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Evangelho segundo São João

Lição 1: O autor do IV Evangelho

Nos últimos dois séculos discutiu-se muito a autoria do IV Evangelho: tocaria a João, filho de Zebedeu e Salomé (cf. Mc 15,40; Mt 27,50; Mt 20,20), irmão de Tiago o maior (cf. Mc 1,16-20)?

Depois de calorosamente debater o assunto, a crítica hoje aceita a autoria de João Apóstolo, baseada nas seguintes verificações, tiradas do texto do próprio Evangelho:

1) O autor do IV Evangelho é judeu da Palestina1.

Conhecia bem a geografia da Palestina: Caná (2,1); Enom, junto a Salim (3,23); Sicar (4,5); sinagoga de Cafarnaum (6,59); Efraim (11,54); Cedron e Horto das Oliveiras (18,1); Gábata ou Litóstrotos (19,13), Betânia da Transjordânia e Betânia de Lázaro (1,28 e 11,18). Continue reading

Evangelho segundo Lucas

Lição l: Lucas, autor do 3º Evangelho

1. São Lucas não era judeu, mas gentio de Antioquia da Síria; cf.-Cl 4,10­14. Era homem culto e formado em medicina. Não se pode dizer com segurança quando se converteu ao Cristianismo. Associou-se a São Paulo em trechos da segunda e da terceira viagens missionárias; cf. At 16,10-37; 20,5-21,18. Em 60 embarcou com Paulo para Roma (At 27,1-28,16), permanecendo-lhe fiel durante o primeiro cativeiro (cf. Cl 4,14; Fm 24): Acompanhou o Apóstolo também no segundo cativeiro romano; cf. 2Tm 4,11.

2. A este discípulo a Tradição atribui o 3º Evangelho. Eis o testemunho de um dos prólogos latinos anteposto ao 3º Evangelho em fins do séc. II:

‘Lucas foi sírio de Antioquia, de profissão médica, discípulo dos Apóstolos; mais tarde seguiu Paulo até a confissão (martírio) deste, servindo irrepreensivelmente ao Senhor. Nunca teve esposa nem filhos; com oitenta e quatro anos morreu na Bitínia, cheio do Espírito Santo. Já tendo sido escritos os Evangelhos de Mateus, na Bitínia, e de Marcos, na Itália, impelido pelo Espírito Santo, redigiu este Evangelho nas regiões da Acaia, dando a saber logo no inicio que os outros (Evangelhos) já haviam sido escritos”.

Estes dizeres, simples e claros, resumem os principais dados da Tradição sobre o assunto. Continue reading

Evangelho segundo Marcos

Lição 1: Marcos, autor do 2 o Evangelho

1. Marcos não foi um dos doze apóstolos, mas discípulo destes, especialmente de Pedro, que o chama seu filho (1 Pd 5,13), talvez porque o tenha batizado.

São Marcos foi companheiro de São Paulo no começo de sua primeira viagem missionária (cf. At 13,5), mas não prosseguiu até o fim (cf. At 13,13). Por isto o Apóstolo não o quis levar em sua segunda expedição missionária (cf. 15,37-40). Todavia Marcos reaparece como colaborador de São Paulo no primeiro cativeiro romano do Apóstolo (cf. Cl 4,10; Fm 23s); no fim da vida, São Paulo lhe faz um elogio: “é-me útil no ministério” (2Tm 4,11). Há quem veja em Mc 14,51 uma alusão ao próprio Marcos.

A tradição lhe atribui a redação do segundo Evangelho. A propósito o testemunho mais importante é o de Pápias (t 135), bispo de Hierápolis (Ásia Menor), de grande autoridade:

“Marcos, intérprete de Pedro, escreveu com exatidão, mas sem ordem, tudo aquilo que recordava das palavras e das ações do Senhor; não tinha ouvido nem seguido o Senhor, mas, mais tarde…, Pedro. Ora, como Pedro ensinava adaptando-se às várias necessidades dos ouvintes, sem se preocupar com oferecer composição ordenada das sentenças do Senhor, Marcos não nos enganou escrevendo conforme se recordava; tinha somente esta preocupação: nada negligenciar do que tinha ouvido, e nada dizer de falso” (cf. Eusébio, História Eclesiástica III, 39,15).

