Meditação para o Dia 16 de Julho

Sofremos por justiça e misericórdia. É de justiça que recebemos o castigo das ofensas contra Deus, de nossos pecados, tão grandes e já tão numerosos que nem os podemos contar. A dor entrou no mundo com o pecado, e é punição e castigo desse mesmo pecado. Entretanto, se é justo o castigo, o sofrimento é também misericórdia. Na dor se realiza o que cantou David:

Justitia et pax osculatae sunt – “Beijaram-se a justiça e a paz, isto é, a Misericórdia”

Sofrem neste mundo os bons e os maus. Também por Misericórdia e justiça.

“Verdade é – escreve Santo Agostinho, na sua Cidade de Deus, verdade é que tanto os cristãos como os infiéis não foram poupados. A hora do julgamento de uns e outros ainda não chegou. A paciência de Deus convida os maus à penitência, com os flagelos, e assim forma também os bons na paciência. Aprouve à Divina Providência preparar para o futuro bens eternos de que hão de gozar os justos, com a exclusão dos culpados, e males que hão de ferir os ímpios, sem atingir os bons. Quanto, porém, aos bens e males temporais, quis o Senhor fossem comuns aos bons e aos maus, a fim de que, nem se tivesse pressa e ardor em procurar os bens de que gozam também os maus, nem houvesse tanto medo e covardia em fugir dos males a que estão sujeitos os bons, sem nenhuma exceção” (1)

Aí estão a justiça e a misericórdia nesse mistério do sofrimento, que escandaliza a tantos cristãos, que sempre lamentam a dor e a perseguição dos justos e a prosperidade dos maus!

Em tudo, Justiça e Misericórdia!

Referência:
(1) De Civitate Dei – lib. 1 – ch. I.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 215)