Meditação para a Festa de Santa Genoveva

Meditação para a Festa de Santa Genoveva

SUMARIO

Consideraremos, nesta meditação, quanto a santidade de Santa Genoveva foi:

1.° Eminente;

2.° Fecunda em obras maravilhosas.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De não atender à nossa vontade mas só à de Deus nos nossos atos e projetos;

2.° De adotar todas as obras compatíveis com os deveres do nosso estado.

O nosso ramalhete espiritual será a máxima do Espírito Santo:

“A simplicidade dos justos conduzi-los-á felizmente” – Simplicitas justorum diriget illos (Pr 11, 3)

Meditação para o Dia

Adoremos Jesus Cristo escolhendo Santa Genoveva, moça simples e sem ciência, pobre e sem valimento, humilde pastora colocada na mais ínfima condição social, para fazer dela uma grande santa, o prodígio do seu século, a padroeira de Paris, uma das glórias da França e da Igreja. Louvemo-lO por esta maravilha (1); e roguemos-Lhe que nos permita participar das virtudes desta santa.

PRIMEIRO PONTO

Quanto a santidade de Santa Genoveva foi eminente

Duas causas caracterizam a eminente santidade de Santa Genoveva: a sua vida foi uma vida toda de abstinência e de piedade.

1.° Uma vida de abstinência. Sujeita a contínuas doenças, ela não se contenta de carregar intrepidamente com esta cruz; ajunta-lhe longos jejuns, com todos os rigores da penitência, depois toda a sorte de desgostos, suportando em silêncio e com paciência os maus tratos de uma ama cruel, e alguns anos mais tarde, as calúnias e perseguições daqueles mesmos a quem não tem feito senão bem.

2.º Uma vida toda de piedade. Desde a idade de sete anos, esclarecida por uma luz sobrenatural acerca da excelência da perfeição cristã, da alta sabedoria que há em nos desprendermos de tudo para pertencermos somente a Deus, ela consulta São Germano de Auxerre e São Lopo de Troyes; e aconselhada por eles consagra a Deus a sua virgindade. Desde então, separando-se o mais possível do trato dos homens, entrega-se aos exercícios da piedade, passa em oração parte dos dias e das noites, e fora da oração, eleva-se a Deus por tudo o que se lhe oferece aos olhos, pelo aspecto dos astros e dos bosques e prados, pela vista até do rebanho, que ela apascenta. Estas íntimas relações com Deus, seguidas logo de êxtases, dão-lhe tão profunda ciência das coisas divinas, que fala delas como um anjo do céu, que muitas pessoas a vêm consultar como um oráculo, e que os mais doutos mestres recorrem aos seus conselhos. Que admiráveis efeitos da oração unida com a mortificação! Se nós fazemos tão mal a nossa oração, não é senão porque somos tão imortificados, e se somos tão imortificados não é senão porque fazemos tão mal a oração. A mortificação, desprendendo o coração da criatura, dispõe-no à união com Deus; e a união com Deus, fazendo-lhe compreender que tudo o que não é Deus, é nada, facilita-lhe a mortificação. Temos nós até ao presente compreendido bem esta dúplice verdade: nada de oração sem mortificação, e nada de mortificação sem oração?

SEGUNDO PONTO

Quanto a santidade de Santa Genoveva
foi fecunda em obras maravilhosas

A alma vazia das criaturas e de si própria, mas cheia de Deus, é precisamente o instrumento que Deus gosta de empregar em todas as suas maravilhosas obras. Admiremos em Santa Genoveva a verdade deste princípio. A santa, ardendo em zelo pela glória de Deus e salvação das almas, percorre as prisões, os hospitais, as cabanas dos pobres, consolando os aflitos, socorrendo os necessitados, instruindo os ignorantes, convertendo os pagãos e os pecadores. Confiam-lhe o cuidado das virgens e das viúvas, e ela exercita-as na virtude e nos deveres do seu estado. Apresentam-lhe enfermos feridos de males incuráveis, e a sua oração sara-os. Átila, rei dos hunos, invade Paris com um formidável exército; a oração de Genoveva fá-lo fugir em desordem. Childerico, Pai de Clovis, vem por seu turno cercar Paris; os habitantes da cidade estão quase a morrer de fome; Genoveva vai procurar viveres até em Champagne; e se não impede a tomada de Paris, ao menos obtém de Childerico alguns atos de clemência, e de seu filho Clovis a liberdade de muitos prisioneiros. Mais tarde, ela salva Paris das desgraças de um novo cerco, das inundações do Sena, dos incêndios que ameaçavam reduzir tudo a cinzas, da guerra e da fome. Enfim, não é somente Paris, mas Meaux, Lyon, Troyes, Orleans, Tours, que experimentam os felizes efeitos do dom dos milagres concedido a esta santã alma. As suas maravilhosas obras levam o seu nome às mais longínquas regiões, e do fundo da Ásia, São Simeão Estilita se encomenda às suas orações. Depois da sua morte, o seu túmulo torna-se ainda mais glorioso do que a sua própria vida; a ele acodem de todas as partes, e numerosos milagres ali foram obtidos; entre outros a cessação do mal pestilencial em 1129. Ainda hoje o seu túmulo e célebre, e os povos a ele concorrem em chusma nos dias da sua festa. É assim que Deus glorifica os seus santos que, durante a vida, fizeram obras maravilhosas para Sua glória. Que fazemos nós para esta mesma glória? Sondemos a nossa consciência e a nossa vida.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Mirabilis Deus in sanctis suis (Sl 67, 36)

Voltar para o Índice do Tomo I das Meditações Diárias de Mons. Hamon

(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo I, p. 150-152)