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Meditação para o III Domingo da Páscoa

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

A Palavra de Deus deste Domingo do Tempo Pascal recorda-nos um fato histórico tremendo, ao mesmo tempo misterioso e doloroso: os judeus, povo a quem fora prometido o Messias, povo que esperou o Messias, não acolheu esse Messias! E tudo terminou num desastre:

“Vós rejeitastes o Santo e o Justo. Vós matastes o Autor da Vida. Vós O entregastes e O rejeitastes diante de Pilatos”

Eis, caríssimos: misteriosamente o Povo de Deus do Antigo Testamento não foi capaz de reconhecer o Messias que lhe fora enviado e o entregou a Pilatos, que O mandou crucificar.
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Meditação para o III Domingo da Quaresma

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

Comecemos pela primeira leitura a nossa meditação da Palavra de Deus para este Domingo.

Que nos apresenta o Livro do Êxodo? As Dez Palavras, os Mandamentos de Torá. A palavra “mandamento” tem, hoje um significado antipático. Não gostamos de mandamentos, de normas, de preceitos. No entanto, para um judeu – e também para um cristão -, os preceitos, os mandamentos do Senhor, são uma bênção, um sinal de carinho paterno de Deus, que Se volta para nós e nos abre o Seu Coração, falando-nos da vida, mostrando-nos o caminho, iluminando a direção da nossa existência. Foi com esse sentido que o Senhor nosso Deus deu a Lei, revelou os preceitos a Israel. A Lei não deveria ser vista como um feixe pesado e opressor de proibições, mas como setas que apontam para o caminho da Vida e nos fazem descansar no Coração de Deus.

O próprio termo hebraico torá, que traduzimos por lei, significa, na verdade instrução. Na Lei, na Instrução, Deus nos fala da vida porque deseja conviver com o Seu povo. Sendo assim, os preceitos são uma bênção! O profeta Baruc afirma isso com palavras comoventes: Escuta, Israel, os mandamentos da Vida; presta ouvidos, para conheceres a prudência. Por que Israel, por que te encontras na terra dos teus inimigos, envelhecendo em terra estrangeira? É porque abandonaste a fonte da Sabedoria. Ela é o livro dos preceitos de Deus, a Lei que subsiste para sempre: todos os que a ela se agarram destinam-se à Vida, e todos os que a abandonam perecerão. Volta-se, Jacó, para recebê-la; caminha para o esplendor, ao encontro de sua luz! Não cedas a outrem a tua glória, nem a um povo estrangeiro os teus privilégios. Bem-aventurados somos nós, Israel, pois aquilo que agrada a Deus a nós foi revelado” (Br 3,9-10.12; 4,1-4).

Eis, pois, o que são os mandamentos: uma luz, um caminho de liberdade, porque nos faz conhecer o Coração de Deus e os Seus sonhos para nós. Viver na Palavra de Deus, mergulhar nos Seus preceitos é viver o Seu sonho para nós, é ser livre, maduro e feliz. Por isso o Salmista, hoje, canta:

“A Lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos!”

E, no entanto, Israel violou a Lei de Deus, fechou-se para os preceitos do Senhor… E por quê? Porque não basta seguir um feixe de regras e normas para agradar a Deus. A Lei somente tem sentido se for vivida como uma relação de amor. Olhai bem como começa o Decálogo: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de Mim”. Aqui está já dito tudo: por lado Deus, apaixonado, fiel, amoroso: tirou o Seu povo da miséria de suas escravidões. Por outro lado, o povo: de quem Ele espera um coração totalmente dedicado ao seu Deus: “Não terás outros deuses diante de Mim!” É esta relação de amor que Israel quebrou, contentando-se muitas vezes com um legalismo vazio e frio.

