Meditação para o Dia 27 de Agosto

Segundo a Imitação de Cristo, Cap. XLVIII – L. III

A alma: Ó bem-aventurada mansão da cidade celestial! Ó dia claríssimo da eternidade, que nenhuma noite escurece, mas que sempre brilha com os raios da soberana verdade! Dia sempre alegre, sempre seguro, cuja felicidade não terá mudança. Oh! Quem me dera ver amanhecer este dia e passarem já as sombras das coisas perecedoras! Este ditoso dia já luz para os santos com seu eterno resplendor, porém, para nós, viajantes no deserto deste mundo, só de longe vislumbra e, como entre sombras, nos aparece. Os cidadãos do Céu sabem quão alegre seja aquele dia, mas os degradados filhos de Eva gemem de ver quão amarga e fastidiosa seja a vida presente. Os dias deste mundo são poucos e maus, cheios de dores e misérias. Neles o homem se mancha com muitos pecados, molesta-se com muitos temores, ocupa-se com muitos cuidados, distrai-se com muitas curiosidades e se embaraça com muitas vaidades, é cercado de erros, quebrantado de trabalhos, perseguido de tentações, afeminado pelos prazeres,atormentado pela pobreza. Oh! Quando virá o fim de todos estes males? Quando me lembrarei, Senhor, de Vós só? Quando me alegrarei plenamente em Vós? Quando gozarei da verdadeira liberdade sem impedimento nem embaraço de corpo e de espírito? Quando possuirei essa paz sólida, essa paz imperturbável e segura, essa paz interior e exterior, paz de todo permanente e invariável? Ó bom Jesus, quando me será dado vê-lO? Quando contemplarei a glória de Vosso reino? Quando me sereis tudo em todas as coisas? Quando estarei conVosco no reino que preparastes desde toda eternidade para os que Vos amam? Ai! Pobre e desterrado me vejo em terra inimiga, onde há guerra contínua e grandes infortúnios. Consolai o meu desterro, mitigai a dor de meu coração, que por Vós suspira com todo o ardor de seus desejos. Todo prazer do mundo é para mim penoso e tormentoso.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 258)