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A Eucaristia, Força e Consolação do Cristão

Meditação para a Terça-feira na oitava do Santíssimo Sacramento. A Eucaristia, Força e Consolação do Cristão

Meditação para a Terça-feira na oitava do Santíssimo Sacramento

SUMARIO

Consideraremos a Eucaristia:

1.º Como a força do cristão;

2.° Como sua consolação e a sua alegria.

— Tomaremos depois a resolução:

1.º De recorrermos ao Santíssimo Sacramento nas nossas tentações, nos nossos trabalhos e desalentos;

2.° De olharmos como os instantes da vida mais venturosos e mais bem empregados os momentos, que pudermos passar na presença do Santíssimo Sacramento.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“Quão amáveis são os vossos tabernáculos, Senhor dos exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor” – Quam dilecta tabernacula tua, Dominum virtutum! Concupiscit et deficit anima mea in atri, Domini (Sl 83, 2)

Meditação para o Dia

Voltemos ao santo tabernáculo: prostremo-nos com todos os sentimentos de respeito e de amor diante do nosso Deus todo abrasado em amor por nós (1). Louvor, amor, benção ao Cordeiro imolado.

PRIMEIRO PONTO

A Eucaristia é a Força do Cristão

A experiência demonstra-nos esta verdade: é a Eucaristia, que tem dado aos mártires o valor para arrostar os tormentos e a morte; é a Eucaristia, que dá à virgem cristã a dedicação para socorrer todas as misérias humanas nos hospitais, nos campos de batalha, apesar dos perigos da peste e de mil outros: a alma que vê um Deus dar-Se todo inteiro a ela, sente que é justo, que ela se dê também toda inteira a Ele; não só O deseja, mas O quer tão firmemente, que se acha alegria nos sacrifícios e força para vencer todos os obstáculos. O que me come, diz Jesus Cristo, viverá eternamente (Jo 6, 59); tirará de mim a força para alcançar a vida eterna (2). E enquanto a Eucaristia torna o cristão mais forte, elevando-o acima de si mesmo, algumas vezes às mais sublimes virtudes, torna mais fraco o inimigo da salvação: porque, dizem os concílios e os Padres, ela modera o fogo das paixões e diminui o ardor da concupiscência. São fatos provados pela experiência; enquanto frequentamos os Sacramentos, persistimos no bem; apenas os abandonamos, relaxamo-nos, entibiamo-nos, caímos em culpa. A alma privada do alimento, que é a sua força e a sua vida, desfalece e morre.

SEGUNDO PONTO

A Eucaristia é a Consolação e a Alegria do Cristão

Que triste se ia a vida sem a Eucaristia! As nessas igrejas nada teriam já que nos falasse ao coração, nem a que o coração pudesse falar. O mundo inteiro não seria mais que um desterra, sem nenhuma memória da nossa pátria, que é o céu. Todas as penalidades da vida seriam sem consolador, as trevas sem luz, as dúvidas sem conselho. Mas pela Eucaristia, tudo se muda em alegria e felicidade. As nossas igrejas tornam-se um paraíso, onde a alma vem gozar de antemão as delícias do céu e cantar com o Salmista:

“Quão amáveis são os vossos tabernáculos, Senhor dos exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor”

É ali que se acha o antegosto da pátria. Quando Vos possuímos, ó meu Deus! Temos tudo; e o coração contente nada mais tem a desejar (3). Nós lemos no Antigo Testamento, que Anna, mãe de Samuel, só achava consolação, quando ia desafogar o seu coração aflito diante da arca do Senhor; quanto mais verdadeira consolação achamos nós aos pés da nossa divina arca, que é Jesus Sacramentado, quando lemos alguma aflição ou necessidade urgente! Nunca nos chegamos a Ele com fé e confiança, que não sejamos consolados (4). Os homens só são consoladores importunos, dizia Jó (5). Mas Vós o Deus dos nossos tabernáculos, Sois o verdadeiro consolador; reanimais o coração desfalecido, alegrais a alma aflita, e fazeis que lhe volte a tranquilidade e a paz. Oh! Quanta razão tínheis para dizer:

“Vinde a mim todos os que andais em trabalho e vos achais carregados, e eu vos aliviarei?” – Venite ad me, omnes qui loboratis et onerati estis et ego reliciam vos (Mt 11, 28)

A alma, que vai expôr-Vos as suas dores com simplicidade, como um amigo a um amigo, como um filho a seu Pai, sai sempre de junto de Vós consolada; e os que não vêm desafogar as suas aflições diante dos Vossos tabernáculos, privam-se das maiores delícias da vida.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Venite, adoremus, et procidamus… ante Dominum (Sl 94, 6)

(2) Qui manducat meam carnem et bibit meum sanguinem, bibet vitam aeternam (Jo 6, 55)

(3) Quid mihi est in caelo? Est a te quid voli super terram (Sl 72, 25)

(4) Accedamus cum vero corde in plenitudine fidei (Hb 10, 22)

(5) Consolatores onerosi (Jó 16, 2)

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo III, p. 170-173)

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