Meditação para o Dia 23 de Dezembro

A felicidade na terra é a eterna fugitiva. Um relâmpago. Brilha no oriente, some no ocidente. A terra a vê e exulta, mas ela passa. Passa como a juventude, como a beleza, como o talento, como tudo que é bom. E assim vai esta vida, cheia de dores e mil angústias, entre luzes e trevas. Buscam os homens a Felicidade como quem persegue a própria sombra. E o homem, saciado de prazer e de glória, torna-se infeliz, porque chega à triste realidade das coisas, ao conhecimento experimental da incapacidade de tudo que é finito para lhe saciar o coração. O pobre tem uma ilusão. Quer ser rico. Sonha e vive nessa esperança. É feliz com o pouco que Deus lhe dá. O rico, porém, que viu nas suas mãos o ouro e aproveitou seus tesouros para satisfazer todos os desejos e caprichos, não tem necessidade de filosofia para conhecer o que valem o ouro e os sentidos na questão da felicidade. Basta-lhe um olhar rápido sobre todas as coisas, para que presencie o espetáculo da desolação humana sob a forma mais dramática. O voluptuoso pobre tem ainda uma ilusão. O voluptuoso rico não a tem mais. Perdeu, na saciedade, o último bem dos desgraçados. Só Jesus, que é eterno, e só o Amor Eterno podem consolar-nos, quando, na terra, a eterna fugitiva nos abandona!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 382)