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Expõem-se as objeções que se costumam apresentar contra esta doutrina

Capítulo 8. Expõem-se as objeções que se costumam apresentar contra esta doutrina - Bálsamo Espiritual

I
A prática dos Conselhos Evangélicos não é necessária para a Perfeição Cristã

Não obstante o que se disse alma devota, talvez penseis que para possuir a perfeição, a santidade perfeita, se exige muito mais; primeiro que tudo perguntais que valia dou aos Conselhos Evangélicos, que não mencionei, e que hão de ter o primeiro lugar quando se trata da perfeição. Se os julgais indispensáveis, estais enganada. Primeiro, como diz Santo Tomás, só é preciso para a santidade à obediência aos mandamentos (ver Sum. Teol. 2-2 que. 184 a. 3) tão grande autoridade deveria bastar-vos, porém quero convencer-vos com razões evidentes. Os Conselhos Evangélicos são três, Pobreza, Obediência, Castidade perfeita. Porém se fosse verdade que a prática destes conselhos fosse necessária para se obter a santidade, talvez que só os frades e freiras pudessem aspirar a tal glória. Dela seriam excluídos os casados e todos que não sujeitam a mãos alheias a vontade própria, nem vivem de esmolas. Neste caso não seria verdade que Deus quer que todos sejam Santos, como em vários lugares afirma a Sagrada Escritura, pois não quer que todos os homens pratiquem os Conselhos. A ordem de sua Providência quer que uns observem a continência, outros se casem, sejam ricos, pobres, não desaprova o Senhor que algumas pessoas se governem a si, aprecia, porém os que se submetem à obediência sacrificando a vontade própria. No entanto, quer que todos se tornem Santos. É, pois, um erro verdadeiro pensar que os Conselhos Evangélicos são necessários para a santidade. Continue reading

Quem ama a Deus, não deve temer a Morte

Moriatur anima mea morte iustorum, et fiant novissima mea horum similia — “Morra a minha alma de morte dos justos, e sejam os meus novíssimos semelhantes aos deles” (Nm 23, 10)

Sumário. É certo que, sem uma revelação especial, ninguém pode ter a certeza infalível acerca da sua salvação; mas pode ter dela uma certeza moral aquele que se deu deveras a Deus, detesta os pecados cometidos, persevera na vida devota, e está disposto a antes morrer do que perder a graça divina; e, sobretudo, aquele que tem um desejo ardente de amar a Jesus Cristo, deseja vê-lo amado dos outros, e sente tristeza de o ver ofendido. Longe de aborrecer a morte, deve amá-la, porque o porá em estado de ver Deus face a face, e de gozá-lo por toda a eternidade. Continue reading

Excelentes sentenças sobre a misericórdia de Deus para conforto dos pusilânimes

Capítulo 4. Excelentes sentenças sobre a misericórdia de Deus para conforto dos pusilânimes - Bálsamo Espiritual
Quem perdendo a esperança do perdão divino se abandona à desesperação, não acredita que Deus é Onipotente; pois pensa que há pecados que Ele não possa perdoar; mas também o supõem mentiroso, pois tendo prometido pelo Profeta que apenas o pecador chorar suas culpas o Senhor as esquecerá de todas, contra isto dizem os descendentes de Caim: A gravidade do meu pecado impossibilita o perdão. Blasfemo, o que dizes? Se Deus não pode perdoar, vencido pela grandeza do pecado, tu o privas da Onipotência; se não quer per-doar, O acusas de mentiroso, pois não cumpre o que tantas vezes prometeu por meio dos Profetas.

O Salmo 144 diz que o Senhor é piedoso, clemente e mui misericordioso; manso e suave com todos, e que Sua misericórdia excede todas as Suas obras. Há, pois, coisa mais admirável do que haver criado o Céu com tantas estrelas que o iluminam, a terra com inumerável diversidade de animais, árvores, e tudo o mais, haver criado exércitos de Espíritos Angélicos? Quem ousaria afirmá-lo, se o Profeta não dissesse claramente que a misericórdia de Deus excede todas as Suas obras? Continue reading

Consolação para o homem que no fim da vida sinceramente se emenda

Capítulo 2. Consolação para o homem que no fim da vida sinceramente-se emenda - Bálsamo Espiritual
Tu que na velhice ou no fim da vida começastes a seguir o caminho da virtude, deixando as torpezas dos vícios e culpas, e que já é homem de vontade reta, para que te assustas e te domina a tristeza, como se não tivesses esperança de salvação?

Recorda-te de teu misericordioso e dulcíssimo Redentor, que veio ao mundo salvar pecadores; por eles encarnou, trabalhou, padeceu terrível Paixão, derramou Seu sangue, morreu! Continue reading

Diálogo entre a Sabedoria Eterna e um de seus servos

Capítulo 1. Diálogo entre a Sabedoria Eterna e um de seus servos - Bálsamo Espiritual
Sabedoria Eterna. — Não são discretos os que às vezes padece tribulações com pesar e queixas; pois meu paterno castigo e a vara com que os firo, procedem de profundo amor, o é suave e benigna, de forma que se pode considerar ditoso aquele que experimenta assim, pois sua aflição não procede de rigor e dureza, mas de meu terno amor; entenda-se isto, do qualquer gênero de cruz voluntariamente procurada, ou imposta, que gera virtudes; mas quando o aflito não se queira ver livre do mal contra minha vontade, antes o ofereça para minha glória eterna, com amorosa e humilde paciência; o grau desta é o quilate do seu prêmio. Grava o que te digo agora, escreve-o no íntimo do coração, e apareça sempre a teu espírito. Continue reading

Confiança em Deus

Confiança em Deus, Tesouros de Cornélio à Lápide

Fundamentos da confiança em Deus

Perguntais, diz São Bernardo, de que modo podeis saber se Deus vos perdoou? Vós o sabereis recordando a cura do paralítico: o Senhor disse-lhe: Levanta-te, toma teu leito e anda: Dicit ei Jesus: Surge, tolle grabatum tuum, et ambula (Jo 5, 8).

