Capítulo 6: A promessa e a doutrina da Eucaristia no Evangelho de São João

I

Se a Pessoa divina, que João nos mostra em seu Evangelho, só tivesse aparecido na terra durante alguns anos, para ir depois extinguir-Se irrevogavelmente pela morte, não deixando senão a lembrança histórica de uma beleza incomparável, porém para sempre desaparecida, teria sido para os homens o objeto de uma admiração religiosa, porém inconsolável. Teríamos considerado especialmente feliz e privilegiada a geração a que fosse dado o espetáculo da visita de um Deus; mas nosso amor ciumento perguntar-se-ia a si mesmo, porque nesta universal e imortal família de Jesus Cristo, só os homens de uma pequena cidade e de uma época longínqua tiveram a honra de Seu convívio divino. Parece mesmo que não teria sido conforme os conselhos e o amor d’Aquele que, segundo a expressão de Bossuet «não se arrepende de seus dons», e que, tendo nos dado seu Filho, se obrigava a no-lo dar de maneira permanente e digna.

A presença de Jesus, pão de vida, na comunhão, ia resolver essas questões e satisfazer a essa necessidade de Deus e do homem. João no-lo ensinou, com os comentários colhidos dos lábios desse próprio Deus vivo e presente no meio de nós até o fim dos tempos. Os três outros historiadores das ações de Jesus nos contaram igualmente a instituição desse augusto Sacramento, mas somente no Evangelho de São João se lê sua promessa, natureza e maravilhosa virtude.

Para compreender esta nova revelação do amor e abraçar o mistério no seu conjunto, convém começar a narrativa do Discípulo pelo milagre da multiplicação dos pães, que forneceu ao Senhor o texto e a ocasião dessas divinas instruções.

Foi durante a última temporada de Jesus na Galileia. Excetuando Nazaré, toda aquela província fizera ao Mestre e aos discípulos carinhosa recepção. Desejando, porém, privar por algum tempo seus discípulos das doçuras desse lugar, e prepará-los para novas lutas, por um retiro recolhido, Jesus tinha passado para o outro lado do lago, num sítio solitário que chamavam de deserto e que ficava vizinho da cidade de Betsaida também chamada Julias.

Apenas chegara, logo juntou-se uma multidão ávida de suas palavras e sobretudo de seus milagres. O deserto é limitado ao norte por uma montanha de encostas suaves. Ali se sentou Jesus Cristo para instruir o povo e curar os doentes. Fez também sentar perto dEle os discípulos, e São João assim dizendo, indica logo o seu lugar e dá a seu testemunho uma primeira garantia de autenticidade. Estava próxima a festa da Páscoa, acrescenta ele. Ora, as horas desse dia celeste iam passando nessa bem-aventurada audiência, ninguém pensara nas necessidades da vida; e, chegando à noite, tornando-se tarde para atravessar de novo o lago em busca de viveres, o Senhor compadecido, inquietou-se de achar alimento para tão grande multidão.

Foi então que Jesus, com um milagre, inaugurou o perpétuo prodígio da caridade cristã multiplicando os pães para todos. Fiel à sua memória, São João começa esta cena por um prólogo íntimo no qual o Mestre e os discípulos comunicam-se entre si os pensamentos. Os outros falam apenas de um modo geral e vagamente; João, testemunha ocular, designa-os pelo nome e individualidade. O Senhor pergunta primeiro a Felipe:

“Onde compraremos pão para toda essa gente?”

Este assusta-se; nem o Mestre nem os discípulos são ricos, e, «nem duzentos dinheiros de pão seriam suficientes para dar um pouco a cada um» responde Felipe. Semelhante observação, provando a impossibilidade de sustentar todo esse povo, afirma de antemão o caráter sobre-humano do fato que se prepara. Vê-se ali ainda uma das atenções habituais às narrativas de São João.

Aparece outro discípulo; é André, irmão de Simão. Diz que um menino tem algumas provisões: cinco pães e dois peixes. Mas, o que é isto para repartir entre tanta gente? acrescenta ele. Jesus, que outrora mudara as pedras em pão, mandou o povo sentar-se na relva, que era espessa nesse lugar, observa João, que de tudo se lembra. Cinco mil homens tomam lugar; os alimentos são bentos pela mão d’Aquele que dum grão de trigo faz sair uma colheita; o povo farta-se; reúnem-se os restos, com os quais se enchem doze cestos (1).

