Meditação para o Dia 20 de Outubro

Segundo Bossuet, a bondade e a justiça Divinas são como que os dois braços de Deus. Destes, é a bondade o direito. Tudo o que de meritório aparece em todas as obras, é a bondade que faz. Deixem conduzir-se os homens pela bondade e ela os encherá de benefícios e de munificências. A bondade e a justiça operam em campos diferentes. A primeira precede à segunda. O que ela, de princípio,institui, é perfeito e são. Agrega-se-lhe, porém, depois, o pecado, criando o terreno para a ação da justiça. Entre a bondade e a justiça há esta diferença: ao passo que a justiça não invade as atribuições da bondade, esta se antecipa muitas vezes à ação daquela com a munificência do perdão ao delinquente do pecado. Deus é justo, mas é bom também, é naturalmente bom. Assim como a água corre naturalmente da fonte e o sol espalha naturalmente os seus raios, assim também Deus pratica naturalmente o bem e quer naturalmente o bem. Sendo, por natureza, infinitamente bom e possuidor de riquezas infinitas, deve Ele, também por natureza, ser benfazejo, liberal, magnífico. Quando a Justiça de Deus castiga o ímpio, não a move Deus, que não quer a perdição de ninguém, mas sim a malícia e ingratidão que atraem a indignação e o castigo. Se Deus é naturalmente bom, por que o temor? E quem teme a Justiça Divina deve, com todo o cuidado,fugir do pecado, que tanto a provoca.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 315)