A Predestinação da Santíssima Virgem

Capítulo 2: A Predestinação da Santíssima Virgem

Maria foi predestinada para a dignidade mais eminente

Tendo Deus resolvido desde toda a eternidade salvar o mundo pelo mistério inefável da Encarnação, dignou-se escolher a Maria, de preferência a todas as outras filhas de Adão, para ser mãe de seu Filho. Por esta escolha gloriosa foi ela destinada para a mais alta dignidade, que se pode imaginar. Tudo o que há de grande no céu e na terra é nada em comparação desta dignidade sublime. Maria será mãe do Verbo Encarnado, e nesta qualidade será Mãe dos cristãos, Rainha dos anjos, Mediadora de intercessão entre Deus e os homens. Rendamos mil ações de graças a Deus por tanto elevar a nossa amável Mãe, e por haver sido o seu amor para conosco quem o moveu a exaltá-la a tão eminente dignidade. Prostemo-nos ante o trono desta Augusta Rainha, e tributemos-lhe as profundas homenagens. devidas a tamanhas grandezas.

Para a santidade mais perfeita

Ponderemos, quanto nos for possível, qual deve ser a santidade daquela, que o Filho de Deus escolheu para sua Mãe e o grau de perfeição, a que deve ser elevada a mulher bendita, que será um dia sobre a terra o santuário vivo da Divindade. Nunca haverá nela nem pecado, nem defeito, nem a menor imperfeição. Maria possuirá todas as virtudes no grau mais elevado; a graça santificante, de que sua alma será enriquecida, excederá a de todos os homens e anjos juntamente. As graças atuais, de que será cheia antecipadamente, e os merecimentos, que adquirirá com o socorro das mesmas graças, nunca tiveram, nem terão coisa alguma que lhes seja comparável. Peçamos a Deus alguma comunicação desta admirável santidade; trabalhemos por adquiri-la, praticando, quanto a nossa fraqueza o permitir, as virtudes de que Maria nos deu tão belos exemplos.

Para a glória mais elevada

Deus predestinou a Maria para a mais elevada glória que uma criatura pode possuir no céu. Será colocada acima dos nove coros dos anjos, sobre um trono brilhante, à direita de seu Filho. Tudo o que não é Deus ficará inferior a Maria. Ao seu nome sagrado todo o joelho se dobrará no céu, na terra e no inferno. Esta Virgem admirável receberá por toda a eternidade as adorações e profunda veneração de todos os santos e espíritos bem-aventurados. Congratule-mo-la por tanta grandeza; trabalhemos por merecer a poderosa proteção desta incomparável Rainha. Que não devemos esperar do seu socorro, se tomar interesse por nós?! E certamente o tomará, se formos fiéis em honrá-la, em mostrar-lhe nosso amor e invocá-la com firme confiança.

Oração

Divina Mãe de Jesus, eu tremo todas as vezes que penso no mistério impenetrável da predestinação, e leio o que diz o Evangelho sobre o pequeno número dos escolhidos. Porém, uma lembrança me sossega e enche da mais doce consolação. Segundo o testemunho dos Santos Doutores, uma terna e sincera devoção para convosco é penhor quase certo da salvação, e um dos sinais menos equívocos de predestinação. Minha boa Mãe, parece-me que vos amo, que tenho em vós grande confiança, que sinto verdadeiro desejo de vos servir e honrar por todos os meios que de mim dependem. Os devotos sentimentos, pois, de que tendes animado meu coração, oh que feliz preságio não são de que serei eternamente feliz! Se os conservar fielmente, posso esperar que serei do número dos escolhidos, e que, ajudado por vossa maternal proteção, hei de alcançar o céu para que fui criado. Mas ah! Vós
conheceis a minha inconstância e fraqueza: não permitais que eu tenha nunca a desgraça de deixar enfraquecer em minha alma os sentimentos de que para convosco me acho possuído. Permita que vos seja sempre fiel, e, que até ao último suspiro de minha vida, não deixe jamais de vos honrar, servir, invocar e amar cá na terra, para que no céu possa gozar a clara vista da sublime glória, que vos foi predestinada desde toda a eternidade.