São João nada omite do que lhe causou admiração. Mas nem aqui, nem em nenhum outro lugar, se revela essa admiração por qualquer palavra de entusiasmo ou espanto. É simplesmente o fio da narrativa que se desdobra na mão de uma testemunha sincera. Ele não discorre, conta, e sua narrativa não é senão o sublime relatório do que se lhe passou sob os olhos.

II

Todavia este milagre era somente a figura de um mistério mais elevado, e que forneceu o texto à discursos de uma doutrina sublime.

Entusiasmada com o que acabava de presenciar, a multidão queria tomar consigo o seu benfeitor e fazê-lo rei. Ele, porém, retirou-se para a montanha, e, aproveitando a noite, desceu escondido pelo lado do mar, e, apesar do vento rijo que soprava, caminhava sobre o lago, onde foi encontrado pelo barco dos apóstolos, distante uns trinta estádios da margem, por volta da quarta vigília. Estas notas precisas são de São João que desde a infância conhecia o lago (Jo 6, 19). Receberam-no a bordo, desembarcaram na praia, e seguiram com Ele até Cafarnaum.

O povo de toda a redondeza seguira para lá, insistindo em reconhecê-lO como rei de Israel. A multiplicação dos pães principalmente, confirmava essa crença; pois era uma tradição para os Judeus que o Messias, assim como Moisés, devia fazer descer o alimento do céu (2).

Fazendo então alusão aquela opinião comum, disseram alguns a Jesus:

“Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: Pão do céu lhes deu a comer. Faze-nos ver algum sinal como este a fim de que vendo-o, possamos crer em ti!” – Dixerunt ergo (Judaei): Quid ergó tu facis signum, ut videamus et credamus tibi? Quid operaris? Patres nostris manducaverunt manna in deserto, sicut scriptum est: Panem de coelo dedit eis manducare (Jo 6, 30)

Intimado a dar um pão sobrenatural pelo exemplo de Moisés, Jesus Cristo começou por propor-se a si mesmo como alimento espiritual de vida deificada que trazia ao mundo:

“Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, não terá mais fome, e aquele que crê em mim, jamais terá sede” – Ego sum panis vitae. Qui venit ad me non esuriet, et qui credit in me non sitiet unquam (Jo 6, 35)

Mas, até então, só falava no alimento das almas pela fé, como Ele próprio o explica:

“Em verdade, em verdade, vos digo, aquele que crê em mim tem a vida eterna” – Nemo potest venire ad me nisi Pater, qui misit me, traxerit eum. Omnis qui audività Pâtre et didicit, venit ad me. Amen, amen dico vobis: Qui crédit in me habet vitam æternam (Jo 6, 44-47)

Este pão de fé não tinha analogia alguma com o alimento material do maná, dado por Deus a Moisés. Jesus, portanto, não satisfazia ainda ao pedido dos Judeus; não realizava a esperança da multidão.

E é por isso que, de repente, querendo acentuar mais o seu discurso, chega a promessa de outro pão de vida, superior ao primeiro. João mostra nova e estranha linguagem sobre assunto mais elevado (3). O Mestre não propõe mais vir somente a Ele, ou mesmo crer nEle, mas comê-lO (4). Este pão não é mais abstratamente a fé, este pão é sua carne! E não é por certo uma carne simbólica e imaginaria; Jesus Cristo o explica: A carne que deveremos comer é a verdadeira carne que ele vai breve entregar para a redenção do mundo (5), a mesma da qual São João dizia que o Verbo se fez carne. Esta participação à sua carne divina, é não somente um preceito, mas uma condição expressa de vida e de salvação.

Depois, como se não fosse bastante formal esta ordem de comer sua carne, Jesus a completa pela de beber o seu sangue, o que é mais categórico, mais incrível, mais alegoricamente; inexplicável ainda! (6)

Assim, não vemos mais figura nem símbolo possíveis, Jesus tinha cuidado de condená-lo de antemão:

“A minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida” – Caro enim mea verè est cibus; et sanguis meus veré est potus (Jo 6, 56)

Há pouco Ele quisera interpretar a imagem da fé que apresentava; agora, nada mais explica, porque nada é figurado; e a plena certeza de uma presença real de seu corpo, de seu sangue, de sua humanidade, de sua divindade, surge mais nítida em cada frase, mais distinta e mais insistente.