Deus perdoou-vos:

1.° Se vos levantais plenos de desejo das coisas celestiais;

2.° Se levais vosso leito, isto é, vosso corpo, se o subtrais ao império dos sentidos e das loucuras da terra, de modo que vossa alma não esteja sujeita às concupiscências dele; mas que ela, como é justo e necessário, governe o corpo e conduza-o até onde ele não queira ir; e

3.° enfim, se caminhais esquecendo o que deixais para trás, e avançando até o Céu que está diante de vós. Continue reading

A nossa Consagração à Santíssima Virgem

Capítulo 31: A nossa Consagração à Santíssima Virgem
Qualidades, que deve ter a nossa Consagração

Para que a nossa consagração à Mãe de Deus, possa ser agradável para ela e proveitosa para nós, deve ser sincera, isto é, não consistir somente em palavras e vãs protestações de fidelidade e de amor, mas partir de um coração profundamente cheio de respeito, de veneração e de ternura para com esta admirável Mãe. Deve ser perfeita e inteira, isto é, devemos oferecer e consagrar à glória de Maria o nosso espírito, o nosso corpo, todas as nossas faculdades, tudo o que possuímos, tudo o que somos, desejando depender dela em todas as coisas, como de Soberana Senhora e cara Mãe. Enfim, esta consagração deve ser irrevogável, uma vez que nos consagremos a Maria, devemos considerar-nos como não pertencendo já a nós mesmos, mas só como filhos, servos, súditos, escravos desta augusta Rainha, que deve reinar para sempre em nossos corações.

Ó Maria! Que ventura não é pertencer-vos, ser todo vosso, não viver senão para Jesus e para vós! Continue reading

Motivos de confiança no Patrocínio de Maria Santíssima

Capítulo 30: Motivos de confiança no Patrocínio de Maria Santíssima
Conhecimento que Maria tem das nossas necessidades

A Bem-aventurada Maria, Mãe de Deus, elevada ao seio da glória celeste, não se esquece de seus filhos degredados nesta terra de exílio. Como Mãe sensível é compassiva, não se despreza de voltar para nós seus olhos; conhece as nossas necessidades e misérias; vê os assaltos que nos dão os inimigos da salvação; ouve os nossos clamores; escuta as nossas preces e votos e acolhe-os com bondade. Esta divina Mãe viveu, como nós, neste vale de lágrimas; passou por terríveis provações, experimentou maiores tribulações do que as que nos oprimem; por isso o seu coração maternal se enternece com as nossas misérias, e está sempre pronto para nos socorrer. Que motivo pode haver mais próprio para nos inspirar a mais firme confiança nesta Mãe de bondade?

Dirijamo-nos a ela como a Protetora; invoquemo-la como Rainha de Misericórdia; consideremo-la sempre como refúgio, asilo, consolação e esperança. Continue reading

Sobre a dúvida de São José

Capítulo 13: Sobre a dúvida de São José
Prudência e Caridade de São José

Deus, cujos desígnios são impenetráveis, não quis revelar ao esposo de Maria o grande mistério que nela acabava de completar-se. Só depois que voltou de casa de Isabel é que José percebeu o estado em que Maria Santíssima se achava, o que o afligiu vivamente; mas, como ele era justo e não queria infamar esta esposa querida cuja virtude conhecia, resolveu deixá-la ocultamente. Exemplo admirável de doçura, prudência, moderação e caridade! A alta ideia, que ele tinha de santidade de sua casta esposa, não lhe permite que desconfie dela; suspende o seu juízo, poupa a reputação de Maria, tem para com ela as mesmas atenções, caridade e respeito, entrega tudo aos cuidados da divina Providência. Quantas suspeitas injuriosas, quantos juízos temerários, quantos pecados não evitaríamos nós, se tivéssemos a mesma prudência, reserva e caridade, quando julgamos ver algum defeito no procedimento do nosso próximo, quando somos tentados a julgá-lo e a condená-lo! Continue reading

Do segundo fruto da sexta palavra

Capítulo 26: Do segundo fruto da sexta palavra
Pode colher-se outro fruto da segunda explicação da palavra de Cristo: “Tudo está consumado”, pois dissemos com São João Crisóstomo que se concluiu com a morte de Cristo a sua trabalhosa peregrinação que não pode negar-se que foi excessivamente custosa, mas que também foi recompensada pelo pouco tempo da sua duração e pela glória e honra que dela lhe resultou. Foi de trinta e três anos: que é, porém o trabalho de trinta e três anos comparado com o descanso da eternidade. Sofreu o Senhor fome, sede, muitas dores e injúrias sem número, pancadas, ferimentos e até a morte, mas agora bebe torrentes de prazer, de prazer interminável. Humilhou-Se, é verdade, tornado o opróbrio dos homens, rebotalho da plebe (Sl 21) por pouco tempo. Deus, porém exaltou-O, e deu-Lhe um nome como não há outro; pois ao nome de Jesus dobrasse todo o joelho no Céu, na Terra, e no inferno (Fl 2). Continue reading

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