A imagem dessa situação, vemo-la no Evangelho de hoje: o Templo, lugar do encontro de Deus com o Seu povo, transformado numa espelunca, numa casa de comércio, um lugar de prostituição do coração, de idolatria É idolatria a ganância, é idolatria a impiedade, é idolatria reduzir a religião a um negócio lucrativo, é idolatria pensar que se pode manipular Deus com um dízimo, com um rito ou com um volume da Bíblia! O Senhor previne: “Eu sou o Senhor vosso Deus que não aceita suborno!” (Dt 10,17) Por isso Jesus age de modo tão violento: “Fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. Disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai isso daqui! Não façais da Casa de Meu Pai uma casa de comércio!’” que significa este gesto de Jesus? É uma pregação pela ação, uma ação profética, uma ação, um gesto que vale por uma pregação. Jesus está revelando a santa ira de Deus contra o seu povo… Hoje em dia, com uma mania boboca de sermos politicamente corretos (coisa que nunca assentará num cristão), ficamos escandalizados com um Deus que Se inflama de ira, com um Jesus que deveria ser mansinho, bonzinho, tolinho, aguadozinho, insossinho, e aparece, no entanto, firme, forte, radical… e irado! Esse é o Jesus de verdade: surpreendente, desconcertante! Sua ira nos previne no sentido de que não podemos brincar com Deus, não podemos fazer pouco Dele! Correremos o risco de perdê-Lo, de sermos rejeitados do Seu Coração! Em outras palavras: a conversão é uma exigência fundamental para quem deseja caminhar com Deus, sendo discípulo do Filho Jesus! Mas, os judeus, ao invés de compreenderem isso, com cinismo criticam Jesus e pedem-Lhe um sinal:

“Que sinal nos mostras para agir assim?”

Vede bem, caríssimos: quando a infidelidade é grande, quando o nosso coração habituou-se no mal, corremos o risco de sermos tomados de tal cegueira, de tal dureza de coração, que já não vemos nem com a Luz! Jesus é a luz que brilha claramente. Sua atitude dura, recorda aos judeus o amor de Deus que foi traído, a Lei que foi deturpada, e eles ainda pedem por sinais…

Jesus dá um sinal, terrível, decisivo:

“Destruí este Templo, e em três dias Eu o levantarei”

Que significa isso? “Estais destruindo este Templo? Ele é um sinal, é um símbolo profético: ele é o lugar no qual o homem pode encontrar Deus, ele é imagem do Meu corpo. Pois bem! Vós violastes a aliança, destruístes o sentido da relação com Deus: continuais, pois a destruir este Templo. Mas em três dias Eu o erguerei para sempre: vai passar a imagem, virá o Templo indestrutível, o lugar onde um novo povo poderá para sempre encontrar Deus: o Meu corpo morto e ressuscitado!” Eis o sinal, surpreendente, escandaloso: à infidelidade do seu povo, Deus responde entregando o Seu Filho e fazendo Dele o lugar da salvação e da graça, da Vida e da vitória da humanidade! É o que São Paulo nos diz na segunda leitura deste hoje:

“Os judeus pedem sinais, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos”

O sinal que Deus apresenta para Israel, o remédio que Deus preparou para curar a violação da Lei é o seu Filho crucificado, morto e ressuscitado!

Caríssimos, olhemos para nós, o Novo Povo de Deus, o Povo nascido da morte e ressurreição de Cristo. Não somos mais obrigados a cumprir os detalhados preceitos da Lei de Moisés mas, somos convidados a olhar o Crucificado, cujo corpo macerado é o lugar do perdão e do encontro com Deus, o lugar da nova e eterna Aliança… Olhando o Crucificado, ouçamos, mais uma vez, como Israel:

“Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da casa da escravidão, da miséria do pecado e da morte, da escuridão de uma vida sem sentido! Eu te dei o Meu Filho amado! Não terás outros deuses diante de Mim!”