Ao passo que primeiro, falando do pão da fé, Jesus só pedia aos homens para «vir a ele atraídos pelo Pai»: declara agora que este outro pão é Ele mesmo, que vai ficar em nós como nós nEle (7). Ainda agora, exaltando o pão da divina palavra, referia-se a Ele como a um dom já dado e aceito: «O pão de Deus, dizia, desceu do céu. Ele dá a vida ao mundo»; mas o pão que é sua carne, ainda é só uma promessa: «O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo» (8), repete Ele. Ainda não instituíra a Ceia; anuncia-a: devia ser o dom do futuro.

Quem podia enganar-se? Que havia de mais claro? E ao mesmo tempo sob que fórmulas mais solenes poder-se-ia proclamar mistério mais divino?

Era primeiramente uma afirmação, a afirmação persistente da realidade do corpo e sangue divinos, presentes na Eucaristia, para ser o alimento do mundo.

Era, em seguida, um juramento, juramento solene da verdade que só pode jurar por si mesma:

“Em verdade, em verdade, vos digo!”

Era uma lei concisa, universal, revestida de sua sanção:

“Em verdade, vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”

Enfim, era um protesto enérgico contra as obstinações da incredulidade: Jesus Cristo a mantinha diante dos dissidentes. E como para este milagre fosse necessário uma garantia qualquer que dele se tornasse a prova, o Senhor apelava para o dia em que os Judeus veriam essa mesma carne ressuscitada, livre das leis da matéria grosseira, subir triunfante à direita do Pai, sem cessar de permanecer viva nos altares:

“Isso vos escandaliza? Que direis então se virdes o Filho do homem subindo aonde estava antes?” – Hoc vos scandalizat? Si ergo videretisillium hominis ascendentem ubi erat prius? (Jo 6, 62)

E, por um verdadeiro prodígio de força e de ternura, o Rei da Igreja e das almas ia fixar a morada no centro de seu império, sem, todavia, renunciar a voltar à gloria do Reino dos céus. Jesus Cristo ia viver não somente conosco, mas em nós.

Assim o entenderam os Judeus para quem esta doutrina era tão clara na fórmula e tão misteriosa no sentido, que, não podendo negá-la nem compreendê-la, resolveram desprezá-la e abandonar Jesus (9).

Assim o entendia o Mestre, que se compadece deles, que os ama, mas que prefere deixá-los e afastar-se, a retratar-se, porque Ele não pode transigir com a verdade, nem dizer o que não é.

Assim o entendia São João, em quem a lembrança da divina entrevista deixara uma inteligência tão pura e completa. Auditor íntimo da doutrina de Jesus, pode-se notar que se fez também o intérprete dela sempre que foi preciso. Teve principalmente cuidado de corrigir os erros dos Judeus, de determinar o sentido dos termos figurados de que se servia o Mestre. Quando o Senhor dizia: «Eis que nosso amigo Lázaro dorme», São João referia-se ao sono da morte. Quando Jesus falava em reedificar o Templo de Deus em três dias, João interpretava o templo de seu divino corpo. Mas aqui nenhum comentário esclarece nem atenua a palavra do Mestre. Como os Judeus, João bem vê, que esta palavra é dura; é, porém, tão positiva, que só resta adorá-la.

“E para quem havemos de ir, Senhor? diz Pedro, tu tens as palavras da vida eterna” – Domine ad quem ibimus? Verba vitae aeternae habes! (Jo 6, 69)

III

Enquanto nos dava esta revelação plena e certa do mistério, Jesus nos ensinava com as mesmas palavras quanto bem fluiria dEle no mundo deificado. A virtude da Eucaristia e da Comunhão resumia-se para São João numa palavra que diz tudo, que ele repete constantemente, e esta palavra é «a Vida».

A vida assim compreendida, a vida sobrenatural, não era mais que uma participação da vida mesma de Deus:

“Assim como me enviou o Pai que vive, e eu vivo pelo Pai; do mesmo modo o que me come, também viverá por mim” (10)

Eis porque esse pão se chama o pão celeste, o pão descido dos céus, não sendo a terra capaz de nos proporcionar alimento que desse vida. Depauperara-se desde o pecado, como seiva esgotada que não dá mais frutos. Nem luz, nem amor, nem força, era «a morte» segundo a expressão ordinária de São João.

