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Do sofrer os defeitos dos outros

Livro I. AVISOS ÚTEIS PARA A VIDA ESPIRITUAL

Capítulo XVI

1. Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te auxilie, para que os possas levar com seriedade. Continue reading

O Santo temor de Deus que deve procurar a alma devota

Apêndice. O Santo temor de Deus que deve procurar a alma devota - Bálsamo Espiritual
«Suplico-vos, cara filha, para honra de Deus não O temais, pois nenhum mal vos quer fazer, amai-O bastante para que vos queira fazer muito bem», falava assim São Francisco de Sales a uma alma devota (em suas cartas espirituais). Palavras que se não fossem ditas por um Santo, poderiam escandalizar muito, principalmente aos devotos. Eles diriam: este Santo desaprova pois o temor de Deus, que é o princípio da sapiência, e dom do Espírito Santo? Pode ser Santo quem exorta e pede a uma alma devota que não tema a Deus? Todavia são palavras dignas de um Santo e tão célebre na ciência espiritual como é São Francisco de Sales, permita, pois que vo-las repita. Não penseis que ele desaprova o temor de Deus, que é o princípio da sabedoria, e dom do Espírito Santo, e sim o temor que nasce da desconfiança, produz inquietação, e em vez de honrar a Deus, O desonra, eis o que quero expulsar da vossa consciência, não vos faria bem nenhum, e poderia fazer-vos muito mal.

O temor de Deus é o fundamento e base da perfeição cristã por isso é essencial até ás almas mais devotas e santas, e justamente são condenados os falsos místicos que ensinam que o temor de Deus se opõem á perfeição da caridade, isto é, ao amor de Deus, por isso desejo que sempre vos acompanhe para vos livrar do pecado, mas convém ter dele justa ideia para vos ajudar a obter a perfeição, de outro modo sereis pusilânime, desconfiada, medrosa, privada da paz do coração, refleti como deve ser o temor reto. Continue reading

A Misericórdia de Deus e as Ilusões do Pecador

Ne dixeris: Peccavi, et quid mihi accidit triste? Altissimus enim est patiens redditor — “Não digas: Pequei, e que mal me veio daí porque o Altíssimo, ainda que sofrido, é justiceiro” (Eclo 5, 4)

Sumário. Eis aí uma ilusão comum aos pecadores, a qual fez e ainda faz com que muitos se condenem. Os miseráveis dizem: Deus é misericordioso, e assim como no passado tem sido tão indulgente para conosco, sê-lo-á também no futuro. Consideremos, porém, que o Senhor não é só misericordioso, mas também justo. Por isso, quando estiver cheia a medida dos pecados que ele quer perdoar, faz descer os mais formidáveis castigos. Ah! Quantos daqueles que sempre adiavam a sua conversão, confiados na bondade divina, estão agora queimando no inferno! Continue reading

Colóquio espiritual, com que Jesus Cristo conforta a alma pecadora, que deseja emendar-se

Capítulo 5. Colóquio espiritual, com que Jesus Cristo conforta a alma pecadora, que deseja emendar-se - Bálsamo Espiritual
Amo os que me amam, minhas delícias consistem em estar com os homens. Amei tanto o mundo que por ele dei minha vida, para que os que cressem em mim não se condenassem e alcançassem a vida eterna. Minha filha, por ti trabalhei, padeci fome, sede, fui ultrajado e perseguido, por teus pecados fui chagado, oprimido, angustiado, sofri a morte, para tua justificação ressuscitei, o amor com que te adotei como filha, me decidi a padecer assim: faze, pois penitência de tuas culpas volta-te para mim, lava-te no sangue das minhas chagas; adorna-te com os merecimentos da minha vida: tudo te dou com boa vontade, e por ti os ofereço; como Pai amante, com os braços abertos saio ao teu encontro a receber-te nas minhas entranhas; para que, me ames como te amo, vem a mim para eu te santificar, só quero teu coração. Continue reading

Excelentes sentenças sobre a misericórdia de Deus para conforto dos pusilânimes

Capítulo 4. Excelentes sentenças sobre a misericórdia de Deus para conforto dos pusilânimes - Bálsamo Espiritual
Quem perdendo a esperança do perdão divino se abandona à desesperação, não acredita que Deus é Onipotente; pois pensa que há pecados que Ele não possa perdoar; mas também o supõem mentiroso, pois tendo prometido pelo Profeta que apenas o pecador chorar suas culpas o Senhor as esquecerá de todas, contra isto dizem os descendentes de Caim: A gravidade do meu pecado impossibilita o perdão. Blasfemo, o que dizes? Se Deus não pode perdoar, vencido pela grandeza do pecado, tu o privas da Onipotência; se não quer per-doar, O acusas de mentiroso, pois não cumpre o que tantas vezes prometeu por meio dos Profetas.

O Salmo 144 diz que o Senhor é piedoso, clemente e mui misericordioso; manso e suave com todos, e que Sua misericórdia excede todas as Suas obras. Há, pois, coisa mais admirável do que haver criado o Céu com tantas estrelas que o iluminam, a terra com inumerável diversidade de animais, árvores, e tudo o mais, haver criado exércitos de Espíritos Angélicos? Quem ousaria afirmá-lo, se o Profeta não dissesse claramente que a misericórdia de Deus excede todas as Suas obras? Continue reading

Consolação para o homem que no fim da vida sinceramente se emenda

Capítulo 2. Consolação para o homem que no fim da vida sinceramente-se emenda - Bálsamo Espiritual
Tu que na velhice ou no fim da vida começastes a seguir o caminho da virtude, deixando as torpezas dos vícios e culpas, e que já é homem de vontade reta, para que te assustas e te domina a tristeza, como se não tivesses esperança de salvação?

