Meditação para o Dia 28 de Agosto

Segundo a Imitação de Cristo, Cap. L – L. III

A alma: Senhor, Deus Pai Santo, agora e para sempre sede bendito, porque se faz como Vós quereis e é bom o que fazeis. Alegre-se o vosso servo em Vós, não em si nem em algum outro, porque Vós só sois a verdadeira alegria, Vós só, Senhor, sois a minha esperança, minha coroa, meu gozo e minha glória. Que tem o Vosso servo senão o que de Vós recebeu? E, ainda, sem o ter merecido! Tudo é Vosso quanto me destes e por mim fizestes. Pobre sou e cheio de trabalhos desde a minha infância. E minha alma se entristece algumas vezes por derramar lágrimas, outras vezes se perturba consigo pelas paixões que a oprimem. Eu desejo e suplico a alegria dessa paz que concedeis aos Vossos filhos, a quem alimentais com a luz de Vossas consolações. Se Vós me derdes a paz, se derramardes em mim Vossa santa alegria, ficará a alma de Vosso servo cheia duma doce melodia e, transportado de amor, cantará Vossos louvores. Porém, se Vos apartais dele, como muitas vezes fazeis, não poderá correr pelo caminho de Vossos mandamentos, só lhe restará pôr-se de joelhos e bater no peito, porque não lhe vai como dantes, quando Vossa luz resplandecia sobre sua cabeça e, à sombra de Vossas asas, se achava defendido da violência das tentações. Pai justo e sempre digno de louvor, é chegada a hora em que o Vosso servo deve ser provado. Pai amoroso, justo é que Vosso servo sofra alguma coisa, nesta hora, por Vosso amor. Pai soberanamente adorável, chegada é a hora que havíeis previsto desde a eternidade, na qual cumpre que Vosso servo seja abatido no exterior por um pouco de tempo, para viver sempre conVosco espiritualmente. É necessário que, por um pouco de tempo, seja abatido, humilhado, aniquilado diante dos homens, consumido de sofrimentos e enfermidades, a fim de que ressuscite convosco na aurora da nova luz e entre na posse da glória do Paraíso.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 259)