Meditação para o Dia 14 de Agosto

Segundo a Imitação de Cristo, Cap. XII vs. 8-9-10-11 – L. II

Quanto mais se debilita a carne pela aflição, tanto mais se fortalece o espírito pela graça interior. E, às vezes, é tal o seu amor dos sofrimentos e tanto o desejo de conformar-se a Jesus Cristo Crucificado, que não quer estar um só momento sem dor e tribulação, pois crê ser tanto mais aceito a Deus quanto forem maiores os trabalhos que por seu respeito puder sofrer. Não é isto virtude humana, senão graça de Jesus Cristo, que tão poderosamente faz tão grandes coisas na carne frágil, fazendo-lhe que ame e sofra com afeto intenso aqueles mesmos males a que naturalmente tem horror e aversão. Não há coisa mais contrária à inclinação do homem que levar a cruz, amar a cruz, castigar o corpo e pô-lo em servidão, fugir das honras, sofrer de bom grado as injúrias, desprezar-se a si mesmo e desejar que o desprezem; suportar as aflições e desgraças e não desejar prosperidade alguma neste mundo. Se consideras as tuas forças, acharás que nada disto podes fazer. Porém, se confiares no Senhor do Céu, Ele te enviará celestial fortaleza e terás poder sobre a carne e o mundo.

Se te armares do escudo da fé e do sinal da cruz de Jesus Cristo, nem o mesmo demônio temerás. Resolve-te, pois, como bom e fiel servo de Jesus Cristo, a levar varonilmente a cruz do Homem Deus crucificado por teu amor. Prepara-te para sofrer nesta miserável vida muitas adversidades e vários incômodos, porque assim estará Ele contigo onde quer que estiveres e, na verdade, acharás a Jesus em qualquer parte que te escondas. Assim convém que seja e não há outro remédio para minorar a dor e a tribulação dos males senão sofrê-las com resignação. Bebe afetuosamente o cálice do Senhor, se queres ser seu amigo e ter parte em sua herança. Deixa a Deus o dispor de suas consolações. Ele as distribuirá como for do Seu agrado. Tu, porém, resolve-te a levar com paciência os trabalhos e a olhá-los como consolações de grande valia, porque todos os sofrimentos desta vida não tem proporção alguma com a glória que nos é prometida, e não poderias por eles merecê-la, ainda quando tu só os suportasses todos.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 245)