Meditação para o Dia 30 de Setembro

Depois de ter passado a vida no Amor, ia morrer, num ato de amor, o serafim do Carmelo! Era 30 de setembro de 1897. Estava a raiar para ela a aurora do dia eterno. Pela manhã, a vitimazinha lançou um olhar de amor para a estátua da Virgem, exclamando:

“Oh! Como Lhe rezei com fervor!…”

Mas era a agonia pura, sem a menor mistura de consolação… E depois, sufocada:

“Oh! Falta-me o ar da terra! Quando me será dado respirar o do Céu?…”

Às duas horas e meia, dando mostra de que o sofrimento havia chegado ao extremo, disse:

“Minha Madre, o cálice está a transbordar! Jamais poderia imaginar que me fosse possível sofrer tanto! Não posso explicar isso senão pelo meu ardente desejo de salvar almas”

E depois:

“É bem verdade, tudo quanto escrevi sobre o meu desejo de sofrer! Não me arrependo de me haver entregue ao amor”

E repetiu essas palavras diversas vezes. Tamanha a sede de amar e de sofrer consumia o Serafim da montanha santa do Carmelo! Quando, ao cair da tarde, soaram as tristes badaladas das Ave-Marias, contemplou ela meigamente à Maria e, voltando-se para a Madre Priora:

“É a agonia, minha Madre?” – “Sim, minha filha, é a agonia, mas Jesus a quer prolongar ainda algumas horas”

E ela, resignada:

“Pois bem… Vamos… Eu não quisera sofrer menos…”

E, fixando o crucifixo:

“Meu Deus… eu… Vos amo!”

E sua bela alma voou para o Céu. Morreu de amor! Realizaram-se todos os seus sonhos.

Como é bom viver sofrendo e amando até morrer de amor!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 293)