Agora se faz o Ato após a Meditação

EXEMPLO

À Arquiconfraria do Santíssimo e Imaculado Coração de Maria para a conversação dos pecadores

Sendo a devoção ao Santíssimo Coração de Maria um manancial fecundo de graças e bênçãos celestiais, a obra de Deus, como à sua pia Arquiconfraria chamou o saudoso Pontífice da Imaculada, S. S. Pio IX, — pareceu-nos altamente conveniente apresentar no primeiro dia deste mês abençoado, a história resumida da instituição de tão pia arquiconfraria. Ei-la:

A paróquia de Nossa Senhora das Vitórias está situada no centro da cidade de Paris, cercada de casas de comércio, do banco, da bolsa, de empresas industriais, de teatros e lugares de prazeres mundanos. São numerosíssimos os seus habitadores, mas quase todos absorvidos nos negócios do século, ou na satisfação de suas paixões, de sorte que muito poucos frequentavam a igreja, apenas um cento deles assistia aos ofícios divinos. O digno e zeloso pároco, Mr. Dufriche-Desgenettes, chorava de ver a indiferença e rebeldia de suas ovelhas. A Mãe de Deus, a Consoladora dos aflitos enxugou-lhe as lágrimas e preparou-lhe grandes consolações.

A 3 de Dezembro de 1836, indo ele celebrar o Santo Sacrifício no altar de Nossa Senhora, que depois foi dedicado ao seu Santíssimo e Imaculado Coração, desde o princípio da Missa a lembrança da inutilidade do seu ministério naquela freguesia o distraía e mortificava incessantemente; até que, chegando ao princípio do cânon pediu mais fervorosamente ao Senhor que o livrasse daquela importuna distração, para poder continuar o augusto sacrifício. Neste instante teve ele o pensamento de consagrar a sua paróquia ao puríssimo Coração de Maria, e imediatamente ficou tranquilo. Só depois de concluída a Missa, estando a dar as graças, é que se recordou da distração que o perseguia, e que julgava involuntária, bem como do pensamento de consagrar a paróquia ao Sacratíssimo Coração de Maria, pensamento que novamente se lhe repetiu com tal força, que não pôde resistir-lhe, e julgou dever pô-lo logo em execução. Formou uns estatutos, que foram aprovados pelo senhor arcebispo de Paris, a fim de se erigir uma confraria em honra do mesmo Santíssimo e Imaculado Coração para a conversão dos pecadores, e foi designado o domingo seguinte, 11 de Dezembro, para se começarem os exercícios. A este ato apenas esperava o pároco que assistissem umas cinquenta pessoas, mas com grande admiração, viu reunidas mais de quatrocentas! O hospital dos pecadores, como Santo Anselmo chama a Maria Santíssima, tinha abertas suas portas; os anjos o haviam anunciado aos enfermos. A 12 de Janeiro de 1837 foi aberto o registro da confraria por ordem do arcebispo, e dez dias depois, já estavam assentadas nele 214 pessoas! A igreja de Nossa Senhora das Vitórias principiou desde logo a ser mais frequentada; uma mudança moral, uma conversão para o bem se foi operando nos seus paroquianos.

O Santíssimo Padre Gregório XVI, de saudosa memória, por Letras Apostólicas de 24 de Abril de 1838, abriu os tesouros da igreja a favor desta associação, e a elevou à categoria de arquiconfraria para poder agregar a si outras confrarias do mesmo nome e instituto. Efetivamente estas associações se tem multiplicado não só por toda a França, mas também pelos diversos estados da Europa, até no meio de países protestantes, e pela Ásia, África, America, e Oceania, de sorte que se contam por milhares, e os associados por muitos milhões.