Ora, o novo maná vinha conferir à alma, em cada um de seus domínios, uma vitalidade superior e imortal.

— Vida de inteligência, a Eucaristia continha uma revelação completa da verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre nós.

— Vida do coração, a Eucaristia oferecia ao amor o objeto ao mesmo tempo, real e ideal, começando por matar pela comunhão a sede profunda de amar que não será saciada senão no reino dos céus.

— Vida de vontade; a Eucaristia era o alimento da força que ia criar os santos, as virgens e os mártires. Era o Cristo todo Ele, que se introduzia nas almas, com esta tríplice beleza de inteligência, de coragem, de amor fecundo que João lhe tinha visto:

“Aquele que come minha carne fica em mim e eu nele. — Eu vivo, vós também vivereis, repetia em outro lugar

Não tínhamos sobre a terra senão a vida por fragmentos; a Eucaristia nos dava em Jesus a plenitude «a exuberância da vida», como dizia Ele próprio.

Não tínhamos sobre a terra senão a vida separada; o pão divino nos fazia participar da vida reunida, unindo-nos não somente real e substancialmente a Deus, mas moralmente a todas as almas fraternais que se alimentam com Ele.

Não tínhamos sobre a terra senão um esboço da vida; Jesus nos fazia entrar na vida completa, perpetuada, eterna:

“Aquele que comer deste pão viverá eternamente”

Enfim o próprio corpo, vivificado por esse pão, ia receber dele gérmen de ressurreição, que devia finalmente salvá-lo do nada, e fazer brotar a vida do seio mesmo do túmulo:

“Vossos pais comiam o maná no deserto, no entanto morriam… O que come a minha carne, e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”

Era, portanto, a regeneração total de todo o nosso ser, e São João poderá exclamar com entusiasmo e ação de graças:

“Quanto a nós, sabemos que passamos da morte à vida”

IV

Tendo assim aprendido o dogma da Eucaristia na escola do Mestre, para no-lo repetir, tendo também conhecido a graça da Eucaristia, São João volta atrás; e assim como tinha resumido sua virtude numa só palavra; a vida, assim também nos descobriu seu princípio fecundo em outra palavra: O amor.

João não foi o historiador do Sacramento: foi o filósofo e o teólogo. O rito, as circunstâncias de sua instituição foram narradas antes dele. Mas, na sua narração tendo chegado a hora em que o Senhor Jesus ia passar deste mundo a seu Pai, deixando-nos este grande penhor, João lembra somente que, tendo amado os seus que estavam no mundo, Jesus Cristo amou-os até o fim (11). A sagrada Eucaristia era para ele este fim, isto é, como explica Santo Agostinho, o fim, o termo absoluto do amor (12).

Era com efeito, o amor levado aos limites extremos, tal qual o homem podia imaginar, mas que só um Deus podia realizar.

Era o amor indo aos limites do tempo pela perpetuidade, pois, enquanto neste mundo os laços mais sólidos se rompem, o divino amigo comprometia-se a ser nosso hóspede até o fim dos séculos.

Era o amor chegando aos últimos limites da extensão como da duração; e quando conosco a enfermidade do amor é ser prisioneiro do espaço e definhar tristemente do mal irremediável da separação, o amor de Deus achará o segredo de estar em toda a parte, em pessoa, inteiro, dando-se a cada um dos filhos dispersos de sua enorme família.

Era o amor vencedor das fronteiras dos corpos, penetrando e unindo as almas; enquanto nossas alianças não atingem o ser humano senão no que ele tem de ínfimo; enquanto as formas de linguagem que representam uma vida que se confunde com outra são apenas uma metáfora e uma bela poesia, a comunhão com Jesus era tão real, tão profunda, que se parecia com a das três Pessoas divinas formando um só Deus.

Assim, a presença real e perpétua, a comunhão, o sacrifício, tudo o que nos confunde, tudo o que nos enleva, tudo o que surpreende o espírito, tudo o que pede o coração, acha sua razão de ser na frase de São João: In finem dilexit; a Eucaristia era o infinito do amor.

