Meditação para a Décima Segunda Segunda-feira depois de Pentecostes. Da Gratidão para com Deus

Meditação para a Décima Terceira Segunda-feira depois de Pentecostes

Décima Nona razão de sermos Humildes

SUMARIO

Consideraremos na nossa meditação:

1.º Que se, como já o meditamos, devemos agradecer aos homens os benefícios que deles recebemos, devemos ainda mais agradecer a Deus os que dele recebemos;

2.° Como havemos de satisfazer esta divida de gratidão.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De fazer atos de agradecimento para com Deus à vista do firmamento, das belezas da natureza, das igrejas e cruzes, e finalmente a cada bom pensamento que a graça de Deus nos inspirar;

2.° De darmos sempre graças a Deus depois da comunhão, depois da comida, e à tarde depois do trabalho.

O nosso ramalhete espiritual será o cântico da Igreja:

“Demos graças ao Senhor nosso Deus” – Gratias agamus Domino Deo nostro

Meditação para o Dia

Adoremos a Deus ensinando-nos a agradecer-Lhe, primeiramente pelo seu Apóstolo: Em tudo dai graças, diz São Paulo, porque esta é a vontade de Deus, dai sempre graças a Deus por tudo (1); depois pela sua Igreja que todos os dias na Missa o proclama em alta voz:

“Demos graças ao Senhor nosso Deus; é verdadeiramente uma coisa digna e justa, equitativa e salutar agradecer-vos, Senhor, em todo o tempo e lugar” – Gratias agamus Domino Deo nostro. Vere dignum et justum est, aequum et salutare, nos tibi semper et ubique gratias agere.

Louvemo-lo por este ensino, e ponhamo-lo em prática.

PRIMEIRO PONTO

Devemos dar Graças a Deus

1.° Pela nossa existência, que é um dom do Seu amor; escolheu-nos entre milhões de criaturas possíveis para nos dar o ser;

2.º Pela nossa conservação, que é como uma segunda criação de todos os momentos, e que, por conseguinte merece da nossa parte um cântico contínuo de ações de graças;

3.° Por nos ter evitado os males da alma e do corpo, com preferência a tantos outros que os sofrem;

4.° Por não termos cometido pecados mortais, graças ao Seu divino auxílio;

5.° Por todos os bens espirituais e corporais, tanto os que nos são comuns a todos, como os que nos são próprios;

6.° Por todos os seres que nos cercam e que foram feitos para nós, os animais e as plantas, o ar, a água, o fogo, o céu e a terra;

7.° Pelo cuidado que a Sua Providência tem de nós a todos os instantes, governando o universo, dispondo as estações, enviando a sua chuva à terra, regulando todos os acontecimentos com tanta atenção, que preside à queda de um de nossos cabelos, com tanto assiduidade que, até quando dormirmos, vela à nossa cabeceira.

E como exprimir tudo o que Lhe devemos por muitos outros benefícios de uma ordem superior? Um Deus Encarnando no ventre de uma virgem; um Deus nascendo no presépio; um Deus vivendo no trabalho e na dor; um Deus açoitado, coroado de espinhos, crucificado entre dois ladrões; um Deus coberto de opróbrio; um Deus expirando; um Deus sobrevivendo a Si mesmo na Eucaristia, e permanecendo nela oculto, desamparado, tantas vezes ofendido pelas irreverências, profanações e sacrilégios; um Deus solicitando-nos com as Suas graças, oferecendo-nos os Seus Sacramentos, instruindo-nos pela Sua Igreja, depositaria fiel da Sua doutrina!

Ó meu Deus, meu Deus! Como Vos louvarei e agradecerei bastantemente. Amemos a Deus, pois nos amou primeiro (2). Seríamos tanto mais indesculpáveis de não Lhe agradecermos tantos benefícios e prodígios, quanto o nosso próprio interesse a isso nos obriga. Quanto mais agradecidos formos a Deus, mais graças atrairemos sobre nós. Assim como a gratidão abre a fonte das graças, assim também a ingratidão a fecha. Oh! Que dano temos causado a nós mesmos até ao presente, sendo tão pouco agradecidos pelos benefícios recebidos!

SEGUNDO PONTO

Como havemos de satisfazer a Deus a dívida da nossa gratidão

A Igreja no-lo ensina, quando nos diz, no prefácio da Missa, que devemos dar graças a Deus sempre e em todo o lugar (3).

1.° Devemos dar-Lhe graças sempre. Assim como não há na nossa existência nenhum momento que não seja um beneficio de Deus, também nenhum há, em que o nosso agradecimento não deva subir até Deus. Todas as manhãs, ao acordar, bem como todas as noites ao deitar-nos na cama, devemos dizer:

Eu Vos dou graças, meu Deus!

A cada hora que soar, considerando quantas pessoas na terra sofreram tribulações que nos foram evitadas, devemos exclamar:

Eu Vos dou graças, meu Deus!

Finalmente a nossa vida deve ser um cântico não interrompido de ações de graças a Deus nosso benfeitor.

2.º Devemos agradecer a Deus em toda a parte, isto é, na casa onde nos hospeda e provê a todas as nossas necessidades, em viagem onde nos subministra os meios de transporte, na cidade onde junta o que é preciso para satisfazer às comodidades da vida, no campo onde faz com que a terra produza grãos e frutos que nos conservam a vida, à mesa onde nos dá a conveniente comida, na recreação onde nos dispensa o descanso e prazer; em toda a parte finalmente, pois tudo está cheio de seus benefícios.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) In omnibus gratias agite: haec est enim voluntas Dei (1Ts 5, 18). Gratias agentes semper pro omnibus (Ef 5, 20)

(2) Nos ergo diligamus Deum, quoniam Deus prior dilexit nos (1Jo 4, 19)

(3) Semper et ubique gratias agere

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo VI, p. 129-132)