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Evangelho segundo Mateus

Lição 1: Mateus, autor do 1° Evangelho

1. Mateus, também dito Levi, era publicano ou cobrador de impostos. Chamado por Jesus, logo deixou tudo; cf. Mt 9,9-13; Mc 2,14-17; Lc 5,27-32. Nada mais nos dizem os Evangelhos sobre Mateus. Afirmam outras fontes que, após a Ascensão de Jesus, se dedicou ao apostolado entre os judeus; depois, terá pregado aos pagãos da Etiópia, onde deve ter morrido mártir.

2. A tradição atribui a Mateus a redação do primeiro Evangelho. Tenha-se em vista o mais antigo testemunho, que é o de Pápias, bispo na Frigia, datado de 130 aproximadamente:

“Mateus, por sua parte, pôs em ordem os logia (dizeres) na língua hebraica, e cada um depois os traduziu (ou interpretou) como pôde” (ver Eusébio, História da Igreja III 39,16).

Neste texto Pápias designa o primeiro Evangelho como dizeres, “logia“, visto que realmente nesse livro chamam a atenção os discursos de Jesus, dispostos de maneira ordenada ou sistemática. Este Evangelho, escrito em língua hebraica ou, melhor, aramaica (já que o hebraico cairá em desuso no séc. VI a. C.), foi logo por diversos pregadores traduzido para o grego, já que o hebraico só era usual na terra de Israel. Vê-se, pois, que Mateus escreveu no próprio país de Jesus, tendo em vista leitores cristãos convertidos do judaísmo. Continue reading

Introdução Geral aos Evangelhos

Lição 1: Generalidades

1. A palavra “Evangelho” vem do grego “evangélion“, o que significa “Boa Notícia”.

Entre os cristãos, este vocábulo passou a designar a mensagem de Jesus Cristo, “aquilo que Jesus fez e disse” (At 1,1). Dai fez-se a expressão “Evangelho de Cristo”, que significa o Evangelho pregado por Jesus Cristo e a mensagem que Ele nos trouxe da parte do Pai.

O Evangelho, segundo a linguagem do Novo Testamento, é mais do que uma doutrina; é força renovadora do mundo e do homem; produz uma nova criação, como se deduz das palavras de Jesus:

“Ide e anunciai a João o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (Mt 11,4­6)

O membro final da frase “os pobres são evangelizados” resume os antecedentes: o Evangelho, levado a todos os carentes, implica a instauração de nova ordem de coisas; o homem ferido pelo pecado é redimido deste e das conseqüências deste, das quais a mais grave é a morte (ver penúltimo membro da frase citada). Continue reading

São João na Ressurreição

Capítulo 9: São João na Ressurreição

I

As memórias de João nos transportam em seguida a três dias mais tarde. O discípulo retirara-se para uma casa em Jerusalém, talvez sua própria casa, como o insinua São Lucas, na qual hospedara a mãe de Deus, e que Nicéforo e outros historiadores dizem estar situada na colina de Sion. Pedro ali se achava com ele, acabrunhado pelos remorsos (1).

Foi ali que chegou à João a primeira notícia de um fato maravilhoso. No domingo pela manhã, entra precipitadamente uma mulher. Era Maria Madalena que corre e diz:

“Levaram o Senhor do sepulcro e não sei onde o puseram” – Cucurrit ergo Maria Magdalene, et venit ad Simonem Petrum et ad alium discipulum quem amabat Jesus, et dicit illis: Tulerunt Dominum de monumento, et nescimus ubi pouerunt eum (Jo 20, 2)

Que foi? Que veio esta mulher contar? E o que tinha visto?

Pela manhã algumas mulheres da Galileia, entre as quais o Evangelho cita Maria, mãe de Tiago o Menor ou o Justo; Salomé, mãe de João; Joanna, mulher de Chusa, da casa de Herodes, muito cedo se haviam dirigido ao sepulcro de Jesus. Era o sepulcro situado no centro de um jardim sobre a encosta da montanha do Calvário, e cavado no rochedo como se veem ainda os túmulos das Patriarcas e dos Reis de Judá. Essa gruta sepulcral e esse jardim eram de um Judeu distinto, José de Arimateia, que, auxiliado por Nicodemos, ali depositara o corpo do divino Mestre, depois de tê-lO perfumado e envolvido em tiras, como era costume no Oriente. Mas esse embalsamamento rápido, preparado às pressas na véspera de um sábado, era insuficiente. A fim, pois, de concluir o trabalho de piedade suprema, as santas mulheres para lá se dirigiam antes mesmo do amanhecer, levando consigo vasos cheios de aromas, inquietas, porém, perguntando-se entre si, quem levantaria a pedra que fechava o sepulcro. Continue reading

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