Seria o homem entregue a si mesmo capaz de atingir a essa doutrina? Mesmo um discípulo qualquer que não fosse o discípulo predileto, tê-la-ia colhido tão completa e tão viva dos lábios de Deus? Os Padres não o puderam acreditar. Disseram que uma ciência tão elevada e tão íntima da Divindade não podia ser colhida senão na própria fonte. Lembraram-se então da noite misteriosa, quando São João repousou sobre o seio de seu mestre, e calcularam que, se os grandes pensamentos vem do coração, os pensamentos divinos só poderiam vir do coração de Deus (13).

Aproximemo-nos desse coração, cheguemo-nos a essa fonte, vejamos como se passou aquela noite.


Referências:

(1) Este lugar célebre é ainda hoje visitado. “Aproximava-nos de Tiberíades, conta M. de Sauley, quando chegamos à beira de um barranco onde alguns rochedos de basalto se elevavam um pouco acima da relva: ‘Chouf, disse-me o muçulmano, olha estas pedras, são as pedras dos cinco pães’. Assim, para os muçulmanos, como para os cristãos, foi ali que se deu o milagre da multiplicação dos pães. Além disso seria difícil parar para uma pregação em lugar onde a vista dos auditores pudesse abranger mais grandioso panorama. E, se a tradição é verdadeira, o que quero crer, o Cristo escolhera para espalhar sua palavra viva, um dos lugares mais belos que existem no mundo”. (Voy, autor de la Mer Morte et des terres bibliques, t. II, p. 461).

(2) No Midrasch Coteleth, ou Exposição do Eclesiaste, uma das primeiras obras escritas pelos Judeus depois de Cristo, lê-se textualmente: «Assim como foi o primeiro Goel ou Libertador, assim será o segundo. O primeiro Libertador fez cair o maná do céu, conforme está escrito: «Farei, chover sobre vós pão do cu». Assim também o último Goel fará descer o maná dos céus.»

(3) Esta mudança começa no versículo 48. Além de todos os católicos, Calixto, Hackspan, Grunembert, e o inglês Jeremy Taylor, assim como muitos outros protestantes distintos, estão de acordo em ver nisso a promessa da Eucaristia. V. principalmente as dissertações decisivas de Mons. Wiseman, De la présence réelle.

(4) Hic est panis de cœlo descendes: ut si quis ex ipso manducaverit, non moriatur (Jo 6, 50)

(5) Et panis quem ego dabo, caro mea est pro mundi vitâ. (Jo 6, 52)

(6) Nisi manducaveritis carnem Filli hominis et biberitis ejus sanguinem, non habebitis vitam in vobis (Jo 6, 54)

(7) Qui manducat meam carnem et bibit meum saguinem in me manet, et ego in illo (Jo 6, 57)

(8) Panis enim Dei est qui de coelho descendit et dat vitam mundo (Jo 6, 33)
Panis quem ego dabo, caro mea est pro mundo vita (Jo 6,57)

(9) Ex hoc multi discipuli ejus abierunt retró: et jam non cum illo ambulabant (Jo 6, 67)

(10) Sicut misit me vivens Pater, et ego vivo propter Patrem; et qui manducat me, et ipse vivet propter me (Jo 6, 58). V. os comentários desta doutrina em Santo Agostinho in Evang. S. Joan. Tract. XXVI, cap. VI, col. 1612.

(11) Anté diem festum Pascae, sciens Jesus quia venit hora ejus ut transeat ex hoc mundo ad Patrem, quam dilexisset suos qui erant in mundo, in finem dilexit eos (Jo 12, 1)

(12) Santo Agostinho in Ev. Joan. Tract., LIV, col. 1785. «Semper et sine fine nos dilexit».

(13) Santo Ambrósio. Ep. CI, II, ep. LXV. «In Christi pectore recumbebat Joannes, ut de principali illo secretoque sapientiae fonte hausisse divina proderetur mysteria»

São João Crisóstomo, de Incomprehensibili Homil. IV, n. 3.

Santo Agostinho, de Consensu Evangelior. I, IV.

Num hino das margens do Rheno cantava-se a São João:

Jesu cum recubuisti
Supra pectus, ebibisti
Dicta evangel icà.

Em Veneza diziam-lhe:
Tu sopr’el sacro pecto se discerno
Di Jhesu possend’l tesor gustasti
De gran secreti, ehe son net ciel superno.
(Hymni latini medií cevi, Fr. Jos, Mone, t. I. p. 120).

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(BAUNARD, Monsenhor L’abbé Loui. O Apóstolo São João. Rio de Janeiro, 1974, p. 95-108)