Capítulo 1: Motivos que devem incitar-nos a celebrar este mês com fervor
A dignidade incomparável de Maria Santíssima

A Virgem Maria reúne em grau eminente todas as qualidades mais próprias para nos inspirar os sentimentos da mais profunda veneração para com ela. É a mais santa de todas as criaturas, a obra prima das mãos de Deus, a Rainha do céu e da terra, a protetora e Mãe dos cristãos, a dispensadora de todas as graças, e, o que excede tudo o que espírito humano pode compreender, é a Mãe de Deus, dela nasceu o adorável Jesus. Estas inefáveis prerrogativas a tornam muito superior a todos os Anjos e Santos, e lhe dão os mais incontestáveis direitos sobre os nossos corações. Tenhamos, pois, sempre para com esta divina Mãe respeito sincero, amor filial, e ilimitada confiança.

Amemos a Mãe de Deus, exclama São Bernardo, amemo-la com toda a extensão de nossos corações, e com toda a ternura de nossos afetos; tributemos-lhe todas as honras devidas à maternidade divina»

Na verdade, lembrando-nos que Maria é Mãe do Criador, nunca teremos por excessivos os testemunhos de nossa veneração para com ela, quanto fizermos, nunca será bastante para honrar Aquela a quem o mesmo Deus tanto honrou. Ah! Pelo menos, consagremos todo este mês à sua glória, não deixemos de vir um só dia junto do seu altar a celebrar os seus louvores e oferecer-lhe o tributo do nosso amor e gratidão.

O exemplo dos Santos, que todos foram seus devotos

A devoção à Mãe de Deus tem sido em todos os séculos as delícias dos maiores Santos. Nenhum há de entre eles, que a não tenha amado com ternura e invocado com respeitosa confiança. Seria impossível dizer tudo quanto lhes inspirou o zelo pela glória desta incomparável Virgem; tudo quanto fizeram, quanto disseram, quanto escreveram para celebrar suas grandezas, propagar seu culto por todo o universo, instituir práticas de piedade, ordens religiosas, sociedades santas em sua honra, multiplicar o número de seus servos fiéis, conquistar-lhe todos os corações. O exemplo de tantos bem-aventurados, que se santificaram, ajudados pela devoção a Maria e pelo socorro de sua proteção, deve incitar-nos a reanimar em nossos corações os sentimentos de respeito, confiança e amor, que devemos a tão boa Mãe. Proponhamo-nos decididamente a servi-la durante este mês o melhor que pudermos, e tributar-lhe todos os dias com santo fervor as nossas orações.

As vantagens desta devoção

Tem-se dito muitas vezes, e nunca se poderá repetir de sobejo, que a devoção à Santíssima Virgem é, no sentimento dos Santos Doutores, o manancial das mais abundantes graças, feliz preságio de santidade e um dos mais seguros sinais de predestinação. Esta divina Mãe não cessa nunca de se interessar pela salvação dos que a invocam, e de lhes alcançar os socorros de que carecem.

«Mais facilmente acabarão os céus e a terra, diz o devoto Luiz de Blois, do que Maria deixar de socorrer aquele que sinceramente a implora»

E Santo Anselmo não duvida afirmar que um verdadeiro servo de Maria não pode perecer eternamente. Portanto, se cumprirmos fielmente as tantas práticas que nos são propostas para este mês, certo que receberemos grandes favores desta benigna Soberana. Mas não nos esqueçamos de que o verdadeiro meio de atrair sobre nós a sua poderosa proteção é trabalharmos por seguir as suas pisadas e imitar os seus exemplos. Proponhamo-nos, pois, passar o mês de Maio tão santamente que a nossa vida seja uma fiel imitação da vida desta admirável Mãe, e escolhamos antecipadamente as virtudes que queremos praticar para lhe agradar.

Oração

Rainha do céu e da terra, Maria, Mãe do meu Deus e minha Soberana, indigníssimo, como sou, de aparecer em vossa presença, venho todavia prostar-me a vossos pés, para oferecer-vos as primícias deste ditoso mês, a vós consagrado. Ó minha Mãe Santíssima, lá do elevado trono de glória que ocupais, dignai-vos lançar sobre mim esses olhos de bondade, que são a alegria do paraíso. Fazei ressoar em meu coração uma daquelas palavras de benção, cuja doçura encantadora faz enlevar de júbilo a quem as ouve. Misericordiosíssima Virgem, eu sou o mínimo de vossos servos, mas quero ser um daqueles que vos visitem com mais fidelidade e perseverança durante este mês de graças e de benção. Sim, minha divina Mãe, visitar-vos-ei o maior número de vezes que puder; virei todos os dias junto do vosso altar bendizer- vos, implorar-vos, louvar-vos, e mostrar-vos o meu amor. Ouso esperar que o vosso coração maternal, esse coração tão bom, tão terno e compassivo, não será insensível ao que desejo fazer por vós, e me concedereis durante este mês, em toda a minha vida, e particularmente na hora da morte, o socorro de vossa poderosíssima proteção.


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(SILVA, Pe. Martinho António Pereira da. Flores a Maria ou Mês de Maio consagrado à Santíssima Virgem Mãe de Deus. Tipografia Lusitana, Braga, 1895, 7.ª ed., p. 33-36)