Meditação para a Vigésima Primeira Segunda-feira depois de Pentecostes. Jesus amado dos Santos

Meditação para a Vigésima Primeira Segunda-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos visto quanto Jesus Cristo é amável e amoroso, nos excitaremos:

1.° A amá-lO com o exemplo dos santos;

2.° Estudaremos a maneira de Lhe mostrar o nosso amor.

— Tomaremos a resolução:

1.° De pedirmos frequentes vezes a Nosso Senhor o seu amor, como a coisa do mundo mais apetecível;

2.° De fazermos todas as nossas obras por espírito de amor, e de aceitarmos todas as tribulações, como prova deste amor.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São Paulo:

“A caridade de Jesus Cristo nos constrange” – Caritas Chrsti urget nos (2Cor 5, 14)

Meditação para o Dia

Adoremos o amor imenso, eterno, infinito de Deus Pai para com Jesus Cristo. Ama-O mais que todas as criaturas juntas; ama-O com um amor, que é o próprio Espírito Santo, Deus como Ele, com um amor que é o principio e o fim de todas as suas divinas operações, pois é pelo amor de Jesus que criou tudo, que conserva tudo, governa tudo, vivifica tudo no céu e na terra, na ordem da natureza e na ordem da graça. Regozijemo-nos de ver Jesus, tão amado e desejemos amá-lO com todas as nossas forças.

PRIMEIRO PONTO

O exemplo dos Santos convida-nos a amar Jesus

Nada há mais eficaz, que o exemplo dos Santos para induzir as almas a amar Jesus Cristo. Excitemo-nos pois a amá-lO como a Santíssima Virgem, cujo coração se abrasava em inefável amor para com seu Filho; como os anjos que amam, em Jesus, o seu Rei e Senhor; como os patriarcas e os profetas, que pediam Jesus ao céu (1), à terra (2), a Deus (3); como Davi e Isaías, que o chamavam com ardentes votos; como o profeta Miqueias, que exclamava:

“Eu olharei para o Senhor, eu esperarei a Deus meu Salvador” – Ad Dominum aspiciam, expectabo Deum Salvatorem (Mq 12, 7)

Como Habacuc, que cantava:

“Eu me gozarei no Senhor, e exultarei no Deus meu Salvador” – Ego autem in Domino gaudebo et exultabo in Deo Jesu meo (Hab 3, 1)

Como Salomão, que diz no seu cântico:

“Oh! Como sois formoso, amado meu, e gentil!” (Ct 1, 15)

Contemplemos os santos da nova aliança, muito mais admiráveis ainda: o justo José cheio de amor paternal para com Jesus; João Batista, verdadeira lâmpada que ardia no santo amor; São Pedro, dizendo ao Salvador:

“Vós que conheceis tudo, sabeis que vos amo”

São João Evangelista, foco de amor; São Paulo, que padeceu em seu coração um martírio de amor; os mártires, vítimas do seu amor para com Jesus; Santo Agostinho, tirando do seu coração estes transportes de amor:

“Ó amor, que sempre ardes, abrasa-me; seja eu todo incendiado em amor!” – O amor qui semper ardes et nunquam deficis, accende me: totus accendar te (Santo Agostinho, Confissões, lib. 10, 29)

São Romualdo e São Bernardo, desfazendo-se em lágrimas de amor; São Francisco de Assis, incêndio de amor; São Filipe de Neri, suportando só por milagre no seu coração o grande fogo de amor; Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier, São Luiz de Gonzaga, Santo Estanislau Kostka, ardendo em amor seráfico. E quem poderia descrever o amor de tantas santas virgens; de uma Tereza com o coração trespassado de amor pela seta de um serafim; de uma Catarina de Sena recebendo em seu corpo como preço de seu amor os estigmas da Paixão do Salvador; de uma Madalena de Pazzi, queixando-se nestes termos a Jesus Cristo:

«Se não pondes cobro nisto, Senhor, o vosso amor matar-me-á. Não posso suportar o seu ardor. Ó amor! Quão pouco amado sois! Quem me dera que todas as gentes compreendessem quanto mereceis ser amado!»

Ó alma minha, não te comoverão e resolverão tão belos exemplos a viver somente do amor de Jesus?

SEGUNDO PONTO

Como devemos mostrar a Jesus Cristo o nosso amor

Devemos mostrar-lh’o nos nossos exercícios de piedade, nas nossas obras e tribulações.

1.° Nos nossos exercícios de piedade. O amor deve fazer-nos correr para eles, como para o delicioso momento de nos unirmos com Jesus, de Lhe comunicarmos os nossos sentimentos e afetos, e de Lhe pedirmos o seu amor para nós e para todos os homens. Se nos entregamos a piedosas leituras, que alegria ouvir o amor que nos fala, e recolher as suas doces palavras! Se nos apresentamos no sagrado tribunal, que consolação lançar-nos, como filho pródigo, no seio do melhor dos pais, e prometer-Lhe amá-lO ainda mais! Se nos sentamos à sagrada mesa, que delícias identificar-nos com Jesus e poder dizer:

“O meu amado é para mim, e eu para ele; possuo-o, e não o largarei mais” – Dilectus meus mihi, et ego illi (Ct 2, 16). Tenui eum nec dimittam (Ct 3, 4)

2.° Nas nossas obras costumadas, quão agradável é fazê-las todas por Jesus, em Jesus, e com Jesus, nosso último fim, nosso modelo, nosso auxílio! Se conversamos, falamos de Jesus, ao menos de tempos a tempos, e procuramos imitar sempre a sua bondade, a sua mansidão, a sua discrição. Se estamos só, unimo-nos a Jesus solitário, silencioso, e então, mais do que nunca, unido a Deus seu Pai. Se nos pomos à mesa, imitamos a temperança e modéstia de Jesus, tomando as suas refeições na companhia de Maria e de José. Finalmente, no emprego do tempo, diligenciamos fazer, como Jesus, o mais santo uso de todos os nossos momentos.

3.° Nas tribulações, unimo-nos a Jesus padecente (4). Dizemos-Lhe, como a irmã de Lázaro:

“Senhor, eis ai está enfermo o que vós amais” – Domine, ecce quem amas infirmatur (Jo 11, 3)

E tomamos por norma de proceder a paciência, a mansidão, a obediência, a simplicidade, a humildade do Salvador, principalmente a sua resignação à vontade de Deus na saúde ou na doença, na vida ou na morte.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Utinam dirumperes caelos et descenderes! (Is 64, 1)

(2) Aperiatur terra et germinet Salvatorem (Is 44, 8)

(3) Emitte Agnum, Domine, dominatorem terrae (Is 16, 1)

(4) Communicantes Christi passionibus gaudet (1Pd 4, 13)

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo V, p. 114-117)