O mesmo Sumo Pontífice Gregório XVI, mostrou sempre grande estima a esta pia instituição, continuou a enriquecê-la de graças quase até à sua morte, e disse ao fundador que queria que houvesse uma Confraria do Santíssimo Coração de Maria em todas as igrejas do orbe católico. O seu sucessor, o Santíssimo Padre Pio IX, não se mostrou menos empenhado no aumento desta obra; concedeu-lhe novas indulgências, e proferiu a respeito dela estas memoráveis palavras:

A Arquiconfraria do Santíssimo Coração de Maria é a obra de Deus; foi um pensamento do céu que a produziu na terra: ela há de ser o recurso da Igreja

Recomendou ao bispo de Pela vigário apostólico do Madagascar, que a estabelecesse por toda a parte por onde fosse, e que dissesse aos seus colegas que fizessem o mesmo, pois era a obra de Deus.

O Santíssimo Padre Leão XIII não mostrou menos simpatia e interesse pela arquiconfraria do Santíssimo Coração de Maria quando, por ocasião das bodas de ouro da mesma arquiconfraria, 1887, o seu atual subdiretor, M. Dumax, em nome do diretor geral, o cura de Nossa Senhora das Vitórias, pessoalmente se dirigiu a Roma e teve a distintíssima honra de ser recebido pelo Santo Padre em audiência particular.

Leão XIII, lembrando quanto importa orar à Santíssima Virgem nas tristes circunstâncias em que se acha o Papa e a Igreja, mostrou o vivo entusiasmo que tem pelas festas de Maria Imaculada, e concedeu a todos os associados para aquela ocasião importantíssimas graças, entre as quais avultavam nada menos de seis indulgências plenárias.

Por toda a parte se tem espalhado esta obra divina. Atualmente, segundo acusa o boletim mensal da Arquiconfraria, estão erectas 18.659 confrarias, agregadas à Arquiconfraria da Senhora das Vitórias, e gozando das mesmas graças. Portugal conta um bom número destas associações, algumas das quais estão muito florescentes, muito cheias de vida e têm produzido grande número de conversões e de graças especialíssimas, obtidas por intercessão d’Aquella que com toda a justiça é apelidada a Consoladora dos aflitos, o Refúgio dos pecadores, a causa da nossa alegria.

Ainda no ultimo ano, 1890, nós vimos com prazer que bastantes confrarias do Santíssimo Coração de Maria se instituíram neste nosso país e já foram agregadas a Nossa Senhora das Vitórias. É a obra de Deus, convém estabelecê-la por toda a parte.

OUTRO EXEMPLO

A Medalha Milagrosa

O século atual assinala-se felizmente, entre muitas coisas más, pela inefável bondade da Mãe de Deus para com seus filhos, e por uma decidida devoção destes para com tão boa Mãe.

Em nenhum outro século se terá tornado tão visível a proteção de Maria, nenhum tem contado tão grande número de aparições da Santíssima Virgem, como este. Vejamos as sucedidas com a irmã Catarina Labouré que deram origem à Medalha Milagrosa.

No mês de Setembro de 1830 uma jovem noviça das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris, estando em oração, viu um quadro representando a Virgem Santíssima, como ordinariamente se pinta no título da Imaculada Conceição, em pé, com túnica branca, manto azul prateado e véu amarelo, os braços abertos, estendidos para a terra, as mãos cheias de diamantes de onde saíam feixes de raios de esplendor admirável, que se dirigiam para o globo, e com mais abundância para um certo ponto. Ao mesmo tempo ouviu uma voz que lhe dizia:

Estes raios são o símbolo das graças que Maria obtém aos homens; e o ponto do globo sobre o qual correm com mais abundância, é a França

Em volta do quadro leu a seguinte invocação, escrita em letras de ouro:

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

Alguns momentos depois, voltou-se o quadro, e no reverso viu a letra M, com uma pequena cruz em cima, e por baixo os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Tendo-a considerado atentamente, ouviu de novo a mesma voz que acrescentou:

É necessário fazer cunhar uma medalha por este modelo, e as pessoas que a trouxerem indulgenciada e rezarem piedosamente esta breve oração, gozarão de uma proteção inteiramente especial da Mãe de Deus

Logo no dia seguinte a noviça foi partilhar esta visão ao seu confessor, o qual a considerou como efeito de imaginação e contentou-se de lhe dizer algumas palavras sobre o verdadeiro modo de honrar a Maria, e obter a sua proteção, imitando suas virtudes. Retirou-se ela sem se inquietar mais com a visão, porém, repetindo-se esta seis ou sete meses depois, julgou dever comunicá-lo ao seu confessor que não lhe ligou mais importância do que da primeira vez. Finalmente, depois de outro intervalo de alguns meses viu ela e ouviu as mesmas coisas, porém a voz acrescentou que a Santíssima Virgem não estava contente por se descuidarem de fazer cunhar a medalha. Desta vez o confessor, mesmo sem o manifestar, já deu mais atenção a este prodígio, e passando algum tempo, deu parte dele ao arcebispo de Paris, o qual disse que não achava inconveniente em se fazer cunhar a medalha, pois que nada continha que não fosse conforme à fé e piedade para com a Virgem Mãe de Deus, e que não podia deixar de contribuir para a fazer honrar, e até desejava ter uma das primeiras.

A Medalha foi efetivamente cunhada em Junho de 1832, principiou a ser espalhada pelas Irmãs da Caridade, e são inumeráveis os prodígios que se referem, operados por meio dela, sendo um dos maiores a prodigiosa conversão de Ratisbona. A Arquiconfraria do Santíssimo e Imaculado Coração de Maria adotou-a para insignia dos seus associados, e ainda durante este mês, veremos bom número de conversões e curas miraculosas, atribuídas à virtude desta bendita medalha. É por isso que muito conveniente nos pareceu logo no primeiro dia do mês de Maria falar da origem desta preciosíssima medalha, seguríssimo penhor da proteção desvelada da Mãe de Deus, em favor dos associados da arquiconfraria do Santíssimo Coração de Maria que, como se disse, a adotou por divisa; e em geral de todos os fiéis que dela andam munidos e confiadamente depositam na proteção de Maria Santíssima a esperança da sua salvação eterna.

LIÇÃO
sobre a Verdadeira Grandeza

Há infinita diferença entre as distinções do mundo, e as que tem por princípio a graça.

Imenso cabedal, palácios soberbos, multidão inumerável de criados inculcam a grandeza dos reis: o desprezo do mundo, horror à culpa, amor de Deus são quem manifesta a grandeza do justo.

A glória verdadeira, o verdadeiro merecimento, consiste em temer a Deus e observar os seus preceitos.

Que valem todos os heróis do mundo, em comparação dos grandes homens a quem a religião forma em virtudes?

É muito mais glorioso triunfar das paixões do que dos povos: é mais fácil alcançar vitórias dos outros, do que vencer-se a si próprio.

O verdadeiro cristão não deve ser considerado como um daqueles heróis que devem o seu heroísmo a uma ocasião. Isto é ser herói dum dia. O verdadeiro cristão é um herói de toda a vida.

A sua glória consiste em vencer todos os obstáculos que se opõem à consecução do seu fim, que é conseguir a Deus e descansar nEle. E pode haver maior honra do que servir e pertencer a Deus? Servi-lO é reinar.

Máxima Espiritual

Nada somos na realidade, senão o que somos aos olhos de Deus (Santo Afonso Maria de Ligório)

Jaculatórias

Santa Maria, ora pro nobis
Santa Maria, rogai por nós


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(SILVA, Pe. Martinho António Pereira da. Flores a Maria ou Mês de Maio consagrado à Santíssima Virgem Mãe de Deus. Tipografia Lusitana, Braga, 1895, 7.ª ed., p. 36-48)

1 Comment

  1. Maria CLARA

    obrigado eu gostei desse livro antes de termina minha filha de doze anos mostrou esse livro para mim por mi ajudar

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