Tag: vida dos santos (Page 1 of 4)

Festa de São Bartolomeu, Apóstolo

Maiorem hac dilectionem Demo habet, ut animam suam ponat quis pro amicis suis —“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida por seus amigos” (Jo 15, 13)

Sumário. Consideremos como este grande santo, depois de haver sacrificado ao amor de Jesus Cristo todos os bens de fortuna, lhe sacrificou também o corpo e a vida, pelo seu generoso martírio. Ó! Que belo exemplo para nós, se o soubermos aproveitar. Não basta que tenhamos sacrificado ao Senhor os bens da terra, ao menos desligando deles o nosso afeto: mister é que lhe sacrifiquemos também o corpo, deixando-o, por assim dizer, esfolar vivo pelas enfermidades e humilhações, e mortificando-o pelas austeridades e penitências. Devemos, numa palavra, despojar-nos do homem velho e vestir-nos do novo, que é criado segundo o Coração divino. Continue reading

Festa de São Joaquim, pai de Maria Santíssima

Constituit eum dominum domus suae, et principem omnis possessionis suae —“Constituiu-o senhor da sua casa e por príncipe de tudo o que possuía” (Sl 104, 21)

Sumário. A glória que São Joaquim e Santa Ana gozam no céu é muito grande, porque é proporcionada aos seus merecimentos e à sua dignidade. Para formarmos uma ideia da eficácia do seu patrocínio, basta esta reflexão: São os pais de Maria, a tesoureira de todas as graças. Como, pois, poderá esta filha deixar de atender aos seus pais, quando estes rogam pelos seus devotos? Avivemos nossa devoção para com os santos cônjuges, e rendamos graças à Santíssima Trindade pelas prerrogativas a eles concedidas. Assim ao mesmo tempo honraremos a Santíssima Virgem. Continue reading

Festa de São Caetano

Quaerite primum regnum Dei et iustitiam eius; et haec omnia adicientur vobis — “Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça; e todas estas coisas se vos acrescentarão” (Mt 6, 33)

Sumário. Posto que este santo fosse heroico em todas as virtudes, a virtude nele característica foi a sua inalterável confiança em Deus, entregando a sua pessoa e a Ordem por ele fundada inteiramente à divina Providência. À imitação do santo, expulsemos de nosso coração a solicitude pelos bens temporais e busquemos primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça; estejamos certos de que o Pai celestial proverá a todas a nossas necessidades. Quando jamais se ouviu dizer que alguém tivesse posto a sua confiança no Senhor e ficasse confundido? Continue reading

Festa de Santo Inácio de Loyola

Quicumque glorificaverit me, glorificabo eum — “Eu glorificarei a quem me glorificar” (1 Sm 2, 30)

Sumário. O que mais distinguiu Santo Inácio foi o seu zelo pela glória divina. Foi um zelo esclarecido, porque, tendo começado por glorificar a Deus em sua própria pessoa pelo conhecimento e pelo amor, passou em seguida a glorificá-lo no próximo, promovendo de todos os modos o conhecimento e amor de Deus. E Deus, que se não deixa vencer em generosidade, ó, quão bem soube remunerar o seu servo, tanto nesta vida como na outra! Rejubilemo-nos com o santo, e agradeçamos por ele ao Senhor; e, para termos parte na recompensa do santo, imitemos os seus exemplos.

I. O caráter distintivo do grande Santo Inácio é o seu zelo pela glória divina; mas um zelo prudente e esclarecido, porque começou por glorificar a Deus em sua própria pessoa, por meio de uma conversão verdadeira. Quando estava doente de uma ferida, leu, por uma disposição da Providência, um livro de vidas de santos, e impressionado pelos atos sublimes daqueles heróis, sentiu-se abrasado no desejo de os imitar. Por que, dizia de si para si, como Santo Agostinho, por que não poderás tu fazer o que fizeram tantos jovens de toda condição, de ambos sexos? Tinham eles porventura uma natureza diferente? Serviam a outro senhor? Aspiravam a outro fim? Tu non poteris quod isti et istae?

