Meditação para o Sábado da 2ª Semana depois da Páscoa. As três virtudes das ovelhas do Bom Pastor

Meditação para o Sábado da 2ª Semana depois da Páscoa

SUMARIO

Meditaremos sobre as três virtudes especiais, que Jesus, o Bom Pastor, exige das Suas ovelhas, a saber:

1.° A Inocência;

2.° A Mansidão;

3.° A Docilidade.

— Tomaremos depois a resolução:

1.º De empregarmos muita simplicidade e mansidão em todas as nossas relações com o próximo;

2.° De gostarmos de consultar outrem e de juntarmos assim a ciência dos outros à nossa própria ciência.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de Nosso Senhor:

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” – Discite a me quia mitis sum et humilis corde (Mt 11, 29)

Meditação para o Dia

Voltemos ainda aos pés de Jesus, o Bom Pastor, adoremo-lO, e supliquemos-Lhe, que nos instrua sobre as virtudes que Ele exige das Suas ovelhas.

PRIMEIRO PONTO

A primeira virtude que exige de nós o Bom Pastor é a Inocência

De todos os animais, a ovelha é a menos malfazeja. Pasta tranquilamente nas pastagens onde a levam, sem atacar ninguém, sem se bater com as outras ovelhas: é a figura da inocência, que não faz mal a pessoa alguma, dessa inocência que é a primeira condição que o Bom Pastor exige das Suas ovelhas. Quer que nunca se penalize alguém, que não se tenha inveja, inimizade, aversão aos outros, que nunca se queira o mal, que não se pratique, e que a candura e a inocência presidam a todos os atos da vida, a todos os desígnios e projetos de tal sorte que todos em vez de terem motivo de se queixar de nós, estejam contentes de ter relações conosco.

Possuímos nós este primeiro carácter da ovelha do Bom Pastor?

SEGUNDO PONTO

A Mansidão, outra virtude que o Bom Pastor exige das Suas ovelhas

A ovelha é essencialmente mansa, e tão mansa que, sem se queixar, deixa que lhe tirem a lã e a levem ao matadouro. Se, pois, Nosso Senhor nos chama Suas ovelhas, é para que tenhamos o Seu carácter principal, que é a mansidão. Ele mesmo apareceu sobre a terra com a mansidão da ovelha (At 8, 32),  e só reconhecerá por Suas ovelhas as que forem marcadas com o selo desta mansidão. Para chegar a este ponto, é preciso sem dúvida mortificar as paixões que impacientam, reprimir os desejos que se irritam, se não são satisfeitos, corrigir o gênio que é melindroso, ter um coração todo caridoso que aspira a agradar ao próximo em todas as coisas (1Cor 10, 33). Mas quão bem indenizado se é do que isto custa com a tranquilidade da alma que se goza, com a paz com Deus, com o próximo, conosco, que é a sua recompensa desde este mundo!

“Bem-aventurados os mansos porque eles possuirão a terra” – Beati mites quoniam ipsi possidebunt terram (Mt 5, 4)

Experimentemo-lo. A mansidão grangeia-nos amigos; a falta de mansidão suscita-nos sempre desgostos.

TERCEIRO PONTO

A Docilidade, última Virtude que o Bom Pastor exige das Suas ovelhas

Uma ovelha deixa-se conduzir sem custo, afeiçoa-se ao seu pastor, segue a sua voz ou a indicação do seu báculo, e se ela se desgarra, volta logo que o pastor a chama. Há nesta docilidade da ovelha uma grande lição. A docilidade em se deixar conduzir por obediência, é o carácter que mais distingue a verdadeira a sólida piedade (1). É o caminho seguro, o caminho da salvação, que Jesus Cristo nos indicou com o Seu exemplo (2). Com esta docilidade está-se sempre em paz, sempre contente, sempre certo de seguir bom caminho; enquanto que com o apego ao próprio senso, à própria vontade, se segue sempre um mau caminho; ninguém basta a si mesmo, diz São Basílio (3); e é uma loucura, acrescenta São Bernardo, querer ser senhor da sua própria conduta (Epist. 81). Sem a docilidade em se deixar conduzir, toda a piedade é falsa e mal entendida; não é mais que orgulho e presunção.

Quais são as nossas disposições a este respeito?

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Erunt omnes docibilis Dei (Jo 6, 45)

(2) Factus est omnibus obtemperantibus sibi causa salutis aeternae (Hb 10, 9)

(3) Nemo sibi sufficiens est ad electionem utilium (Orat. de Falic. V)

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo II, p. 301-304)