Recorda-te de teu misericordioso e dulcíssimo Redentor, que veio ao mundo salvar pecadores; por eles encarnou, trabalhou, padeceu terrível Paixão, derramou Seu sangue, morreu! Continue reading

Diálogo entre a Sabedoria Eterna e um de seus servos

Capítulo 1. Diálogo entre a Sabedoria Eterna e um de seus servos - Bálsamo Espiritual
Sabedoria Eterna. — Não são discretos os que às vezes padece tribulações com pesar e queixas; pois meu paterno castigo e a vara com que os firo, procedem de profundo amor, o é suave e benigna, de forma que se pode considerar ditoso aquele que experimenta assim, pois sua aflição não procede de rigor e dureza, mas de meu terno amor; entenda-se isto, do qualquer gênero de cruz voluntariamente procurada, ou imposta, que gera virtudes; mas quando o aflito não se queira ver livre do mal contra minha vontade, antes o ofereça para minha glória eterna, com amorosa e humilde paciência; o grau desta é o quilate do seu prêmio. Grava o que te digo agora, escreve-o no íntimo do coração, e apareça sempre a teu espírito. Continue reading

Confissão

Confissão, Tesouros de Cornélio à Lápide

Divindade da Confissão

No dia da Ressurreição, Jesus Cristo apresentou-Se no meio de seus discípulos e disse-lhes: A paz esteja convosco! E repetiu-lhes: A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, assim Eu vos envio: Sicut missit me Pater, et ego mitto vos (Jo 20, 19-21). E, depois, que pronunciou estas palavras, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo; ficarão perdoados os pecados daqueles a quem vós os perdoardes; e ficarão retidos os de quem retiverdes: Haec cum dixisset, insuflavit, et dixit eis: Accipite Spiritum Sanctum; quórum remisseritis peccata, remittuntur eis; et quoum retinueritis, retenta sunt (Jo 20, 22-23).

Conta-nos São Marcos que Jesus Cristo disse a seus discípulos: Empenho- vos minha palavra que tudo o que atardes sobre a terra será atado no céu; e tudo o que desatares sobre a terra, será isso mesmo desatado nos céus: Amen dico vobis, quaecumque ligaveritis super terram, erunt ligata et in coelho, et quaecumque solveritis super terram, erunt soluta in coelo (Mc 17, 18).

Daqui infere-se que, para perdoar ou reter os pecados, para atar ou desatar as consciências, é necessário conhecer as faltas que foram cometidas. E como conhecê-las sem a Confissão? Continue reading

Motivos de confiança no Patrocínio de Maria Santíssima

Capítulo 30: Motivos de confiança no Patrocínio de Maria Santíssima
Conhecimento que Maria tem das nossas necessidades

A Bem-aventurada Maria, Mãe de Deus, elevada ao seio da glória celeste, não se esquece de seus filhos degredados nesta terra de exílio. Como Mãe sensível é compassiva, não se despreza de voltar para nós seus olhos; conhece as nossas necessidades e misérias; vê os assaltos que nos dão os inimigos da salvação; ouve os nossos clamores; escuta as nossas preces e votos e acolhe-os com bondade. Esta divina Mãe viveu, como nós, neste vale de lágrimas; passou por terríveis provações, experimentou maiores tribulações do que as que nos oprimem; por isso o seu coração maternal se enternece com as nossas misérias, e está sempre pronto para nos socorrer. Que motivo pode haver mais próprio para nos inspirar a mais firme confiança nesta Mãe de bondade?

Dirijamo-nos a ela como a Protetora; invoquemo-la como Rainha de Misericórdia; consideremo-la sempre como refúgio, asilo, consolação e esperança. Continue reading

Do terceiro fruto da sexta palavra

Capítulo 27: Do terceiro fruto da sexta palavra
Além daqueles frutos, há um terceiro que podemos colher da sexta palavra; aprendermos a oferecer nós mesmos, como sacerdotes espirituais, espirituais sacrifícios, como diz São Pedro (1Pd 2); ou como o Apóstolo São Paulo nos ensina (Rm 12) a oferecermos os nossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus; que é o culto racional que Lhe devemos. Pois se aquelas expressões: Tudo está consumado, significa que se concluiu na cruz o sacrifício do Sumo Sacerdote; justo é que os discípulos do Crucificado, desejando imitar o seu Mestre, ofereçam também a Deus sacrifício do modo porque podem, isto é, segundo o seu pouco e a sua pobreza. Ensina-nos o Apóstolo São Pedro que todos os cristãos são sacerdotes, não propriamente ditos, como os que são ordenados pelos bispos na Igreja Católica, para oferecerem o sacrifício do Corpo de Cristo; mas sacerdotes espirituais, isto é, como ele mesmo declara, para oferecerem sacrifícios espirituais, não vítimas propriamente ditas, como eram no Antigo Testamento, ovelhas, bois, rolas e pombas, e no Novo o Corpo de Cristo na Eucaristia; porém vítimas místicas que todos podem oferecer, como orações, louvores e boas obras, jejuns e esmolas, das quais diz o Apóstolo São Paulo:

“Ofereçamos, pois por ele a Deus, sem cessar, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13)

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