Quando estava curado, fez Santo Inácio uma peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Montserrat; e, depois de fazer uma confissão geral dos seus pecados, retirou-se para a gruta de Manresa, a fim de praticar as penitências mais ásperas. Às austeridades exteriores, com as quais o santo castigava o seu corpo, Deus, a fim de purificá-lo mais, acrescentou outros sofrimentos de espírito. Permitiu que todas as cruzes da vida espiritual viessem pesar sobre ele; mas ao mesmo tempo deu-lhe amor e força para carregá-las com resignação.

Depois de ter assim glorificado a Deus em sua própria pessoa pelo conhecimento e amor, Inácio começou a glorificá-lo no próximo, promovendo de todos os modos este conhecimento e amor do Bem supremo. E porque as suas próprias forças não condiziam com a grandeza de seu coração, resolveu fundar a Companhia de Jesus, por meio da qual o seu zelo se estende a todos os tempos, a todas as idades, a todas as condições, a todas as nações da terra.

Rejubila-te aqui com o santo, e rende graças a Deus por lhe haver comunicado tão alta virtude. Ao considerares que ele ainda continua a promover a glória de Deus, por meio dos religiosos, seus filhos, pede a Deus que os faça crescer em número, os proteja nas perseguições e dê a todos a santa perseverança.

II. Deus nunca se deixa vencer em amor; e se Inácio foi generoso na promoção da glória divina, mais generoso foi o Senhor para com ele em remunerá-lo desde a vida presente:

“Eu glorificarei a quem me glorificar” (1)

Antes que o santo se tivesse convertido plenamente, enviou-lhe Deus do céu o Príncipe dos apóstolos, a fim de lhe curar a ferida, e pouco depois a mesma Bem-aventurada Virgem com o divino Menino, a qual pela sua presença extinguiu nele para sempre toda a inclinação aos prazeres sensuais.

Depois da conversão do santo, apareceu-lhe Jesus Cristo inúmeras vezes, tratando-o com familiaridade incrível, afirmando-lhe a sua proteção e revelando-lhe segredos acerca dos mistérios mais sublimes. Mais: Deus fê-lo autor do livro exímio dos “Exercícios espirituais”: e visto que então o santo mal sabia escrever, ordenou que na composição deste livro a divina Mãe o assistisse de um modo especial. Mas a glória mais bela com que Deus remunerou o seu glorificador é esta: fê-lo pai de uma Ordem que deu e ainda dá tantos santos à Igreja, tantos apóstolos ao mundo e tantas almas a Deus.

Ao pensar em tamanha glória de Inácio, sentes desejo de participar dela; mas deves então imitar primeiro as virtudes do santo e especialmente o seu zelo pela glória de Deus. Começa, com ele, por glorificar a Deus em ti mesmo, por meio de uma verdadeira emenda, pois que “aquele que é mau para si, não pode ser bom para os outros” (2). Para este fira recomenda-te ao Senhor pelos merecimentos do santo.

“Ó meu Deus, Vós, que para dilatar mais a glória do vosso Nome fortalecestes por intermédio de Santo Inácio a Igreja militante com um novo auxílio, concedei-me propício que, com o auxílio e à imitação deste santo, combatendo cá na terra mereça ser coroado com ele no céu” (3). Fazei-o pelo amor de Jesus e Maria.

Referências:
(1) 1 Sm 2, 30.
(2) Eclo 14, 5.
(3) Or. festi.