Compreendeis, irmãos? Os preceitos do Antigo Testamento passaram; não, porém, a exigência de um coração todo de Deus, um coração que o ame, um coração sem divisão! E, para nós, a exigência é ainda maior, porque Israel não tinha ainda visto até onde iria o amor de Deus; quanto a nós, sabemos:

“Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a Vida eterna” (Jo 3,16)

Caríssimos em Cristo, convertamo-nos! Ergamos os olhos para o Crucificado, “Poder de Deus e Sabedoria de Deus”, e mudemos de vida! Que nossa fé não seja fingida, superficial, descomprometida; que nossa religião não seja simplesmente uma prática fria e sem desejo de real conversão ao Senhor nosso! Crer de verdade exige que nos coloquemos debaixo do preceito de amor do Senhor! Estejamos atentos à advertência final e tremenda do Evangelho de hoje:

“Vendo os sinais que Jesus realizava, muitos creram no Seu Nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois conhecia a todos… conhecia o homem por dentro”

– Ah, Senhor Jesus! Tem piedade de nós! Converte-nos a Ti e, depois, olha o nosso coração convertido e dá-nos a Tua salvação! Piedade, Senhor! Na Tua misericórdia infinita, conduze-nos às alegrias da Páscoa! A Ti a glória, Cristo-Deus, pelos séculos dos séculos! Amém.

***

Pontos de aprofundamento da Palavra de Deus deste Domingo 04/03/18

1. Observe na primeira leitura:
➔ “Deus pronunciou todas estas palavras!”
Deus fala, Deus nos fala! Ele poderia ficar no Seu eterno e cômodo silêncio, deixando-nos viver do nosso modo, dando nossas cabeçadas e esvaziando nosso coração. Mas, não! Ele nos falou, abriu-nos Seu Coração para nos instruir e nos mostrar o sentido e o caminho da verdadeira Vida! É este o sentido da Lei de Deus! Pensando nisso, reze o salmo responsorial da Missa de hoje.

➔ Deus fala, Deus falou.
Quem é esta Palavra de Deus, na qual todas as palavras estão contidas e da qual todas as palavras dão testemunho? Esta Palavra, este Verbo é Jesus Cristo (cf. Jo 1,1). Tudo quanto Deus nos falou, mesmo no Antigo Testamento era, de modo misterioso, revelação do Seu Filho, Seu Verbo, Sua única Palavra! Por isso mesmo quem lê o Antigo Testamento em si mesmo, como algo completo e fechado em si, que por si mesmo se explica, sem compreender que tudo cumpriu-se a chegou à plenitude em Cristo, desvirtua o sentido profundo da Antiga Aliança. É o caso dos fundamentalistas de várias seitas cristãs, com sua leitura simplista: seduzem a muitos pelo modo simplório de interpretar a Palavra de Deus, mas, no fundo, estão traindo o sentido da Palavra, pois não conseguem ver a Palavra nas palavras…

➔ Quem é o Deus de Israel? Como Se apresenta? O que Ele fez para merecer ser amado e ouvido pelo Seu povo?
Leia os vv. 1-3.

➔ Deus proíbe que os judeus façam imagens:
(1) pelo perigo de Israel cair em idolatria e
(2) porque Deus não lhe mostrou Seu Rosto no Sinai. Mas, em Jesus, Deus agora mostrou o Seu rosto bendito e santo. Leia Cl 1,15; Jo 12,45; 14,8s. Por isso, os cristãos podem fazer imagens: elas não são para adoração; são para simples veneração. Quem afirma diferente fá-lo ou por má-fé ou por ignorância.

➔ Que significa que Deus castiga a culpa dos pais nos filhos?
Observe que Ele só castiga até a terceira e quarta geração, mas usa de misericórdia até a milésima (cf. vv. 5-6): isto quer dizer que Deus é amor, que Se compraz não em punir, mas em usar de misericórdia.

➔ Quanto ao Nome de Deus (IHWH), – v. 7 – não podia ser pronunciado porque pronunciar o nome de algo é conhecer plenamente, é ter o poder de controlar. Ora, Deus está para além de tudo quanto possamos compreender, imaginar, perceber; Ele é Mistério Santo; mesmo sendo amor, sendo o Deus próximo, é Deus e não nosso compadre! Não podemos manipulá-Lo e questioná-Lo. Hoje os cristãos andam meio esquecidos disto! Ainda hoje, na liturgia cristã, não se pode pronunciar o Nome Santo (IHWH). Há algum tempo a Santa Sé recordou isto num documento aos Bispos.

