palavra

Capítulo 20: Do primeiro fruto da quinta palavra
O Antigo Testamento explica-se a maior parte das vezes pelo Novo, porém neste mistério da sede do Senhor as palavras do Salmo 68 podem ter-se como comentário do Evangelho; pois nele não se diz claramente, se os que ofereceram vinagre ao Senhor, na Sua sede, o fizeram por obséquio, se para mais O atormentarem; isto é, se por amor, se por ódio. Nós com São Cirilo tomamos a má parte aquele oferecimento do vinagre: são, porém, tão claras as palavras do Salmo, que não carecem de explicação; e delas colheremos o fruto de aprendermos de Cristo a termos a sede que devemos ter: a sede da salvação. As palavras do profeta são as seguintes:

“Esperei por quem tomasse parte na minha tristeza; e ninguém a tomou; esperei que alguém me consolasse; e ninguém me deu consolação, na minha fome deram-me fel, e vinagre na minha sede”

Por isso os que a Cristo, Senhor Nosso, deram pouco antes de ser crucificado, vinho misturado com fel, e os que depois de crucificado, Lhe ofereceram vinagre, eram daqueles de quem Ele se queixa, dizendo: Esperei por quem tomasse parte, etc. Continue reading

Do segundo fruto da terceira palavra

Capítulo X. Do segundo fruto da terceira palavra
O segundo fruto desta terceira palavra colhe-se do mistério das três mulheres, que estavam junto da Cruz do Senhor; pois Maria Madalena representa os penitentes e os que começam a sê-lo; Maria de Cléofas os proficientes; Maria, Mãe de Cristo e Virgem, os perfeitos; e com ela podemos também reunir São João, virgem, e que dentro em pouco tempo havia de ser perfeito, se ainda não o era. São aqueles os únicos que se acham junto da Cruz do Senhor; porque os que vivem em pecado e não tratam de fazer penitência, afastam-se da Cruz que é a escada do Céu. Além disto todos os que estão junto da Cruz, tem motivo para lá estarem; pois precisam do auxílio do Crucificado, os penitentes ou incipientes estão em guerra aberta com os vícios e apetites desordenados, e muito precisam do auxílio de Cristo, nosso General, para se animarem a combater, vendo-o a lutar contra o Dragão, e não querendo descer da Cruz, sem dele obter completo triunfo, assim o diz o Apóstolo na sua Epístola aos Colossenses:

“Despojou os Principados e Potestades, e os trouxe confiadamente publicamente deles em si mesmo, e pouco antes Encravando na Cruz a cédula do decreto, que havia contra nós” (Col 2)

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Primeira Epístola de São João. Prefácio de seu Evangelho. A lei da Caridade

Capítulo 17: Primeira Epístola de São João. Prefácio de seu Evangelho. A lei da Caridade

I

Estando escrito o Evangelho, era mister fazê-lo conhecido das Igrejas cristãs; São João dizia mais tarde no Apocalipse:

“Vi um anjo voar pelo meio do céu, levando o Evangelho eterno, para o anunciar aos que habitam na terra, e a toda a nação, tribo, língua e povo. Dizendo em alta voz: Temei ao Senhor e o honrai; porque chegou a hora de seu juízo. Adorai aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas” (1)

Esta divulgação universal devia ser em breve a do Evangelho de São João.

O apóstolo começou por endereçá-la em pessoa aos fiéis da Ásia. Esse é, cremos, o fim de sua primeira Epístola. Seu Evangelho dizia: No princípio era o Verbo… A Epístola, fazendo alusão a isso, começava por estas palavras idênticas: O que foi desde o princípio, o Verbo da vida, vo-lo anunciamos. Pediram-lhe que escrevesse o Evangelho, acabava de fazê-lo; e desta satisfação dada à Igreja dizia:

“Escrevemos estas coisas para que vos alegreis, e que a vossa alegria seja completa” – Et haec scribimus vobis, ut gaudeatis et gaudium vestrum sit plenum (1Jo 1, 4)

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A Virtude da Paciência, a Abnegação e o Amor da Cruz

Mês de Dezembro: A Virtude da Paciência, a Abnegação e o Amor da Cruz

Mês de Dezembro

Breve introdução sobre a Paciência e o Apóstolo Patrono

Estamos na terra para fazermos penitência e merecermos; não é ela, portanto, lugar de repouso, mas de trabalhos e sofrimentos. As dores, adversidades e outras tribulações hão de ser as mais belas jóias da nossa corôa no paraíso. Pratiquemos a paciência:

1. Quando a morte nos arrebata os parentes ou amigos;

2. Na pobreza;

3. Nos desprezos e perseguições;

4. Nas desolações espirituais;

5. Nas tentações;

6. Nas doenças.

A resignação na morte, para fazer a vontade de Deus, é bastante para assegurar a nossa salvação eterna.

Pondera que nesta vida, quer queiras, quer não, terás necessariamente de padecer. Procura por isso padecer de maneira meritória, isto é, pacientemente; violenta-te e evita romper em queixas e lamentos. Se te venceres, Deus te fará experimentar durante a tribulação uma doçura desconhecida dos mundanos, mas muito conhecida daqueles que amam a Deus.

Se Deus te visitar com doenças, pobreza, perseguições e outras adversidades, humilha-te diante dEle, e dize com o bom ladrão:

“Recebemos o que mereciam nossas ações” (Lc 23, 41).

E mesmo que não tenhas perdido a inocência batismal, certamente já terás merecido um longo purgatório. Por isso alegra-te se fores castigado neste mundo e não no outro.

Consola-te também nos sofrimentos internos com a esperança do céu. Recorda-te das palavras de São Paulo:

“Os padecimentos deste mundo não tem comparação com a glória futura que será manifestada em nós” (Rom 8, 18)

“O que aqui é para nós uma tribulação momentânea e ligeira produz em nós, de um modo maravilhoso no mais alto grau, um peso eterno de glória” (2 Cor 4, 17)

Se tua vida te parecer insuportável, olha para teu divino Salvador, que te precede, carregando a cruz. Ouve o que Ele diz:

“Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo e tome todos os dias a cruz sobre si” (Lc 9, 23)

Teu Salvador vai sempre adiante, e só pára ao chegar ao monte Calvário, para ai morrer por ti.

Acostuma-te a submeter-te já antecedentemente na oração a todos os sofrimentos que talvez te sobrevirão; assim procederam os santos e por isso estavam sempre prontos a abraçar todas as cruzes, mesmo as que lhes sobrevinham inesperadamente.

Suplica, finalmente, ao Senhor instantemente que te conceda a graça da paciência, pois, sem a oração, nunca obterás essa grande graça. Justamente na oração encontraram os santos mártires a coragem para suportar os mais atrozes tormentos e a morte mais ignominiosa. Se recorreres ao Senhor com confiança, Ele te livrará dos teus padecimentos ou então te concederá a graça de suportá- los com paciência. Ele mesmo disse:

“Vinde a mim todos que andais em trabalhos e vos achais carregados e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28)

Sumário
I. A sua natureza
II. Da Paciência em Geral
III. Da Paciência nas Enfermidades
IV. Da Paciência nas Injúrias e Perseguições
V. Da Paciência na Desolações Espiritual
VI. Alguns avisos a respeito do Exercício da Paciência
VII. A Abnegação e o Amor da Cruz no Redentor
VIII. A Prática da Paciência
IX. Orações para alcançar a Virtude do Mês

Mês de Dezembro: A Virtude da Paciência, a Abnegação e o Amor da Cruz. Apóstolo Patrono: São Mateus

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