Meditação para o Dia 22 de Maio

Guido de Fontgallant é o modelo mais tocante para a nossa confiança e terno amor filial a Nossa Senhora. Aos 22 de maio fez a sua Primeira Comunhão. Jesus pediu-lhe um “sim” generoso e heroico, o sacrifício do seu ideal de sacerdócio e da vida. Na gruta de Lourdes, ouve o chamado de Nossa Senhora:

“Meu querido Guido, eu te virei buscar logo. Será num sábado. Arrebatar-te-ei dos braços de tua mamãe para te levar direitinho ao Céu”

E a Virgem veio buscá-lo. Era um sábado, 24 de janeiro de 1925.

“Que dia é hoje, mamãe? – pergunta o enfermozinho.

– “É sábado, meu filhinho”

– “Oh, é sábado?! Então é hoje que vou morrer. É o dia de Nossa Senhora. Ela me vai tirar dos braços de mamãe”

A mãe desata a chorar.

“Não chore, mamãe. Há de ser suave. Quando eu já não puder falar, diga a Jesus que O amo, que gosto muito Dele. Encoste-O aos meus lábios para que eu O beije”

Recebeu a Unção dos enfermos. Caiu em agonia. Depois, parecendo fitar uma visão, abre os bracinhos e murmura:

“Jesus, eu Vos amo”

Em seguida, mais baixo:

“Mamãe!”

Essa “Mamãe” não era, por certo, a Condessa de Fontgallant, mas sim a Mamãe do Céu, que o anjinho contemplava no êxtase da agonia. Viveu essa criança num heroico martírio de sete anos, e sempre a murmurar aquele “sim” a Jesus. Na idade em que as crianças ainda não pensam nas coisas graves e eternas, já estava Guido familiarizado com o pensamento da morte e, a cada sacrifício oculto, pequenino, porém heroico, repetia a mais bela palavra que se pode dizer a Jesus: “Sim”.

Que belo modelo de resignação e confiança!

Ó Maria, fazei que o imitemos no sim e no amor que Vos dedicou!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 157)