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Deveres dos filhos

Deveres dos filhos, Tesouros de Cornélio à Lápide

Primeiro dever dos filhos a respeito de seus pais: o amor

Honra teu pai e tua mãe, diz o Senhor em seu Quarto Mandamento, para que viva longos anos sobre a terra: Honora patrem tuum et matrem tuam, ut sis longevus super terram (Ex 20, 12).

Este quarto preceito obriga, desde cedo, a que os filhos amem a seus pais.

Todos os deveres do homem com relação a Deus estão contidos nos três primeiros Mandamentos; seus deveres com relação ao próximo acham-se incluídos nos sete restantes. E como, na terra, o pai e a mãe ocupam o primeiro posto, Deus põe o Quarto Mandamento como primeiro dos sete que nos ligam ao próximo.

São Paulo observa que é o primeiro mandamento ao qual Deus fez acompanhar uma promessa: Quod est mandatum primum in promissione (Ef 6, 2). Deus valeu-se do termo honrar melhor do que amar, porque a palavra honrar abarca tudo, diz o Catecismo do Santo Concílio de Trento. Continue reading

Cruz

Cruz, Tesouros de Cornélio à Lápide

Poder da Cruz e graças que dela emanam

Vossa Cruz, ó meu Jesus, diz São Leão, é manancial de todas as bênçãos, causa de todas as graças; por Ela, aqueles que creem merecem achar forças em sua debilidade, glória no opróbrio, vida na morte[1].

O eloquente Doutor São João Crisóstomo enumera também os tesouros e as graças que nos vem da Cruz. Ele ensina que a Cruz é a esperança dos cristãos, a salvação dos desesperados, o báculo dos coxos, o consolo dos pobres, o freio dos ricos, a perdição dos orgulhosos, o castigo dos maus. Faz-nos triunfar, do demônio, doma o Inferno, instrui a juventude, sustenta aos débeis e aviva a esperança nos corações abatidos; é o piloto dos que sulcam as águas do mundo, o porto dos náufragos, um muro impenetrável que protege os cristãos contra as emboscadas de todos os seus inimigos. É mãe dos órfãos, defesa das viúvas, consolo dos justos, asilo dos aflitos e desamparados. É guarda das crianças, apoio da idade viril, socorro dos anciãos, para os quais alcança a graça de uma boa morte. É luz que ilumina aos que estão submersos nas trevas e sabedoria daqueles que o mundo estúpido, cego e ímpio mira como insensatos. Continue reading

Confiança em Deus

Confiança em Deus, Tesouros de Cornélio à Lápide

Fundamentos da confiança em Deus

Perguntais, diz São Bernardo, de que modo podeis saber se Deus vos perdoou? Vós o sabereis recordando a cura do paralítico: o Senhor disse-lhe: Levanta-te, toma teu leito e anda: Dicit ei Jesus: Surge, tolle grabatum tuum, et ambula (Jo 5, 8).

Deus perdoou-vos:

1.° Se vos levantais plenos de desejo das coisas celestiais;

2.° Se levais vosso leito, isto é, vosso corpo, se o subtrais ao império dos sentidos e das loucuras da terra, de modo que vossa alma não esteja sujeita às concupiscências dele; mas que ela, como é justo e necessário, governe o corpo e conduza-o até onde ele não queira ir; e

3.° enfim, se caminhais esquecendo o que deixais para trás, e avançando até o Céu que está diante de vós. Continue reading

Bondade de Deus

Bondade de Deus, Tesouros de Cornélio à Lápide

Deus é a própria bondade por natureza

O próprio Deus é a bondade, é fazer o bem… Não é Deus quem nos impõe os males, e os suplícios que sofremos; somos nós quem os atraímos.

São Paulo chama a Deus “Pai das Misericórdias”: Pater misericordiarum (2 Cor 1, 3). E o é com justiça, diz São Bernardo; porque Deus não e o Pai das condenações, e dos castigos. É Ele o Pai das Misericórdias, porque, por natureza, é causa e origem do bem. Os juízos severos e os castigos vêm de nós; nossos pecados no-los atraem (Serm. V, in Nativ. Dom.).

Deus é o Pai das Misericórdias. Nossas misérias são tão grandes e multiplicadas, que o real profeta Davi não pede a Deus que nos trate segundo sua misericórdia, senão segundo a multidão de suas misericórdias: Secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam (Sl 4, 3).

Eis que o Senhor sairá de sua morada, e descendo de seu trono atropela as grandezas da terra, diz o profeta Miqueias: Ecce Dominus egreditur de loco suo, et descendet, et calcabit super excelsa terrae (Mq 1, 3). Continue reading

Amor a Deus

Amor a Deus, Tesouros de Cornélio à Lápide

Há dois amores

Há dois amores: o amor à concupiscência ou amor imperfeito; e o amor de pura caridade ou amor perfeito. Por meio do amor de concupiscência ou imperfeito, dedicamo-nos a agradar a Deus somente para que nos dê a recompensa da glória eterna. Este amor é bom, porém trata-se muito mais de um ato de esperança que de um ato de caridade.

