Meditação para o Dia 21 de Novembro

Como há de ser doce a amizade no Céu, se, já neste mundo de misérias e contradições, é tão suave e confortadora! Aqui, nosso coração sofre para sustentar a amizade entre reveses e duros sacrifícios. Não choremos com desespero os nossos amigos que partiram. A morte, já o vimos, não separa os corações. A verdadeira amizade, a amizade cristã, é eterna. Escrevia São Francisco Xavier, lá das Índias, a Santo Inácio, seu pai espiritual e seu maior amigo:

“Dizeis, no excesso de vossa amizade por mim, que desejaríeis ardentemente ver-me ainda uma vez antes de morrer. Ah! Só Deus, que vê o interior dos corações, sabe quão viva e profunda impressão causou em minha alma este doce testemunho de vosso amor para comigo! Cada vez que me lembro dele – e isto se dá muitas vezes – involuntariamente me correm lágrimas dos olhos. Peço a Deus que, se não nos tornarmos a ver na terra, gozemos unidos, na feliz eternidade, o repouso que não se pode encontrar na vida presente. De fato, não nos tornaremos a ver, senão por meio de cartas. Mas no céu, ah! Sê-lo-á face a face! E, então, como nos abraçaremos!” (1)

Oh! Quem poderá descrever os transportes de santa alegria dos amigos, no Céu! Depois das trevas e lutas do exílio, sempre unidos na provação, dois corações sinceramente amigos, amigos em Jesus, ei-los agora felizes, no Céu! Realiza-se apalavra da Escritura:

“O amigo fiel é um remédio que dá a vida e a imortalidade, e os que temem o Senhor encontrarão um tal amigo” (Eclo 6, 16)

Referências:

(1) Lettres de Saint François Xavier – Lettre XCIII, nº3

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 348)