Meditação para a Terceira Sexta-feira depois de Pentecostes. A Missa, culto de Oração

Meditação para a Terceira Sexta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Consideraremos a Missa como um sacrifício impetratório, isto é, um sacrifício de oração ou petição; e veremos, que efetivamente a Missa é:

1.° A mais excelente das orações;

2.° Uma oração, que pode tudo sobre o coração de Deus.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De fazermos melhor as nossas orações costumadas;

2.° De pedirmos muitas vezes a Deus o espírito de oração.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do divino Mestre:

“Se vós pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-lo há de dar” – Si quid petieritis Patrem in nomine meo, dabit vobis (Jo 16, 23)

Meditação para o Dia

Adoremos Jesus Cristo no sagrado altar, como o grande suplicante da Igreja universal. Roguemos-Lhe que nos comunique a excelência da Sua oração:

“Senhor, ensina-nos a orar” – Domine, doce nos orare (Lc 11, 1)

PRIMEIRO PONTO

A Missa é a mais Excelente das Orações

Porque:

1.° É o mesmo Jesus Cristo, que ora no altar. Ele mesmo que dizia a Seu Pai: Vós sempre me ouvis (1), Ele mesmo igual a Deus, e Deus como Seu Pai, se encarrega das nossas petições, apoia-as com os Seus méritos e as oferece consumadas no fogo de Sua caridade.

2.° Apresenta-Se diante de Seu Pai como suplicante, no estado mais humilde; apresenta-Se como vítima, fazendo falar por nós todas as Suas chagas e todo o Seu sangue, que clama mais alto o de Abel; apresenta-Se como nosso pontífice com imenso desejo do obter o que pede, e leva o Seu desejo até ao mais íntimo do coração de Seu Pai.

3.º A nossa oração junta-se à Sua, mas em condições das mais favoráveis: porque damos ao Pai celestial infinitamente mais do que Lhe pedimos; pedimos-Lhe a Sua graça, e em compensação damos-Lhe o Seu próprio Filho pela oblação do Santo Sacrifício; de sorte que na Missa, Jesus Cristo ora conosco e em nós, e oramos com Ele e nEle.

É possível uma oração mais excelente?

SEGUNDO PONTO

A Missa é uma oração que pode tudo sobre o coração de Deus

Coisa notável! É o próprio sacerdote, que determina as intenções do sacrifício, que diz a Jesus Cristo o que quer pedir; e Jesus Cristo, Seu dócil mandatário, apresenta a Seu Pai todas as petições, de que o encarrega, sem jamais as achar excessivas nem muito difíceis. Ora, quem não vê a onipotência de tal oração? As orações mais fervorosas dos anjos e dos santos juntos não se aproximam dela. Estas nunca são mais do que súplicas dos servos ou das servas de Deus; mas a Missa é a súplica do mesmo Filho de Deus, que é sempre ouvido, diz São Paulo, e não pode até deixar de o ser, pois é seu Filho amado, em quem pôs toda a Sua complacência, Seu Filho igual a Deus, e Deus como Ele. Nós não vemos sempre sobre a terra os efeitos deste divino sacrifício! Mas quando estivermos no céu, na pura luz de Deus, onde se vê a força oculta, por que tudo se move, e as relações dos efeitos com as suas causas, reconheceremos uma multidão de prodígios obtidos pelo Santo Sacrifício, quer na ordem natural, quer na ordem sobrenatural. De onde devemos concluir:

1.° Que confiança devemos ter no Santo Sacrifício, e que felicidade deve ser para nós assistir a ele! É essa a ocasião de orar, a ocasião própria para obter todas as graças;

2.º Que a Igreja tem muita razão para pôr tantas vezes na boca do sacerdote, durante a ação do sacrifício, este convite à oração, oremus, pois que então não se pode pedir demasiado e pode obter-se tudo!

Se até ao presente as nossas petições não tem sido sempre atendidas, é porque as temos feito mal; temos pedido sem viva fé nestas belas verdades, sem estarmos unidos a Jesus Cristo, sem recolhimento de espírito, talvez até com distração e indiferença. Não é verdade?

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Semper me audis (Jo 11, 24)

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo III, p. 204-206)