Meditação para o Dia 28 de Janeiro

Há muitas almas cristãs que vivem e pensam como pagãos. Escandalizam-se coma cruz. Não se conquista o prêmio sem luta, sem sacrifício. Descanso, paz, gozo perfeito, só no Céu. A terra é lugar de combate. Disse-o o profeta Jó:

“A vida do homem neste mundo é um combate”

Aqui na terra não haverá descanso completo. Adoremos os desígnios de Deus, que assim permitiu para que mais meritória se tornasse a nossa conquista do Céu! Na adversidade é que se conhece quem tem verdadeira ou falsa devoção. Ser devoto fervoroso, quando tudo nos corre bem na vida, quando a fortuna nos sorri, quando as honras e a glória nos seguem, não é tão meritório nem pode dar bem a conhecer se a devoção é realmente sólida e sincera. Disse com razão Santo Afonso, que é na provação que se conhece a virtude de uma alma. Muitas almas mimosas, delicadas e suscetíveis, só fazem a vontade de Deus enquanto Deus lhes faz a própria, quando tudo lhes corre bem na vida. No sofrimento, na adversidade, abandonam a Deus, queixam-se da Providência, blasfemam contra a Bondade Divina. Falsa piedade! Falsos devotos! Se, à luz da fé, olharmos as coisas deste mundo, chegaremos à conclusão de que aqui, muitas vezes os males não são males, os bens não são bens, e de que há desgraças que são golpes da Providência, e sucessos que são castigos.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 37)