➔ Quanto à guarda do sábado (shabat = descanso) – vv. 8-11 -, era um modo de reconhecer que o tempo é de Deus e que o Senhor é o senhor da criação. Guardar o Descanso era o modo de bendizer o Senhor da criação e celebrar a Aliança de Deus com o Seu povo. Isto não vale mais para os cristãos: a antiga aliança passou. O Dia do Senhor Jesus é o Dia da nova criação, quando Cristo, ressuscitando, renovou todas as coisas e nos fez entrar numa Nova e Eterna Aliança. No Domingo devemos primeiramente participar da Ceia do Senhor, isto é, do Seu Santo Sacrifício, celebrado em cada Eucaristia; devemos também parar as atividades, reservando tempo para a oração, a convivência e o lazer, recordando que o tempo é de Deus e o ser humano vale pelo que é, imagem de Deus, e não simplesmente pelo que produz ou pelo dinheiro que tem.

➔ Recorde sempre: os preceitos do Senhor são caminho de Vida e salvação, são instruções para o homem ser feliz. Leia Br 4,4.

2. Releia a segunda leitura:
➔ Note que o Cristo não corresponde às expectativas do mundo: é loucura e insensatez para quem não crê! Não é Deus Quem tem que Se adequar ao homem para ser simpático; é o homem que deve converter-se a Deus, para compreendê-Lo e acolhê-Lo!

➔ Entre o cristão e o mundo haverá sempre um ponto de tensão, pois aquele pensa e age segundo o Espírito de Cristo; este, ao invés, age pela sua própria razão muitas vezes embotada e sempre ferida pelo pecado.

➔ Uma pergunta grave: quem inspira o meu modo de pensar: Cristo ou o mundo? A moral cristã ou a pressão da mídia e da maioria? Que fazer para pensar segundo Cristo? Resposta: converter-se! Converter-se é a atitude fundamental e permanente do caminho cristão!

3. Quanto ao Evangelho:
➔ Observe que Jesus não é politicamente correto, defensor de um tipo de religião meio açucarada, incapaz de gestos firmes e, às vezes, duros.

➔ Por que Jesus agiu desse modo?
Será que estava com raiva e descontrolou-Se? Mas, Ele não tem uma natureza ferida como a nossa e nunca cometeu pecado! O que Jesus fez foi realizar uma ação profética, isto é: falou por meio de uma ação. Vários profetas fizeram isto: Jr 13,1-11; 28,1-17; Ez 12,1-12. No evangelho de hoje, o Senhor está profetizando Sua Morte e Ressurreição!

➔ O que o Senhor quis dizer foi o seguinte: a religião dos judeus, representada pelo Templo, passou: chegou agora a Nova Aliança! Aquele Templo – como toda a Antiga Aliança – era somente uma imagem, uma preparação, um figura: o verdadeiro Templo é o Cristo ressuscitado, pois é Nele que o homem pode encontrar o Deus verdadeiro. Como os judeus estavam destruindo o Templo ao profaná-lo com seu comércio, assim também o Cristo seria destruído na morte; mas, ao terceiro dia ressuscitaria. O verdadeiro Templo é o Corpo do Senhor – e este corpo é a Igreja! Leia Ef 1,22-23.

➔ Jesus critica a religiosidade meramente externa e falsa dos judeus e também a religiosidade falsa dos cristãos (leia o v. 23-25). Que tipo de católico é você? Escutamos tanto nestes últimos dias: “Sou católico, mas….”. Você também é “católico, mas…”?

Meditação para o II Domingo da Quaresma

Dom Henrique Soares da Costa
Surpreende-nos, caríssimos, que neste tempo quaresmal, de tanta sobriedade, a Mãe católica nos coloque diante dos olhos Jesus transfigurado. Não seria mais adequado este texto num dos domingos da Páscoa? Cabe tanta glória, tanta luz, tanto esplendor, neste tempo de oração, penitência, esmola e combate espiritual? Mas, não duvidemos: a Igreja tem seus motivos; motivos sábios, motivos de mãe que educa com carinho.

