Meditação para o Dia 10 de Novembro

“Nada mais triste – escreveu Frederico Ozanan – nada mais desolador do que o vácuo aberto pela morte em redor de nós. Conheci esse tormento depois da morte de minha mãe, porém, durou pouco. Não tardaram a vir outros momentos, em que cheguei a compreender que não estava só e que algo, de uma suavidade infinita, passou-se dentro de mim. Era uma confiança que não me havia abandonado. Era uma presença benfazeja, embora invisível. Era como se uma alma estremecida me acariciasse, de passagem, com a ponta de suas asas. E, assim como outrora, eu reconhecia agora os passos, a voz, a respiração de minha mãe. Quando um bafejo aquecia, reanimava as minhas forças, quando uma ideia nobre preponderava em meu espírito, quando um impulso generoso abalava a minha vontade, logo me vinha o pensamento de que partia dela. Há instantes de comoção súbita em que me parece ver minha mãe ao meu lado. Há certas hora sem que se estabelece uma espécie de diálogo entre os nossos corações, e então choro mais, talvez, do que nos primeiros meses, mas a essa melancolia se mistura uma paz inefável. Quando pratico o bem, quando faço qualquer coisa pelo pobre a quem ela tanto socorria, quando estou em paz com Deus, que ela tão bem serviu, – parece-me que ela me sorri de longe. Às vezes, ao rezar, julgo ouvi-la rezando comigo. Finalmente, quando comungo, quando o Salvador vem visitar-me, afigura-se-me que ela O segue até o meu coração, como tantas vezes o seguia, em viático, à casa dos pobres. E, então sinto A PRESENÇA REAL DE MINHA MÃE JUNTO DE MIM!”

Oh! Como é consolador chorar com a saudade benfazeja de uma santa mãe já morta!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 337)