Meditação para o Dia 14 de Julho

Diz misteriosamente o salmista que um abismo chama outro abismo: Abyssus, abyssum invocat. Sim, o abismo de nosso pecado chamou o abismo do sofrimento. Quando pecaram nossos primeiros pais, logo se fez sentir o castigo: a dor. Eva daria à luz aos seus filhos entre gemidos e dores – Partes in dolore. Adão comeria o pão com o suor do rosto, isto é, coma dor e o sacrifício – In sudore vultus tui… . Ali estavam os dois abismos do pecado e da dor. Um terceiro iria chamar os dois primeiros: o abismo da Misericórdia Divina. E este se abriu no Calvário. E os outros dois se precipitaram nele, no abismo da Cruz, isto é, no abismo do Amor Misericordioso. Sempre abismo a chamar abismos!

Muitas vezes, à Santa Margarida Maria e à confidente das suas santas chagas, a humilde Soror Marta da Visitação, Jesus repete que Seu Coração Divino e suas Chagas Divinas são abismo de misericórdia, oceano de misericórdia, de tal modo profundo e extenso que dá bem uma imagem do Infinito. Abismo cuja profundidade e vastidão são incomensuráveis! E há ainda quem, desconfiando sempre da Misericórdia infinita, queira medir as profundezas do abismo do Amor Misericordioso e julgar o Infinito pelo finito! Que insensatez! Que mesquinharia! Medir pelo egoísmo de nosso coração o imenso e eterno abismo de Misericórdia do Coração Sacratíssimo de Jesus! Abismo de miséria, cala-te e adora! Para a miséria, só a Misericórdia. Para um abismo, só outro abismo.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 213)