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História da Igreja 6ª Época: Capítulo VII

Morte de Pio IX

Os transportes de alegria dos católicos pela ocorrência do XXV aniversário de pontificado de Pio IX, renovaram-se ao festejarem o quinquagésimo da celebração de sua primeira missa; porém o de seu Jubileu Episcopal excedeu a todos os demais acontecimentos da História Eclesiástica, e a tudo o que é possível legar à posteridade. Basta dizer que no ano de 1877, fiéis cristãos de toda idade e condição, partiam das mais longínquas regiões de terra para irem venerar ao chefe da Igreja e levar a seus pés quanto possuíam de mais precioso em trabalhos de arte, em ouro, em prata ou em trabalhos científicos.

Mas a vida do homem é limitada. Pio IX, pela firmeza de sua fé, por sua caridade, por sua benevolência, por seus conselhos e por sua mansidão, tinha-se tornado a delícia do mundo, e dos corações. Os próprios heterodoxos o consideravam qual amigo, pai, irmão, e benfeitor. Continue a ler

História da Igreja 6ª Época: Capítulo VI

Beatificação dos Mártires do Japão

Será sempre de grata memória para os fiéis o dia 8 de junho de 1862, em que 26 heróis da fé, martirizados no Japão há cerca de três séculos, foram elevados à honra dos altares. Falamos, a seu tempo, da sanguinolenta perseguição de Taicosama e do grande número de cristãos que foram coroados com o martírio. Aqui tão somente acrescentaremos que, depois de terem sofrido muitos trabalhos nas prisões e nas viagens; depois de terem passado fome; sofrimentos e golpes de toda espécie, chegaram finalmente à cidade de Nagasaki lugar preparado para seu suplício. Querendo ensaiar ainda uma prova para lhes infundir temor, mostrou-se-lhes um outeiro sobre o qual se achavam preparadas 26 cruzes. Ao recordar, em presença desse espetáculo, que a cruz tinha trazido a salvação ao gênero humano, e que dentro em pouco abriria-lhes as portas do céu, encheram-se de grande alegria. Um deles chamado Antonio, falou no lugar do suplício a seus pais, que lhe faziam grandes promessas para excitá-lo a renegar a Jesus Cristo:

“Vós me prometeis bens terrenos, Jesus Cristo, bens celestiais aqueles duram breve tempo, estes são eternos”

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História da Igreja 6ª Época: Capítulo V

A Imaculada Conceição

Logo que o Papa voltou à sua sede, chegaram-lhe de todas as partes do mundo os votos dos bispos atestando a crença geral de que Maria sempre tinha sido preservada do pecado original, e que era uma das maiores aspirações de seus diocesanos que se definisse dogmaticamente esta verdade. O pontífice estabeleceu então uma comissão de doutos teólogos e cardeais; mais tarde concedeu um jubileu de três meses, para excitar aos fiéis a dirigir a Deus ardentes votos, e convidou finalmente que fossem a Roma todos os bispos, que facilmente pudessem ir. Depois de uma discussão esmerada e profunda, se achou que era doutrina conforme às sagradas escrituras, constantemente manifestada pela tradição, isto é, na sagrada liturgia, nos escritos dos santos padres, nos decretos dos sumos pontífices, e no sentimento geral de todos os cristãos, que Maria tinha sido concebida sem mancha original, e que era coisa muito conveniente que se definisse essa doutrina como artigo de fé. Pio IX depois de novas súplicas, julgou que já tinha chegado o tempo de proceder à tão anelada definição; e assistido pelos cardeais, pelos patriarcas e por um grande número de arcebispos e bispos em presença de multidão imensa de sacerdotes e leigos, a 8 de dezembro de 1854, dia consagra­do a Maria Imaculada, antes de celebrar a santa Missa, pronunciou este decreto na basílica vaticana:

“É doutrina revelada por Deus que a Bem-aventurada Virgem Maria desde o primeiro instante de sua Conceição foi preservada de toda mancha da culpa original por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em consideração aos méritos de Jesus Cristo. Salvador do gênero humano; e por isso todos os fiéis devem crer nela firme e constante­mente”

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História da Igreja 6ª Época: Capítulo IV

