Meditação para o Dia 15 de Julho

Não se compreende cristão sem cruz.

“Ignorais – diz Bossuet que o nome de cristão significa homem destinado ao sofrimento?”

Os cristãos delicados, inimigos da dor, quase pagãos, querem Jesus, sim, adoram-nO e pretendem amá-lO, mas… Sem a cruz. Querem o Menino Jesus, sim, nos braços de Maria, cheio de encantos, porém, longe da gruta de Belém, da pobreza e miséria do estábulo, da companhia dos pobres e dos animais. Querem Jesus, sim, mas transfigurado no Tabor, resplandecente de glória, a provocar o êxtase e a admiração dos três discípulos Pedro, Tiago e João. Ah! O Tabor é montanha predileta dos cristãos delicados. Como lhes horroriza, porém, o Calvário! Como lhes é insuportável amontanha do martírio! Querem um Cristo de iluminuras, de arte e beleza, um Cristo resplandecente no Tabor e na Ressurreição! Páginas há do Evangelho que eles não podem ler, de duras que são, principalmente as que pregam a penitência e a luta contra as paixões e a tríplice concupiscência!

Jesus não nos vem sem a cruz! Esta é a condição para servi-lO e amá-lO.

“Se alguém quer ser meu discípulo, que se renuncie, tome a sua cruz de cada dia e me siga…”

E, para nos dar exemplo, vai Nosso Senhor adiante com a Sua cruz. Não, jamais encontrareis esse Jesus de vossos sonhos e loucas fantasias, ó delicados inimigos da cruz! Jesus sem cruz não existe! E, pois, também não se compreenderá um cristão sem cruz. Não pode o discípulo ser maior nem melhor que o Mestre!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 214)