Primeiramente, a glória de Jesus no Tabor, antegozo da Sua Ressurreição, anima-nos e alenta-nos neste caminho quaresmal. Ao nos falar da oração, da penitência, da esmola, ao os exortar ao combate aos vícios e à leitura espiritual, a Igreja, fazendo-nos contemplar o Transfigurado, revela-nos qual o objetivo da Quaresma: encontrar o Cristo cheio de glória e, com Ele, sermos glorificados. Continue reading

Meditação para o I Domingo da Quaresma

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

Chegaram, para nós, os sagrados dias da Quaresma: dias de oração, penitência, esmola, combate aos vícios e leitura espiritual. Esses dias tão intensos nos preparam para as alegrias da Santa Páscoa do Senhor. Estejamos atentos, pois não celebrará bem a Páscoa da Ressurreição quem não combater bem nos dias roxos da Quaresma.

A Palavra que o Senhor nos dirige já neste Primeiro Domingo é uma séria advertência neste sentido. A leitura do Gênesis nos mostrou como Deus é cheio de boas intenções e bons sentimentos em relação a nós: depois de haver lavado todo pecado da terra pelo dilúvio, como deseja nos purificar neste Tempo santo, misericordiosamente, o Senhor nosso Deus fez aliança com toda a humanidade e com todas as criaturas:

“Eis que vou estabelecer Minha aliança convosco e com todos os seres vivos! Nunca mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio”

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Meditação para o 4º Domingo do Tempo Comum

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

“Todos ficavam admirados com o Seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas”

Caríssimos, hoje a Palavra a nós proclamada mostra o Senhor ensinando. O Evangelho nos dá conta de que Seu ensinamento causava admiração. E por quê? Porque Jesus não é um simples mestre, um mero rabi… Vós escutastes na primeira leitura o que Moisés prometera – ou melhor, o que Deus mesmo prometera pela boca de Moisés: “O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar!” Eis! Moisés, o grande líder e libertador de Israel, aquele através do qual Deus falava ao Seu povo e lhe dera a Lei, anuncia que Deus suscitará um profeta como ele. E os judeus esperavam esse profeta. Chegaram mesmo a perguntar a João Batista: “És o Profeta?” (Jo 1,21), isto é, “És o Profeta prometido por Moisés?”. Pois bem, caríssimos: esse Profeta, esse que é o Novo Moisés, esse que é a própria Palavra de Deus chegou: é Jesus, nosso Senhor!

Como Moisés, Ele foi perseguido ainda pequeno por um rei que queria matar as criancinhas;
como Moisés, Ele teve que fugir do tirano cruel,
como Moisés, sobre o Monte – não o Sinai, mas o das Bem-aventuranças – Ele deu a Lei da Vida ao Seu povo;
como Moisés, num lugar deserto, deu ao povo de comer, não mais o maná que perece, mas aquele pão que dura para a Vida eterna.
Jesus é o verdadeiro Moisés; e mais que Moisés, “porque a Lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17).
Jesus é a plenitude da Lei de Moisés,
Jesus não é somente um profeta, mas é o próprio Deus, Senhor dos profetas, Senhor de Moisés!
Moisés deu testemunho Dele no Tabor e cairia de joelhos a Seus pés se O encontrasse.
Jesus, caríssimos, é a própria Palavra do Pai feita carne, feita gente, habitando entre nós! Continue reading

Meditação para o 2º Domingo do Advento

Dom Henrique Soares da Costa
Por Dom Henrique Soares

O tempo do Advento coloca-nos diante da miséria da humanidade, da pobreza e aperto da Igreja, da nossa própria miséria.
Pobre humanidade:

por mais que se julgue autossuficiente, é tão insuficiente,
por mais que deseje ser seu próprio deus, não passa de pó que o vento leva…
Pobre Igreja, tão santa pela santidade de Cristo, o Santo de Deus,
mas tão envergonhada pelos pecados de seus filhos e até de seus pastores, que deveriam ser exemplo e orgulho do rebanho;
tão difamada, tão vilipendiada, tão humilhada nos dias atuais.