O amor perfeito, pelo qual nos esforçamos a agradar a Deus e queremos nos submeter à sua vontade, consiste em amar-lhe unicamente por ser Ele quem é, e não pela recompensa que aos bons promete. Este amor é propriamente a caridade perfeita. Continue reading

Anunciação da Santíssima Virgem Maria

Capítulo 9: Anunciação da Santíssima Virgem Maria
Prodígio do amor de Deus neste mistério

Consideremos o incompreensível amor, a bondade, a misericórdia e a sabedoria infinita de Deus, que resolveu salvar o mundo por um meio tão admirável, como é a Encarnação do divino Verbo, e conheçamos quão terrível é o pecado de que Ele nos quis livrar, pois que foi necessário aplicar um remédio tão extraordinário. Bendigamos ao Senhor pela sua misericórdia e rendamos-Lhe mil ações de graças por ter escolhido a divina Maria para dar ao mundo o nosso adorável Salvador. Saudemos com o Anjo esta Virgem bem-aventurada, e tributemos-lhe todos os respeitos e homenagens devidas à Mãe de Deus, à soberana do universo. Continue reading

Do quarto fruto da última palavra

Capítulo 35: Do quarto fruto da última palavra
Segue-se o quarto fruto, que se pode colher da felicíssima atenção com que foi ouvida a oração do Senhor, para que nós, animados com tão lisonjeiro resultado, mais nos inflamemos em Lhe encomendarmos o nosso espírito, pois com toda a verdade o Apóstolo deixou escrito (Hb 5) que Nosso Senhor Jesus Cristo fôra atendido pela Sua reverência. Tinha o Senhor pedido a seu Pai, como acima demonstramos que não fosse demorada a ressurreição do Seu corpo, foi ouvida aquela oração, para que a ressurreição se não demorasse mais tempo do que o preciso para se acreditar, que sem dúvida o corpo do Senhor morrera, pois se não pudesse provar-se que assim fôra, a Sua ressurreição, e a fé cristã ficava sem base. Continue reading

Do primeiro fruto da sétima palavra

Capítulo 32: Do primeiro fruto da sétima palavra
Desta última palavra e da morte de Cristo, que depois dela se seguiu, vamos, segundo o nosso costume, colher alguns frutos. Em primeiro lugar vejo, que de uma coisa que parece não poder indicar senão muita fraqueza e muita estultícia, se demonstra o poder, a sabedoria e a caridade de Deus no grau o mais subido, pois no grande brado, com que expirou, bem se deixa ver o Seu poder, e daqui se colige que Ele podia deixar de morrer, e que morreu, porque assim o quis. Os que morrem naturalmente vão pouco a pouco perdendo as forças e a voz, não podendo gritar na última respiração; foi por isto que o centurião, vendo que Jesus depois de ter derramado tanto sangue, expirara, bradando fortemente, disse não sem motivo:

“Na verdade este homem era filho de Deus” (Mc 15)

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Do terceiro fruto da sexta palavra

Capítulo 27: Do terceiro fruto da sexta palavra
Além daqueles frutos, há um terceiro que podemos colher da sexta palavra; aprendermos a oferecer nós mesmos, como sacerdotes espirituais, espirituais sacrifícios, como diz São Pedro (1Pd 2); ou como o Apóstolo São Paulo nos ensina (Rm 12) a oferecermos os nossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus; que é o culto racional que Lhe devemos. Pois se aquelas expressões: Tudo está consumado, significa que se concluiu na cruz o sacrifício do Sumo Sacerdote; justo é que os discípulos do Crucificado, desejando imitar o seu Mestre, ofereçam também a Deus sacrifício do modo porque podem, isto é, segundo o seu pouco e a sua pobreza. Ensina-nos o Apóstolo São Pedro que todos os cristãos são sacerdotes, não propriamente ditos, como os que são ordenados pelos bispos na Igreja Católica, para oferecerem o sacrifício do Corpo de Cristo; mas sacerdotes espirituais, isto é, como ele mesmo declara, para oferecerem sacrifícios espirituais, não vítimas propriamente ditas, como eram no Antigo Testamento, ovelhas, bois, rolas e pombas, e no Novo o Corpo de Cristo na Eucaristia; porém vítimas místicas que todos podem oferecer, como orações, louvores e boas obras, jejuns e esmolas, das quais diz o Apóstolo São Paulo:

“Ofereçamos, pois por ele a Deus, sem cessar, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13)

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Do terceiro fruto da terceira palavra

Capítulo 11: Do terceiro fruto da terceira palavra
Em terceiro lugar aprendemos da cadeira da Cruz, e das palavras por Cristo dirigidas a sua Mãe e ao discípulo, quais são as obrigações dos bons pais para com seus filhos, e os deveres dos bons filhos para com seus pais. Comecemos por aquelas.

Devem os bons pais amar seus filhos; de modo, porém, que este amor não se oponha ao amor de Deus: e é por isto, que o Senhor diz no Evangelho:

“Quem ama seu filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10)

Isto cumpriu com todo o rigor possível a Bem-aventurada Virgem; pois estava junto da Cruz, sofrendo a maior dor com a maior constância. Aquela dor era a prova do sumo amor a seu Filho, pendente da Cruz; aquela constância asseverava a sua muito submissa obediência a Deus: doía-se de que seu Filho inocente, que afetuosissimamente amava, fosse atormentado de cruelíssimas dores; mas nem por isso a elas obstaria por palavras ou por obras, ainda que pudesse, porque sabia que Ele padecia aqueles martírios por determinação e presciência de Deus Pai (At 2). Continue reading

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