Eleição de Pio IX

Um dos maiores pontificados e dos mais esplêndidos, é sem dúvida alguma o de Pio IX. Nasceu em Sinigaglia no ano de 1792, da família dos condes Mastai Ferretti e se chamou João Maria. Jovem ainda, tinha ido a Roma para alistar-se no exército pontifício; porém sua abalada saúde impediu-lhe a realização de seu desígnio. Mas Deus que o chama para grandes coisas, o curou como temos visto, para que pudesse alistar-se na milícia sacerdotal. Desde jovem já brilhava em João todo gênero de virtudes; a devoção à Bem-aventurada Virgem formava todas as suas delícias. Digno ministro de Jesus Cristo prontamente conheceu a grande necessidade que tem a juventude de ser educada; e para este fim consagrou os primeiros trabalhos de seu grande ministério. Tomou conta em Roma da direção e administração de dois grandes institutos, conhecido um sob o nome de Tata Giovanni e outro de São Miguel em Ripagrande, onde se albergam centenas de meninos pobres. Uma difícil missão levada a cabo no Chile por comissão de Pio VIII demonstrou o grande talento e a rara habilidade que possuía no manejo dos grandes negócios. À sua volta do Chile foi nomeado bispo, e finalmente no ano 1840 criado cardeal. A morte de Gregório foi, quase, por unanimidade de votos, proclamado pontífice a 16 de junho de 1846 dois dias depois de terem entrado para o conclave os Cardeais, e tomou o nome de Pio IX. Para narrar devidamente os feitos deste incomparável pontífice seriam necessários muitos e avultados volumes; limitaremo-nos, pois, a indicar alguns.
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História da Igreja 6ª Época: Capítulo III

Leão XII e Pio VIII

Sucedeu a Pio VII o cardeal Anibal de Genga, natural de Espoleto o qual tomou o nome de Leão XII. Seu pontificado durou cinco anos e cinco meses incompletos. Amava muito aos pobres e o mesmo dia em que o coroaram preparou-lhes um esplêndido jantar no Vaticano. Tomou muito a peito o cuidado dos institutos de beneficência pública, aos quais visitava com frequência e provia de todo o necessário. Ia às vezes visitar, sem aviso prévio as igrejas e os hospitais, para certificar-se se as pessoas ali empregadas cumpriam seus deveres com regularidade. No ano do jubileu (1825) beatificou a quatro servos de Deus, isto é: a Agostinho Juliano e a Angelo de Acri da ordem de São Francisco, a Afonso Rodriguez, jesuíta, e a Hipólito Galantini, fundador da Congregação da doutrina cristã. Certo dia, enquanto ainda gozava de boa saúde, disse a um de seus familiares:

“Daqui a alguns dias já não nos veremos mais”

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História da Igreja 6ª Época: Capítulo II

Queda de Napoleão

A história nos demonstra claramente que o favorecer a religião é o princípio da grandeza dos soberanos, e que ao contrário, persegui-la é causa de sua ruína. Napoleão não o queria crer, porém os fatos lhe provaram. Seu imenso poder fazia tremer a toda Europa e era seu nome temido em todo o mundo. Quando soube que Pio VII o queria excomungar por suas violências contra a Igreja e seus ministros, dizia em tom de mofa:

“Pensa talvez o Papa que a excomunhão fará cair as armas das mãos de meus soldados?”

Porém as censuras da Igreja, tarde ou cedo, produzem inexoravelmente seu efeito. A ambição levou de fato a Napoleão até as extremidades da Rússia, onde os quatrocentos mil homens, que compunham seu exército, morreram em sua maior parte pelo ferro, pela fome ou pelo frio. O general Ségur, um dos chefes daquele formidável exército, deixou escrito:

“Os soldados mais valentes, gelados de frio, já não podiam segurar as armas e estas caíam lhes das mãos”

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História da Igreja 6ª Época: Capítulo I

