Meditação para o Dia 23 de Novembro

Morreu-nos algum ente querido. Sentimo-lo, e isto é natural. Mas, sem grave injustiça, não podemos revoltar-nos contra Deus. Cabem-nos, respeitosamente, nos lábios, um grito de dor, os gemidos que o golpe nos obriga a dar. A blasfêmia, nunca! Deus tem direito ao que lhe pertence. Viemos de Deus e para Ele voltaremos. É a ordem da criação. Os que morreram voltaram para o seu Senhor. Por mais que os amássemos aqui, não nos pertenciam. Como chora desolada esta pobre mãe, amargurada por uma saudade imensa do filhinho querido! Ah! Se ela soubesse que o anjinho idolatrado de seu coração saiu de seus braços para o seio de Deus e é tão feliz no Céu! Se meditasse bem no quanto se alegrou o coração de Deus recebendo uma almazinha inocente no Paraíso! Oh! Por certo não havia de se revoltar contra Deus, e numa blasfêmia, queixar-se do Senhor.

“Por que tirou Deus meu filhinho? Por quê? Antes não tivesse ele nascido!”

A mãe de Santa Teresinha, na morte de seus filhos, toda resignada, jamais admitia essa linguagem em seus lábios, linguagem tão comum, infelizmente, disse ela, nas mães sem uma piedade esclarecida, sem uma fé bem viva.

“Deus me deu, Deus me tirou! Bendito seja Deus! Faça-se a Vossa Vontade, meu Deus! Eu Vos entrego, meu Deus, eu Vos restituo o que é Vosso! Tende piedade de uma mãe aflita! Ofereço-Vos, meu Senhor, este sacrifício!”

Rezai assim, mães aflitas. E o consolo de nossa fé há de aliviar a vossa dor.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 350)