Pobres de nós, que vivemos uma vida tão cheia de percalços e angústias, de lutas e lágrimas, de desafios que, às vezes, pararem mais fortes que nós!

Eis a humanidade!
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Meditação para o 32º Domingo Comum – Ano A

Dom Henrique Soares da Costa
Por Dom Henrique Soares da Costa

De um modo ou de outro, a Palavra do Senhor sempre nos fala da vida, nos revela o sentido, nos mostra o caminho. Hoje, o Cristo Senhor nos apresenta a existência como um punhado de talentos, de dons, de oportunidades que a providência gratuita e misteriosa de Deus colocou em nossas mãos para que façamos frutificar.

Certamente, jamais compreenderemos por que nascemos desse modo ou somos daquele outro. A vida é um mistério tremendo, Irmãos; tão tremendo, que o Salmista geme, entre admirado e oprimido:

“Ainda embrião Teus olhos me viram e tudo estava escrito no Teu livro; meus dias estava marcados antes que chegasse o primeiro. Como são profundos para mim Teus pensamentos, como são grandes seu número, ó Deus!” (Sl 139/138,16s)

Podemos, no entanto, ter a certeza de que o Senhor nos deu uma vida, “a cada um de acordo com a sua capacidade“. Continue reading

Meditação para 32º Domingo do Tempo Comum

Dom Henrique Soares da Costa

Caríssimos, estamos a poucas semanas do encerramento do Ano Litúrgico – Ai! como o tempo voa, como a vida passa! E a Igreja, como Mãe cuidadosa, faz-nos meditar sobre o final dos tempos e o fim da nossa vida! Fim como término, mas, sobretudo, fim como sentido, como finalidade!

Eis!
Qual o sentido da nossa existência?
Para onde correm, velozes, os dias de nossa vida?
Que fazer, caríssimos, com o breve tempo que nos foi dado neste mundo?
Estas, as questões tão importantes; estas as perguntas definitivas, que realmente contam; questões das quais o mundo atual, atolado nas miudezas provisórias do dia-a-dia, procura fugir com tanto cuidado… Continue reading

Meditação para o III Domingo Comum


Por Dom Henrique Soares da Costa

A primeira leitura da Missa de hoje é, em parte, a mesma da Noite do Natal:

“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu! Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade! Todos se regozijam em Tua presença”

Irmãos, esta luz que ilumina as trevas, que dissipa as sombras da morte, que traz a felicidade, é Jesus! O texto do Evangelho que escutamos no-lo confirma: Jesus é a bendita luz de Deus que brilhou neste mundo! Ele mesmo afirmou:

“Eu sou a luz do mundo! Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!” (Jo 8,12)

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Meditação para o II Domingo Comum


Por Dom Henrique Soares
Amados em Cristo, este Domingo é o primeiro após o encerramento do santo Tempo do Natal e marca o início da segunda semana do Tempo Comum, tempo verde, que celebra o mistério de Cristo, Sua ação salvífica entre nós, no miúdo dia-a-dia de nossa existência.

A beleza do Tempo Comum, caros irmãos, é aquela de nos permitir, a conta-gotas, na miudeza da vida diária, domingo após domingo, encher a nossa vida pequena com a Eternidade de Deus. Por isso também a cor verde, que significa a esperança de quem sabe que o Cristo Emanuel, morto e ressuscitado, estará para sempre conosco.

Que graça tão grande: nos símbolos, nos gestos, nos sinais, nas palavras da Sagrada Liturgia, entrarmos em contato com os gestos salvadores do próprio Cristo, do Santo Messias que nasceu para nós e, morto e ressuscitado, enche-nos de Vida divina! Por isso, o cristão tem força, por isso o cristão tem algo diferente e novo a dizer ao mundo, por isso o cristão é sal e luz! Continue reading

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