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano Eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 340-343)

Festa de Santa Ana, Mãe de Maria Santíssima

Laudemus viros gloriosos et parentes nostros in generatione sua — “Louvemos aos varões gloriosos e aos nossos pais na sua geração” (Eclo 44, 1)

Sumário. A dignidade de Santa Ana e de São Joaquim é tão grande, que a inteligência humana não a pode compreender. São os pais de Maria Santíssima e portanto os avoengos de Jesus Cristo quanto à natureza humana. A sua santidade é proporcionada à sua dignidade, porquanto é fora de dúvida que Deus lhes comunicou graças proporcionadas ao ofício ao qual os quis destinar. Alegremo-nos com os santos esposos e vejamos se lhes temos uma devoção especial, pela imitação das suas virtudes, especialmente do seu espírito de sacrifício e do seu amor para com Deus e o próximo. Continue reading

Festa de Santa Maria Madalena Penitente

Remittuntur ei peccata multa, quoniam dilexit multum — “Perdoados lhe são muitos pecados, porque muito amou” (Lc 7, 47)

Sumário. Que belo modelo de penitência nos propõe a Igreja na pessoa de Madalena! Ela obedece prontamente ao convite de Deus, e, triunfando de todo o respeito humano, vai logo prostrar-se aos pés de Jesus Cristo. Uma vez absolvida de seus pecados, não recai mais; e, correspondendo fielmente à graça, chega ao auge da perfeição. Não desanimemos, pois, seja qual for o nosso estado, contanto que, depois de termos imitado Madalena em seus desvarios, a imitemos também na sua penitência. Continue reading

Festa de São Vicente de Paulo

Oculus fui caeco, et pes claudo; pater eram pauperum — “Eu fui o olho do cego e o pé do coxo; eu era o pai dos pobres” (Jó 29, 15-16)

Sumário. O caráter distintivo deste santo é a sua caridade para com os pobres, de modo que não havia calamidade que ele não procurasse remediar. O que o animava e o sustentava no meio dos trabalhos do seu apostolado, era o seu amor para com Deus e a dignidade sublime dos pobres quando considerados à luz da fé. Ah! Se amássemos a Jesus Cristo e nos habituássemos a vê-lo na pessoa dos pobres, a nossa caridade também seria fecunda em santas ações! Continue reading

Festa de São João Batista

Non surrexit inter natos mulierum maior Ioanne Baptista — “Entre os nascidos de mulheres outro não se levantou maior que João Batista” (Mt 11, 11)

Sumário. Grandes são os privilégios que Deus concedeu a seu Precursor, porque reuniu nele só as prerrogativas repartidas entre os outros santos; fazendo-o Patriarca, Profeta, Apóstolo, Evangelista, Mártir, Anacoreta, Virgem. E quão bem soube o santo corresponder à liberalidade divina. Nós também recebemos de Deus muitos favores; mas como é que lhes temos correspondido? Lembremo-nos, porém, que o melhor meio para receber novas graças é o bom uso das já recebidas. Continue reading

Festa de São Filipe Neri

Suscitabo mihi sacerdotem fidelem, qui juxta cor meum et animam meam faciet — “Eu suscitarei para mim um sacerdote fiel que fará tudo segundo o meu coração e a minha alma” (1 Sm 2, 35)

Sumário. São muitas as virtudes que adornaram a vida deste santo, mas a que mais o distinguiu e dele fez um sacerdote segundo o coração divino, foi o seu amor a Deus e ao próximo. Para o remunerar, também à vista dos homens, Deus o fez pai de uma família santa e numerosa, e o fez morrer vítima de amor, na festa do Corpo de Deus. Regozijemo-nos com São Filipe; agradeçamos por ele a Deus e, olhando em seguida para o estado da nossa alma, envergonhemo-nos da nossa tibieza. Continue reading

Festa de São João ante a Porta Latina

Calicem quidem meum bibetis — “Haveis de beber o meu cálice” (Mt 20, 23)

Sumário. Não bastou ao discípulo predileto o ter sofrido no Gólgota um martírio interior. Para plena realização da profecia de Jesus Cristo, que havia de beber o cálice da sua Paixão, foi necessário que padecesse também um martírio exterior, tal como de fato o sofreu quando foi lançado em uma caldeira cheia de azeite a ferver. Deus, porém, preservou-o milagrosamente, e deu a São João a glória do martírio, sem que se lhe abreviasse a vida. Regozijemo-nos com o santo e peçamos que nos alcance a graça de imitarmos as suas virtudes, especialmente o seu amor para com Deus e para com o próximo. Continue reading

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