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A Pré-História Bíblica: O Dilúvio Bíblico

Lição 1: Exame do texto de Gn 6-9

Logo após a linhagem dos setitas, o texto sagrado apresenta o dilúvio bíblico. Tal episódio se reveste de grande importância no contexto de Gn 1-11: ocupa quatro capítulos (6-9) e significa mais uma expressão do pecado, que, iniciado pelos primeiros pais, se vai alastrando cada vez mais.

O episódio do dilúvio tem-se prestado a comentários por vezes fantasistas, que destoam da mensagem do texto sagrado. Por isto começamos o estudo desse trecho bíblico examinando atentamente os seus dizeres. Continue reading

O Hexaémeron

A quarta etapa do nosso Curso apresenta a exegese de textos bíblicos seletos, a começar pela “pré-história bíblica” (Gn 1-11).

Lição 1: A pré-história bíblica

A seção de Gn 1-11 chama-se “pré-história bíblica” porque se refere a acontecimentos anteriores à história bíblica, que começou com o Patriarca Abraão (séc. XIX ou 1850 a.C.). Por conseguinte, a pré-história bíblica não coincide com a pré-história universal, que vai desde tempos imemoriais até o aparecimento da escrita (8000 a.C.?). Continue reading

Primeira Epístola de São João. Prefácio de seu Evangelho. A lei da Caridade

Capítulo 17: Primeira Epístola de São João. Prefácio de seu Evangelho. A lei da Caridade

I

Estando escrito o Evangelho, era mister fazê-lo conhecido das Igrejas cristãs; São João dizia mais tarde no Apocalipse:

“Vi um anjo voar pelo meio do céu, levando o Evangelho eterno, para o anunciar aos que habitam na terra, e a toda a nação, tribo, língua e povo. Dizendo em alta voz: Temei ao Senhor e o honrai; porque chegou a hora de seu juízo. Adorai aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas” (1)

Esta divulgação universal devia ser em breve a do Evangelho de São João.

O apóstolo começou por endereçá-la em pessoa aos fiéis da Ásia. Esse é, cremos, o fim de sua primeira Epístola. Seu Evangelho dizia: No princípio era o Verbo… A Epístola, fazendo alusão a isso, começava por estas palavras idênticas: O que foi desde o princípio, o Verbo da vida, vo-lo anunciamos. Pediram-lhe que escrevesse o Evangelho, acabava de fazê-lo; e desta satisfação dada à Igreja dizia:

“Escrevemos estas coisas para que vos alegreis, e que a vossa alegria seja completa” – Et haec scribimus vobis, ut gaudeatis et gaudium vestrum sit plenum (1Jo 1, 4)

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O Verbo abreviado

Texto escrito por Pe. de Lubac, extraído do livro “Exegese Medieval. Os quatro sentidos da Escritura”, vol. III.

Em Jesus Cristo, que era a finalidade, a antiga Lei encontrou precedentemente a sua unidade. Século após século, tudo nessa Lei convergia para Ele. É Ele que, da totalidade das Escrituras, formava já a única Palavra de Deus.

Nele, os “verba multa” (as muitas palavras) dos escritores bíblicos tornam-se para sempre Verbum unum – “Palavra única”.
Sem Ele, ao invés, o laço se dissolve: de novo a palavra de Deus se reduz a fragmentos de “palavras humanas; palavras múltiplas, não somente numerosas, mas múltiplas por essência e sem unidade possível, porque, como constata Hugo de São Vítor, multi sunt sermones hominis, quia cor hominis unum non est – “Muitas são as palavras do homem, porque o coração do homem não é uno”. Continue reading

Filhos de Deus não se nasce, torna-se!

No lado esquerdo: Sapientia aedifleavit sibi domum, excidit columnas septem – “A Sabedoria edificou sua casa, talhou sete colunas” (Pv 9, 1). Do lado direito: Rursum dimisit columbam ex area. At illa venit ad eum – “


Por Pe. Ignace de La Potterie

A Igreja celebrou há pouco com o Santo Natal o nascimento no tempo do Unigênito eterno Filho de Deus.

Segundo uma teologia cada vez mais difusa, com a encarnação do Filho derivaria de maneira automática a atribuição imediata da filiação divina a cada homem. No sentido que todo homem, que o saiba ou não, que o aceite ou não, vive já radicalmente em Cristo. Segundo esta teologia, Cristo, ainda antes de ser o chefe da Igreja, é o chefe de toda a criação. Todo homem lhe pertence antes mesmo de ser alcançado e transformado pelo Seu Espírito.

Esta concepção pretende encontrar um aval na afirmação de São Tomás de Aquino segundo o qual “considerando a generalidade dos homens, por todo o tempo do mundo, Cristo é o chefe de todos os homens, mas segundo graus diversos” (Summa theologiae III, 8,3) retomada da constituição pastoral Gaudium et spes do último Concílio:

“Com a encarnação o Filho de Deus uniu-Se de algum modo a todo homem” (22)

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