Pio VII

Quando se deu a morte de Pio VI, os repuplicanos franceses tinham-se assenhoreado de Roma e de toda a Itália. O chefe da Igreja morrera no desterro, os membros do sacro Colégio achavam-se encarcerados ou dispersos; como se poderia eleger um pontífice? Não temamos; Deus que governa sua Igreja, saberá inutilizar os esforços dos homens. Efetivamente dali a pouco um exército austríaco ataca os franceses, expulsa-os de Roma e da Itália e os encerra em um estreito desfiladeiro entre a Ligúria e o Piemonte. Postos então em liberdade os cardeais, se reúnem em Veneza e elegem para ocupar o trono de São Pedro ao cardeal Chiaramonti de Cesena, que tomou o nome de Pio VII. Dirige-se este a Roma e toma de novo, com a maior solenidade, posse do poder temporal que lhe dera Deus para conservar a independência de seu ministério, entre as homenagens e as felicitações dos soberanos. Logo que os Austríacos cumpriram sua missão, travou-se a batalha de Marengo, e apesar de seu número e valor, são derrotados e desaparecem da cena. Prova evidente de que Deus lhes deu no primeiro encontro a vitória somente para o bem da Igreja, isto é, para que se pudesse eleger o novo Papa e tomasse novamente posse de Roma. Ano 1800. Continue a ler

História da Igreja 5ª Época: Capítulo VII

Santo Afonso e os Redentoristas

Enquanto Voltaire e Rousseau infestavam o mundo com seus escritos ímpios, serviu-se Deus do glorioso Afonso Maria de Ligório para iluminar e santificar aos povos. Nasceu em Nápoles no ano de 1696, e desde sua juventude manifestou-se qual luminoso modelo de virtude. Era mui exato no cumprimento de todos os seus deveres, especialmente religiosos, comungava toda semana e ainda com maior frequência, e visitava todos os dias o Santíssimo Sacramento. Aos 16 anos já se achava graduado doutor em ambos os direitos e dedicava-se ao exercício da advocacia. Vendo, porém, frustradas suas esperanças de vencer uma causa, determinou abandonar o mundo e consagrar-se a Deus no estado eclesiástico. Pregava com grande fervor, e seu próprio pai a primeira vez que o ouviu, exclamou vivamente comovido:

“Meu filho me fez conhecer a Deus”

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História da Igreja 5ª Época: Capítulo VI

Irmãos das Escolas Cristãs

A Igreja católica, à imitação de seu divino esposo, pôs sempre especial empenho em educar as crianças e formá-las desde pequenas à virtude. Entre a multidão de seus filhos que, inflamados neste espírito de caridade, se dedicaram de modo especial à educação da juventude, distinguiu-se o venerável João Batista de la Salle, de Reims. Unia este, a uma vida pura e inocente tal inclinação e amor para a ciência e para a virtude, que desde muito jovem foi nomeado cônego, doutor em teologia, e mais tarde, ordenado sacerdote. Cuidadoso em adquirir uma dignidade segura e imperecível no paraíso, renunciou ao cargo de cônego, distribuiu quarenta mil francos de patrimônio entre os mosteiros, e dedicou-se a recolher meninos pobres e abandonados, para instruí-los na santa fé. Não podendo só ele levar a cabo uma obra de tanta importância, chamou em seu auxilio outros companheiros, nos quais infundiu seu espírito. Desta maneira principiou a instituição dos Irmãos das Escolas cristãs que tem por fim exclusivo a educação cristã dos meninos da classe pobre ou menos acomodada da sociedade. Continue a ler

História da Igreja 5ª Época: Capítulo V

Jansênio

Depois da solene condenação do protestantismo no concílio de Trento, pode gozar a Igreja de alguma paz até que apareceu o Jansenismo, heresia que deve seu nome a Cornélio Jansênio, seu autor. Natural de Accoy na Holanda e filho de pobres artistas, foi por um caridoso barbeiro guiado na carreira dos estudos. Mas, para sua primeira desgraça, contraiu amizade com um tal De-Vergel, conhecido na história sob o nome de Abade de São Cirano. Uniu-se a isto o ensino do Dr. Janson, o qual se esmerava em infundir em seus discípulos a doutrina de Baio, doutor da Universidade de Lovaina, condenado pela Igreja. Não obstante isto, como Jansênio ocultava seus erros, e parecia bastante douto nas ciências sagradas e mui apto em fazer obras de caridade, foi nomeado bispo de Iprés no ano 1636. Foi curto seu episcopado, porque dois anos depois morreu de peste, aos 53 ele idade. Continue a ler

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