Meditação para o Dia 22 de Junho

“E tendo-se adiantado um pouco apartou-se deles cerca de um tiro de pedra e, caindo de joelhos prostrou-se sobre a terra, com o rosto no chão, e orava para que, se fosse possível passasse dele aquela hora. E disse: Pai, se é possível, passa de mim este cálice! Pai, todas as coisas são possíveis; se é do teu agrado, aparta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas sim a tua, não seja como eu quero mas sim como tu queres.” (1)

Viu todo o suplício que O esperava. Viu suas carnes despedaçadas no Pretório, a face esbofeteada e coberta de escarros nojentos. Viu Pedro negando-O e blasfemando-O, os Apóstolos fugindo. A cruz e o Calvário. Maria chorando. Os insultos da plebe. O desamparo do Céu, o abandono horroroso de seu pai. E, prostrado em terra, banhado em sangue, Jesus só teve esta prece, o mais perfeito e sublime ato de abandono:

“Pai, se é possível, passa de mim este cálice. Contudo, não se faça a minha vontade, mas sim a tua. Não seja como eu quero, mas sim como tu queres!”

Nosso pobre coração espera talvez um golpe, o martírio de uma provação! É da vontade de Deus que soframos! Aos pés de Nosso Senhor podemos dizer:

“Meu Deus se é possível, afaste-se de mim tamanha desgraça, este cálice tão amargo!”

Mas saibamos acrescentar com o nosso Divino Modelo do Getsêmani:

“Contudo, faça- se a Vossa vontade, Senhor, e não a minha!”

Referências:
(1) São Mateus 26,36-38; Marcos 14,32-34; Lucas 22,39-46

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 189)